Cidades cada vez menos verdes PDF Imprimir E-mail
Cristiane Prizibisczki   
17/12/2008, 17:51
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Fundação SOS Mata Atlântica divulgaram hoje (17) os números do desmatamento nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória (ES). Os dados, referentes ao período 2005-2008, são de arrepiar os cabelos de qualquer gestor municipal. Segundo o levantamento, foram desmatados nestes três anos 793 hectares de Mata Atlântica, o equivalente a 990 campos de futebol iguais ao Maracanã. Os dados fazem parte do Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que será lançado em maio do próximo ano, com informações dos 3,4 mil municípios que abrangem o bioma.

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que compreende 39 municípios no entorno na capital, foi a campeã em desmatamentos. Somente nos últimos três anos, foram suprimidos 437 hectares de vegetação, número nove vezes maior que o verificado entre 2000 e 2005, quando o desmatamento consumiu 48 ha de matas. Neste total, estão contabilizados os 201 hectares desmatados legalmente para a construção do Rodoanel, que contornará o centro da RMSP. No entanto, os outros 236 ha desmatados encontram-se, principalmente, na região da Cantareira, responsável por abastecer cerca de 55% da população.

O segundo lugar do ranking foi para o Rio de Janeiro, com 205 hectares de floretas nativas desmatadas no período. O número é praticamente o dobro do verificado entre 2000 e 2005, quando foram colocados ao chão 94 ha vegetação. Os municípios de Itaboraí e Nova Iguaçu são os mais críticos, já que apresentam desmatamentos no entorno da Reserva Biológica do Tinguá.


Segundo a diretora de Gestão de Conhecimento da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, no levantamento realizado pelas entidades não foram verificadas supressões de mata dentro de unidades de conservação, como o Parque da Cantareira (SP) e a Reserva Biológica do Tinguá (RJ). No entanto, o índice de desmatamento em seus entornos foi devastador. “Ambas unidades estão muito pressionadas e isso também é um problema gravíssimo. Quem vive no entorno precisa contribuir”, defende.

Menor do que o desmatamento nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio, mas não por isso menos grave, é a derrubada de mata verificada nos municípios do entorno de Vitória, no Espírito Santo. Lá, 150 hectares de vegetação foram suprimidos, contra 86 do período anterior. Somente Guarapari, município do litoral sul capixaba, é responsável por 68 dos 150 hectares de mata devastada.  

Vilão indireto

De acordo com Márcia Hirota, a diferença nos índices do período anterior com o verificado nos últimos três anos surpreendeu os técnicos. A taxa de desmatamento entre 2005 e 2008 em São Paulo, por exemplo, aumentou em 14 vezes. No Rio de Janeiro esse salto foi de 3,6 vezes. Para os pesquisadores, o principal fator de impulsão do desmatamento não está ligado de maneira direta ao meio ambiente. Segundo eles, o período de bonança na economia brasileira foi o vilão, já que influenciou também na compra de terras e/ou no investimento em “benfeitorias”. “Já vinhamos tendo sinais de que o desmatamento aumentaria no período, mas o resultado que tivemos é realmente preocupante”, diz a diretora da SOS.


Como o Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica não aponta as causas dos desmatamentos, ou se eles são legalizados, os dados serão enviados a todos os municípios envolvidos na pesquisa. Assim, os governos locais poderão tomar providências em suas micro regiões. Segundo Hirota, o passo é importante porque a Lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006 e já regulamentada em muitos estados, não tem dado garantias para a preservação do bioma.

A partir da entrega do documento aos novos prefeitos, INPE e SOS MA farão monitoramentos bianuais e, a cada quatro anos, as entidades publicarão balanço correspondente àquela gestão municipal. Para Mário Mantovani, diretor de Mobilização da SOS MA, tal monitoramento é importante devido à falta de ação local. “Acabamos criando super poderes para órgãos como o Ibama e esquecemos dos órgãos locais”, defende.

Para justificar seu ponto de vista, Mantovani citou a última pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados sobre meio ambiente nos municípios brasileiros, publicada na sexta-feira (12). Segundo a pesquisa, 90,6% dos 5.554 municípios brasileiros indicaram ocorrência frequente e impactante de alguma alteração ambiental. No entanto, apenas 34,7% afirmam ter recursos voltados para o meio ambiente e menos de 20% têm estrutura adequada para enfrentar os problemas desta área. Do total de cidades brasileiras, apenas 2.650 disseram ter Conselhos Municipais do Meio Ambiente. Nem todos estão ativos.

“Se partirmos desta pesquisa do IBGE, a situação dos municípios em relação ao meio ambiente é vergonhosa. Temos muito que avançar nas cidades, senão, não vai ter fiscal no mundo que controle os desmatamentos”, diz o diretor da SOS MA.
Comentários
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Eduardo Jose Jankosz 08/01/2009 14:27:32

É um absurdo o que esta acontecendo com nossas regioes metropolitanas! Curitiba
tambem está entrando no rol das cidades que parecem nao gostar de verde, e olha
já foi considerada uma capital ecologica! O rio Iguaçu já tem o status de
segundo rio mais poluido do Brasil. Isto tudo a grande expansao da urbanização
da periferia da capital do Estado. Na regiao metropolitana de Curitiba
concentra-se mais de 30% da população do Estado do Parana. Existe um projeto
de desconcentração populacional por parte do governo do Estado, porem somente
no papel. Seria interessante que a ONG SOS MATA ATLANTICA disponibilizasse on
line mapas SIG, para serem compatibilizados com o GOOGLE EARTH, para que a
população preocupada com o sumiço de nossas áreas verdes pudesse acompanhar
o processo e cobrar das autoridades as ações necessárias.
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