Uma passagem pela Vila dos 180 PDF Imprimir E-mail
Cristiane Prizibisczki   
17/12/2008, 07:00
O alerta de pesquisadores do Instituto Chico Mendes (ICMBio) é claro: “Cuidado para não te confundirem com o pessoal do Ibama”. Estamos no interior na Amazônia, na Vila de Santo Antônio do Matupi, mais conhecida pelo quilômetro da Transamazônica no qual ela se expandiu, o 180, a partir da cidade de Humaitá (AM). Sua história começa na década de 1990, quando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com sua política de assentamentos e fomento à ocupação a partir de suporte à alimentação e habitação, atraiu os primeiros moradores ao local. (Texto segue abaixo do slideshow)



Apesar disso, foi somente nos primeiros anos do século XXI que a região viveu o seu 'boom', com a chegada maciça de novos moradores, atraídos pela mata nativa do entorno da Vila. Um convite à exploração. A demora no crescimento de Matupi talvez possa ser explicada por um levantamento do histórico da população feito pelo ICMBio. Segundo o órgão, nos anos posteriores à sua criação, ela foi paulatinamente abandonada por muitos dos “beneficiários do Incra”. Eles venderam propriedades a fazendeiros que, ao comprar os pequenos lotes, formaram grandes latifúndios.

Hoje, a Vila dos 180 possui cerca de 4,8 mil habitantes, segundo censo realizado pela Comissão Pastoral da Terra. Mas este é apenas o número extra-oficial. Para o ICMBio, os moradores já chegam a 10 mil. A extração da madeira e a criação de gado continuam a ser o principal modo de sobrevivência no local. Na área relativamente pequena da vila, há cerca de 20 serrarias e outros empreendimentos correlatos, como oficinas de motosserra. O número de cabeças de gado, segundo moradores locais, chega a 70 mil.

Quem trabalha com madeira por lá anda com o discurso pronto de que o material provém de áreas legalizadas por “planos de manejo”, mas todos sabem que a maioria das serrarias atua à margem da lei. Fácil entender a antipatia pelos fiscais do Ibama.

No vilarejo, basta dar uma volta pelas ruas de terra batida para perceber que os moradores vieram de longe. Romildo Portela é um dos destes migrantes. Natural do Paraná, Portela chegou na Vila há sete anos, atraído pelo trabalho na construção civil, atividade então em expansão. Ele e sua esposa, Girlei, uma catarinense radicada em Rondônia, foram morar em uma das dez casas que havia no local, mas as atividades prosperaram e, hoje, o casal comanda hotel e restaurante.


Segundo Portela, vendedores de roupas e alimentos, fazendeiros em busca de terras e madeireiros são seus principais clientes. Amarildo Dias, sócio da AM Madeiras, de Ariquemes (RO), era um deles. Natural de Santa Catarina, chegou em Rondônia há cinco anos, para trabalhar com “secagem e beneficiamento de madeira”. Há dois o empresário comprou terras na Vila dos 180, também com o intuito da exploração madeireira. “Tudo certinho, com plano de manejo”, garante ele, que não se deixou ser fotografado “por precaução”.

Assim como outros empreendedores, Dias não precisou desembolsar muito dinheiro para adquirir as terras em Matupi. Lá, o hectare de floresta custa de 100 a 150 reais. Já o terreno transformado em pasto, segundo ele, vale 10 vezes mais. “O caro é manter a propriedade”, diz, enumerando os vários gastos que tem com segurança da área. Se não se cuidar, outro pode ligar a motosserra antes dele.

Fabrício Barthmann de Boné, 32 anos, é outro migrante que chegou à vila em busca de terras. Mas suas intenções são diferentes. Vindo de uma fazenda familiar de cana e arroz em Rio Claro, no interior de São Paulo, quer lucrar com a floresta em pé. “Desde o Tratado de Kioto, vimos que a geração de créditos de carbono era um mercado potencial. Nosso desejo é criar uma RPPN [Reserva Particular do Patrimônio Natural] ou uma RPDS [Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável]”, diz.

No entanto, o sonho de proteger seus três mil hectares de terra – ainda que com fins comerciais - está parado há um ano nos escaninhos dos órgãos ambientais do estado do Amazonas. Segundo Boné, nem os funcionários do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) souberam orientá-lo sobre como criar uma reserva particular. “As pessoas ficam surpresas quando pergunto por isso. Procurei vários funcionários e nenhum soube me dizer como fazer isso. Aqui quem faz a lei é o povo e onde vale o ditado 'quem pode mais, chora menos'”, reclama.

