*Este artigo faz parte do especial de lançamento do atlas “Amazônia sob Pressão”. Clique aqui para saber mais
A Amazônia, com suas grandes e complexas florestas, água fresca, abundante e livre, resultado de dez mil anos de atividade humana que produziu enorme diversidade socioambiental, está sob grave processo de degradação e supressão, para se tornar uma área de produção e um corredor de exportação de mercadorias de baixo valor agregado, com graves consequências para o clima da região, da América do Sul e do Planeta.
Nos últimos 50 anos, novas formas de ocupação econômica estão transformando a Amazônia em savana, com ilhas de florestas, mais seca e homogênea. A abertura de estradas e outras infra-estruturas, a extração ilegal de madeira e ouro, a expansão da pecuária extensiva que acumula um passivo de milhões de hectares de pastagens degradadas, o monocultivo do agronegóco que usa de altas doses de insumos químicos, a exploração de petróleo, a mineração industrial eletro-intensiva e a multiplicação de hidreléctricas são responsáveis por altas taxas de desmatamento.
Todo o modelo tem o apoio financeiro de bancos, destacando a BNDES no Brasil, que se tornou um importante ator panamazônico associado com os interesses das empresas de construção brasileiras.
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“Nos últimos 50 anos, novas formas de ocupação econômica estão transformando a Amazônia em savana, com ilhas de florestas, mais seca e homogênea.”
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Somente entre 2000 e 2010, de acordo com RAISG desapareceram 240 000 km2 de florestas da Amazônia, o equivalente a duas vezes a Amazônia equatoriana. Áreas protegidas e territórios indígenas, ajudaram a abrandar este processo, mas percebe-se que não vão resistir por no longo prazo, quando se olha para o que está acontecendo em 12 bacias hidrográficas onde estas áreas estão localizadas, das quais seis são transfronteriças.
Não existe uma governança multilateral panamazônica, nem sequer bilateral, com força política, participação ampla e instrumentos para tornar possível a cooperação estratégica entre os Estados e as sociedades civis amazônicas.
A RAISG (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada) é resultado de um processo aberto de cooperação a longo prazo entre organizações da sociedade civil e de pesquisa dos países amazônicos. A publicação Amazônia sob pressão apresenta, em linguagem cartográfica e fotografias, um panorama das atuais pressões e ameaças potenciais sobre esta região compartilhada por 9 países. Espera-se que este atlas seja uma contribuição para o fortalecimento da visão regional e socioambiental ampla, onde a Amazônia vái além do Brasil e que os países andinos e guianenses também se considerem amazônicos.
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