Era uma vez a RPPN PDF Imprimir E-mail
Cristiane Prizibisczki   
17/08/2009, 12:57

Na última quarta-feira (12), Norberto Hess, ex-secretário do Meio Ambiente da cidade baiana de Maruá e dono de duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) no mesmo município, entrou na frente do trator da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) para tentar impedir que a máquina derrubasse irregularmente uma porção de floresta em sua propriedade. A ação não agradou a empresa. Hess foi algemado e levado à delegacia por desacato à autoridade. Permaneceu por cerca de três horas sob poder dos policiais e só foi liberado após intervenção do Ministério Público Estadual. Ao sair da delegacia, recebeu um aviso: se a cena se repetisse, iria realmente para trás das grades.

O que aconteceu com Hess foi apenas o desfecho de uma história que começou em 2006, quando a Coelba comunicou-lhe que uma linha de transmissão de energia cortaria sua propriedade e que, para isso, seria necessário desmatar uma faixa de 15 metros. Hess não concordou com o desmate, a menos que ele fosse autorizado pelo órgão ambiental competente. A negociação durou mais de dois anos. Neste período, o proprietário sugeriu à empresa de energia caminhos alternativos para a linha de transmissão nos quais não seria necessário o desmate, mas nenhuma proposta  foi aceita. “Acho que aumentar em três ou quatro quilômetros a linha para contornar a RPPN não era muita coisa para eles”, diz o proprietário.

Após uma série de negativas da empresa, Hess concordou com a derrubada, desde que houvesse uma compensação ambiental, que consistia em ajuda financeira mensal para que sua família mantivesse funcionando uma escola de educação ambiental na propriedade. Nada mal para uma empresa que obteve lucro líquido acumulado de R$ 814,8 milhões em 2008, o que representou aumento de 25,9% em relação ao ano anterior.

A resposta da empresa ao pedido foi um Decreto de Utilidade Pública da obra, apresentado à família, isentando-a de qualquer compensação. “Depois desse decreto, acho que eles não se sentiram mais obrigados a negociar comigo”, diz o proprietário. Essa foi a primeira derrota de Norberto Hess. Na última quarta-feira, enquanto acompanhava os trabalhos da Coelba, ele percebeu que o limite de 15 metros de derrubada não seria respeitado. Ao tentar impedir, foi preso. Agora responde criminalmente por desacato à autoridade.

Onde tudo começa

A história das RPPNs Sapucaia e Juerana começou na década de 1950, quando o pai de Norberto, Hatmut Hess, deixou a Alemanha com destino ao Brasil, motivado por um anúncio de jornal que procurava químicos na área de manufatura de borracha na Bahia. Em 1959, sete anos depois de desembarcar no país, Hatmut começou a comprar as áreas que hoje formam a fazenda Água Boa, em Maruá, com 227 hectares.

Na década de 1980, a família Hess, consciente da importância biológica da área, tentou implantar um refúgio de fauna na propriedade. A tentativa não deu certo, mas o desejo de preservar a mata permaneceu, até que, em 1998, o processo de criação das RPPNs fosse encaminhado.

Juntas, as Reservas Particulares Juerana e Sapucaia somam 45 hectares e abrigam espécies importantes e ameaçadas. Segundo os biólogos Leonardo Patrial e Fabio Copolla, que vêm monitorando a área, já foram confirmadas no local as presenças de cinco indivíduos da espécie Scytalopus Psychopompus, o Macuquinho Baiano, ave extremamente rara e ameaçada. Em todo o país, a não-governamental BirdLife estima que existam apenas de 50 a 250 indivíduos. Além do Macuquinho Baiano, outras seis espécies de aves em algum nível de ameaça já foram registradas e, segundo Norberto Hess, as RPPNs ainda abrigam animais como a preguiça-de-coleira, bugio e o macaco-prego-do-peito-amarelo.

“Casos como este [da prisão] desestimulam toda a luta pelo meio ambiente. Me pergunto por que vou fazer isso [preservar]. O desmatamento está muito forte na nossa região. Os madeireiros não são presos e eu sou?”, questiona-se. Segundo ele, ao analisarem a ação por desacato, seus advogados descobriram ainda que a autorização do órgão federal que a Coelba informava possuir nada mais era do que uma licença para abertura de picada para medição. Não havia documento do órgão federal liberando o desmate.

