Helena Artmann
Montanhista e balonista há mais de 16 anos, tendo feito mais de 15 expedições para alta montanha. É formada em Comunicação Social. Atualmente mora em Banff, Alberta (Canada), no coração das Rochosas Canadenses.

Reutilizar e reciclar é apenas o começo.

Helena Artmann
segunda-feira, 18 agosto 2008 20:32

A cidade vizinha de Banff, Canmore, está numa campanha imensa para banir o saco plástico, seguindo o exemplo de outras cidades tanto do Canadá quanto dos EUA. San Francisco, na Califórnia, fez isso com os grandes supermercados e farmácias.

“Provavelmente pouca coisa nos faz sentir mais culpados em poluir o planeta do que plástico”, diz Ashley Lubyk, bacharel em Ciência Ambiental pela Universidade de Calgary e coordenador do programa Waste Wise da ONG Clean Calgary Association, acrescentando: “é uma substância tão ruim que muitas pessoas simplesmente querem se livrar dela, talvez porque nos traga permanentemente uma sensação desconfortável”.

Segundo Tony Andrady, o maior expert em plásticos no meio ambiente do mundo, tirando uma pequena porção de plástico que foi incinerado, o resto dos plásticos desenvolvido e feito nos últimos 50 anos ainda está aí, em algum lugar, espalhado pelo meio ambiente. Uma enorme quantidade flutua nos oceanos, tornando o plástico a coisa mais comum que se encontra nos mares hoje em dia. É claro que uma enorme quantidade também se encontra nos aterros sanitários e lixões onde a falta de oxigênio, sol e água garante que eles ficarão por lá, preservados, por milhares de anos.

Como tudo isso é amplamente noticiado, muita gente já tomou suas providências e usa sacolas reutilizáveis nos supermercados, reduzindo o uso e a necessidade de sacolas plásticas. Mas basta olharmos em volta e nos nossos hábitos para percebermos que deixar de usar totalmente o plástico parece impossível. Plásticos biodegradáveis/compostáveis começaram a aparecer no mercado e podem parecer uma opção mas, assim como todo material orgânico enviado para o aterro, faz mais mal do que parece. Material orgânico quando decomposto em um processo anaeróbico (sem oxigênio) libera metano (CH4) no processo e metano é 20 vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono (CO2) na desastrosa tarefa do aquecimento global.

“Por isso que compostagem é um exercício tão benéfico: quando você introduz oxigênio no seu composto, revolvendo-o, a bactéria que produz metano deixa de crescer, propiciando uma terra saudável e complexa”, explica Lubyk. Mas o que fazer com seu lixo? Como enviá-lo para o aterro? Se você já recicla tudo que pode e ainda composta, seu lixo já deve ter sido reduzido a mais da metade. O que resta poderá ser acondicionado em sacolas de plástico de supermercado ou, melhor ainda, em sacolas de plástico reciclados. Combinar a reutilização com a reciclagem tendo como objetivo a diminuição é a melhor receita para chegarmos, quem sabe, no desperdício zero (zero waste).

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