
O governo disparou essa semana um complexo estudo sobre a contribuição dos parques nacionais e outras unidades de conservação para vários setores da economia.
Durante o último congresso brasileiro de áreas protegidas, em Curitiba, foi divulgado que elas precisam de 1,8 bilhão de reais em investimentos. Agora, é preciso saber quanto elas contribuem financeiramente com produtos e serviços como extrativismo, turismo, esportes de aventura, caça de subsistência, água para agricultura e geração de energia, manutenção de clima, estocagem de carbono, valorização de imóveis e proteção de biodiversidade.
“Mostramos quanto custa manter o sistema de unidades de conservação. Agora, precisamos descobrir quanto valem para a economia os recursos que ele gera”, explicou Fábio França, diretor de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente.
Apoiado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e capitaneado pelo professor da Universidade de Brasília Jorge Nogueira, o estudo pode extrapolar valores reconhecidos quase que somente por ambientalistas e, com a ajuda dos números, aumentar o entendimento sobre a importância dessas áreas por outros setores do governo e da sociedade.
Mesmo ainda não totalmente implementado, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) movimenta 6 milhões anuais em pousadas, viagens, restaurantes e outros serviços, conforme a consultoria Nave Terra.
Segundo Nogueira, mesmo parques nacionais muito visitados como Tijuca, Iguaçu e Fernando de Noronha ainda contribuem pouco frente o conjunto da economia nacional. Mas o potencial é imenso quando se observam os chamados “serviços ambientais”. “Os serviços prestados pelas unidades de conservação são a galinha dos ovos de ouro, mas ainda são pouco reconhecidos”, destacou.
As primeiras estimativas são esperadas para daqui a seis meses. Um relatório consolidado será apresentado em outubro de 2010 na COP sobre biodiversidade de Nagóia (Japão).
Aldem Bourscheit
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