Itatiaia: solução nas mãos do tempo PDF Imprimir E-mail
Felipe Lobo   
23/06/2009, 17:04
No dia 22 de outubro do último ano, a Associação dos Amigos de Itatiaia - AAI (composta, basicamente, pelos proprietários de terrenos dentro do parque nacional) protocolou uma proposta no Ministério do Meio Ambiente para redefinir os limites da unidade de conservação. O grupo pedia que 1.300 hectares da parte baixa do parque – onde está a maioria das casas e hotéis - se tornassem Monumento Natural, um tipo de área protegida que permite a existência de zonas particulares em seu interior.

Desde então, o governo federal não havia se pronunciado oficialmente a respeito, e até os funcionários do parque esperavam que uma contraproposta, definida por um grupo técnico do qual fazem parte servidores da própria unidade e do Instituto Chico Mendes, fosse apresentada. Uma reunião extraordinária, inclusive, estava marcada para o último sábado dentro do parque, mas foi cancelada dias antes. Era ali que, provavelmente, os interessados saberiam a posição do ministério.

Neste mesmo fim de semana, entretanto, o manda-chuva da pasta que cuida dos interesses ecológicos brasileiros, Carlos Minc, informou à imprensa que o parque não perderia um hectare sequer de seus domínios. A decisão diz respeito ao estudo elaborado pela comissão designada dentro do ICMBio e que foi anunciada quase um ano depois do pedido da AAI. Mas pode fazer bem ao parque, apesar de sua complexidade. Um dos próximos passos é criar um "Grupo de Impulsão", formado por membros do governo, da sociedade civil e um funcionário do parque. Ele será coordenado pelo Chico Mendes e terá a função de fazer o plano dar certo.

De acordo com João de Deus Medeiros, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, a intenção do presidente do ICMBio, Rômulo Mello, é apresentar o projeto ao conselho consultivo do parque antes de qualquer publicação no Diário Oficial da União. Agora, porém, é difícil que o governo volte atrás na escolha. Em resumo, Minc garantiu que a unidade de conservação será efetivamente implantada depois de 72 anos, mas só não se sabe quando.

O chefe do parque nacional Walter Behr celebrou a notícia e explica os pormenores do processo. Algumas propriedades sem casas montadas e outras que servem apenas para veraneio deverão ser indenizadas a preço de mercado. Neste caso, os terrenos passariam diretamente para as mãos do governo e depois à unidade. Os recursos para isso virão principalmente de compensações ambientais de obras de infra-estrutura. Cinco milhões de reais de Furnas serão usados apenas para regularização fundiária, valor que deve ser suficiente para iniciar os trabalhos, avalia Behr. Ele diz que isto é positivo pois ajuda a tirar o parque da inércia de décadas. 

“Mas há outras possibilidades para se chegar a um consenso de regularização fundiária. Caso haja um casal de idosos que fez a sua vida lá, por exemplo, será traumático desapropriá-los. Por isso, haverá uma espécie de usufruto vitalício. Assim, eles continuarão vivendo ali, mas o terreno será imediatamente incorporado ao patrimônio do parque e não continuará com os descendentes”, explica.

Uma terceira alternativa foi pensada para os cinco hotéis dentro do parque. Para dois deles, Ypê e Donati, haverá um processo de amortização. Em primeiro lugar, serão avaliados os valores de cada um. Depois, o governo vai estipular o aluguel da concessão para que o hotel opere dentro de uma unidade de conservação – conforme dita a legislação que não foi cumprida até hoje.

Isso significa que eles permanecerão em atividade durante o número de meses suficiente para que as cotas de permissão cubram o valor total do empreendimento. A partir daí, a propriedade também passa para o estado sem qualquer ônus. É improvável, no entanto, que este trâmite leve menos do que dez anos.     

Decisão conturbada

“Esses são os dois hotéis com condições de viabilidade, tanto operacional quanto econômica, para permanecerem no parque”, avisa Behr.  Os outros terão, muito em breve, outros usos. Enquanto o antigo Hotel Simon será uma universidade de biodiversidade e gastronomia, o Aldeia dos Pássaros abrigará um complexo de visitação turística, com camping, alojamento e restaurante. Já o Cabanas, por sua vez, deve virar uma biblioteca pública. Leonardo Rodrigues de Britto, dono deste último, não ficou nada feliz com a decisão. “Um absurdo, mas vamos à luta ver o que podemos fazer para mudar”, diz. 

