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Deter aponta explosão do desmatamento em agosto

Dados de sistema em tempo real do governo indicam um aumento extraordinário de 220% em relação a agosto de 2011. Estrago maior continua no eixo da BR 163.

Gustavo Faleiros · Daniele Bragança ·
19 de setembro de 2012 · 10 anos atrás

Alertas de desmatamento emitidos em agosto pelo sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), gerenciado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indicam a intensificação do desmatamento, principalmente no estado do Pará.

De acordo com o relatório mensal do sistema, em agosto de 2012 foram detectados 522 quilômetros quadrados (km2) de corte raso na Amazônia, um aumento extraordinário de 220% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram desmatados 163,3 km2.

Deste total de 522 km2, 43,6% (ou 227,82 Km2) ocorreram no estado do Pará, seguido pelo Mato Grosso, com 39,8% (ou 208 Km2) derrubados no mês.  A cobertura de nuvens sobre os territórios estaduais tanto em 2012 como em 2011 foi praticamente inexistente, não deixando dúvidas sobre o aumento do desmatamento no mês.

Os últimos 12 meses, entre setembro de 2011 e agosto de 2012, indicam uma queda de 6,5% no desmatamento acumulado no período. Ele caiu de 2.577,8 quilômetros quadrados (km2) para 2.409,9 km2. Mas agosto destoou e produziu uma inflexão nessa tendência.

Governo reage com operação no eixo da BR 163

Mesmo após anos de promessas de ações de sustentabilidade, como a criação de unidades de conservação e um distrito florestal, o eixo da rodovia BR 163, a Cuiabá-Santarém, continua a ser o principal foco de destruição na Amazônia. No mapa que abre a matéria, a fina linha azul representa a BR 163. Ela mostra claramente como existem pontos de desmatamento que se organizam em torno da rodovia.

Os alertas de desmatamento foram enviados principalmente a bases operativas do Ibama localizadas na tradicional fronteira agropecuária no eixo da BR 163. A base de Sinop no norte do Mato Grosso lidera o número de alertas em agosto de 2012, seguida por Altamira, município onde se contrói a hidrelétrica de Belo Monte.

Diante dos novos indicadores de recrudescimento das derrubadas em agosto, o Ibama deflagrou uma operação nos municípios mais críticos do Pará e do Mato Grosso. Batizada de Soberania Nacional, a ação de fiscalização está autuando desmatadores, apreendendo máquinas e embargando propriedades. Segundo o MMA, são cerca de 300 agentes em campo deste o início de agosto.

Ministério do Meio Ambiente espera redução

Para o  Departamento de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA) o crescimento no mês passado reflete a sazonalidade das derrubadas, que geralmente se concentram entre agosto e outubro, meses de seca na Amazônia.

Em 2012, fatores de mercado, como a quebra de safra do milho nos EUA e a alta do preço do ouro teriam causado uma antecipação no desmatamento. “Registramos áreas de garimpo nos alertas do Deter”, conta o diretor do MMA, Francisco Oliveira. “Os primeiros alertas do Deter em setembro já mostram uma diminuição no desmatamento”, garante ele.

Áreas que estariam registrando grandes desmatamentos, como Castelo dos Sonhos, no norte do Mato Grosso, já estão neste mês livres de novas derrubadas. O sistema DETER gera alertas diários de desmatamento através de imagens de menor resolução. Os dados são disponibilizados a cada quinze dias.

O mês de agosto é o primeiro na contagem oficial da taxa do desmatamento, que é consolidada através de imagens de satélite de alta resolução do programa Prodes. Embora o primeiro mês do “ano do desmatamento” tenha indicado forte aumento da destruição da Amazônia, o governo acha que ainda é cedo para fazer previsões. Nos últimos dois anos, o Brasil bateu recordes consecutivos de redução de desmatamento.

 

 

 

  • Gustavo Faleiros

    Editor da Rainforest Investigations Network (RIN). Co-fundador do InfoAmazonia e entusiasta do geojornalismo. Baterista dos Eventos Extremos

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 3

  1. Eu espero que os indígenas sejam assentados em terras degradadas do entorno, onde eles podem produzir suas roças à vontade. Infelizmente vimos muitas vezes o resultado da entrada de indígenas nas unidades de conservação do sul da Bahia e norte do Rio Grade do Sul, para no falar do litoral de São Paulo e Paraná. A extinção local dos animais de maior porte se segue rapidamente, assim como a venda de madeira. As unidades de conservação não são palco para solucionar os nosso grave problemas sociais.


  2. Israel Gomes da Silva diz:

    Se não tem apoio de partido político, quem está bancando a picanha e a bebida que a liderança está comendo todos os dias no Sahy Vilage Shopping, sendo solicitado apenas Notinhas da comida? Todos os dias um grupo de indígenas vão à praia e aí Shopping, mesmo no frio.


  3. Salvador Sá diz:

    Parabens ao Duda pela materia, me permite concluir que estamos diante de uma nova e muito grave ameaça ao q sobrou, grave pq faz uso de uma causa nobre, mas cheia de equivocos e que está enganando muita gente e não só os próprios índios. A materia fura o cerco de silencio feito pelo ambientalismo seletivo e chapa branca midiatico.