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| Cristiane Prizibisczki | |||||
| 19 Jan 2010, 11:36 | |||||
Luiz Fernando Figueiredo, um dos fundadores do Centro de Estudos Ornitológicos, costuma frequentar as várzeas do Tietê para observar pássaros. Em uma destas saídas, no final de 2009, ele percebeu que um dos poucos brejos onde o bicudinho-do-brejo-paulista é encontrado, na cidade de Biritiba Mirim, estava sendo usado para extração de areia. Valetas aparentemente recém abertas estariam sendo usadas para a drenagem da água. A área fica a menos de 100 metros do rio e, pelos esboços da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA), deverá fazer parque do parque. Segundo documentos da Secretaria, a obra é antiga, de 2006, e está licenciada. Mas Figueiredo aponta dois fatos “estranhos” nesta história: o primeiro é que aquela é uma Área de Preservação Permanente (APP), que, pela lei, não deveria ter ocupação; a segunda é que a valeta tem todas as características de ser recente. “Na resposta que nos deram quando fizemos a denúncia, eles [a SMA] dizem que essa drenagem já existia, o que não é verdade, porque visitamos a área com certa regularidade e só recentemente a vimos”, disse. Para Figueiredo, este é só um exemplo dos riscos que sofrem as áreas pleiteadas pelo governo para se transformar na unidade. “Em função do anúncio do parque, é bem provável que muitos proprietários estão tentando se apossar dessas áreas de alguma forma, dando algum uso para elas”, diz. “Quando fizemos a denúncia, sugerimos que fosse instituída uma vigilância ambiental mais efetiva e regular em toda a extensão do projeto do parque, para evitar essas irregularidades.” Por vários dias, O Eco procurou a Secretaria de Saneamento e Habitação, responsável pela execução do projeto, mas a assessoria do órgão alegou que não havia tempo disponível para entrevistas. Pequeno ameaçado
Este bicudinho foi descoberto em 2005 e ainda não está descrito na literatura científica, mas já faz parte da lista de espécies ameaçadas do estado. Segundo o ornitólogo da USP Luis Fábio Silveira, orientador dos trabalhos de monitoramento da espécie, a população atual do passarinho não ultrapassa 200 indivíduos. Sua principal ameaça é justamente a degradação dos brejos naturais. O livro de espécies ameaçadas de São Paulo, lançado em 2008, sugere “proteção imediata dos brejos naturais” e “monitoramento das populações existentes”, entre outras ações. Para o professor da USP, a proteção tem que começar mesmo antes da efetivação de uma unidade de conservação. “Quando estas áreas forem efetivamente preservadas [por lei], se estiverem degradadas não vai adiantar. É preciso tomar cuidado agora”, alerta Silveira. >
Atalho: Parque Linear Várzeas do Tietê Saiba mais: Tietê: um rio, muitos problemas Quando bons exemplos não bastam São Paulo impermeabilizada Tesouro urbano Enfim, abrigados |
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