Brincando de deus na Chapada Diamantina PDF Imprimir E-mail
Cristiane Prizibisczki   
27 Mar 2009, 17:40

No início desta semana, o Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA) ganhou da empresa paulista ModClima uma hora de chuva artificial, com o intuito de manter a vegetação mais úmida e, assim, prevenir incêndios florestais na unidade de conservação. A iniciativa dividiu opiniões. De um lado estão técnicos e chefia da unidade que, traumatizados com o grande incêndio do ano passado, vêem a tecnologia como uma arma na prevenção de incêndios. De outro, especialistas defendem que as mudanças no regime de chuvas e na umidade no parque, criado sobre uma grande mancha de Cerrado em meio à Caatinga baiana, podem ser desastrosas para plantas e animais que dependem do clima seco e do calor para sobreviver.

O parque é uma das áreas protegidas federais que mais sofre com a ocorrência de fogo no país. Somente em 2008, foram consumidos cerca de 55 mil hectares de Cerrado, por 42 dias seguidos. “Ainda não contabilizamos quantos focos tivemos no total, mas foram muitos. Muitos e simultâneos”, diz Christian Berlinck, chefe da unidade. Por esse motivo, ele dá boas vindas a alternativas de prevenção. Em 2004, uma delas pareceu se encaixar direitinho na necessidade do parque.

Desenvolvida pelo engenheiro Takeshi Imae, idealizador da ModClima, a chuva artificial é produzida por meio da irrigação de certos tipos de nuvens com água filtrada. Bem diferente da tecnologia já usada para provocar chuvas artificiais, que pulveriza produtos químicos nas nuvens, como nitrato de potássio. “Esta seria uma forma limpa de controlar grandes queimadas”, defende Berlinck.

Para que a chuva pudesse cair naquela porção específica de Cerrado, foram necessários cinco anos de negociações. Sem aval do Ibama para contratação da empresa, nem patrocínio da iniciativa privada, a chuva só aconteceu porque sojicultores goianos contrataram a ModClima para não perderem suas plantações e, como o avião estava perto da unidade, a empresa resolveu dar um pulo lá para “semear” as nuvens. E conseguiu. A irrigação de 15 minutos gerou uma chuva intensa de uma hora sobre cerca de 20 quilômetros quadrados do parque.

Efeitos práticos do fogo

Naquele parque nacional, além da vegetação típica do Cerrado, há porções de campos rupestres (pontilhados de pedras) e nacos de Mata Atlântica, com sua fauna e flora características, onde clima seco e calor são essenciais para germinação de certas plantas, por exemplo. Assim, querer manter a vegetação do parque sempre úmida para evitar incêndios pode significar uma alteração fatal para a biodiversidade. “Será que algumas sementes não precisam do fogo para quebrar a dormência e germinar? Será que não vai haver desequilíbrio entre animais? Alguns preferem o seco, outros o úmido. Será que está certo alterarmos tanto assim a natureza?”, questiona o engenheiro agrônomo Helton Perillo Ferreira Leite.

Para Mário Barroso, gerente do Programa Cerrado da não-governamental Conservation International e especialista em ecologia do fogo, o uso da chuva artificial deve ser analisado sob dois pontos de vista: o biológico e o ecológico.

Considerando que a lógica da chefia do parque seria a de aumentar a umidade para evitar o acúmulo de matéria seca (combustível para o fogo), a chuva artificial pode gerar justamente o efeito contrário. Segundo ele, as plantas não deixam de seguir seu ciclo de vida normal, mesmo com alterações como esta. “O aumento da umidade gera uma falsa impressão de que vai reduzir a quantidade de combustível, mas a planta não vai deixar de secar. Com mais chuva, o que pode acontecer é aumentar a quantidade de matéria verde, gerando até mais matéria seca no futuro. Isto é, pode haver um acúmulo de biomassa seca”, explica.

O fogo, quando natural e controlado, é importante para repor minerais no solo, eliminar folhas mortas que já não têm função biológica, dando espaço para outras plantas pequenas que ficam abafadas, e para fazer florescer um conjunto de plantas. Os animais, quando têm para onde fugir, acabam voltando para área queimada e desempenham papel importante na disseminação das sementes germinadas. Como para mudar todo este ciclo de vida seria necessário um aumento muito grande no volume precipitado, Barroso acredita que a técnica de semeadura de nuvens não trará grandes impactos.