Além da madeira, a vila sobrevive com o comércio de leite e derivados. Rinaldo “Queijeiro” chegou por lá em abril deste ano, após comprar 600 hectares de pasto para criação de gado. Depois de ver que não tinha tino para o negócio, resolveu tentar outra empreitada: acabou de se tornar sócio do laticínio da Vila, que recebe leite de 27 produtores. “A maioria dos produtores é de pequeno porte, até 50 litros por dia. O maior deles produz 300 litros”, diz. Segundo ele, são produzidos mensalmente sete mil quilos de queijo, mas o mercado da vila e das cidades da região conseguiria absorver até 10 mil quilos.

Para tentar melhorar a produção de Matupi, em 2000 o governo do estado implantou um programa de plantio de cupuaçu. No entanto, o poder público não deu continuidade ao projeto e negligenciou a necessidade de infra-estrutura para escoamento da produção, segundo moradores. “È difícil colocar na cabeça do povo que gado e madeira não dão dinheiro em longo prazo. Esse paradigma precisa ser quebrado, mas, para isso, precisava ter um tipo de Sebrae [Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo] aqui”, defende Fabrício Boné.

Há algumas semanas, o Ibama realizou uma grande operação em Santo Antônio do Matupi e todas as serrarias foram fechadas. Mas bastou os fiscais virarem as costas para que as máquinas voltassem a funcionar. A situação preocupa o Instituto Chico Mendes, já que as propriedades estão bem próximas aos limites do Parque Nacional dos Campos Amazônicos e, ainda hoje, cerca de 20 famílias moram dentro da unidade de conservação.

Para tentar minimizar as pressões sobre o parque, o órgão inseriu a vila como um dos pontos principais do plano de manejo que está sendo elaborado. O documento deve ficar pronto daqui a um ano, mas uma coisa eles já sabem: há muito trabalho pela frente. E a regularização de Matupi não depende só deles.


A próxima reportagem da série sobre o Parque Nacional dos Campos Amazônicos, que será publicada no dia 23 de dezembro, traz uma descrição da natureza local e questiona as origens dos enclaves de cerrado em meio à floresta amazônica. Confira!
Comentários
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morar em santo antonio do matupi
marcelo 15/02/2009 15:53:36

ola como vcs vao indo voces eu gostaria de morar nessa cidade acho que
posso unir o util ao agradavel eu tenho o sonho de morar em um
lugar deces e eu sou enfermeiro e tecnico em farmacia talvez eu
sege util para ajudar a popolacao de alguma forma na area de
saude sera que la da para montar um pequeno comercio farmacia
drogaria estou com vontade de morar la com familia se vcs ou alguem
poder me retornar com alguma resposta falando da cidade e sobre o
asunto se vocs poderem tambem me conse guir uma forma de entrar em
contato com o dono dece hotel talvez ele me enforme mais sobre a
cidade sei que e uma are carente dece tipo de asistencia por favor
se alguem poder me retornart co respostas agradeco meu imail e
marcelo.entrefolhas@hotmail.com obrigado tenham um bom dia
Quero ir Visitar a Vila 180
Mary 03/04/2009 18:52:12

Boa noite!
gostaria de me comicar com alguem que mora na vila 180 pois fasso
faculdade de Ciências Contabil, e minha Expesialização é em Auditoria
gstaria de saber como é.E por isso quero muito me comicar com alguem pois
pretendo ir conhecer ai.
Desde ja agradeço pela Atenção!!!
E agardo a
resposta de alguem.....
meu e-mail é mari.edc@hotmail.com
linda cidade de pessoas maravilhosa.
cleverson vieira leal 06/04/2009 15:05:09

quero dizer q amo esta pequena cidade..tive o previlegio de conhecer..se vc
gosta de natureza essa é a sua oportunidade...lugares lindo e de uma
gastronomia maravilhosa..principalmente no restaurante fenix..
Anderson Geovana e filha
bernadete 15/04/2009 16:34:09

Gostariamos de saber noticias de voces Mano Allyson familia abraços
gosto dessa cidade
jamylie 04/06/2009 13:48:54

mora nessa cidadezinha, aq è bom!!!
leandro fuch 20/06/2009 18:10:52

tive o privilégio de comecer a vila do 180 em outubro de 2008, gostei muito da
cidade e do povo que la conheci, tenho um cunhado que mora la, e um amigo dono
do hotel vitória régia, robinho e sua esposa elizangela. conheci tambem o
baianinho mauro que tem uma loja de móveis, e seu cunhado janio muito jente
boa. um abração a todos os moradores desta cidadezinha hospitaleira e
aconchegante, ate breve, este ano vou ai denovo se deus quiser.
SAUDADE DOS MEUS PAIS
josé Carlos 16/07/2009 20:45:24

