Multinacionais e a degradação florestal PDF Imprimir E-mail
Gustavo Faleiros   
19/06/2009, 15:36
Londres -
Foi lançada nesta semana em Londres (Inglaterra) uma iniciativa que pretende desvelar a rede intricada que existe por trás do desmatamento de florestas tropicais em todo o mundo. O Forest Footprint Disclosure Project, algo como Projeto de Divulgação da Pegada Florestal, será uma das mais amplas tentativas já realizadas de mapear a relação entre o comércio global de commodities e a perda de biodiversidade. Para isso, 150 das maiores multinacionais de todo o mundo receberão questionários onde serão convidadas a abrir dados sobre a origem de suas matérias-primas. O governo do Reino Unido é um dos principais financiadores da empreitada. 

O quadro que sairá do levantamento certamente não será dos mais bonitos. Mesmo com os primeiros resultados prometidos para janeiro de 2010, o projeto liberou no dia de seu lançamento um pequeno documento onde lista quais são as principais ameaças às florestas tropicais. O estudo demonstra que seis commodities globais - soja, óleo de palma, carne bovina, couro, madeira e biocombustíveis - estão impulsionando a destruição das regiões de maior riqueza biológica do planeta.

“Queremos mostrar às empresas os riscos envolvidos em seus negócios ao explorarem os recursos naturais”, argumenta Andrew Mitchell, chefe do comitê gestor do Forest Footprint Disclosure. Segundo ele, ao continuarem a consumir cegamente produtos das florestas nativas, existem três principais riscos que as grandes multinacionais parecem não enxergar. O primeiro deles é a perda de investidores, como grandes fundos de pensão e gestores de ativos. O segundo é o do aumento do preço da matéria-prima graças a restrições dos governos. E o terceiro é o da perda de reputação frente aos consumidores.

“E existe um quarto risco, mais difícil de entender”, continua Mitchell, “É o risco de que ao contribuir para a destruição das florestas, a companhia coloque em jogo o seu próprio negócio, pois são as florestas que fornecem regulação do clima, água potável, polinização e tantos outros serviços ambientais”, ressaltou.

É com essa visão que o projeto da “pegada florestal” conquistou alguns dos maiores investidores do mercado financeiro. Doze gestores de fundos, com ativos estimados em 1,3 trilhão de dólares, já anunciaram seu apoio ao Forest Footprint Disclosure. Isso quer dizer que, quando receberem o questionário pedindo informações sobre suas matérias-primas, muitas multinacionais estarão sendo observadas por alguns dos maiores compradores de ações do planeta.

“O projeto deve ajudar as companhias a pensar e contabilizar seus impactos e sua dependência das florestas. Isso certamente vai influenciar decisões sobre o acesso aos recursos naturais. Abrir informações implica em mudanças nas permissões de uso e de licenças para operar, seja através de medidas tomadas por investidores ou por autoridades”, pondera Pippa Howard, diretora de Parcerias Corporativas da Fauna e Flora Internacional, uma das maiores entidades ambientalistas do mundo e membro do comitê do Forest Footprint Project.

As informações geradas pelo relatório ajudarão a Fauna e Flora a continuar seus estudos sobre a dependência de diversos setores da economia de serviços ambientais. Em parceria com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP), a ong tem o projeto Valorando a Natureza (veja aqui), onde estuda 31 companhias de setores diversos como fumo, alimentação e varejo. 

O lançamento do Forest Footprint Disclosure foi mais uma demonstração de que as empresas definitivamente entraram na linha de tiro das ações de combate ao desmatamento e ao aquecimento global. Depois da repercussão mundial do relatório do Greenpeace mostrando que a cadeia produtiva de carne e couro no Brasil estava intimamente ligada ao avanço do desmatamento na Amazônia, o projeto deve elevar ainda mais a pressão sobre os setores que tem uma alta pegada florestal.

Pippa Howard, da Fauna e Flora Internacional, acredita que ações como essa terão também um impacto sobre os consumidores. Ela lembra que recentemente a Unilever foi duramente criticada no Reino Unido por utilizar óleo de palma extraído de plantações na Indonésia para fabricar o sabonete Dove.

Já Andrew Mitchell cita o caso de consumo de carne em todo mundo, questionando se não seria possível às pessoas reduzirem seu consumo para diminuir a demanda por gado criado na Amazônia. “Como consumidores, estamos todos juntos”.

