O fim da Amazônia em 10 anos PDF Imprimir E-mail
Andreia Fanzeres   
27/01/2010, 09:47

Entre 2009 e 2021 o Peru pretende constuir 52 centrais hidrelétricas na região amazônica Foto:Thomas Muller
Não é de hoje que Marc Dourojeanni, ambientalista veterano e colunista de O Eco, discorre sobre as ameaças de grandes obras de infra-estrutura ao futuro da Amazônia. São dezenas de artigos que detalham incongruências e inconsistências de tantas intervenções. Elas se avolumam, se agravam, e continuam muito mal explicadas para a sociedade. Por isso, juntos, Marc, Alberto Barandiarán e Diego Dourojeanni resolveram iniciar a segunda década do milênio publicando um livro que traz a inestimável contribuição de detalhar de forma clara, objetiva e completa quais são os empreendimentos planejados para a Amazônia peruana, suas motivações e suas consequências como um todo para a região. Fizeram eles o que o governo tem se esquivado a revelar.

“Amazonía peruana em 2021: Explotación de recursos naturales e infraestructuras: ¿Qué está pasando? ¿Qué es lo que significan para el futuro?” (em espanhol), é uma obra provocativa que não se encerra nos interesses do país vizinho. Muito pelo contrário. Mostra quão envolvidos estão atores brasileiros nesses projetos, não se furtando a nomeá-los nem a detalhar as consequências de grande escala nas áreas de exploração madeireira, petróleo, mineração, energia hidrelétrica, agricultura e transportes.

 
Marc Dourojeanni: "O Brasil também tem
muito a perder com Amazônia peruana
sem matas". Foto: SPDA
Depois de dois intensos meses de trabalho, os autores conseguiram compilar em 162 páginas o que empreiteiros, bancos e governos querem omitir da sociedade quando se abordam as consequências de arrojados projetos de infraestrutura que atravessarão a Amazônia peruana. Hoje, toda essa informação está dispersa em empresas, administrações locais e nacionais, mas agora pode ser compreendida através da interpretação crítica dos autores. “A informação é inacreditavelmente contraditória de fonte para fonte e de mês a mês. Na verdade, ela só pode ser reunida por equipes com muito conhecimento da realidade e da operação governamental, com contatos pessoais nos ministérios e após muito trabalho para extrair-la da internet, dos relatórios, declarações nos jornais e publicações”, explicou Marc Dourojeanni.

Por mais que os planos brasileiros deixem a dever em diversos aspectos, o Peru sequer tem um planejamento de desenvolvimento nacional, nem garante a seus cidadãos acesso às informações dos empreendimentos que apoia. “É impossível para um cidadão comum entender o que se passa na Amazônia peruana. No Brasil pelo menos programas como o “Avança Brasil” e o próprio Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) podem ser lidos em um só documento amplamente divulgado. No Peru isso não existe”, revela Marc.


Rumo ao retrocesso


Nesta década em que a ousadia dos governos deveria estar direcionada à implantação de projetos alternativos de geração de energia, manejo sustentável, pagamento por serviços ambientais e incremento de esforços para diminuir as emissões oriundas de desmatamento em nações como o Peru, o país resolveu apostar nos velhos modelos.

Entre 2009 e 2021 o Peru pretende constuir 52 centrais hidrelétricas na região amazônica (24.500MW). Também tem planos para a concessão de 53 lotes para exploração petrolífera e outros que cubrirão 70% da área de floresta, fora oleodutos e gasodutos. Terá ao final da década mais de 24 mil direitos minerários titulados, sendo outros 7 mil já em tramitação na Amazônia, além de quase 5 mil quilômetros de estradas recuperadas, incluindo 880 km de novas vias, 2 mil km de ferrovias, 4.213 km de hidrovias e 483.581 hectares de plantações novas para biocombustíveis. O Peru quer ainda triplicar sua área de floresta concedida a exploração privada, o que se somará à altíssima taxa de desmatamento que ocorre ilegalmente no país.