“Já existe uma variação normal no regime de chuvas no Cerrado e é comum ocorrerem chuvas no período seco, então acredito que a chuva artificial não trará nenhum problema para plantas e animais, pois imagino que eles [no parque] não vão ter condições de produzir chuva em grande escala”, diz Barroso, em referência ao custo da operação, que pode chegar a 3,5 milhões no primeiro ano de atividade.

E por falar em dinheiro, este é outro ponto criticado da operação. A partir do segundo ano de atividade, depois que aeronaves e radares forem adquiridos, o custo cai 40%, mas continua muito acima do valor necessário para empregar outras técnicas de prevenção e combate, como construção de aceiros, contratação de brigadistas e aquisição de equipamentos.

No Parque Nacional das Emas (GO), por exemplo, a construção de 300 quilômetros de aceiros no ano passado custou à unidade cerca de 40 mil reais, ou 900 vezes menos que um ano de chuvas artificiais.

Fase de testes

Apesar de todas as críticas, Christian Berlinck continua apostando na tecnologia para prevenir incêndios no Parque da Chapada Diamantina. Segundo ele, os ambientes não serão tão alterados porque a semeadura das nuvens será feita de forma intercalada entre dez diferentes áreas do parque. A idéia é que, próximo à época de seca, o avião da ModClima passe apenas uma ou duas vezes em cada uma destas áreas durante o mês. “Em momento algum essa semeadura será continuada. Vamos fazer [chuva artificial] em apenas uma parte do parque. As outras continuam seu fluxo natural. A técnica não vai impedir que o fogo aconteça, apenas que ele diminua”, explica.

De acordo com o chefe da unidade, todas as ações deverão ser acompanhadas por técnicos, para que os efeitos sejam mensurados e a resposta da vegetação acompanhada, mas ele acredita que os impactos negativos serão mínimos. “As espécies estão sumindo, então, o que é mais importante, a perda da diversidade ou o aumento da biomassa?”, questiona.

Berlinck também acredita que a implementação será viável economicamente se um circuito entre várias unidades de conservação do país for criado, para que o custo se dilua entre elas. Além disso, o parque continua com outras ações de prevenção e combate aos incêndios, como contratação de brigadistas, garante. “É claro que os custos e impactos nos preocupam muito, mas a chuva artificial é uma das ações e é importante iniciar uma linha de discussão nesse sentido”, diz.

Por enquanto, o uso da chuva provocada na prevenção a incêndios florestais em áreas protegidas está na fase de discussões, mas o Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão agora responsável pelo combate ao fogo em unidades de conservação, parece otimista com a possibilidade. “Adianto que as discussões ainda estão em estágio inicial, mas estamos trabalhando com a possibilidade de iniciar um projeto piloto no próprio Parque Nacional da Chapada Diamantina. Logicamente, além das questões relacionadas à eficiência do trabalho de prevenção de incêndios florestais de grandes proporções, serão avaliados possíveis impactos ambientais do uso da tecnologia”, disse Paulo Carneiro, chefe da Coordenação Geral de Proteção Ambiental do ICMBio.

Sobre os elevados gastos com dinheiro público para manter a tecnologia, ele comentou que ainda é cedo para responder. “Em função deste estágio inicial, ainda não temos acúmulo de discussão e resultados suficientes para responder a perguntas relativas aos custos”.

Saiba mais:

Presente que veio dos céus?

Saldo final da tragédia na Bahia

Chapada Diamantina está virando cinzas


O mapa do fogo na Chapada
Comentários
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pajelança tecnológica!
Paulo Cezar Mendes Ramos 27/03/2009 16:02:30

mais uma vez procura-se soluções insustentáveis que certamente trará
problemas imprevistos.

O mais ambieltal e socialmente adequado que é trabalhar
com o povo da região, cuidar do uso da terra na zona de amortecimento e assim
distribuir renda localmente é sempre negligenciado.

No últio incêndio
vários equívocos foram cometidos - uso do hércules para lançar retardantes
químicos.

Agora vem mais essa!

Os impactos desse tipo de coisa - é claro,
alguém vai avaliar, Ah!

Enquanto ecologistas, agroecologistas e outros istas
buscam novos paradigmas, no sentido de diminuir a mochila e a pedgada
ecológicas, o ICMBIO se perde em busca de tecnologias obviamente
insustentáveis e de impactos desconhecidos.