Clique aqui e confira a versão completa do relatório do Forest Footprint Disclosure Project

Saiba mais:

Governo é aliado da destruição na Amazônia
Seguradoras conhecem mais risco do clima
Comentários
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gostei dessa pegada
leticia pinheiro 20/06/2009 07:58:41

essa é uma noticia boa. Noticias assim nos dão esperança e confiança, de que
situações reacionárias e retrógradas possam ser corrigidas.
Anônimo 20/06/2009 08:15:38

verdade leticia, mas tem que pegar aqui dentro no Brasil também o relatorio do
Greenpeace nao foi nem comentado pelo nosso presidente idiota e analfabeto
ambiental por opçao. deus nos livre da Dilma
amazona
anonimo tb 21/06/2009 09:30:44

ola vc e um inbencio chamar um presidente com como este asim vc
queria que estivese ai o fernando enrique q se eli estise no gover
ate a amazoia ja tinha sido vendida pq negocio deli era privatizar
e dividir o dinheiro
e isso q vc queria pro brasil
seo
inbencillllllllllllllllllll
Será o Lula?
Fábio 21/06/2009 12:16:22

Pelo português corretíssimo e racicínio linear que confere com os fatos
desconfio que foi nosso presidente quem escreveu o comentário anterior.
Multinacioais e a Degradação Ambiental
San 21/06/2009 14:28:41

Engraçado ou proposital, o estudo demonstra que seis commodities globais -
soja, óleo de palma, carne bovina, couro, madeira e biocombustíveis em que o
Brasil é autosustentável é o responsável por toda destruição do mundo. O
clube dos.... estão mais uma vez querendo esconder seus objetivos de arrebentar
economicamente o Brasil. Levantam uma bandeira e não fazem nada em seus países
para recompor a floresta e os passivos ambientais que escondem. E ai...Caro
leitor de uma olhada nestes países o G7. Deixe o Brasil...
Precisamos ficar em alerta...
Wilson 21/06/2009 15:31:06

Sempre vejo ambientalistas e desenvolvimentistas trocando acusações. Mas antes
de tomar qualquer partido, devemos sempre aprofundar sobre os verdadeiros
interesses dos países desenvolvidos. O Brasil não deve deixar que os países
ricos fiquem pressionando sobre como devemos utilizar da nossa Amazônia, eles
não tem o direito moral, pois já devastaram suas florestas e agora querem
impedir nosso desenvolvimento impedindo a exploração da Amazônia. è claro
que precisamos explorar de forma racional e sustentável e o Brasil precisa
investir em pesquisas. O que os países ricos podem fazer no momento é pagar
pela contribuição da nossa floresta ao equilíbrio ambiental do mundo....ora,
mas isso eles não querem, pois mexe no bolso deles...
Precisamos reagir,
mudar os argumentos falsos das ONGs e cobrar medidas justas para todos.

Vamos ficar alertas !!!
Alertas e críticos
Helton Perillo Ferreira Leite 21/06/2009 19:25:50

Em termos puramente ambientais é uma ótima notícia.
Mas ...
Meses atrás
foi anunciado um projeto que iria monitorar as emissões de CO2 em todo o mundo.
Os maiores emissores de CO2 são os países ricos (exceto o Brasil quando queima
a mata). O projeto foi adiado. Seria ruim para os ricos. Agora este novo,
também muito promissor, deve sair. Este vai afetar o desempenho comercial dos
países mais pobres, detentores de florestas tropicais (aqui incluído nosso
Brasil).
Fiquemos sempre alertas e críticos contra possíveis espertezas
comerciais.
amazonia
anonimo 21/06/2009 19:40:13

fabio vc e mt sabido e escreve erado tanbem vc vio q vc
escreveo........ cofira la; vc escreveo racicino nunca ovi esta palavra
Anônimo 22/06/2009 06:10:44

San conta agora a do papagaio. essa de bloqueio gringo ao desenvolvimento
interno é bem velhinha
Sempre os gringos
Fábio 22/06/2009 10:13:45

Ninguém precisa sabotar os planos do "Brasil Potência". Nós fazemos
isso sozinhos. Veja o preparo do que sai de nossas escolas (um dos Anônimos é
um exemplo). Pensando bem, deveríamos dar a Amazônia de presente aos europeus.
O vexame seria menor, sairia mais barato e o primeiro mundo ficaria mais perto.
Muita calma nessa hora!!
Fabio Heydman 22/06/2009 12:06:48

