A noite de ontem foi marcada por uma derrota do movimento ambientalista em plena semana do meio ambiente: o Senado aprovou a conversão da Medida Provisória 458 em lei. Assim, lotes com até 1.500 hectares serão vendidos sem licitação a pessoas físicas e jurídicas de bem e que ocupam as áreas desde antes de 1º de dezembro de 2004, mas também a posseiros e grileiros de terras na Amazônia. O prazo para pagamento dos lotes é de 20 anos. A relatora da medida foi a senadora Kátia Abreu (DEM/TO). A matéria aguarda agora sanção de Lula.
O tema foi aprovado com 37 votos favoráveis, dois contrários e uma abstenção. Para análise das concessões de terras, não serão observados títulos ou documentos, mas sim o “uso efetivo” da área. Lotes maiores poderão ser vendidos depois de três anos.
Na visão de ambientalistas, a medida é um poderoso acelerador da ocupação desordenada, da grilagem e do mercado ilegal de terras na Amazônia. Uma semana do meio ambiente para ficar na história, marcada pelo bate-boca de baixo nível entre ministros e pela proposta de extinção de uma área protegida em nome do desenvolvimento econômico.
Leia também
Amazônia registra maior número de queimadas da última década em janeiro
Queimadas acima da média também foram registradas em outros biomas, como Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica →
Plano Clima concentra metas, mas especialistas apontam lacunas na implementação
Sumário executivo sintetiza metas e compromissos climáticos do país, mas análises apontam indefinições sobre execução, financiamento e o nível real de esforço para cumprir as promessa →
Vale precisa apresentar esta semana plano para conter danos do vazamento em Congonhas
Justiça deu prazo de 5 dias para apresentação do documento voltado majoritariamente ações ambientais, com multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento →






