Salada Verde

Abrolhos (quase) livre

Justiça Federal bloqueou licitações de blocos de petróleo e gás na área do parque nacional. Ainda cabe recurso da decisão.

Salada Verde ·
22 de março de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Jubarte saltando em Abrolhos. foto: Mariana Vinhal
Jubarte saltando em Abrolhos. foto: Mariana Vinhal

A pedido do Ministério Público Federal na Bahia, a Justiça Federal bloqueou a licitação de blocos exploratórios de petróleo e gás pela Agência Nacional de Petróleo num raio de 50 quilômetros no entorno do parque nacional de Abrolhos, no sul da Bahia. A agência também não poderá autorizar a abertura de novos poços na zona de exclusão, sob pena de multa de um milhão de reais. Com a sentença, as licitações e concessões já realizadas de blocos pertencentes ao raio de exclusão estão anuladas. A medida não é definitiva, pois ainda cabe recurso.

A decisão foi baseada em ação do procurador da República Danilo Dias e estudo da Conservação Internacional que listou 153 impactos negativos sobre várias formas de vida, ecossistemas e populações atrelados à exploração de petróleo. Ano passado, organizações não-governamentais realizaram uma série de protestos em Abrolhos, pedindo inclusive a criação de uma zona de amortecimento com 95 mil quilômetros quadrados, protegendo o parque e mantendo a capacidade dos oceanos de ajudaram no combate às mudanças do clima. A medida não foi implementada.

Criado em 1983, aquele parque nacional é ameaçado pelo governo que tenta expandir a exploração de gás e óleo em seu entorno. A área é reconhecida mundialmente por abrigar uma variedade de ambientes marinhos e costeiros e remanescentes de Mata Atlântica, como recifes de coral, fundos de algas, manguezais, praias e restingas. A região também é procurada anualmente por animais ameaçados, como as baleias-jubarte.

Leia também

Salada Verde
23 de fevereiro de 2026

Após mobilizações em Santarém, governo revoga decreto e suspende dragagens no Tapajós

Recuo do governo ocorre após semanas de pressão indígena contra obras de dragagem, com críticas à falta de consulta prévia e aos impactos sobre os rios e modos de vida na Amazônia

Colunas
23 de fevereiro de 2026

Prioridade para os pequenos agricultores

Por que precisamos olhar para a maioria dos produtores rurais, com menos recursos técnicos, acesso a crédito e apoio social

Colunas
23 de fevereiro de 2026

Vitória nas entrelinhas

Extinção de processos judiciais sobre retaludamento evidencia que pressão popular e ciência evitaram a demolição do morro do Portão do Inferno, no PN Chapada dos Guimarães

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.