João de Deus Medeiros explica, no entanto, que ouviu de Rômulo Mello a necessidade de delinear melhor o projeto para ser discutido com o conselho consultivo. “A proposta é por um acordo coletivo para se aproveitar todo o potencial da área”, afirma. Para Behr, trata-se de um ganho histórico nos 72 anos do parque, recém completos, já que todo o processo será feito de forma gradativa e negociada.

O chefe do parque ficou mesmo animado com a declaração de Minc. “Já imaginávamos que ele não fosse aceitar a recategorização do parque. Agora, há perspectiva real de solução e sucesso, vamos ver as saídas caso a caso. Trata-se de um projeto muito maduro”, avalia.

A dúvida, no entanto, é se o caso abrirá um precedente perigoso para as outras unidades de conservação ao aceitar, mais uma vez, não seguir o que determina o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC): indenizar todos os proprietários de terras e desapropriá-los o mais rápido possível.

Não é o que pensa Maurício Ruiz, diretor-executivo do Instituto Terra, uma das principais entidades sem fins lucrativos de proteção à Mata Atlântica do país. Segundo ele, o Brasil nunca pensou efetivamente em uma estratégia de larga escala para resolver o problema da regularização fundiária nas suas unidades de conservação. Por isso, as soluções precisam ser diferentes para cada lugar.

“É preciso ser um pouco flexível e usar a imaginação. O Itatiaia tem um valor simbólico enorme. Precisamos desse precedente, há ali um passivo ambiental de muitas décadas. Precisamos firmar contratos para ter garantia de que, com o tempo, as áreas ficarão mesmo para o parque. E a sociedade deve acompanhar este processo”, conclui.

A Associação dos Amigos do Itatiaia ainda não possui uma opinião formal sobre o tema, já que não foi informada pelo governo sobre o teor do possível ato administrativo que sacramentará as palavras de Minc. Leila Heizer, presidente da AAI, afirma que os membros da entidade foram pegos de surpresa com a notícia.

“Fizemos uma proposta, o ICMBio ficou de analisar e depois nos procurar com outras idéias. Sempre quisemos conversar, e achávamos que isso aconteceria. Enviamos apenas uma sugestão em outubro, não significa que fosse a solução. Estamos abertos à discussão, não somos especialistas em gestão. Mas quero só reafirmar que o cuidado com o parque é o interesse de todos, e precisamos lutar por ele”, afirma.
Luiz Carlos Bastos, prefeito de Itatiaia e proprietário do hotel Ypê, assegura que só existem duas alternativas para a União: ou juntar dinheiro e desapropriar todos os donos de terras no valor de mercado, ou deixar como está. “Falo isso há vinte anos. Define quanto vale, arrume os recursos e resolve o problema”, diz.

Novos caminhos

Independente dos próximos capítulos, a decisão do Ministério do Meio Ambiente anuncia novos tempos para o Parque Nacional de Itatiaia. Será uma mudança de paradigma, como explica Walter Behr. Segundo ele, é o momento de finalmente implementar a unidade criada em 1937 e triplicada 45 anos depois a partir do enfrentamento de questões que historicamente eram vistas e tratadas sem a devida seriedade e longe dos ditames da legislação nacional. 

Agora que a recategorização não vai sair, existem dois caminhos estabelecidos pela chefia do parque como os mais importantes: uma nova ampliação e a reformulação completa do Plano de Manejo. A primeira idéia ainda está em estudos de viabilidade.

“Analisamos áreas sem benfeitorias, ou seja, sem títulos de terras, no entorno do parque, principalmente na região de Engenheiros Passos (limítrofe com a parte baixa, onde está a sede e o centro de visitantes). Mas o acréscimo deve ser de cerca de dez mil hectares”, explica Behr. Antes, no entanto, é preciso que haja reuniões públicas com os habitantes locais. 

O segundo tópico, e talvez mais complicado, seja a confecção de um novo Plano de Manejo para a unidade, que definirá todas as regras de gestão e uso público do solo. Desde dezembro, a Câmara de Compensação Ambiental do Rio de Janeiro aprovou a emissão de recursos provenientes da construção de uma siderúrgica da Votorantim em Resende para este projeto. Seis meses depois, o dinheiro ainda não foi direcionado a Itatiaia.

“Acho deselegante esse assunto ter vindo à tona, porque o pessoal do parque não mostrou mais nenhum interesse nesses recursos. Eles não apresentaram termos de convênio para recebê-los, por exemplo. Não é tão simples assim, as unidades de conservação federais estão subordinadas ao ICMBio e a secretaria executiva do Ministério definiu que deseja assinar todos os repasses. Há muitos trâmites a serem resolvidos”, afirma Elisabeth Lima, subsecretária de Meio Ambiente do Rio de Janeiro e coordenadora da Câmara de Compensação Ambiental do estado.