Quem paga a conta

A Reserva Particular de Patrimônio Natural é uma categoria de unidade de conservação prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). É criada por portaria do órgão ambiental federal. No caso específico das RPPNs Juerana e Sapucaia, as unidades encontram-se em trecho classificado como sendo de alto interesse de biodiversidade pelo Atlas de Remanescentes de Mata Atlântica, bioma considerado Patrimônio Nacional pela Constituição Federal.

Por todos esses motivos, a não-governamental SOS Mata Atlântica, que junto com outras organizações possui um Programa de Incentivo à RPPN, acha que o Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão agora responsável pelas unidades de conservação do país, deveria se manifestar com veemência em relação ao ocorrido com Norberto Hess. “Os proprietários de RPPNs fazem de boa vontade um compromisso que é do governo, o de preservar a biodiversidade”, diz Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da ONG. “O governo tem que agir firmemente em relação a isso, senão amanhã ninguém mais vai querer criar RPPN no país”, alerta.

Para a advogada Sônia Maria Pereira Wiedmann, doutora em Direito Internacional do Meio Ambiente pela Universidade de Strasbourg (França) e que por 32 anos foi procuradora do Ibama, há várias ingerências no caso de Hess. A primeira é que a empresa de energia deveria ter consultado o ICMBio. O segundo erro foi não prever antecipadamente caminhos alternativos para a linha de transmissão que evitassem o desmate e não ter aceitado as alternativas sugeridas pelo proprietário da área. O terceiro foi que a Coelba, em hipótese alguma, segundo a advogada, poderia ter excedido o desmate da área acordada previamente.

O Instituto Chico Mendes foi procurado pela reportagem e, no primeiro contato, a assessoria informou que o órgão não iria se manifestar por se tratar de uma reserva particular. Após algumas horas retornou as ligações informando que o órgão já havia entrado em contato com Hess e que daria a ele todo apoio necessário.

Por todo o Brasil

A história de Norberto Hess não é um caso isolado no país. Segundo Sônia Wiedmann, considerada uma das “mães das RPPNs”, situações em que o direito de executar uma obra de “utilidade pública” se sobrepõe à preservação da biodiversidade acontecem por todo canto, em reservas particulares ou em unidades de proteção integral. Esses é o caso do Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), há anos cortado em toda sua extensão por linhas de transmissão de energia. “Os desmandos são enormes e isso é um problema histórico do país”, diz a advogada.

Para ela, isso é um reflexo da maneira como a política ambiental é conduzida no Brasil. “Não existe sintonia entre os programas de governo”, lembra. Apesar de todos os entraves burocráticos e da falta de acompanhamento do órgão competente, ela ainda acredita que proprietários de terra não se sentirão desestimulados a criar instrumentos de proteção em suas áreas. “O número de RPPNs no país é hoje o dobro das unidades de conservação federais. Quando a [categoria] RPPN foi criada, houve um engajamento social muito grande e ela tem se mostrado como um instrumento muito útil para a conservação. Isso não pode acabar”, diz. Tomara que Sônia Wiedmann esteja certa.
Comentários
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Vergonha
José Marques Porto 17/08/2009 13:22:31

O Brasil é um país que envergonha aqueles que cumprem as leis. O país só é
bom para corruptos entre outros criminosos.
Esse desrespeito está ficando nacional
Jorge Albuquerque 17/08/2009 16:37:58

Soubemos de situação similar em Anitapolis nesse ultmi fim de semana quando a
empreiteira que esta construindo a estrada SC407 para a cidade e apressada para
servir a malfadada fosfateira da Bunge. Os peoes simplesmente estão invadindo
propriedades, desrepeitando moradores e dizendo que irão sim cortar casas e
terrenos para a estrada. Matas estao sendo cortadas sem EIA RIMA. Ao memso tempo
tecnicos da CELESC estao na área de Anitapolis inspecionando a área onde
passara a linha de transmissao que levara energia ao empreendimento da Bunge que
ainda nao foi licenciado. Tdo pela utilidade publica. Mas a pergunta é: seriam
essas obras de interesse publico?
país dos pobres e miseraveis
slrl 17/08/2009 17:19:30

sim, vivemos num país de pobres e miseráveis. Mas pobres e miseráveis da pior
espécie. Não pobres de dinheiro, mas pobres de espírito. Não miseráveis
porque passamos fome, mas miseráveis porque aceitamos, de olhos vendados, a
tanto escalabro. Onde está aquela geração que na decada de 60 lutava pela
dignidade, pela igualdade, pelo respeito, pela qualidade de vida? Onde estão as
novas gerações que aceitam tão facilmente a destruição de um patrimônio
que pertence a eles próprios e seus descendentes? Onde está a dignidade de
nossos governantes, que hoje consistem numa casta que dá nojo, vergonha e
indignação, com rarissimas excessões? A quem apelar numa sociedade ignorante,
apática, e que cresce no lema "levar vantagem em tudo"? muito bem,
continuemos assim, e para nós, "reles mortais" que não fazem parte
desta "casta" miserável, existe sempre "pão e vinho"!
os desgovernos estão acabando com o país
MARIA CECILIA GOUVÊA WAECHTER 17/08/2009 17:57:24

Dignidade de nossos governantes? Não temos a quem apelar e os órgãos
competentes como o IBAMA e outros de "fiscalização" só agem com altas
propinas. O dono da reserva em frente ao trator, lembrou-me a figura do jovem
chinês em 89 na Praça do Poder Celestial em frente a um tanque e nunca se
soube mais dele. Quando a parentada de "nossos governantes" tiverem os
bolssos mais cheios, mas sem ar para respirar, espero já ter partido desta
vida.
Cuidado com o que se diz ou com o que não se faz
José 17/08/2009 19:11:52

Sra Maria Cecília, quando afirma que o IBAMA só age com altas propinas, faz
uma denúncia grave. Caso tenha testemunhado uma situação como a que descreve
espero que tenha formulado a denúncia, pois o IBAMA náo recebe propina e, sim,
se for o caso, pessoas que compõem seu quadro de pessoal e têm nomes. Não
denunciar um caso desse é quase tão grave quanto cometê-lo. Caso não tenha
testemunhado nada neste sentido, trata-se de uma acusação leviana e
irresponsável a todos que arduamente trabalham naquela instituição.
Outra
questão é que, desde que o IBAMA foi desmembrado para a criação do ICMBio,
ficou sendo atribuição e competência deste novo órgão a proteção das
unidades de conservação.
Desculpe o tom, mas minha paciência com a
irresponsabilidade, a passividade e a desinformação tem limite
Que garantias tenho tambem propreitário de uma RPP
Evandro Engel Ayer 17/08/2009 20:14:02

Me solidarizo com o Norberto e questiono as garantias reais que deveriam ser
dadas às àreas tombadas como a nossa. O ICMBIO deveria apoiar sem restrição
esta propriedade ameaçada.
Cade os orgãos gov ?
Victor Farjalla Pontes 17/08/2009 20:45:58

Nessas horas que vemos q orgão de "respeito" é aquele que gera lucro,
como no caso a empresa de energia, cade o IBAMA e ICMBIO nessas horas ? nem pra
dar esclarescimentos eles aparecem... pois não tem moral a frente de uma
empresa de energia... A policia ta la pra prende o cara dentro de sua própria
terra ! mas não pede a licença pra desmatar... é... esse é o Brasil, e não
só o brasil, mas esse é o mundo capitalista ! onde o lucro é o chefão ! pq
não mudar a rota da linha de energia ? pq gastará mais... e gastos de
verdade, não aqueles q tão no papel e vão para o bolço de alguem...

Bom,
como um consumidor conciente, tento fazer o seguinte, não dou um centavo a
essas empresas, o problema é q todas tem algum podre... então não dou um
centavo a nenhuma, bom pra mim em certo ponto, o problema é final do ano ter q
pagar ITR (imposto rural) para o governo q não faz porr* nenhuma para mim e
para ninguem !
Desenvolvimento ou Crescimento?
Dario Moreira 18/08/2009 08:31:41

