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| Madeira de qualidade com galhos secos |
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| Aldem Bourscheit | ||||||||||||
| 24/06/2009, 08:30 | ||||||||||||
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A maioria das matas com araucárias que sobreviveram ao ciclo madeireiro estão no Sul do país, mas um dos maiores produtores brasileiros de pinhão é Cunha. O município serrano a 230 quilômetros de São Paulo produz em média 800 toneladas por ano. As sementes chegam inclusive aos mercados do Paraná e de Santa Catarina, conforme a Secretaria Municipal de Agricultura. O sistema de colheita é semelhante ao que a reportagem de O Eco encontrou na região de Painel, em Santa Catarina (veja aqui), com centenas de famílias dependendo das safras invernais para complementar a renda com a venda de sementes. A comercialização também é centralizada em atravessadores. A produção se concentra em 240 das mais de 3.300 propriedades rurais e movimenta cerca de 280 mil reais por ano. Em Cunha, metade dos mais de 26 mil habitantes estão no campo, onde a atividade econômica mais forte é a pecuária leiteira. Os produtores de lá também escalam as árvores para derrubar pinhas e têm recebido orientação da organização não-governamental Serra Acima para compra e uso de cadeirinhas, capacetes, mosquetões e outros equipamentos de segurança comuns ao rapel e ao montanhismo. Confira um vídeo aqui. Matéria-prima natural
A primeira idéia foi patenteada em 2005 pelo casal Sílvio Moreira e Marli Bosquet. Em sua propriedade, em Quitandinha (PR), o gado não conseguia pastar sob o pinheiral pela enorme quantidade de grimpas, cheias de folhas pontiagudas. Conforme Moreira, o material cai da árvore praticamente seco e pronto para ser processado e transformado em painéis de alta qualidade. A madeira pode ser aproveitada na construção civil ou fabricação de móveis. “O produto não é novo, mas é um novo conceito de madeira, feita com material renovável e gratuito”, disse. Uma primeira fábrica está planejada para os próximos meses em Campo Largo, no Paraná, com apoio de um empreendedor privado. O investimento inicial previsto é de R$ 1,5 milhão, fora o apoio da prefeitura local na construção de um barracão. Na região fica a Floresta Nacional de Assunguí, com 730 hectares e por volta de 600 mil pinheiros. A fábrica precisa de no mínimo 130 mil árvores fornecendo grimpas para garantir uma produção mensal de 14.400 painéis medindo 2,6 m x 1,20 m com quinze milímetros de espessura. A empreitada promete gerar 70 empregos diretos, em três turnos de trabalho. “A madeira é mais densa que produtos semelhantes, além de ser resistente ao fogo e à água”, disse Beto Barbosa, assessor do projeto. Seus inventores avaliam que é possível instalar unidades produtoras de madeira em vários pontos do país onde há matas com araucárias e estrutura para escoamento da produção. Outra iniciativa veio da Pontifícia Universidade Católica no Paraná (PUC/PR). Nos laboratórios da instituição, foi desenvolvida uma tecnologia para transformar as grimpas em briquetes, espécie de lenha que pode ser aproveitada em residências, churrascarias, pizzarias e outros estabelecimentos. No processo, galhos de araucárias são triturados e processados junto com papel jornal. A mistura é prensada e formatada em barras de vinte por cinco centímetros. O invento ainda não foi produzido em escala industrial. “Os briquetes apresentam boa queima e podem ser produzidos nas próprias fazendas, reduzindo a necessidade de lenha comum e aproveitando matéria-prima da própria região”, disse o engenheiro florestal Arnaldo Carlos Muller, professor da PUC/PR e coordenador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável (IDS), de Curitiba. Antes de iniciativas como essas, o destino certo das grimpas era o fogo ou apodrecer no meio da mata. Saiba mais: Parte 1 - O futuro nas sementes da araucária Parte 2 - Colheitas e regeneração dos pinheirais ![]()
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