Fato é, porém, que Itatiaia tem boas perspectivas pela frente. O atual Plano de Manejo, por exemplo, só atua sobre os onze mil hectares estabelecidos como parque em 1937. Os outros vinte mil contemplados na ampliação da década de 1980 não podem ao menos ter fiscalização - quanto mais outros usos, como observação de aves ou abertura de trilhas.  Mais de 50% da área atual do parque, por exemplo, ficam no sul de Minas Gerais. Não há, lá, um posto sequer para acomodação de equipe técnica.

Em entrevista ao O Eco na última quarta-feira, antes do anúncio de Minc pela manutenção integral dos domínios do Itatiaia, Walter Behr dizia que a decisão teria um enorme reflexo para todo o sistema de unidades de conservação do país. Afinal, desmembrar o primeiro parque do país poderia ser uma ameaça para todos os outros. Agora, resta torcer para um desfecho realmente positivo. O que só o tempo dirá.

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Comentários
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Oxalá
Zé Brasil 23/06/2009 14:58:38

O deus Tupã fique vigilante com o desenrolar deste imbróglio. Dinheiro há.
Como sempre o que falta é "vontade política".
boi de *******
Anônimo 23/06/2009 15:38:36

Só falta alguém dizer o que será dos 97% restantes da área do parque, que
igualmente está nas mãos de propriedades privadas, pastos e
plantações!!!
Estão fazendo desses proprietários "boi de *******",
para essa jogada político-econômica absurda!!!
Onde está o estudo de impacto
ambiental deste projeto???
é muita cara de pau!!!
Lúcia Teixeira 23/06/2009 16:47:19

Os pioneiros desse Parque estão dizendo "amém" de onde
estiverem...tanto cuidado e trabalho p/depois de 72 anos, aparecerem
"especuladores"? Ainda bem que apareceram pessoas de bom senso, que não
se deixaram levar por argumentos pequenos e interesseiros em "abocanhar"
uma fatia de uma UC que é referência em todo território nacional. Tenho
certeza que Wanderbilt não precisa mais se revolver em seu descanso eterno.
Anônimo 24/06/2009 07:45:54

referência em invasão, mau uso, má gestão, falta de regularização
fundiária e desordem, grande referência
Minc, eu não posso calar.
Hilda M.C.F. de Mello 25/06/2009 04:46:03

Frequento o Itatiaia há 42 anos, quando o Núcleo Colonial ainda nâo tinha
sido incorporado aos limites do PNI (somente pelo Decreto de 1982 ficou dentro
do limite, na ampliação). A proposta apresentada pela AAI-Associação dos
Amigos do Itatiaia foi resultado de estudos e tinha como objetivo principal
encontrar uma solução técnica, jurídica e economicamente viável e,
principalmente, abrir um diálogo com o ICMBios e a comunidade.
A partir da
apresentação da proposta houve continuidade nos estudos da AAI e era esperada
uma oportunidade para apresentação de outras alternativas possíveis. Uma
delas não recategorizava nenhuma área do PNI atualmente pertencente a União ,
mantinha a continuidade das terras, com sua Pedra Fundamental, Centro de
Visitantes e Vila Administrativa, mais principais atrações turísticas da
área e acréscimo de outras. O importante nessa alternativa era a preservação
da área que seria mantida dentro das disposições da lei SNUC, o turismo seria
incrementado, abrangendo ecoturismo e aspectos culturais da região, as pessoas
que participaram do processo de recuperação da área seriam respeitadas e não
punidas e o recurso necessário para sua implementação seria de
aproximadamente 3 milhões de reais, quantia essa menor que os 5 milhões de
compensação ambiental que o chefe do Parque diz estar disponivel.
Uma pena
que o Ministro Minc não tenha optado democráticamente pelo diálogo e esteja
disposto a gastar 80 milhões de reais do dinheiro público para começar a
ressolver a situação e depois transformar um santuário ecológico em uma
Disneylandia Ambiental.
Lamento profundamente.
Também quero essa varinha de condão que o Ministro
Maurício Clauzet 25/06/2009 07:07:04