É uma grande desmotivação de técnicos ambientais e proprietários rurais
envolvidos na preservação e restauração de nossas florestas, primeiro pelo
baixo insentivo por parte do governo à essa classe e segundo que na maioria das
vezes quem "paga o pato" são justamente estes que lutam para que sejam
contruidas formas de desenvolvimento harmônico com um todo, contário a muitos
empreendedores ou empresas que visam o crescimento econômico e disfarçam às
vezes em compensações ambientais insustentáveis suas agreções a flora e
fauna bem como a do ser hunano lá inserido.
Triste ainda é ouvir que tais
danos são necessários em prol do desenvolvimento, ou será crescimento.De quem
ou de quê? Isso faz com que perdamos cada vez mais os valores ambientais e
éticos de nosso país.
Vergonha
Emmanuel Fonseca 18/08/2009 09:35:02

Me sinto envergonhado com o descaso da maioria da nossa sociedade. Seja ela na
área pública e privada. A nossa cultura em relação com a Mãe Terra é do
"tudo eu posso". Só a educação é que dará as pessoas a dimensão do
práticas insustentáveis no nosso dia-a-dia. Sem isso, esquece.
Maraú
Fabiana 18/08/2009 10:37:04

Embora a maneira como as coisas acontecem no Brasil me aborreçam, pois sabemos
que com dinheiro e poder pode-se quase tudo por aqui (inclusive arbitrariedades
como essas), fico feliz por saber que ainda há quem se mobilize pra mudar as
coisas. Aproveito para corrigir um erro de digitação na matéria. A área do
Hess fica em MARAÚ e não MARUÀ, como publicado.
Os Jagunços do Lullismo Perdem a Vergonha
José Truda 18/08/2009 12:40:25

Toda solidariedade ao Norberto. O programa de RPPNS do ICMBIO é uma grande
iniciativa, mas se os anafabetos da policinha local o ignoram quando
confrontados com os jagunços do lullismo, como é a Coelba no des-governo do
demagogo Jaques Wagner, de que adianta?
Canalhas. E vai piorar até 2010, e
talvez adiante se não nos livrarmos dessa corja.
processo neles
vanderlei 18/08/2009 15:07:33

Sugiro, ajuntar a papelada e encamunhar uma ação cívil contra esta empresa,
contra o gov. da bahia, contra o icmbio, contra o mma.
Alo Minc, cadê os
helicopteros!
A falta da tal vontade política
Vanessa Ariati 18/08/2009 21:21:46

Não é difícil encontrar pessoas dispostas a cuidar da natureza. Um bom
exemplo disso é a vivência que tenho de parte da região do sudoeste do
Paraná. Não faz muito tempo que o assunto da mata ciliar e da reserva legal
(código florestal) chegaram por lá. E o que vejo dos pequenos agricultores
não é uma resistência ferrenha, mas uma compreesão. Sim, uma compreensão.
Não querem deixar de plantar e se preocupam com o quanto pode afetar em suas
rendas, mas mesmo assim ENTENDEM A NECESSIDADE DE MANTER A FLORESTA!! E estão
sendo flexíveis. Então o que faltou para aplicar o código a 40 anos? Faltou
vontade política e sobrou ganância dos grandes proprietários de terra que
financiam esta politicagem.
Troquei o foco do assunto, mas a idéia é a mesma.
O cidadão quer um ambiente saudável para viver, os políticos querem dinheiro
e poder.
Modus operandi
Zé Brasil 19/08/2009 12:44:09

Quem quiser conferir a forma como o que restava da Mata Atlântica vem sendo
tratada pelo (des)governo da Bahia, pode acessar o link abaixo e ver o único
local encontrado para instalar um pólo de tecnologia. Não por acaso há uma
faculdade particular bem próximo do local.


http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&ie=UTF8&
ll=-12.923633,-38.388462&spn=0.010332,0.013754&t=h &z=16
é tão fácil multiplicar conhecimento...
educadora ambiental 20/08/2009 03:59:11

Não tem como não se indignar com um relato desse naipe, mas, sinceramente,
não adianta gritar, xingar e espernear. Muito menos apontar o dedo na cara dos
outros. Se queremos uma mudança, devemos educar nossas crianças, parar de
passar o dia na frente do com****dor ou da televisão, e passar mais tempo com
elas ensinando os grandes valores da vida. Um final-de-semana no parquinho
tomando sorvete não vai formar nenhum cidadão consciente. A mudança tem que
acontecer na base e todo dia, já que grande parte das gerações que hoje
encontram-se adultas, não foram devidamente orientadas no momento em que
formaram seu carater. O carater não é genético, nós o formamos nos primeiros
anos de vida, de acordo com nossa vivência. Falta educação e conhecimento
básico sobre a vida. O planeta não é dos homens, e a maioria ainda não sabe
disso.
Uma ação civil!
Mariana 20/08/2009 11:10:29

Gostei da idéia de um colega comentarista. Não seria possível realizar uma
ação civil, sei lá, não entendo muito disso, mas se as autoridades não
resolvem, cabe à população mostrar que se importa com a questão.
Precisamos de mobilizacao
Eliomar Montenegro 22/08/2009 19:21:14

Sou proprietário de uma reserva e estou providenciando o registro como RPPN com
apoio da Aliança para a Mata Atlântica. Este é um dos passos. Precisamos
partir para uma situacao maior em que todos vejam a importancia destes
remanescentes da Mata Atlântica e de todos os outros Biomas. Não temos tempo
para esperar que as geracoes futuras resolvam nossos erros e nem podemos deixar
esta herança para nossos filhos e netos. Devemos educar nossas crianças e
transmitir para eles que não cometam os erros que cometemos. E o que estamos
fazendo para combater tudo isso? e os habitantes de Maraú?
Fábio Bittencourt 24/08/2009 14:59:23

Seria bom que todos, antes de dar opinião sobre o fato relatado, se informassem
um pouco sobre o processo de declaração de utilidade pública:

Informe da
ANEEL: http://www.aneel.gov.br/arquivos/PDF/boletim286.ht m#texto2
Resolução
Normativa para emissão de DUPs:
http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2007279.pdf
Rela tório:
http://www.aneel.gov.br/cedoc/aren2007279.pdf
Vot o da relatora:
http://www.aneel.gov.br/cedoc/aren2007279_1.pdf
C ontribuições enviadas na
consulta pública:
http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/cons
ulta_publica/detalhes_consulta.cfm?IdConsultaPubli ca=67
Análise das
contribuições da consulta pública:
http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/consulta_public
a/documentos/NT_SCG_011_2007_CP_017_2006.pdf

Va le ressaltar os trechos da
Resolução da ANEEL que tratam do licenciamento ambiental e da comunicação da
empresa de energia elétrica com os proprietários das terras a serem
atingidas:

"Art. 3o Para obtenção da declaração de utilidade
pública, para fins de instituição de servidão administrativa, o
concessionário, permissionário ou autorizado deverá enviar requerimento à
ANEEL, sem prejuízo do disposto no art. 4o desta Resolução, acompanhado dos
seguintes documentos e
informações:

...

VI - Licença Prévia, quando
exigido pela legislação ambiental, ou manifestação favorável do órgão
responsável pelo licenciamento liberando a execução o empreendimento ou,
ainda, excepcionalmente, posição atualizada sobre o processo de licenciamento
ambiental, que demonstre o adimplemento do interessado.

...

Art. 10. Além
dos deveres específicos eventualmente estabelecidos no ato a que se refere o
art. 9º desta Resolução, constituem obrigações do concessionário,
permissionário ou autorizado em favor do qual seja expedida Declaração de
Utilidade Pública - DUP, para fins de desapropriação ou de instituição de
servidão administrativa, sem contudo ser requisito para a sua obtenção:

I
- comunicar aos proprietários ou possuidores, na fase de levantamento cadastral
ou topográfico, a destinação das áreas de terras onde serão implantadas as
instalações necessárias à exploração dos serviços de energia
elétrica;

II - promover ampla divulgação e esclarecimentos acerca da
implantação do empreendimento, junto à comunidade e aos proprietários ou
possuidores das áreas a serem atingidas, mediante reunião pública ou outras
ações específicas de comunicação, tratando inclusive de aspectos
relacionados à delimitação das áreas afetadas e aos critérios para
indenização;

III - desenvolver máximos esforços de negociação junto aos
proprietários ou possuidores, objetivando promover, de forma amigável, a
liberação das áreas de terras destinadas à implantação das instalações
necessárias à exploração dos serviços de energia elétrica;

IV -
encaminhar, trimestralmente, à Superintendência de Fiscalização dos
Serviços de Geração - SFG ou à Superintendência de Fiscalização dos
Serviços de Eletricidade - SFE, conforme se trate de empreendimento de
geração ou de transmissão/distribuição de energia elétrica, o quadro
resumo das negociações entabuladas com os proprietários ou possuidores dos
imóveis por ele afetados, segundo modelos constantes dos Anexos IX e X desta
Resolução, até a conclusão do processo negocial referido no inciso
anterior.

