As velhas novas energias PDF Imprimir E-mail
Cristiane Prizibisczki   
04/02/2010, 16:37
Um grupo de empresários e pesquisadores do setor de energia reuniu-se ontem (3) em São Paulo para o 1º Fórum de Novas Energias, cujo objetivo principal foi discutir idéias e soluções para a diversificação da matriz energética brasileira. Nada mais auspicioso para um momento em que a liberação da usina hidrelétrica de Belo Monte, há poucos dias, e o racionamento em Roraima, dependente da energia da Venezuela, reascenderam as discussões sobre a política energética brasileira. Mas quem foi ao encontro na capital paulista em busca de soluções alternativas às que o Brasil já conhece, pode ter se frustrado. As energias eólica e solar até tiveram algum espaço, mas as discussões giraram mesmo em torno da velha conhecida hidrelétrica. Duas novas usinas na Amazônia já estão nos planos da Eletrobrás.

Maior companhia do setor de energia elétrica da America Latina, controlada pelo governo federal, a Eletrobrás também almeja ser o maior “player” do mundo em geração de energia limpa – hoje ela é a terceira. Em seus projetos de expansão, a energia eólica tem certa participação, mas essa não é a menina dos olhos da empresa. Para tentar resolver o problema de fornecimento de energia para Roraima, hoje abastecido com energia proveniente da hidrelétrica de Guri, na Venezuela, que vem enfrentando racionamento, o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, anunciou que a empresa estuda a possibilidade de reativar um antigo projeto de usina hidrelétrica no rio Cotingo, acabando assim com o isolamento do estado no sistema de fornecimento de energia brasileiro.


Foto gentilmente cedida por Paulo Jares
O problema é que o rio Cotingo fica dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, área de conflitos históricos. Segundo Muniz, que já teve que se enfrentar com índios por conta da construção de hidrelétricas no Xingu, a Eletrobrás tem interesse na área, mas não pretende bater de frente com os indígenas. “Não brigamos nunca, nem com índio nem com Ministério Público. Sempre temos que buscar um consenso, mostrar que uma usina pode ser um excelente negócio para os índios”, disse. Em fevereiro de 1989, quando cerca de 650 índios, reunidos no I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, bradaram seu descontentamento com a política de construção de barragens no rio Xingu, Muniz ficou conhecido por uma foto que rodou o mundo: uma índia kayapó tocou o rosto do então presidente da Eletronorte com seu facão, como gesto de advertência.

Além do rio Cotingo, Muniz informou que a estatal planeja outra hidrelétrica, no rio Branco, em Roraima, na altura do município de Caracaraí. “Hoje não tem linha de transmissão lá, então não é atrativo, mas com a construção da linha [para interligação de Roraima com a malha elétrica brasileira], vai ficar”, disse. Seriam as declarações de intenção da Eletrobrás efeitos de Belo Monte?

Brasil na contramão

Há poucos dias, pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, anunciaram que estão a um passo de criar uma bactéria capaz de produzir diretamente biodiesel a partir da fermentação de resíduos de produtos agrícolas. No final de janeiro, um designer francês apresentou uma mini turbina eólica que pode ser instalada nos quintais ou telhados de nossas casas para geração doméstica de energia. Estes são apenas exemplos de que soluções alternativas – e criativas – de geração de energia surgem freqüentemente.

Mas enquanto muitos países, desenvolvidos ou não, investem pesado na pesquisa e desenvolvimento de novas fontes, o Brasil ainda se debate com um etanol de primeira geração, tem de brigar muito para que a quantidade de enxofre no diesel diminua a níveis aceitáveis, investe pouco em tecnologia e aposta muitas fichas no potencial hídrico. “O grande desafio na renovação dos conceitos de desenvolvimento de fonte de energia está primeiro em vencer um conjunto de resistências que as grandes corporações impõem”, analisa Eduardo Bernini, ex-diretor da Eletropaulo e de outras empresas importantes do setor elétrico, como a Bandeirante.

Segundo ele, o Brasil está na contramão quando o assunto é o caminho para mudança da matriz energética porque ainda trabalha pensando em grandes sistemas, grandes usinas, quando o futuro é a descentralização. “O primeiro exemplo é o avanço da fonte eólica. Houve uma transformação muito forte nos últimos anos por causa de um desenvolvimento tecnológico descentralizado. Foram as empresas médias que fizeram a prospecção e o levantamento da energia eólica do último leilão que tivemos no país”, explica Bernini, que hoje comanda uma empresa de consultoria empresarial. O Brasil aproveita hoje apenas 0,5% do potencial de geração de energia eólica.

Para o consultor, há um grande risco de o desenvolvimento das energias limpas no Brasil ficar ainda mais lento, se considerarmos que a tendência é o fortalecimento de grandes conglomerados. Eles podem impedir ou dificultar a competição e a entrada de pequenos produtores, que poderiam fornecer soluções inovadoras na geração de energia. “É difícil prever onde o país estará daqui a alguns anos porque estamos em meio à mudança, que é essa tendência de conglomeração, mas, se ela se concretizar, posso dizer que estaremos piores do que estamos hoje”, diz.
Comentários
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%#@*
Gabriela 04/02/2010 16:15:41

^Uma usina pode ser um excelente negõcio para os indios^....Fazer
^negocios^nunca estara no entendimento milenar dos indios..rss..por esse assunto
eu teria animado de fazer uma resistencia na porta desse Forum...
$$PAC$$
Erik Road Estrada 04/02/2010 21:36:16