Estou bastante curioso, estou sabendo dessa solução para o Itatiaia pela
mídia, e trago abaixo inclusive o link do "O Globo", publicado no
sábado dia 20/6, com os detalhes que estou sabendo.
Este link do Globo traz
nas palavras suas Exmo. Ministro, vários elementos sobre o que será o nosso
futuro parque referência:
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/
06/20/parque-nacional-de-itatiaia-vai-ganhar-novas
-regras-passar-por-revitalizacao-756436933.asp
Cur ioso que na sexta dia 19,
houve reunião das Câmaras Técnicas e do Conselho Consultivo lá no PNI e nada
disso tenha sequer sido ventilado, e no dia seguinte, no jornal de sábado, sai
essa info, esse plano mágico. Me pareceu que se o Ministro e a Direção do
parque estão tranqüilos com essa proposta, que teria sido no mínimo uma
questão de respeito ter colocado isso no foro adequado em primeiro lugar, já
que nestes foros essa discussão anda rolando há um tempo. Talvez um pouco de
covardia... ou de não querer se dar ao trabalho de explicar nada pra quem vem
colocando energia e discutindo isso ( e eventualmente em condição de
questionar algo da solução mágica). E acima de tudo também são as pessoas
envolvidas e eventualmente prejudicadas. Achei que faltou respeito do Ministro
pelo processo que já se desenrola há alguns anos.
Cabe lembrar que um ato
administrativo não tem força jurídica e que este governo tem seu mandato
somente até o ano que vem. Será que será possível se organizar a tempo de
viabilizar tudo o que foi manifestado pelo atual ministro na mencionada
reportagem. Me parece meio difícil. Será que o senhor não sabe disso? Ou
será que a varinha de condão ainda guarda poderes que a gente desconhece e
tudo pode ser feito em um passe de mágica?

Na matéria do "o globo"
ficam mais claras quais as intenções futuras pro parque do que na matéria da
Folha. Como a universidade de "Gastronomia e Biodiversidade",
teleférico para birdwatcher entre outras idéias ótimas.
Na essência os
pontos principais do governo para o plano de revitalização, são os seguintes
(por enquanto sem prioridades nem cronograma):
•Interdição do acesso para
carros e implantação de uma linha regular com ônibus
elétricos;
•Estímulo a prática de arvorismo e canoagem, observação de
pássaros, etc;
•O hotel Simon será transformado em um centro
universitário de estudos sobre biodiversidade e gastronomia;
•Indenizar
proprietários com menos de 60 anos;
•Oferecer àqueles acima de 60 anos a
opção de usufruto das residências, apesar de que eu não tenho idéia de como
isso pode ser conduzido na prática e juridicamente;
•Os hotéis Ypê e
Donati, torná-los concessionários, para que o pagamento das concessões seja
aplicado no abatimento das indenizações devidas aos
proprietários;
•Realização de audiência pública, para, se for o caso,
realizar pequenas mudanças consensuais no plano;
•Ampla infraestrutura de
estacionamento junto à portaria do parque para atender
visitantes;
•Criação de serviço terceirizado de transporte
interno;
•Concessão de 3 restaurantes, 4 lanchonetes, 2
cafés;
•Hospedagem simples por meio de um conjunto de chalés;
•O hotel
Cabanas será transformado numa biblioteca de referência para estudos de
questões ambientais;
•Regularização de trilhas, inclusive uma suspensa
para observação de pássaros.
A solução me deixou assim bem feliz, pois vi
que o Ministro tem uma varinha mágica que através de um ato administrativo vai
solucionar esse problema fundiário do PNI que se arrasta de 1982!!! Que ótimo.
Não sei porque a Ex-Ministra Marina Silva já não tinha usado antes essa
varinha mágica, talvez ela não soubesse de sua existência. Uma pena também o
Ministro não usar a mesma varinha mágica para fazer algo contra a Medida
Provisória 458, já aprovada na camara e no senado que legaliza e dá posse de
uma vasta área da Amazônia, inclusive para pessoas juridicas. Acredito que o
senhor deva ter escutado a respeito dela, apesar do pouco destaque que ela
recebeu na mídia.
Se todo esse elenco de ações, serviços e obras se
concretizar, o impacto ambiental decorrente será certamente muito maior se
comparado com a permanência dos pacatos moradores atuais. É interessante
observar que até os números de restaurantes, lanchonetes e cafés já foram
definidos pelo Ministro! Uma conta difícil de equacionar mas acredito que tenha
sido maravilhosamente resolucionada pela sua varinha mágica novamente.
Achei
ótimo realmente! Me pareceu um pouco longe da realidade do parque tudo isso,
uma vez que nós nem conseguimos fazer uma mísera reserva no Abrigo Rebouças
dada a inoperância e incapacidade da administração do parque, mas
provavelmente a varinha mágica do Ministro pode dar um jeito nisso também no
momento que quiser e eu não estou sabendo. Ah, lógico, privatizando e
colocando tudo em licenças e concessões tudo vai funcionar, eu também tinha
esquecido desse detalhe, ainda com a vantagem de que funciona e ainda rende um
dinheirinho né.
Podem imaginar a responsabilidade e dimensão da competência
dos futuros chefes do parque para administrar a universidade, a biblioteca, os
serviços terceirizados, a logística, a infraestrutura de saneamento básico e
energia e a própria unidade de conservação? Curioso ouvir quando se conversa
sobre um camping na parte alta que "há vontade do parque, mas não há
recursos". Parece que muita coisa vai melhorar também no Chico Mendes e
toda a sua inoperância e incapacidade são coisas do passado agora! Agora, com
a varinha mágica, além de desfazer todo embrolho da regularização
fundiária, o Inst Chico Mendes além da desapropriação terá agora de
projetar, assegurar recursos, construir, reformar, demolir, contratar, atender a
legislação ambiental e administrar o complexo cultural proposto pela varinha
mágica. Ótimo! Me parece então que há bastante fôlego administrativo e
recursos financeiros sobrando lá no instituto para tudo isso! É um bom sinal
não, quem sabe assim não vai sair o camping na parte alta...

