E se, em vez de se dissipar no ar (e nos pulmões da gente), a fumaça emitida por automóveis nos grandes centros urbanos das principais metrópoles do mundo ficasse concentrada na forma de grandes bolas azuis coloridas? E se desse para visualizar a poluição? – sim, neste blog já se disse que dá para ver a sujeira no ar de São Paulo, mas agora estamos falando de bolas coloridas gigantes! Será que não seriam tomadas providências? Será que os impactos do sistema de mobilidade baseado em carros não seriam debatidos com a atenção necessária?
Foi partindo de premissa como estas que, no exterior, o pessoal do Carbon Visuals, projeto apoiado pelo Environmental Defense Fund, organizou animações gráficas com informações técnicas sobre as emissões de dióxido de carbono em Nova Iorque (além do vídeo acima, fotos das projeções estão disponíveis no Flickr). Os resultados são impressionantes; a quantidade de emissões de um ano literalmente cobre a cidade. Visualizar isso ajuda a ter dimensão da gravidade do problema.
O trabalho foi destacado recentemente na página sobre Jornalismo de Dados do The Guardian e é mais um exemplo de como ferramentas virtuais podem ajudar a transmitir informações sobre danos ambientais. Na semana retrasada, o Outras Vias destacou a ferramenta criada pelo Google Maps de acompanhamento em tempo real dos congestionamentos (e, logo, da fumaça) em metrópoles brasileiras.
Animações gráficas e ferramentas ajudam a entender questões técnicas e são importantes para incentivar a participação da sociedade em debates que são também políticos – como o sobre a mobilidade nas cidades. A difusão de informações sobre a poluição do ar no Brasil ainda precisa ser melhorada e o uso de imagens pode ser importante neste processo. Dados já estão disponíveis; o Primeiro Inventário Nacional de Emissões de Veículos Automotores Rodoviários, realizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) (disponível no site do Ministério do Meio Ambiente) é um bom exemplo de levantamento técnico sobre a questão que, apesar de trazer informações alarmantes, não recebeu a atenção que merecia.
Faz-se urgente o debate sobre a qualidade do ar, a melhoria
dos sistemas de controle e monitoramento e a necessidade de atualização dos padrões mínimos de qualidade (sobre este último ponto, vale ler as reportagens publicadas em outubro no Estadão e no Globo).
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Micos-leões-pretos formam novos grupos após transferência no oeste paulista
Estudo publicado em revista científica analisa o deslocamento de nove animais para reforçar população ameaçada de desaparecer no Pontal do Paranapanema →
Quem são os 20 deputados e senadores eleitos que têm projetos contra UCs
Apuração de ((o))eco revela as propostas que atacam as unidades de conservação que estão por trás de parlamentares eleitos para mais um mandato no Congresso Nacional →
Relatório da ONU faz novo alerta sobre insuficiência no corte de emissões globais
Combate à crise climática patina com emissões nas alturas. Documento mostra que políticas de Trump elevarão ainda mais emissões dos EUA, maior emissor global →