Caros colegas de comentários,
Sao muitos os problemas envolvendo o nosso
País. Primeiro: Teoricamente um país produz alimento para atender a demanda
interna, e exporta o excedente, correto! No Brasil nao!!! Toda produçao
geradora de impacto na Amazonia e outros Biomas sao exclusivos para exportaçao
e se situam nos grandes latifundios. Talvez 90% da comida em nosso prato seja
produzida por agricultura familiar!! Por si só esse ja seria um enorme
problema, mas a questao é pq que começando a apertar esses produtores de
commodities iria atrapalhar o "desempenho comercial" dos países
pobres??? Realmente quem ganha com essa qtdade enorme de exportaçao de carne,
couro e soja???? Cadê os biocombustiveis nas ruas a preços de quem é
autoridade no assunto???? Alguém sabe?? Cade os investimentos do dinheiro
arrecadado com essas exportaçoes???? Todos nós sabemos que sao poucos que
ganham com o desflorestamento da Amazonia, sao poucos que especulam
comercialmente grandes extensoes de terras, e a maioria do povo??? Passa fome,
necessidade, paga impostos absurdos, e vive na miséria total!!! Amigos o
problema nao é pressoes internacionais contra aquecimento global e desmatamento
e emissao de CO2, a raiz do problema situa-se em Brasilia, na politica de
desenvolvimento do Brasil, em que a prioridade é enriquecer alguns e sugar do
povo, esse é o nosso Brasil, nao protege os "seus" estamos com inumeros
regressos que deveriamos sanar antes de pensar em progresso, fiquem tranquilos
nao é nenhum relatorio europeu que vai atrapalhar o desenvolvimento do Brasil,
como diz o "xará" acima somos nós mesmos que nao consiguimos esse tao
almejado desenvolvimento!!! Enquanto nôs portarmos como "neocolonia"
onde toda produçao tem como destino final as "Metrópoles" estaremos
nessa situaçao. Precisamos olhar pra nós mesmos nesse momento, pq quem deveria
nao olha!!! Abraços a todos
Os seis cavaleiros do apocalipse
Zé Brasil 22/06/2009 14:37:52

"...commodities globais - soja, óleo de palma, carne bovina, couro, madeira
e biocombustíveis...": é o retrato 3x4 da Terra Brasilis.
Os Fábios estão certos!
Zé Brasil 22/06/2009 14:51:00

Isso mesmo colegas! Basta olharmos a guerrinha particular os ministérios da
Agricultura X Meio Ambiente e ver o placar: por enquanto 10 a 0. Como exportar
é o que importa, somente com pressão externa é que a situação interna pode
melhorar. Quem não faz a dever de casa leva pau na hora da prova.
Livre pensar
Zé Brasil 22/06/2009 14:55:49

Se desmatamento gerasse riqueza (leia-se bem estar social) o Brasil será o
país mais rico do Universo: há 500 anos devastamos com vontade!
Pode ser uma barreira comercial?
Mariana 23/06/2009 08:38:42

Claro que sim. Mas... e daí? Uma barreira comercial imposta pelos países ricos
que dificulte a vida de quem está querendo devastar o meu país... hum, vou
reclamar disso por quê? Prefiro participar dela e também boicotar os
fornecedores listados.

Não, não tenho dó dos pobrezinhos da Amazônia que
vão ficar pobres com isso, porque a devastação florestal não vai deixá-los
ricos. Quando se anda pelo "Brasil do Norte" o que se vê é justamente
o contrário: miséria extrema, especialmente nas regiões mais devastadas, que
os sanguessugas das madeireiras e da jogação de boi (nada contra a pecuária,
tudo contra chamar de "pecuária" largar os bois em pasto seco e matar
os bichos magros cinco anos depois) já abandonaram. Uma meia dúzia de
grileiros arruma dinheiro fácil e chamam de desenvolvimento phfff.

E quem
ficar chateado porque estão fazendo essa barreira, porque "deveriam cuidar
do deles primeiro", porque "já devastaram"... bem a verdade é que
quem tem dinheiro gasta o seu dinheiro como quiser. Se os ricos decidem que não
querem comprar produtos fruto da devastação florestal, o que se vai fazer?
Manha?
hgjks
bebe marry 01/07/2009 13:06:56

legal....
valeu!!!!!!!!!
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