Eu na verdade
continuo curioso em saber porque houve e há tanto interesse nos 1.200 hectares
do bairro, pelos quais o ministro afirma ter para desembolsar 80 milhões. Isso
resulta pra união em um custo de aproximadamente 67mil por hectare, que não
está caro, considerando que é um bairro urbanizado, com casa, luz,
abastecimento de água etc.... mas se pensarmos nos outros 12mil hectares da
expansão de 82 de terras rurais, que ainda faltam regularizar e ninguém nem
abriu a boca nem mexeu um dedo a respeito dessa regularização fundiária... Os
mesmos 80milhões provavelmente seriam suficientes para desapropriar todos 12mil
hectares com o preço de mercado para terra rurais na região (dá R$6700,00 por
hectare).
Mas beleza, obviamente não cabe a mim discutir o que seria mais
importante ou mais válido para o parque para ser feito com o nosso dinheiro da
União. Provavelmente é melhor que ter toda a área do parque regularizada ter
uma pequena parte como "modelo", uma referência de Disneylandia
Nacional de aventura, biodiversidade, gastronomia etc para deixar qualquer
gringo com inveja e obviamente com todos serviços concessionados, pois a gente
sabe né, as coisas na mão do Governo não funcionam, não andam e não dão
dinheiro. Mas fazendo uma concessão para a iniciativa privada tudo funciona.
Como as estradas por exemplo.
Não vejo a hora de entrar em um ônibus elétrico
de 2 andares e ter uma experiência de visitação super legal como a que eu
tive no PN de Foz do Iguaçu! Legal mesmo, a gente nem se sente no selvagem, é
quase como ir ao Shopping, super confortável, super seguro. Precisa de um pouco
de dinheiro, afinal é mais caro viver com conforto né... Mas eu nem me
importo, pois a coisa sendo um pouco mais cara dá uma "filtrada" né, e
vai só gente mais instruída, gringos e tal que não são uma ameaça tão
grande à Natureza de um PN quanto quem não tem dinheiro. Todo esse esquema de
disneyambiental é o tipo da coisa que realmente faz o ser humano se sentir
integrado, e parte da natureza, e não algo à parte, como olhando um lindo
aquário. É tudo que precisamos!!!! Me parece que hoje em dia essa questão do
ser humano se sentir uma coisa só com a Natureza é realmente muito importante,
assim quem sabe paramos de F com ela. E lógico, sempre dá para pagar por algum
serviço e se sentir ainda mais perto da Natureza e ainda com bastante
adrenalina, yuhuuu! Vamos pegar um barco e descer o rio na maior adrenalina ou o
teleférico que passa sobre a copa das árvores para eu olhar os pássaros?
Andar no mato? Não isso não é mais necessário, todo esse desconforto será
não só evitado, como proibido! Afinal nós homens só F a Natureza, então em
um Parque Nacional há regras bem claras para deixar a gente bem longe da
Natureza, e confortáveis, E SEGUROS! Afinal é perigoso estar no meio da
Natureza. Devemos deixar isso pros Biólogos e outros Catedráticos estudiosos
que sabem de tudo e não vão estar em perigo andando no mato!
Anyway, seja qual
for o desfecho, eu espero que role o melhor para o Parque, e que no futuro as
pessoas não sintam que foram usadas para viabilizar algo que elas depois
percebam que não foi bem como elas achavam que ia ser. Que tenham sido usadas
na sua boa intenção de defender o Parque para criar uma Disneylandia de
concessões. Sobre a desapropriação em si, acho que sendo pago o preço justo,
como o ministro prometeu... tudo bem. Não tenho apego nenhum a essa questão da
propriedade dos meus pais, e sou grato pelas escolhas de vida que eles fizeram e
me levaram ao privilégio de ter essa oportunidade de viver o Itatiaia de uma
forma que talvez nenhum de nós vá poder ter uma experiência similar mais. Se
realmente o Sr Ministro afirma que os moradores são "do bem", e tem
amigos lá, eu não consigo imaginar porque então eles não foram tratados com
o devido respeito nesse momento e essas informações foram diretamente à midia
ao invés dos foros que já estão envolvidos neste processo. Na verdade me
preocupa muito mais como a política ambiental do nosso governo está totalmente
direcionada para o desenvolvimento e aceleração econômica, e para isso está
desmontando a nossa política ambiental como país. Assim a disnelyzação dos
parques é apenas a ponta desse iceberg. Aliás, não dá para dizer nem a
"ponta", seria o cubinho de gelo no topo do Iceberg, quando comparamos
os 1200 hectares do Núcleo Colonial com os 67 milhöes de acres da União na
Amazônia que serão DADOS à propriedade privadada de pessoas físicas e
jurídicas através da MP458.
Resta agora que o Ministro use a varinha de
condão para assinar logo esse ato administrativo, e a gente inclusive possa
saber de mais detalhes, pois esse esquema de saber as coisas via mídia é
bastante complicado, vide as diferenças de informações que existem entre a
matéria da folha e do globo.
De como as circunstancias conduzem as soluções
Hamilton José Ferraz de Mello 26/06/2009 08:50:09