Os autores reconhecem que a região amazônica precisa de investimentos na área de infra-estrutura, mas duvidam da necessidade de tantas obras ao mesmo tempo em apenas uma década, questionam a viabilidade econômica e social desse pacote e se indagam por que ainda não foi feito estudo de impacto ambiental para tudo isso. Além do mais, eles estimam que se tudo for realizado, os custos podem chegar à casa dos 80 bilhões de dólares que, financiados com recursos externos em sua grande parte, poderiam provocar um endividamento público e privado sem precedentes.

Projeções trágicas

  1986                                                                         2009
Imagens de satélite Landsat da região de Madre Dios, onde Brasil investirá em hidrelétrica. No destaque, o avanço do desmatamento ao redor de estrada na floresta (crédito: imagem INPE/DGI, arte: O Eco)

O desmatamento e a degradação florestal na Amazônia peruana, consequentes da abertura de estradas, exploração madeireira e petrolífera, poderão atingir 91% da área de floresta num cenário mais pessimista, que, entretanto, tem grandes chances de se concretizar. Os autores também discorrem sobre a perda das funções econômicas e ecológicas dessas matas, como capacidade de fixação de carbono, conservação da biodiversidade e saúde do ciclo hidrológico – aspectos que se não forem levados em conta, transformarão os empreendimentos em desastres para o país.

 As áreas protegidas serão fortemente pressionadas e invadidas. As emissões de gás carbônico da Amazônia peruana aumentariam em grandes proporções, colocando o país em situação incômoda diante de compromissos internacionais. Doenças, ondas migratórias, enchentes e secas severas, crescimento desordenado das periferias, grilagem de terras, violência, pressão sobre populações indígenas isoladas e ribeirinhas, são algumas das inúmeras consequências sociais não devidamente contabilizados no pacote de projetos e que, em muito, superam as vantagens sociais anunciadas.

Interesse brasileiro


Lula e presidente peruano, Alan Garcia, assinam acordo de
cooperação para geração de energia hidrelétrica
Foto: cortesia Palacio do Governo do Peru
Os autores atribuem ao governo brasileiro e suas empresas os maiores interesses de grande parte das intervenções no Peru, a fim de que o país aumente sua hegemonia na América do Sul, atendendo as necessidades de escoamento de produtos pelo Pacífico e venda de energia hidrelétrica de usinas peruanas para o Brasil. Os investimentos serão benéficos, é claro, para as empreiteiras e prestadoras de serviços, para o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), além de estimularem agricultores e garimpeiros da Amazônia brasileira a cruzar a fronteira. Sem falar nas entidades financeiras peruanas e nos políticos que sempre ganham com obras megalomaníacas.

Ainda que nem tudo seja cumprido à risca, nunca na história peruana se projetou tantas obras de infra-estrutura nem houve tantas iniciativas de exploração de recursos naturais em apenas dez anos. Qualquer semelhança com os empreendimentos brasileiros para a Amazônia não são mera coincidência.

Em diversas passagens, o leitor tem a sensação de estar lendo um livro sobre a Amazônia brasileira. Marc vê também muitas semelhanças, mas ressalva que a peruana é mais complexa. “O padrão de ocupação pode ser drasticamente diferente, com minifúndios no Peru e preponderância do latifúndio pecuário no Brasil. E gerando problemas e conflitos como o narcotráfico e o terrorismo ou guerrilha. A população andina peruana sempre foi muito organizada e politicamente combativa, o que é positivo em muitos aspectos, mas agrava os conflitos”, explica Marc. Enquanto a Amazônia brasileira recebeu nos anos da ditatura militar incentivos para sua ocupação, com abertura de estradas e nascimento de cidades, o Peru esteve até pouco tempo de costas para sua floresta e ainda hoje vê a região como um território a ser explorado ou vendido, de acordo com Marc.

A saída, para os autores, reside numa interrupção estratégica das intervenções planejadas para que se possam incluir a participação social e o cumprimento da legislação no que se refere à mensuração dos impactos, inclusive ambientais. “Se não for assim, somos realistas e conscientes de que as recomendações deste trabalho não encontrarão muito eco no governo atual”, diz Marc. Entre as sugestões dos autores estão o funcionamento de um cadastro de passivos ambientais para a Amazônia, para registrar e quantificar os danos ambientais acumulados que mais podem influenciar negativamente o futuro da Amazônia, a ser elaborado em escala municipal, regional ou para toda a Amazônia.