Estive aí em 2005 e 2007 no km 180 pois percebi q o progresso tambem esta
ai.Estou indo novamente ate o final do mês.Meus pais moram ai desde 2004
visita-los me aguardem povo matupiense.
rogerio 21/07/2009 18:38:40

eu amo o 180 pois sheguei ai em 1996 pra 1997 ai e otimo a ta ficando
melhor..hoje moro em comodoro mt mais ainda temos terras ai e senpre vou ai .os
meus pais marao ai.bom em fim ai e tudo de bom
180
Wilson Lemes de Moraes 26/07/2009 09:34:40

E muito bom morar em Santo Antonio do Matupi, uma cidade promissora e prospera.
Saudades
Odaisa Silva Dias 27/07/2009 06:33:21

Tenho varios colegas que moram nessa cidade! Tenho muita saudade deles pois eu
more em Rondonia e eles no Amazonas, ja tive a oportunidade de estar ai no ano
de 2008! Percebi que essa cidade pode ter um futuro Ótimo de prosperidade!
Noticias de Anderson e Geovana
bernadete 07/09/2009 09:30:53

Vomo vao voces ai?Aqui esta tudo bem.Beijos de Be
queria mas fotos da cidade ai
wangrini 15/09/2009 15:07:38

eu queria umas fotos da cidade 180, se alguem tiver mas fotos dai manda por
e-mail
urlei p marques 26/09/2009 17:23:03

oi eu estou querendo ir cohecer esta cidade,se for pocivel me passa algumas
informaçoes,quanto custa o alqueire de terra em mato, ai tem hospital obrigado
urlei pereira marques 27/09/2009 19:25:19

eu estou querendo comunicar com alguem que mora nesse lugar limdo 180 eu moro em
curitiba pr eu agradeco urleimarques@hotmail.com obrigado
cida rocha 09/11/2009 07:05:10

A nossa vila é maravilhosa, a gente que mora nela sao pessoas de garra
lutadoras otimistas, esperançosas.Mesmo sem prefeito sem o apoio do governador,
pelo contrario somos perceguidos e tratados como marginais pelo governo.
MONTAR UM PEQUENO COMÉRCIO DE ALIMENTAÇÃO
ROBERTO SILVA 26/11/2009 07:45:13

Tenho um comércio de alimento na cidade de Americana/SP, devido a violencia da
cidade e a grande concorrencia, estou procurando cidades que estão em fase de
crescimento e com boa qualidade de vida para transferir meu comércio, gostaria
de saber se existe algum restaurante, que funciona também como lanchonete,
pizzaria e choperia com barzinho noturno, onde o pessoal da cidade se encontra
para uma baladinha noturna em finais de semana... Qual a possibilidade de eu me
instalar nessa cidade..., existe imóveis para alugar...gostaria de saber mais
sobre Vila de Santo Antônio do Matupi...Obrigado...Beto Silva.
E-mail
a_betosilva@hotmail.com
instalação de uma empresa
José Cícero Gomes 06/12/2009 18:44:48

Sou contador, técnico em agropecuária e corretor de imóveis. Em 2003, quase
fui morar no 180, estive até em Humaitá, naquela época a fofoca, como se
dizem, em torno do 180 era grande, mas acabei desistindo. Atualmente moro e
trabalho em Cascavel Pr, Queria saber se hoje teria campo e viabilidade para
instalar uma empresa com assessoria agropecuária com assistencia técnica aos
produtores rurais, serviços de contabilidade para as empresas e imobiliária.
Fico no aguardo dessas informações, pois pretendo já ir agora no início de
2.010 para Santo Antonio do Matupi
expedição
Alcyr Neves 08/12/2009 19:38:50

ja passei por este lindo lugar por duas veses em expedição. a ultima foi em
abril de 2009 e volto em 2010 e muito bom conheçer este lugar, abraço atodos
os moradores.
COMO CHEGAR
Marcos Roberto 03/02/2010 14:25:05

Indo até Humaitá, tem estrada que dá acesso a Distrito de Santo Antônio do
Matupi? Asfalto ou chão? Por favor se alguem puder me informar, estou
planejando ir conhecer esse lugar no meio do ano.
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