A Associação Amigos do Itatiaia apresentou uma justa e clara reivindicação
consubstanciada em uma proposta: tornar legalmente possível a convivência de
uma comunidade que já provou a proteção a matas densas das quais foi
responsável pela existência, enquanto floresta secundária, e pela proteção
da mesma. A recategorização para Monumento Natural não significa SUBTRAIR
muito pelo contrário significa SOMAR recursos culturais e históricos,
atividades artísticas e de sustentabilidade. Como primeiro parque nacional tem
o condão do símbolo que pode ensejar uma nova política de aproximação do
homem da natureza. O ponto focal dessa propositada distorção, é a afirmação
de que haverá uma perda. Perda de que? Se a categoria Monumento Natural tem o
MESMO nível de exigência de proteção integral da categoria Parque
Nacional.
As áreas onde hoje se encontram a pedra fundamental de criação do
primeiro parque nacional brasileiro, toda sua estrutura administrativa, seu
centro de visitantes, recentemente revitalizado e as suas áreas de maior
visitação pública, continuariam exatamente como estão em terrenos de
domínio e posse da União e mais poderiam continuar sob a mesma administração
do Parque Nacional do Itatiaia, como todos os citados 1.300 hectares. Desde que
haja inteligência e criatividade, haveria efetivos ganhos com uma mesma
administração desde que libertássemos de preconceitos e expurgássemos as
aleivosias. As argumentações apresentadas constituem um caso típico de
indução vulgar, sofisma sofisticado pois envolto/em/apelo/emocional.
Vejamos
o que foi proposto, perdoe-me, sob a ótica da indignação pela forma como
conduzido, e no tom irônico adequado para ressaltar as incongruências, e,
en***** inicialmente a amigos.
“A epopéia do Ministro Carlos Minc no
episódio da solução para a “parte baixa” do Parque Nacional do Itatiaia,
assemelha-se às histórias das mil e uma noites. Para solução de um problema
real, recorre-se a imaginação de uma Sherazade.
Como justificar
desapropriações, se o único impedimento é o art.11 parágrafo 1º da lei
SNUC, teriam que ter uma razão forte ambiental. Entram em cena na novela
Biblioteca no Hotel Cabanas e Universidade no Parque Hotel Itatiaia, antigo
hotel Simon. Não poderia ter um lugar melhor para biblioteca que o Hotel
Cabanas, com umidade de 100%. Universidade de Biodiversidade e Gastronomia. Nada
como juntar gastronomia com biodiversidade. Que tal servir porcos do mato com
molho indiano bem apimentado, ou pombas ao molho pardo. E lugar para os
doutores, mestrandos e doutorandos em biodiversidade. Não os 60 apartamentos do
hotel é muito pouco, vamos precisar das casas ao redor desse complexo de
diversidades. Sim assim ficam justificadas as desapropriações das casas do
lote 90 com prioridade. E os funcionários, cada funcionário deve ter uma casa!
Afinal o trabalho é extenuante e precisam do conforto de casas de veraneio.
Carros não, ônibus elétricos ( deve ser com energia solar). E os carros onde
ficar: construa-se um estacionamento para trezentos carros na entrada do Parque.
Onde colocar tanto carro? Isso não é problema do Ministro, talvez do Ministro
dos Transportes. E o arvorismo, canoagem, caminho suspenso pela copa das
arvores, e tomem paginas das mil e uma noites. E recursos para todo isso? De
onde virá? Esse é mais um episódio da novela a espera de patrocinadores. Que
tal um grande desastre ambiental causado por uma grande empresa, ou uma nova
Usina Nuclear a X kms do Parque. Nesse caso o crime tem compensação ambiental,
portanto, o crime ambiental compensa. Nesse cenário pasteurizado do Parque Fóz
do Iguaçu, espera-se 1 milhão de visitantes ano. E a natureza, recolher-se-á
amedrontada com o impacto dessa multidão. Alguns detalhes do projeto merecem
atenção: os moradores proprietários de mais de 60 anos, poderão ficar nas
