Notícias

Rio+20: Recomeçam negociações sobre o documento final

No Riocentro, diplomatas tem 3 dias para destravar impasses sobre texto principal da conferência, mas só acordam em um quarto do documento.

Daniele Bragança ·
13 de junho de 2012 · 9 anos atrás
O Secretário-Geral da Rio+20, Sha Zukang (centro) e o Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, dão inicio à última reunião preparatória. Foto: Divulgação/ONU
O Secretário-Geral da Rio+20, Sha Zukang (centro) e o Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, dão inicio à última reunião preparatória. Foto: Divulgação/ONU

A última rodada de negociações do comitê preparatório para a Rio+20 recomeçou hoje, com diplomatas já instalados no Riocentro. Até sexta-feira, os negociadores concentrarão esforços para retirar os colchetes de 75% do documento. Na linguagem diplomática, “colchetes” são os pontos do texto ainda em desacordo. A dúvida é se conseguirão resolver em tão pouco tempo o que não fizeram durante os meses que precederam a reunião. A próxima etapa, no dia 20, é a entrada dos chefes de Estado ou de Governo para dar a palavra definitiva sobre o documento que emergirá da conferência.

O jornal britânico The Guardian disponibilizou a versão do rascunho zero, datada de 2 de junho, cujo conteúdo acaba de voltar à mesa de negociação. São 81 páginas, todas repletas dos tais colchetes. Como só entra no documento o que tiver sido aprovado por unanimidade, qualquer país, não importa o tamanho ou importância, pode barrar trechos. O Vaticano (sim, a Igreja Católica tem diplomatas), por exemplo, barrou a parte do texto que trata do direito de reprodução.

O ponto de discórdia foi o trecho “Reconhecemos que a igualdade de gêneros e de fortalecimento da mulher, incluindo o acesso a serviços de saúde reprodutiva, são importantes para o desenvolvimento sustentável e para nosso futuro comum”. A parte sublinhada, acrescentada pelos EUA, acabou vetada pelo G77 (formado por países em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia, Arábia Saudita) e pelo Vaticano.

Em outro ponto do documento, a União Europeia incluiu “estamos comprometidos a alterar os padrões insustentáveis de consumo e produção, e eventualmente alcançar a desassociação absoluta entre o crescimento econômico e o uso de recursos naturais”. Dessa vez, foram os EUA que barraram.

Até a primeira página do documento, que fala da erradicação da pobreza, foi alterada. Os Estados Unidos acrescentaram a palavra “extrema” antes da palavra “pobreza” no seguinte trecho: “erradicar a pobreza é o maior desafio mundial (…) Nesse quesito estamos comprometidos em libertar a humanidade da pobreza e da fome”. Os países do G77 conseguiram apagar a palavra extrema colocada pelos EUA no texto.

Olhando para o documento, se percebe o quanto o tempo é curto. Serão três dias de muitos acordos e a agenda do encontro não facilita, é ampla demais: vai de direitos humanos à mudanças climáticas. Após essa última rodada de negociações, o documento será discutido pelos chefes de estado e de governo, na reunião oficial da Rio+20, entre os dias 20 e 22 de junho. Estamos há 9 dias da entrega do documento “o futuro que queremos”, com as metas dos objetivos do desenvolvimento sustentável. A Rio+20 já começou.

Draft of UN Rio+20 main text

*Com informações do Instituto Carbono Brasil

 
  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

Leia também

Notícias
26 de novembro de 2021

Informação obtida via LAI revela que MCTI recebeu dados do desmatamento em 1º de novembro

Ministro Marcos Pontes disse que dados não foram publicados antes da Conferência do Clima porque ele estava de férias. Agenda oficial registra férias entre 8 e 19 de novembro

Notícias
26 de novembro de 2021

Jornalismo digital brasileiro se une em campanha de financiamento

Ação reúne 26 organizações com objetivo de arrecadar doações para fortalecimento do jornalismo digital de qualidade

Reportagens
26 de novembro de 2021

MPF pede anulação da Licença de Instalação do Linhão Tucuruí na terra Waimiri Atroari

Ação aponta que União e a Transnorte agem ilegalmente no licenciamento da obra. Autossuficientes em energia elétrica, os Waimiri Atroari são contra o empreendimento e sentem “a floresta sangrar”

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta