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| Desmatamento antecipado |
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| Vandré Fonseca | |||||||||||||||
| 15 Dez 2009, 12:53 | |||||||||||||||
Em 2008, apenas 1,9 Km2 de matas primárias foram destruídas. Até setembro deste ano, já tinham sido 5 Km2. Nem o fato de a área do município estar sobre uma Área de Proteção Ambiental não serviu para que este crescimento tenha sido organizado ou respeitado às leis ambientais. “A ponte é necessária. A cidade precisa de espaço para crescer. Manaus espremida entre os rios Negro e Tarumã, com a Reserva Ducke do outro lado. Mas não podemos repetir do outro lado, os mesmos erros cometidos aqui, como invasões de terra”, afirma o o pesquisador José Glauco da Costa Nascimento, professor da Universidade do Estado da Bahia. José Glauco veio a Manaus fazer doutorado sobre regeneração florestal no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e acompanha a situação em Iranduba. Para ele, o grande problema é falta de governança, ou seja, de uma ação eficaz do estado para evitar os impactos negativos da obra. Até o ano passado, a maior parte do desmatamento do município era relacionado ao consumo de madeira para olarias, que ainda preferem consumir madeira da mata nativa ou de áreas em regeneração à reposição florestal. Mas no ano passado, o apetite das fábricas de tijolos por florestas foi freado por operações do Ibama e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). “A diferença é que agora as árvores estão virando fumaça antes de ir para as olarias”, afirma o pesquisador. Focos de queimada Mas um outro dado demonstra este avanço da devastação sobre Iranduba, o número de focos de calor registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os registros de queimadas com mais de um hectare vinham crescendo durante esta década, mas caíram caiu no ano passado. Este ano, voltaram a crescer este ano. Em 2007, foram 20 focos. No ano passado, apenas 3. Até setembro de 2009, 32 focos de queimadas. E nem todas as queimadas são registradas pelos satélites. Algumas são pequenas demais para serem identificadas, além disso a nebulosidade também atrapalha a identificação. Para José Glauco, são as queimadas ocorridas no entorno de Manaus, como em Iranduba, que formam a fumaça que tem coberto a cidade frequentemente durante a estação seca deste ano. Municípios como Careiro da Várzea e Presidente Figueiredo também tiveram aumento no número de focos de calor registrados. O município tinha apenas 14% de sua área desmatada no ano 2000. Este índice passou chegou a 20,21% no ano passado. Já são mais de 450 Km2 de floresta desmatada em Iranduba, que possui 328,3 Km2 de área. José Glauco aponta também problemas no licenciamento da obra. O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impactos no Meio Ambiente (EIA-Rima) levou em consideração os efeitos que seriam sentidos a apenas cinco quilômetros da obra, mas os efeitos da ligação direta entre Manaus e Iranduba chegam muito mais longe. Casa incendiada
Os criminosos chegaram a mandar um recado para o caseiro sair de lá. “Ele não saiu e chegou a ouvir homens chegando e conversando sobre o que iriam fazer, se era só para queimar a casa ou iam pegar o caseiro também. Aí, ele fugiu escondido. Não viu ninguém mas ouviu”, conta o pesquisador do Inpa. Os problemas começaram durante a última campanha eleitoral, quando foi criado um loteamento ao lado do sítio, com o sugestivo nome de Residencial Portelinha. No “conjunto” Portelinha, não existe nenhuma identificação que possa levar a acreditar que se trata de um empreendimento regular. Os lotes têm o tamanho de terrenos urbanos e não existem informações sobre Corretores Imobiliários, proprietários ou licenciamento ambiental. Os responsáveis pela distribuição de terras têm pressionado moradores antigos e donos de sítio para aumentar o tamanho do loteamento. Queimadas avançam na terra dos outros, colocando pessoas em perigo e destruindo o que ainda existe de mata. Nos sítio de Mário Cohn-Haft e amigos, até marcos de limites colocados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foram destruídos.
Leia carta enviada por Mario Cohn-Haft sobre o incêndio de seu sítio
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