outrora suas casas, pois serão desapropriadas também, receberão parcela da
desapropriação e pagarão enquanto viverem, a parcela que não irão receber,
a titulo de aluguel da casa que era sua e passou para o ICMbio. È mais uma
fantasia com o nome de uso fruto, ou seja o fruto de seu trabaho é agora de
outro que lhe cobra aluguel. Com a agravante, se você sair da casa, perde a
casa. É uma prisão domiciliar. E o meio ambiente, ainda bem que é só meio.
Os exegetas do ambientalismo que inventaram uma “desintegração de 1300ha”
e não querem saber onde estão 12.000ha, um “Parque Nacional do Itatiaia de
1937”, o que restou da compra de 48.000ha em 1908, perdidos, provavelmente
grilados, e nós proprietários legítimos como cachaça pura, somos excluídos
de nossas propriedades, pela impropriedade ministerial, nós que zelamos pelas
casas, reflorestamos, criamos uma floresta secundária onde existia pasto, somos
escorraçados e mal pagos - é bom dizer que seremos pagos pelo valor de
mercado; só faltou dizer de que mercado - vemos do outro lado da moeda
“grileiros que deram duro” receberem da União títulos de domínio e posse
de até 1500ha. Em que pais estamos? No pais do faz de conta dos
administradores/políticos? Somos todos personagens de uma história das Mil e
Uma Noites. E por falar em noite, vamos assistir ao capítulo Caminho das
Indias, quem sabe um ministro aparece na novela. “
Um fato escondido, não
divulgado, é que há um projeto de ampliação do Parque Nacional do Itatiaia
que passaria dos nominais 30.000 hectares para 37.100 hectares. Dentre as
premissas para essa ampliação consta a não inclusão de áreas onde existam
edificações e , fato interessante, a proposta a possíveis áreas abrangidas
pela ampliação, que se tornem RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural
). Por que não as fazem aos atuais proprietários particulares de áreas
incluídas em 1982 nos limites do Parque Nacional do Itatiaia de as
transformarem em RPPNs? A dificuldade seria somente legal, pois conceitualmente
a aceitam e apregoam. Mesmo em casos, como no Parque Nacional da Bocaina, tendo
atuais proprietários, até de pousadas, informação de proposta de
ampliação, estão transformando a parte que lhes interessa de fato em RPPN.
O
ponto fundamental é que, ao se criar o Parque Nacional do Itatiaia em 14 de
junho de 1937(Decreto nº1.713), exatamente na área da Estação Biológica
Itatiaya criada em 1927, nenhuma área de lote de proprietário particular,
então remanescente do Núcleo Colonial Itatiaya, pertencia a essa Estação
Biológica, e portanto, o Parque Nacional do Itatiaia não continha lotes de
particulares. Fora desses limites de 1937, lotes de propriedade da União,
remanescentes do Nucleo Colonial Itatiaya ou lotes revertidos à União, vieram
ser ocupados, posteriormente pela Administração do Parque Nacional do
Itatiaia, bem como a Vila Administrativa com casas para funcionários (22) e
para pesquisadores. A Pedra Fundamental do PNI, citada encontra-se em terreno da
União, mas nessa data, 14/06/1937, fora dos limites do Parque. Mesmo o Museu
Histórico, (atual Centro de Visitantes) estava fora dos limites do Parque.
Temos prova desse fato.
Somente em 20 setembro de 1982(Decreto nº 87.586),
através de um decreto eivado de erros, é que foram definidos marcos
topográficos dos limites da ampliação do Parque Nacional do Itatiaia, e os
lotes de proprietários particulares citados no manifesto em objeto foram
incluídos. Note-se que no Art. 2º desse decreto, autoriza a promover o manejo
dessa área, que passa a integrar o Parque Nacional do Itatiaia, mas não define
sejam as áreas de particulares desapropriadas na forma da lei, pois não se
pode manejar áreas de propriedade particular, embora se saiba que o decreto