Não sejamos ingênuos: se Dilminha ganhar, as torneiras bilionárias do BNDES e
governo federal em geral continuarão jorrando para os bolsos das grandes
empreiteiras. Elas emprestam para a campanha eleitoral do PT, e tem de volta -
multiplicado por algumas milhares de vezes - a "doação" eleitoral.
Aliás, se o Serra ganhar isso também vai acontecer - só não provavelmente no
grau de podridão que existe hoje no governo Mollusco.
o brasileiro é um povo creativo;
pedro teixeira 05/02/2010 05:59:29

o governo precisava dar mais apoio,aos jovens creativos,são eles o futoro do
pais,o BNDES precisava ajudar mais.
O QUE EU PENSO!
Paulo 06/02/2010 19:33:54

..."O grande desafio na renovação dos conceitos de desevovimento de fonte
de energia está primeiro em vencer um conjunto de resistências que as grandes
comporações impõem"

Realmente é fato,o Brasil é um país onde o
principal cargo sempre ou na maioia das vezes é ocupado por pessoas que não
entendem nada ,nada mesmo.
São fechadas a um certo tipo de raciocino,que não
interessa realmente a um TODO, é para principios pessoais , quase sempre é
assim .Você vê aquele protesto pacífico de jovens na tv ,lutando por vagas
nas universidades,
enfim,tristemente quase sempre no óbvio,POR CAUSA de uma
maneira de pensar totalmente ultrapassda,e imcapaz(por parte dos dinossauros do
sistea),esses jovens acabam sem o seu ideal ,
que é por ventura a batalha pelo
saber,
agora se no ano de 2010, ainda nos contrastamos com esse tipo de
questão,vagas em universidades,escolas em situações precárias,sistema de
saúde precário em grande parte do Brasil,
como que poderemos discutir,tenta
resolver,fazer melhorias , evoluir,ecosustentabilizar-mos,se o que é de mais
facil resoluçao,uma continha de mais,não é solucionado a um tempão!
O
despreparo e a ignorância,somados a falta de nformação e sobretudo a falta de
respeito para com o próximo para com a humanidade.

Eu acredito, que enquanto
houver resistência(resistência no sentido,de omissão,fazer de
conta,corrupção,ouvidos fechados a novos ideais e principalmente uma vontade
para no minimo entender esse ideal,aonde ele quer chegar , seus principios , seu
ponto de partida , seu impacto ,o seu beneficio local, o seu beneficio global)
por parte de corporações,por grande parte dos políticos e até mesmo da
mídia(porque hoje em dia o que realmente importa não passa,o importante mEsmo
é a competição entre as massas é a AUDIÊNCIA),SERÁ quase que impossível
manter-mos evoluidos em questões para o fortalecimeto Nacional no Sistema
Elétrico,e mais uma infinidade de sistemas ...setores...
a educação não
vale nada mesmo!
Consultor Ambiental www.limpezariomeriti.blogspot
Newton Almeida 09/02/2010 07:58:01

O Brasil aumentou em 77% a capacidade instalada de energia eólica com relação
a 2.008, saltando dos 341 Mw para 606 Mw em 2.009. Crescimento maior que a
Índia (13%) ou EUA (39%), ficando a média de crescimento mundial em 31% .
Portanto a energia eólica vem aumentando muito no país, sem falar da biomassa,
aquecimento solar direto, etanol.
Realmente a utilização de energias
alternativas está longe de suplantar as convencionais, mas em comparação ao
mundo o Brasil está avançando a passos largos. E os veículos de comunicação
tem que cobrar a celeridade das autoridades. Parabéns pela matéria ! Muito bom
!
Newton Almeida MEIO AMBIENTE RIO DE JANEIRO
www.limpezariomeriti.blogspot.com
Liliani 10/02/2010 08:25:44

A questão é: só gente podre está no poder, seja a Rainha Dilma ou o Serra!
Apesar de brasileira, eu ainda não esqueci a podridão do governo tucano e sua
abertura as empreiteiras amigas ... dinastia continuada pela grande decepção
do governo Lula e seus fiéis escudeiros da casa civil e da agricultura,
verdadeiras pragas tropicais. No mundo inteiro é assim, aqui só é pior porque
ainda temos mais recursos, o quetalvez tenha relação direta com a corrupção.
Humano, demasiado humano... quanto tempo ainda vamos demorar para sermos
humanos?
Energias velhas ou pré-históricas?
Helton Perillo Ferreira Leite 10/02/2010 19:17:36

Cristiane, muito bom este texto. Apenas um reparo: é injustiça dizer que
hidroeletricidade e alcool são velhas energias, muito mais velha é a energia
do petróleo do pré-sal, esta sim, é pré-histórica, com o agravante de não
ser renovável.
Observações eletricamente relevantes
Maria Juliana 15/02/2010 17:00:18

Estamos no caminho certo, apostando em energia eólica. Mas não CORRETAMENTE
CERTOS...vejam só: a energia eólica é mais cara que a energia provida de uma
hidrelétrica. Então vamos utilizar essa energia dos ventos somente em casos
emergenciais. Nao devemos achar soluções focando "para CASOS
EMERGENCIAIS", o pensamento correto seria: o que fazer para não atingir
CASOS EMERGENCIAIS.
1) Não construir hidrelétricas, apostar em energia
renovável.
2) Investir pesado em pesquisas.
3) um político antenado deve
concientizar nossos cidadãos a importância da preservação do meio ambiente.
Sinceramente... duvido que a Eletrobrás consiga construir uma usina em terras
indígenas!

Bom, quero mudar esse quadro desesperador pois sem energia
elétrica o Brasil pára. Sou engenheira elétrica e quero atuar em pesquisas.
Assim faço a minha parte.
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