§ 1º A comprovação da realização de Audiência(s) Pública(s)
no âmbito do processo de licenciamento prévio do empreendimento supre a
obrigação de que trata o inciso II deste artigo.

§ 2º Os autos dos
processos de negociação, incluindo os acordos estabelecidos com os
proprietários das áreas de terra objeto do requerimento de declaração de
utilidade pública, para fins de desapropriação ou de instituição de
servidão administrativa, deverão ser preservados pela requerente e mantidos à
disposição da ANEEL pelo prazo de cinco anos.

Art. 11 O descumprimento de
qualquer das obrigações estabelecidas nesta Resolução sujeita o
concessionário, permissionário ou autorizado favorecido pela DUP às
penalidades previstas na Resolução Normativa no 63, de 12 de maio de
2004."

Seguem os documentos da ANEEL relativos ao caso específico da
emissão da DUP para essa LT da Coelba:

Declaração de utilidade pública
para a LT da Coelba: http://www.aneel.gov.br/cedoc/rea20091878.pdf

R
elatório: http://www.aneel.gov.br/cedoc/area20091878.pdf

Esse trecho do
Relatório diz que a Coelba apresentou autorização para desmatamento: “Em
atendimento ao solicitado pelo Fax nº 048/2008-SCT/ANEEL da Superintendência
de Concessões e Autorizações de Transmissão e Distribuição – SCT, a
Coelba apresentou, por meio das cartas nº SRE–088/2008, 027 e 041/2009, o
cronograma de obra atualizado e a Autorização para a Supressão de Vegetação
– ASV nº 536/08, de 09/06/08, ambos relativos à LT Funil-Maraú.”

Voto:
http://www.aneel.gov.br/cedoc/area20091878_1.pdf

Esse trecho do Voto do
relator diz que o órgão ambiental da Bahia dispensou a Coelba de licenciamento
ambiental para a LT: “A Coelba, no que se refere ao licenciamento ambiental do
empreendimento, apresentou ainda a Carta CT. ATEND No 02624/07, expedida em
27/11/07, pelo Centro de Recursos Ambientais – CRA, órgão do Governo do
Estado da Bahia, na qual consta que a atividade de linha de distribuição de
energia elétrica, na tensão de 138 kV, não necessita de licença
ambiental.”

Assim, quem achar que existe alguma ilegalidade no
empreendimento da Coelba ou na prisão do proprietário da RPPN pode fazer uma
denúncia ao IMA (órgão ambiental da Bahia), ao Ibama, ao Icmbio ou, ainda, à
Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade (SFE) da
ANEEL:

Aneel
http://www.aneel.gov.br/area.cfm? idArea=30&idPerfil=3
Tel:
167

Canal de denúncias do IMA
http://www.ima.ba.gov.br/index.php/denuncia-o
n-line
E-mail: denuncias@ima.ba.gov.br

Ouvidoria do
IMA
http://www.ima.ba.gov.br/index.php/fale-conoc osco
E-mail:
ouvidoria@ima.ba.gov.br
Tel: (71) 3117-1200 /
08000-71-1400

Ibama
http://www.ibama.gov.br/fi
scalizacao/index.php/denuncias/
http://www.ibama.
gov.br/ouvidoria-linhaverde/index.php/servicos/com o_denunciar/
Linha Verde:
0800-61-8080

Icmbio
http://www.icmbio.gov.br/r
ppn/index.php?id_menu=5
E-mail: ascomchicomendes@icmbio.gov.br
Tel: (61)
3341-9101
Emoção sem razão não leva a nada
Fábio Bittencourt 24/08/2009 15:15:26

Não consigo ver, a princípio, se há ilegalidade na prisão do sujeito ou no
empreendimento da Coelba. Parece que ele realmente impediu uma obra de interesse
público. Por outro lado, o cara disse que a Coelba não estava seguindo o que
foi determinado na DUP e na autorização de desmatamento. Já a Coelba,
conforme consta no processo da Aneel, apresentou autorização para supressão
de vegetação (ASV nº 536/08, de 09/06/08) para a LT e carta (2624/07, de
27/11/07) do órgão ambiental da Bahia (CRA), dispensando a LT do licenciamento
ambiental.