Mais do que abrir os olhos da população, para que não assista inerte à destruição da Amazônia peruana em apenas dez anos, os autores quiseram chamar a atenção dos próprios governantes, muitos dos quais sem noção clara do conjunto e das interações de tantas obras propostas, esperando deles alguma atitude. “O Brasil também tem muito a perder de uma futura Amazônia peruana sem matas, com os solos arrasados, águas contaminadas e socialmente mais instável que agora. A Amazônia é uma só. Este trabalho é, portanto, um convite à reflexão e à ação”, resume Marc.

Biblioteca
A Amazonia Peruana em 2021
Comentários
Adicionar RSS
Lula quer acabar não só com Amazônia mas com o Bra
André Luiz Monteiro 28/01/2010 05:13:42

Bom dia caros leitores.
Realmente esse não é o presidente que escolhemos para
comandar o nosso querido Brasil. O governo Lula tem demostrado junto aos seu
comparssas um total desleixo com a econômia do país, muitos casos de
corrupção, desvio de dinheiro e nada acontece com seus autores, pois bem são
farinha do mesmo saco aí então nada realmente acontece. Existem meios de se
produzir energia elétrica sem afetar o meio ambiente com construções de
usinas nucleares, no intanto já é anunciada construções de usinas no
nordeste, sul em fim, poluição para todo pedacinho do Brasil. O que podemos
esperar por um dirigente que faz acordos politicos com outros presidentes
Latinos para promover construção de partido unico para liderar a América
Latina com dinheiro de corrupção e desvios, recentemente o amiguinho do Lula
inceparável Hugo Chaves deu um dos maiores golpes de todo história e resolveu
tomar uma das maires redes de supermercados de seu país, é desse jeitinho que
as coisas estão sendo preparadas também para o nosso Brasil. 1º vamos acabar
com a Amazônia e receber muito dinheiro na trasação, que se dane o povo eu
tenho dinheiro e posso se mudar para o melhor lugar do mundo, só que esquece
que esse melhor lugar e nossa casa "Terra" e se não preservarmos senhor
Lula não haverá outro lugar a não ser que o senhor e seus comparssas já
tenha comprado um terreninho no cèu com escritura emitida pela Universal, 2º
não podemos perder as redias, então vamos sensurar, aparece nos meios de
comunicação só o que favorece ao governo federal o resto sensuramos, aí eu
pergunto? Onde anda a DEMOCRACIA, onde está o direito de falar, de vir a tona
as roupas sujas daqueles que as promovem, em fim, este ano precisamos mudar
nossa conduta e nas urnas virar esta pagina suja que compromete nossas
raizes.

A COISA ESTÁ FICANDO PRETA - PATRULHAMENTO GERAL:

O primeiro
jornalista a sofrer cerceamento do direito de bem informar, em consequência dos
seus verdadeiros, contundentes e procedentes comentários contra os desmandos do
atual governo, foi o Boris Casoy. De acordo com o noticiário da época, ele foi
demitido a pedido do próprio Lulla.
Entretanto aos olhos dos menos atentos, a
coisa vem se agravando de maneira avassaladora e perigosa, senão vejamos:
O
Programa do Jô, tirou do ar (sem dar qualquer satisfação ao público) o
quadro "As Meninas do Jô" que era apresentado às quartas feiras onde
as jornalistas Lilian Wittifib, Ana Maria Tahan, Cris tiana Lobo, Lúcia
Hippólito e por vezes outras mais, traziam à público e debatiam todas as
falcatruas perpetradas por essa corja de corruptos que se apossou do país. As
entrevistas sobre temas políticos não têm sido mais levadas a efeito
atualmente. Virou um programa de amenidades e sem qualquer brilhantismo.
O
jornalista Arnaldo Jabor, considerado desafeto pelo governo atual, vem sofrendo,
de forma velada e sistemática, todo tipo retaliação. Já foi processado,
condenado, amordaçado e por aí vai. Sua participação diária, às 07h10 na
Rádio CBN tem se limitado a assuntos sem a relevância que tinha, haja vista
que está impedido de falar sobre assuntos que envolvam a política nacional e o
atual governo.
A jornalista Lúcia Hippólito, que tinha uma participação
diária, às 07h55 na Rádio CBN, não está mais ocupando o microfone da
emissora como fazia e nenhum comunicado foi feito pelo âncora do horário, o
jornalista Heródoto Barbeiro. Sorrateiramente, colocaram-na como âncora em
outro horário, onde enfoca matérias mais amenas e sem a habitual, verdadeira e
procedente contundência.
Diogo Mainard, da Revista Veja, além de processado,
vem sofrendo várias ameaças de morte por parte do jornal do MR-8 (que faz
parte da base aliada ao Lulla) e de integrantes dos chamados "Movimentos
Sociais".
O jornal "Estadão" de São Paulo está sob forte censura
governamental há pelo menos 60 dias.
Pelo que se vê, Fidel Castro está
fazendo escola na América do Sul. O primeiro a colocar em prática estes
ensinamentos, aniquilando o direito de imprensa foi Hugo Chaves, e pelo andar da
carruagem o nosso Presidente está trilhando pelo mesmo caminho.