É mais uma idéia mirabolante que
pretende certamente arrecadar dinheiro e nada melhor que o desespero dos
gestores sem meios e idéias para abrir estes tipos de possibilidades
"inovadoras".

que fiasco!
título infeliz
Leonardo Mohr 27/03/2009 17:56:03

Cristiane, sempre gostei de suas reportagens, mas esse título foi absolutamente
infeliz. Gestão de UC é ciência aplicada, e não tem nada a ver com
religião. Nem pra causar efeito cabe esse tipo de chamada. Aliás, já é o
segundo do O Eco, depois do "Uma pesquisa de arrancar os dedos".
Títulos que já de início vem com parcialidade, ainda antes de se ler o
primeiro parágrafo. Critico com absoluta tranquilidade, pois sou leitor
assíduo do O Eco, que é um oásis no mar de imbecilidades que a imprensa
brasileira vem trazendo quando faz cobertura sobre meio ambiente, principalmente
o novo (pelo menos pra mim) canal rural da Bandeirantes, que de tão parcial dá
vontade de vomitar ao assistir. Em relação a reportagem: se faz, é porque fez
errado; se não faz, é porque não fez e foi desleixado. Ou seja..nunca nada
está certo. Vamos com calma antes de sair por aí falando mal de iniciativas
que estão recém começando. Chega de achismo - tanto pro sim quanto pro não.
Que o fogo faz parte da dinâmica do Cerrado todo mundo da área ambiental sabe,
mas deve-se saber também que há tempos o Poema Perfeito (parafraseando o livro
brilhante do Fernandez) não existe. Cada vez mais UC vai precisar de manejo
intenso, feito com métodos testados, diante do processo de insularização que
campeia no país da soja, madeira e outras comodities da vida. Senão, é sentar
e ficar vendo tudo acabar, porque não tenham dúvida que, do jeito que está,
vai mesmo.
Lavrador 28/03/2009 06:36:10

Caro Leonardo, ate concordo em parte sobr suas criticas ao titulo, mas de resto
foi infeliz. assuntos nascentes devem ser sim discutidos e ate criticados. o
problema desse pais e de alguns nos orgaos de goveno e que nao gostam de ver
suas atuacoes questionadas ou comentadas, mas voces sao pagos com diheiro
publico e todo o pais merece saber o que fazem e como fazem e com quanto
dinheiro fazem. nao tem achismo nenhum, todo mundo foi ouvido. o sonho de alguns
governos e tecnicos e fazer tudo na moita e so anunciar se der certo. chau
Anônimo 28/03/2009 08:09:12

botei esse mohr no Google, e do ICMBio hi hi hi hi
querem debater? comecem assinando
Leonardo Mohr 28/03/2009 09:38:25

Caro "lavrador",
Não há qualquer menção no meu comentário a não
ser criticado; outra: achismo não tem absolutamente nada a ver com ser ou não
ouvido. Podemos debater sobre isso, mas comece assinando seu verdadeiro nome,
como faço sempre. Não debato com fakes e anônimos.
Lavrador 28/03/2009 11:22:43

ponha voce seu cargo no ICMBio e envolvimento no caso da Diamantina
Brincando de Deus - 2
Helton Perillo Ferreira Leite 28/03/2009 13:11:26