Assim, não me parece razoável nos deixarmos levar pela emoção
e tomar partido do dono da RPPN sem antes saber quem está falando a verdade.
Acho que quem realmente estiver a fim de fazer algo útil, ao invés de apenas
ficar esperneando nesse blog, deveria entrar em contato com os órgãos do
governo que indiquei na mensagem anterior, afinal eles existem pra isso mesmo:
fiscalizar.
Discordo totalmente de Fábio Bittencourt
Fabio Ruocco 25/08/2009 13:56:34

Fábio desculpe-me perguntar, mas você trabalha na Coelba? Pelo seu
comentário, pude perceber que:
1º você não leu a matéria, pois por mais
que fosse de interesse público, a empresa poderia ter des***** a rota sem
elevar muito os gastos;
2º a empresa descumpriu o contrato e devastou uma
área maior do que a imposta legalmente;
3º a empresa tomou posse de uma
parte de um território privado e não o compensou;
4º você comentou que
não devemos nos manifestar neste blog, então, me conte você, o que você faz
para a conservação do planeta? Como você agiria se estivesse na pele do dono
da RPPN? Como você manifestaria sua revolta? Você costuma ir até o presidente
Lula para mostrar para ele os planos de reflorestamento que você tem? Creio que
não.
A palavra que ficou faltando é:
Fabio Ruocco 25/08/2009 13:59:28

"...a empresa poderia ter des***** a rota sem elevar muito os
gastos..."

*Desvi.ado
Fábio Bittencourt 26/08/2009 12:57:52

Oi Fabio Ruocco,

Respondendo aos seus comentários:

Não, não trabalho na
Coelba.

Sim, eu li a matéria.

Será mesmo que: (i) a empresa poderia
desviar a rota sem elevar muito os gastos; (ii) a empresa descumpriu o contrato
e clareou uma área maior do que a permitida; (iii) a empresa não pagou
compensações previstas ao dono da RPPN pela uso área de servidão?

Isso
são apenas as alegações do dono da RPPN. Não seria melhor ouvir primeiro o
que a Coelba tem a dizer para depois opinar? Não gosto de julgar fatos sem
antes ouvir os dois lados da história.

"você comentou que não devemos
nos manifestar neste blog, então, me conte você, o que você faz para a
conservação do planeta?"

Acabei de passar os contatos dos órgãos
ambientais para quem quiser reclamar sobre o assunto. Creio que isso é mais
eficaz para resolver o problema apresentado que escrever interjeições
revoltadas num blog.

"Como você agiria se estivesse na pele do dono da
RPPN?"

Não sei. Não conheço os detalhes da situação. A única
informação que tenho é a versão que ele contou neste blog. Talvez eu tivesse
chegado a um acordo amigável com a Coelba. Quem sabe?

"Como você
manifestaria sua revolta? Você costuma ir até o presidente Lula para mostrar
para ele os planos de reflorestamento que você tem? Creio que
não."

Realmente não costumo expressar minha revolta diretamente ao
presidente Lula, mas tento expressá-la em canais que foram feitos para
denúncias, como os que indiquei acima.
descompasso governamental
cleiton 27/08/2009 18:13:37

independente de qualquer coisa, es obvio qua a empresa poderia ter feito o
desvio, independente dos rcursos financeiros despendidos, por se tratar de uma
area tao importante. Mas o que vale es somente o dinheiro!! E o descompaso entre
os orgaos brasileiros es uma vergonha, enquanto o MMA e seus orgaos tentam
preservar a natureza, outros, como o iNCRA, DNIT, ANEEl e tantos outors nao
estao nem ai para os problema ambientais, pois mesmo qndo obrigados a fazer, p.
e., EIAs rima, sempre q possivel inflingem as normas
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