ocorreu em época de autoritarismo.
Outro ponto muito interessante, não
divulgado, é que a área adquirida pela União em 1908 para instalar Núcleos
Coloniais era a soma de sete fazendas de Irineu Evangelista de Souza, em terras
contínuas, perfazendo 48.000 hectares.
A área do Núcleo Colonial Itatiaya
ocupou 2.512hectares, a área do Núcleo Colonial Visconde de Mauá era de
5.925hectares a área da estação Biológica Itatiaya era de 11. 943hectares,
(que viria ser a área do Parque Nacional do Itatiaia), somando essas áreas
chegamos a 19.906 hectares, que podemos simplificar em 20.000hectares para
argumentação. Se a União adquiriu 48.000hectares, ocupou 20.000hectares,
restam 28.000hectares. Admitindo que a ampliação do Parque Nacional do
Itatiaya ocorreu somente em áreas adquiridas pela União em 1908 (note-se que
parte dessa área foi vendida entre 1908 e 1916 a colonos), ampliação de
~12.000hectares para ~30.000hectares, acréscimo portanto de 18.000hectares
(pelas medidas atuais de 16.000hectares), restam 10.000hectares a 12.000hectares
de localização e ocupação absolutamente desconhecidas. Ou seja, não se sabe
onde existe o equivalente a um parque nacional de 1937, e faz-se um movimento
muito significativo pela “integração” de exatamente 1.345hectares quando
não se sabe onde está e quem ocupa a área equivalente a um Parque Nacional
de 1937, 12.000hectares Evidentemente há uma distorção de foco.
Com
relação a demonstração de adesão de entidades e personalidades, devemos
ressaltar que muitos foram induzidos por uma falha grave na argumentação onde
éramos arrolados como posseiros, invasores, quando, e isso e provado de forma
oficial, passamos a integrar os limites do Parque Nacional do Itatiaia somente
em 20/setembro/1982. Detalhe importante a quase totalidade das propriedades tem
registro em cartório de imóveis legalmente regulares e aptos para concessão
de registro. E mais, são a maioria pertencentes ao cadastro imobiliário da
Prefeitura de, inicialmente Resende e posteriormente de Itatiaia, pagando o IPTU
correspondente a sua propriedade.
Portanto, tem as propriedades fé publica,
são de domínio privado e alienáveis. Tão alienáveis e legais que a União
adquiriu e incorporou as áreas seguintes: (1) Sítio das Acácias, de 12751,30
m², escritura de 04/10/1957, registro nº 714, livro 13 fls. 13v do Cartório
do 18ºOfício de Niterói, desmembramento do lote 90 do Nucleo Colonial
Itatiaya, hoje residência de funcionário do ICMBio/PNI, responsável pela
área pública do PNI; (2) parte desmembrada dos lotes 22 e 24 do Núcleo
Colonial Itatiaya com área total de 365.196,00 m² escritura de 31/12/1969 e
registro nº 1539, livro 47, fls 140 e 151v do Tabelionato João N. Almeida,
Vila de Itatiaia/RJ. Nesse terreno está construída a atual P1, Portaria 1 do
Parque Nacional do Itatiaia.
Entendemos que a Proposta de Monumento Natural
demarcava política ambiental de integração do homem a natureza, com
integração dos valores culturais e históricos, neste nosso chamamento global
pela sustentabilidade. Como diz nosso prezado companheiro Minc:”Está
enterrada”.
Provar é preciso
Aldem Bourscheit 08/07/2009 13:37:27

Prezada Sra. Ana Kanin, seu comentário por enquanto está suspenso. O espaço
para comentários em O Eco é democrático e livre, mas certas afirmações
merecem melhor identificação de seus autores e do acompanhamento de provas,
ainda mais quando apontam figuras públicas, pelas quais não estamos tomando
partido com este comentário.

Atenciosamente
everton 10/08/2009 08:57:58

adorei
devemos reagir
yuri 27/08/2009 19:45:10

depois de tanto trabalho duro daquelas pessoas para ter um pedaço de terra
aparecem pessoas tira suas terras e além disso tirar seu sustento.
essas
pessoas devem tomar vergonha na cara
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