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| Ilha Grande tenta se reerguer |
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| Felipe Lobo | |||||||||||||||||||||||||
| 04/02/2010, 23:00 | |||||||||||||||||||||||||
Pela primeira vez, os moradores das praias de Araçatiba, Provetá, Vermelha, Castelhanos, Aroeira, Pouso e Mangues foram intimados a apresentar a documentação de suas propriedades. Durante a operação, realizada no início do mês, 175 edificações foram vistoriados. Apenas 27%, em um levantamento preliminar, tinham algum tipo de certidão (registro, recibo, escritura, contrato ou IPTU). Os responsáveis já foram notificados a apresentar as licenças ambiental e de obras. Também estão previstos trabalhos mais intensos para identificação de outras áreas de risco e planos para ampliação do parque estadual já nos próximos meses. Mas ações anunciadas como exemplares, como a contratação de guarda-parques, ainda não aconteceram de fato. Sua chegada está prevista para o mês que vem, segundo contou Aximoff, na entrevista completa que você confere a seguir. O Eco – O deslizamento de terra na praia do Bananal começou acima da cota dos cem metros, portanto dentro dos limites do parque. O que está sendo feito para evitar novas tragédias?
O Eco - Vocês já identificaram as pessoas que vivem em áreas de risco? IA - Eu e outros funcionários do PEIG estivemos envolvidos, por mais de uma semana, realizando o levantamento das informações e produzindo o relatório junto com a Coordenadoria Geral de Fiscalização, Gerência de Unidades de Proteção Integral e, também, de Uso Sustentável do Inea [Instituto Estadual do Ambiente do Rio]. O relatório foi entregue ao Conselho Diretor do órgão, que encaminhou recomendações para os diversos atores com responsabilidade na área, como Prefeitura, Defesa Civil Municipal e também para APA Tamoios e PEIG. Estas recomendações estão sendo discutidas nos conselhos gestores das unidades de conservação para identificar com a comunidade quais devem ser as próximas ações e o que precisamos para tal. Aos poucos estamos recebendo os moradores de áreas de risco que foram notificados a apresentar documentos e licenças. Já identificamos que existem muitos em situação regular ou mesmo com casas mais antigas do que a criação da APA Tamoios. Contudo, há aqueles sem licença e sem consciência ambiental, que colocam as casas em áreas de risco. Infelizmente, o poder público não tem pernas para coibir este tipo de situação que existe em todos os lugares. O Eco – A proposta de ampliação do parque vai sair do papel? IA - A ideia é aproveitar este momento para ampliar um pouco mais o PEIG. Esta ampliação deve pegar áreas consideradas de risco, a fim de evitar o crescimento dos povoados para estes locais. O aumento não deve ser expressivo, mas providencial. Acredito que, para os próximos meses, os resultados dos estudos, da operação e das discussões com os Conselhos indicarão o melhor momento para tal. O Eco - Como a população da Ilha Grande vê o parque? IA - Muitas vezes não tenho fiscal no PEIG e aí complica mais ainda, pois não conseguimos atender às demandas de denúncia, o que parece negligência de nossa parte. Com a finalização do plano de manejo da UC para este semestre, acredito que a gestão vai melhorar muito, em grande parte apoiada no Conselho Consultivo do PEIG, que é muito bom. Como chefe do PEIG, preciso trabalhar muito bem a imagem da UC - já que, para grande parte dos moradores da Ilha, ela é negativa e relacionada à fiscalização. Nossas ações têm sido voltadas em grande parte para isso. O Eco – Quais são os maiores desafios de gerenciar um parque tão procurado por turistas? IA - Segundo dados da prefeitura [de Angra dos Reis], a Ilha Grande recebe, por ano, cerca de 300 mil pessoas. É razoável colocarmos que 70% deles visitem a área do parque. Em relação à gestão propriamente dita, os maiores desafios são basicamente oriundos de problemas que estão fora dos limites do parque. Por exemplo, falta de ordenamento territorial, presença do poder público (principalmente municipal) e consciência ambiental geram problemas que, muitas vezes, nos afetam. Tenho conseguido diminuir um pouco a questão de não resolvermos demandas que não são de responsabilidade do PEIG e que antes tomavam muito de nosso tempo, como a fiscalização na área da Área de Proteção Ambiental (APA) Tamoios, autorizações de corte e poda de árvores etc. Outro exemplo disso está relacionado à questão dos milhares de cães e gatos que estão nas áreas da APA Tamoios (Abraão e outros povoados) e são de responsabilidade do município de Angra. Acontece que, mesmo existindo uma lei municipal de 2007 para regular esta questão, nada é feito e a grande quantidades desses animais em todos os lugares (praias, trilhas, praças etc) trazem riscos à saúde humana e à própria biodiversidade do PEIG. Recebemos, há alguns meses, um indivíduo macho do macaco bugio (animal ameaçado de extinção e símbolo do PEIG) ferido por cachorros e que acabou morrendo em Angra após os primeiros socorros da veterinária do Ibama. O Eco – Você acha possível que o parque se sustente um dia só com turismo? IA - Em breve, com a publicação do Decreto de Uso Público, as unidades de conservação poderão vislumbrar a possibilidade de se tornar sustentadas inteiramente (ou em parte) pelo turismo. Para isso, preciso oferecer um produto de qualidade e que deverá envolver toda a comunidade da Ilha, porque não adianta nada criarmos a melhor estrutura e os turistas não terem boas opções de estabelecimento. O sucesso do PEIG depende da boa recepção dos turistas na Ilha por parte dos hoteleiros. Eles só virão para a Ilha se as condições ambientais estiverem melhores, e aí dependemos da prefeitura. Se todos trabalharmos juntos, o PEIG será um parque modelo. O Eco – É isso que o governo do Rio vive dizendo, que o PEIG será referência, inclusive com a 1ª turma de guardas-parques. Isso já é uma realidade? IA - A Ilha Grande, e por tabela o PEIG, está entre os principais destinos turísticos do Brasil. Quando o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, estava à frente da secretaria do estado, ele sempre tratava o PEIG como o parque modelo e a menina dos olhos do Rio de Janeiro. A responsabilidade e o desafio são enormes e, desde setembro do ano passado, tenho percebido isto diariamente. A experiência que acumulei ao longo de minha vida profissional, como estudante, pesquisador, professor, subsecretario municipal de meio ambiente e outras funções, tem me ajudado um pouco, mas, como bom biólogo, sei que a administração para gestão ambiental e de pessoas não é nada fácil. Tenho me preparado cada vez mais para esta função de chefe de parque modelo em pleno Rio de Janeiro, sabendo que temos o apoio financeiro da Vale para os próximos 5 anos. Por enquanto, os guardas-parques ainda não chegaram, mas são prometidos para o mês que vem. Para a Ilha, serão destacados 20 bombeiros, sob responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), e que terão poder de fiscal, o que vai ajudar muito. Com eles trabalhando poderemos utilizar parte da equipe atual de guardiões para trabalhos de interpretação ambiental - estamos montando um curso permanente de capacitação. Preciso atender cada vez melhor o público que visita o PEIG. ![]()
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