Salada Verde

Justiça invalida mosaico da Juréia

Tribunal de Justiça da capital paulista julga inconstitucional lei que criou o Mosaico de Unidades de Conservação da Juréia. Com isso, área volta a ser uma única estação ecológica.

Salada Verde ·
15 de junho de 2009 · 17 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Na última quarta (10), o Supremo Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou, por unanimidade, a lei estadual que criou o mosaico de unidades de conservação da Juréia. Com a decisão, esta área do litoral sul paulista volta a ter o status anterior à sanção da lei, de dezembro de 2006. Isto é, a de uma única estação ecológica, a Juréia-Itatins. Uma ação direta de inconstitucionalidade havia sido movida pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo, em setembro de 2007.

Segundo o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Rebello Pinho, a lei descaracterizou a estação ecológica, sem que houvesse estudos técnicos suficientes. Para o Ministério Público, a legislação também ameaçava a proteção da Mata Atlântica por “garantir a invasores do local permissão de uso”, anistiando-os.

O texto do MP refere-se à criação de duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS). No mosaico constavam seis unidades de conservação, entre elas dois parques estaduais. Esse formato teve o objetivo de acabar com o imbróglio que surgiu com a criação da estação ecológica, em 1987 – antes da criação do mosaico, havia cerca de 300 famílias morando no local.

Segundo José Amaral Wagner Neto, diretor da Fundação Florestal, órgão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente que cuida das areas protegidas de São Paulo, o órgão já vinha se preparando para a decisão e, em 30 dias, deve ser apresentado um projeto de lei para criação de um novo mosaico. Desta vez, segundo o diretor, o documento estará alicerçado nos documentos gerados pelos pesquisadores envolvidos na elaboração do Plano de Manejo do Mosaico, que estava sendo trabalhado há 15 meses.

“Temos um diagnóstico feito para o território, não considerando a fragmentação em unidades, então ele poderá ser usado no novo projeto de lei. Estes estudos apontaram alguns problemas no desenho antigo, como nas duas reservas, mas eles já virão corrigidos”, explica o diretor. Ainda de acordo com ele, a decisão do Tribunal de Justiça foi um retrocesso para a situação, “tanto que o novo projeto manterá o mesmo molde”, diz.

Segundo a Fundação Florestal, o Mosaico de Jacupiranga, no sudoeste de São Paulo, criado após a experiência na Juréia, não deverá encontrar o mesmo problema, porque o “vício de origem” foi corrigido na época de sua criação, isto é, a iniciativa foi do Executivo, não do Legislativo.

Leia também

Externo
9 de janeiro de 2026

Peixes do rio Doce continuavam contaminados quatro anos após desastre de Mariana

Análise abrangente realizada em 2019 detectou o acúmulo de 13 metais pesados e outras substâncias tóxicas, desaconselhando o consumo por riscos à saúde humana

Salada Verde
9 de janeiro de 2026

Maior cajueiro do mundo vira unidade de conservação no Rio Grande do Norte

O Monumento Natural Estadual Cajueiro de Pirangi garante a proteção da árvore gigante, ponto turístico da praia de Pirangi do Norte, em Parnamirim

Notícias
9 de janeiro de 2026

Ibama desmantela esquema de madeira ilegal no Pará e aplica mais de R$ 15 milhões em multas

Fiscalização em Altamira e Uruará identificou serrarias irregulares, descumprimento de embargos e indícios de extração em terras indígenas e áreas protegidas

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.