![]() |
O processo de domesticação através do qual o estoque selvagem de determinada espécie é transformado através de seleção diferencial produziu porcos cor de rosa a partir de javalis peludos, poodles a partir de lobos, bananões sem sementes a partir de bananinhas cheias de caroços e espigas de milho com centenas de sementes a partir de um ancestral que parece um capim qualquer.
Clique para ampliar |
O paralelo entre o processo seletivo feito por humanos e aquele que ocorre na Natureza não escapou despercebido de Darwin, que escreveu longamente sobre o assunto ao propor a teoria da evolução por seleção natural e foi ele mesmo um criador de pombos.
A seleção de animais que melhor se ajustassem às necessidades e ao convívio com pessoas produziu um efeito colateral interessante. O cérebro de cabras e porcos domésticos é cerca de 1/3 menor do que o de seus parentes selvagens com a mesma massa. Cavalos, cães e gatos domésticos também têm cérebros menores do que seus primos selvagens, e um autor já afirmou que o cérebro de um cão nunca ultrapassa o volume do cérebro de um lobo com quatro meses de idade, o que explica o desprezo com o qual um olha o outro.
O cérebro é um órgão que consome muita energia (20-25% do metabolismo humano). Em animais domésticos faz sentido direcionar essa energia para engordar, reproduzir e aumentar a produção. Não só isso, bichos psicologicamente mais simples se adaptam melhor ao convívio humano, e a capacidade de conviver com pessoas é a força seletiva mais importante na domesticação.
O interessante é que a domesticação também funciona com humanos. Um estudo sugere que, em comparação aos Homo sapiens da última idade do gelo, os humanos modernos perderam entre 10% (homens) e 14% (mulheres) da massa cerebral, em média. Ou seja, os Cro Magnon que corriam atrás de renas e mamutes tinham mais miolos do que nós.
A perda de massa cerebral está associada ao surgimento de grandes agrupamentos humanos com estrutura social complexa e divisão de trabalho. Chamamos isso de civilização. Como no caso dos animais, a capacidade de tolerar e conviver com outras pessoas foi uma força seletiva poderosa (antes não existia o conceito de direitos humanos e os inconvenientes não duravam muito) e mentes mais simples parecem ter sido selecionadas.
E essa tendência em direção à imbecilidade civilizada continua. Basta ligar a TV aberta nos domingos para perceber.
Leia também
A guarda do louva-a-deus, uma mamãe Kung Fu
Caudas extravagantes e Ferraris, a evolução explica
Darwin, o subversivo que mudou meu caminho
Minha Antártica tem palmeiras onde canta o … pinguim?
Leia também
Borboletas e formigas: um ensaio sobre jardins e ciclos
A vida em comunidade envolve relações de cuidado, mas também conflitos, riscos e ambiguidades. A cooperação é fundamental, mas não significa harmonia perfeita. E, essa lógica não é exclusiva para o mundo dos insetos →
A esperada queda da SELIC e o maior ativo do século XXI
Nos territórios, onde as veias seguem abertas e pulsam o sangue e a alma das cidades e de seus habitantes, milhares de pessoas sofrem os efeitos das decisões sobre investimentos →
Funbio lança chamada para expansão de unidades de conservação municipais
Entidade convida instituições a apresentarem projetos para Unidades de Conservação (UCs) nos biomas Caatinga, Pampa e Pantanal; inscrições vão até 30 de março →