Creio que o OEco foi imensamente feliz nesta abordagem. Primeiro publicou apenas
a notícia, sem opiniões, sem tomada de posição, com o título “Um presente
que veio dos céus?” em 25.03.2009, onde abriu espaço para comentários. Duas
pessoas se manifestaram, uma fui eu, usei o título “Brincando de Deus” e em
nome da prudência levantei dúvidas quanto ao acerto da irrigação artificial
chuvosa.
Em seqüência, em 27.03.2009, a jornalista Cristiane aprofundou o
tema e tomou partido, “desceu do muro” diriam alguns. O site OEco é de
jornalismo ambiental, isto está claro para todos, é parcial, a favor do meio
ambiente, a favor da preservação, a favor da natureza, a favor do belo, a
favor do justo, a favor da verdade. É até a favor da democracia, permite
comentários contrários a ele próprio. Imensamente feliz foi o site. Pode
estar errado, mas foi feliz. Eu mesmo já fui contra a opinião de um de seus
editores. Minha opinião foi publicada respeitosamente.
Em meu blog
http://heltonperillo.blogspot.com/ , humilde e altamente parcial, em 27.03.2009
completei o tema com as frases “O que mais me assusta é que a idéia partiu
de um analista ambiental do Ibama. Justo daquele servidor que deve lutar pela
preservação da natureza.”
Não entenderam estes servidores do Ibama ou do
ICMBio que UC – Unidade de Conservação não é laboratório de
experimentação, não entenderam que o equilíbrio ecológico é dinâmico, os
organismos (plantas e animais) que hoje predominam não serão os que dominarão
o bioma amanhã. Neste sentido é que o título “Brincando de Deus” se
aplica perfeitamente ao que se propõe fazer no Parque Nacional da Chapada
Diamantina. Tem gente se achando acima dos outros, mais donos da verdade que
outros, donos até o Parque. Pensam que são Deus e têm o direito de interferir
na natureza mesmo que seja um pequeno pedaço dela que se reservou para ser
preservado como a natureza assim preferir. Com fogo, com seca, com calor, sem
chuvas e, principalmente, sem analistas ambientais. Eu particularmente
preferiria também sem fogo.
A amiga Lúcia Teixeira, em 2003, analisou o
“pseudo-aumento” da biodiversidade vegetal nos campos de altitude do
Itatiaia após incêndios. Concluiu que o fogo estimula diferentemente algumas
plantas. O capim Cortaderia só floresce após queimado, a Alstroemeria, o bambu
Chusquea e outras herbáceas rebrotam antes das plantas lenhosas. Isto altera o
equilíbrio vegetal. Coloca-se em dúvida aqui é como a chuva artificial
alterará o equilíbrio na Chapada Diamantina. Isto é que “brincar de
Deus”.
Outra ecologista, também montanhista, a Katia Torres, que aliás anda
sumida do OEco, tem uma tese de doutorado, de 2002, também do Itatiaia, onde
ela estuda o equilíbrio altamente dinâmico das “ilhas de vegetação” em
torno das Agulhas Negras e Prateleiras. Em uma mesma ilha ela encontrou 55
espécies de plantas em julho e 85 espécies no verão seguinte. Isto sem
interferência humana, sem fogo e sem chuva artificial. O equilíbrio ecológico
é dinâmico, em constante mutação, para melhor ou para pior cabe a Deus
decidir. E olha que sou ateu até os ossos.
chuva artificial
lucia teixeira 29/03/2009 16:15:12

O fogo vem e "espremem as nuvens"...de onde veio o fogo? por quê
começou o fogo? quem colocou o fogo?
Se "espremerem as nuvens" e o
fogo continuar vindo, qdo isso irá parar? descobrir as "raizes" do fogo
não é menos oneroso do que fazer chuvas? A natureza passa muito bem sem nós,
logo que tal fazer um trabalho sério de conscientização onde nascem os
"focos" de incêndio e deixar a natureza seguir seu ciclo...
Fazer o quê?
Rodrigo de Moraes Falleiro 29/03/2009 18:57:35

Melhor fazer chuva artificial mesmo, porque se depender das nossas
instituições... vão gastar mais R$ 7.000.000,0 no próximo incêndio sem
efeito algum.
Outras soluções? Pessoas da mais alta competência já deram,
como o Paulo Cezar, mas são frases que caem em ouvidos surdos ou papéis
inúteis.
Ô tristeza trabalhar na área ambiental...
Sobre a tecnologia de produção d echuvas artificia
Majory Imai 29/03/2009 19:43:00

Prezados,

meu nome é Majory Imai, trabalho na Modclima com o processo de
produção de chuvas artificiais. Nossa tecnologia foi laureada no symposium
D'leau em cannes - França 2005. Trata-se de um processo totalmente limpo que
apenas estimula nuvens cumulus que tenham um conteúdo significativo de agua a
crescer e chover, da mesma forma que ocorreria na natureza.

Nosso trabalho é
sério, somos contratados pela SABESP - Cia de Saneamento Básico de São Paulo,
e esta pesquisa se iniciou em 2001 com o apoio deles. Nossos registros sobre
este trabalho são bastante consistentes e somos constantemente avaliados pela
mesma com nota 100%.

Trabalhamos em São Paulo, fazendo chuvas para os
sistemas leste e cantareira que abastecem 14 milhões de habitantes de nossa
região metropolitana e no final de 2008, no seminário de recursos hidricos da
SABESP, comemoramos que o mesmo não havia tido um desempenho tão bom nos
últimos 5 anos.

Nosso trabalho é totalmente científico, operamos com radar
para monitoramento de nossas chuvas em bragança, todos os vôos devidamente
trajetografados e com registro fotográfico hora datados de todo processo.
produzimos relatórios bem complexos efetuando analise comparativa entre nosso
radar e outros radares e satélites existentes. Isto nada tem a ver com
pajelança ou brincadeira de Deus.

Nos orgulhamos de poder trabalhar em prol
de uma nova forma de gerenciamento e aproveitamento de um potencial de agua
latente.

Claro que com inteligência e respeito a biodiversidade, acreditamos
sim, ser totalmente possivel administrar condições que possam minimizar riscos
ambientais e ter uma situação mais coerente entre: OU ver tudo pegar fogo OU
inundar a chapada diamantina.

Acreditamos que a capacidade humana ( tão
eficaz em ter realizado e contribuido para a situação calamitosa que nos
deparamos frente as adversas mudanças climáticas) pode ser utilizada de
maneira mais integrada e sustentável.

Pois quanto custa ou representa
emissões de co2 de 55.000 ha? qual a biodiversidade que iremos manter se 50% de
um parque nacional pega fogo, morrem animais, pessoas correm riscos de vida, e
valores creio que muito maiores do que propomos para prevenir , serão gastos
para combater? e depois de combater o que sobra? combateremos incêndios todos
os anos até quando?


Concordo plenamente que um trabalho de conscientização
com a população deve ser realizado, pois a maior parte dos incêndios tem
origem criminosa, e acreditamos que só soluções que somem esforços, tratem
este problema com multidisciplinalidade poderão trazer resultados
sadios.

Vivemos uma época insana, com problemas ambientais se agravando a
cada dia, em nosso parecer, só poderemos chegar a resultados sustentáveis e
satisfatórios se todos nós mudarmos juntos, e ao invés de perdermos tempo em
nos polarizar, por que não ganhar tempo para pensar em qual solução
podemos buscar juntos?

Todas as pessoas tem talentos, tem conhecimentos
diferentes e podem contribuir.

No mais, ficamos muito felizes de depois de
cinco anos, batalhando para fazer alguma coisa preventiva pelo Parque Nacional
da Chapada Diamantina.. conseguimos. Fomos com nossos recursos, com nossos
esforços e atitude, fizemos nossa parte.

Agora, finalizando - com um lado
pessoal, foi muito bonito ver aquela chuva boa, cair sobre o parque nacional da
chapada diamantina. ele merece, ele precisa.

Fiquem em paz, e caso queiram nos
contatar será um prazer!

Obrigada,

Majory Imai
majory@modclima.com.br
Fórum pegando fogo.Conclusões? Ou só através de de
Gabriela Machado 30/03/2009 05:53:58

Grande participação de Majory. Concordo com Lúcia. Na minha opinião o ponto
é: incêndios -> maior parte origem criminosa (ou ignorância??) = educação e
conscientização ambiental da população E turistas + maior fiscalização. O
interessante é imaginar esse último ponto no futuro, com as entradas do Parque
se tornando verdadeiros Raios X de aeroporto.. Então realmente o trabalho de
sensibilização deveria acontecer hoje, para prevenir hostilidades e medidas
drásticas futuras...No caso de as chuvas chegarem para ficar ->> É claro que o
trabalho de Majory impressiona, mas...sempre que a palavra "controle"
estiver associada à natureza, a ética estará em discussão, por mais
bem-feita e acompanhada que a operação seja feita. Talvez a solução para
essa questão sempre será o sentido comum, ou seja, a participação opiniativa
massiva da população, através de esclarecimento, votações e...
consenso!!.Alguém há de descordar??
Fogo antrópico
Edson 30/03/2009 08:22:15

O ideal seria, além de conscientizar a população local, manter postos
avançados de combate a incêndio. Fogo natural é benvindo, o problema é que
muitos focos de incêndios são provocados pelo homem. Se o governo investisse
em uma fiscalização eficiente, não teríamos problemas com esses grandes
incêndios. Mas falta vontade política em investir em políticas ambientais
preventivas. E sobra vontade dos ruralistas em arrasar de vez o Cerrado em favor
das grandes plantações de grãos. Quem será que vencerá?
Algumas outras idéias e sugestões
Mario Barroso 30/03/2009 15:53:31

Como a maioria de voces devem saber questão do fogo e sua convivencia em áreas
naturais (protegidas ou não) não é exclusividade dos ecossistemas brasileiros
(sugiro uma olhada no documento elaborado pela Global Fire Iniciative
http://www.tncfire.org/documents/convivendo_com_o_ fogo.pdf). Austrália, Africa
do Sul, EUA, Europa, cada um com suas particuliaridades enfrentam anualmente
seus problemas com fogo. Geralmente vemos na TV ou jornais apenas os esforços
de combate e as tragédias, mas muito, muito dinheiro é investido em pesquisa,
prevenção e monitoramento. Esse é o ponto que quero chamar a atenção. Não
vejo nenhum problema em se testar uma nova metodologia. Mas para isso deve-se
tratar a ação como um experimento, colocando condições de controle,
monitoramento e avaliação, como num trabalho científico. Se não tivermos
este rigor jamais saberemos avaliar os resultados da ação. Não sei se tem,
mas um projeto assim deveria ter um comite científico para controle e
avaliação dos resultados. E e claro, monitoramento. Eu não quero transformar
uma ação de manejo num projeto de pesquisa, mas é necessário que uma ação
de manejo tenha o rigor científico, para poder ser avaliada. Assim quem sabe o
título não seria "Brincando de cientista na Chapada Diamantina"
Brincando de Deus – Final?
Helton Perillo Ferreira Leite 02/04/2009 12:42:12

Gostaria ainda de comentar algumas pequenas coisas sobre este assunto.
Repito
que o equilíbrio ecológico não é uma fotografia estática, parece mais com
um filme dinâmico que ainda vai ser filmado, cujo roteiro ainda está sendo
definido pela natureza. Por isto cobro respeito a todos eventos naturais, mesmo
que seja o fogo ou a seca.
Chamo a atenção para o fato de que dos vários
comentários sobre esta reportagem apenas dois são à favor da chuva
artificial, ambos de pessoas “interessadas” no negócio de R$ 3,5 milhões.
Ambos autores, Mohr e Imai, falam em “ciência aplicada” ou em “trabalho
científico” induzindo que opiniões contrárias seriam “achismo”. Aliás
o Imai escreveu um texto brilhante, ele deve ser o diretor de marketing da
ModClima. Lembro que todos, incluindo o chefe do Parque, Berlinck, acham ou
acreditam que o impacto ambiental não será tão significativo. Muito
científico.
Sugiro ler a reportagem da mesma autora, Cristiane, “Combate ao
fogo em outras mãos”, de 19.03.2009. Lá fica-se sabendo que o combate aos
incêndios florestais brasileiros está se perdendo na burocracia. E quando a
aspectos financeiros fica-se sabendo que até agora foram destinados R$ 1,5
milhão para todo o país, muito menos que os R$ 3,5 milhões necessários para
fazer chover em apenas um Parque.
Sim a Chapada Diamantina merece e precisa de
cuidados, mas não de qualquer cuidado nem em detrimento das outras 200 unidades
de conservação brasileiras.
Leonardo Mohr 02/04/2009 21:54:43

Caro Sr. Helton,
Esclareça melhor o seu comentário. O senhor está insinuando
- devido ao uso de aspas e logo após a citação de valores monetários - de eu
ter algum tipo de interesse comercial nesta questão? Se for isto, pode ter
certeza que iremos nos encontrar em algum Tribunal, em um futuro bem próximo.
Eu não construi minha carreira profissional durante todos estes anos para ser
acusado irresponsavelmente pelo Senhor. E pode ter certeza que não deixarei
isto passar em branco. Teria outros comentários a fazer em relação ao seu
texto, mas vou primeiro esclarecer isto, tomando as medidas necessárias para
preservar meu histórico profissional, o qual eu não lhe dei o mínimo direito
de por em dúvida sem prova.
Leonardo Mohr 02/04/2009 21:56:55

PS: solicito aos Editores de O Eco que mantenham o dito comentário, para todos
os possíveis efeitos legais futuros.
O governo é safado!!!!
Henrique Martins Xavier 23/07/2010 13:31:06

O governo ferderal e estadual tem que tomar verginha na cara e estabilizar
brigatistas do proprio local e capacita-los. fica nessa de querer gastar
dinheiro com outras coisas tem coisa mais importante como a chapada
diamantina!!!!!
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