Constitucionalmente:
Onde está o ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO.
Onde
está o LIVRE DIREITO DE MANIFESTAÇÃO.
Onde está a LIBERDADE DE
EXPRESSÃO
Onde está a LIBERDADE DE UMA NAÇÃO.
Segundo comentário feito
pela jornalista Dora Kraemer, no Estadão de Domingo. Destaca-se o seguinte
trecho que transcrevo: " Jabor faz parte de uma lista de profissionais tidos
pelo Presidente Lula como desafetos e, por isso, passíveis de retaliação à
medida que se apresentem as oportunidades..
ESSE TEXTO DEVE-SE TRANSFORMAR NA
MAIOR CORRENTE QUE A INTERNET JÁ VIU!
ACORDA BRASIL, ENQUANTO É
TEMPO, E REAJA!

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você
disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las." Voltaire
ALINE 28/01/2010 23:51:20

Database Error: Unable to connect to the database:Could not connect to MySQL
Empreendedores Colaboradores Solidários
Roni 29/01/2010 04:08:40

Observe, por favor:

Todo empreendimento "bem sucedido" tem sua
órbita em torno do poder e do dinheiro;

Todo movimento real tem sua órbita
em torno da solidariedade e do amor;

A aspiração deveria ser: transformar
os homens e não tentar mudar o que já é velho e ultrapassado.


Gratidão
Roni
Racionalidade
João Paulo 02/02/2010 07:30:44

Respondendo, em primeiro lugar, o prezado Andre Monteiro, concordo com você que
o governo Lula não é nenhum modelo, mas defender os jornalistas que você
defende, pois os mesmos são vendilhões e manipuladores da informação,
totalmente voltados a uma idéia capitalista de mundo, verdadeiros papagaios da
direita brasileira e mundial!! Veja, Época, Estadão e outros veículos de
desinformação, distorcem e chegam até a inventar informações sobre MST e
outros movimentos. São mercenários da informação, seus artigos são pautados
pelo valor e tom que recebem dos seus patronos, sempre com o mesmo teor, esses
jornais pouco se atrevem a colocar verdadeiros pensadores das ciências humanas
e sociais de UFRJ, USP, UFPR, UFGS, UFPE e outras mais que abrigam verdadeiros
intelectuais compromissados com uma proposta altermundista. Quando muito,
colocam economistas liberais para comentarem questões sobre segurança
pública, infância e outros temas que pouco sabem e nada se debruçam sobre
literaturas bem mais substanciais que suas análises quantitativas e
positivistas. Enfim, o que está em jogo é a maldita racionalidade moderna e
sua materialização em propriedade privada, loucura inventada pela modernidade
individualista, negadora de uma outra relação sociedade-naturea calcada em
laços comunitários e não competitivos-atomistas.

Por fim, "sensura"
é com "C", CENSURA...
Escrever comentário

Comentários são moderados e aceitos sempre
que não trouxerem termos abusivos ou ofensivos.


Nome:
Email:
 
Título: