Notícias

Brasil vai à COP 17 defender continuação de Quioto

Ministra do Meio Ambiente diz que buscará acordo internacional para que haja uma segunda fase do Protocolo de Quioto, garantindo a redução de emissões de gases estufa.

Flávia Moraes ·
22 de novembro de 2011 · 10 anos atrás
A ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, e o  embaixador Luiz Alberto Figueiredo (responsável pelas negociações climáticas no Itamaraty) estão otimistas para a 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção de Mudanças do Clima das Nações Unidas (UNFCCC, sigla em inglês). O encontro começa na próxima segunda-feira, dia 28, na cidade de Durban, na África do Sul.

Em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira, ambos afirmam que o Brasil vai buscar o sucesso das negociações em relação a uma segunda fase do Protocolo de Quioto.

Izabela entende as dificuldades e os desafios de que esse acordo seja assinado por todos os países, pois até o momento o Japão e a Rússia anunciaram que não participam da segunda fase. Austrália, Nova Zelândia e Canadá ameaçam seguir pelo mesmo caminho, desanimando países da União Europeia a lutar por Quioto.

O embaixador Figueiredo ressalta alguns pontos principais que o país deve tratar na COP17. “Além de lutar por Quioto, queremos a implementação efetiva do Acordo de Cancún e do Fundo Verde Clima”, declara.

Ele reitera que a sobrevivência do protocolo, com missão de reduzir em 5,2% os gases de efeito estufa até 2012 nos países ricos, significa mostrar a preocupação internacional com as mudanças climáticas. “No futuro, todos os países serão atingidos pelos impactos do clima. Então, embora o Brasil respeite a opinião de cada governo, acreditamos que todos devem assumir esse compromisso”, justifica.

Fazendo a sua parte

O governo brasileiro acredita que o país está fazendo a sua parte no cenário de mudanças do clima, já que possui projetos Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), único mecanismo de Quioto que admite a participação de países em desenvolvimento. Ele permite a certificação de projetos de redução de emissões nesses países e a posterior venda das reduções certificadas de emissões – RCEs, para os países desenvolvidos como modo suplementar para cumprirem suas metas.

Conforme dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), até junho deste ano um total de 7.742 projetos estavam em alguma fase do ciclo de aprovação de projetos do MDL, sendo 3.214 já registrados pelo Conselho Executivo. Nessa lista, o Brasil aparece em terceiro lugar, com 499 projetos (veja o Gráfico 1).

MDL Brasil. Fonte: | Clique para ampliar MCTI
MDL Brasil. Fonte: | Clique para ampliar MCTI

Mais detalhes das expectivas do Governo para a COP17 e sua posição nas negociações devem ser divulgadas ao longo da semana, quando também será fechada definitvamente quem irá para o evento na comitiva brasileira. No entanto, a assessoria de imprensa do MMA garante que algumas posições serão mantidas em sigilo até que as discussões internacionais comecem de fato.


Leia também

Notícias
13 de outubro de 2021

Desmatamento na Amazônia em setembro chega perto de 1000 km², aponta INPE

Sistema de alertas Deter indica que este é o segundo pior setembro da série histórica. Números ficam atrás apenas de 2019, quando os alertas indicaram perda de 1.454 km²

Notícias
13 de outubro de 2021

Área de pasto cresceu 200% na Amazônia nos últimos 36 anos

Atualmente, pastagens ocupam 154 milhões de hectares em todo país, área equivalente a quase todo estado do Amazonas, mostra levantamento do Mapbiomas

Colunas
13 de outubro de 2021

10 livros para mergulhar em conservação, parte 3: o canto do dodô

Dando sequência na série sobre grandes livros da conservação, apresento a obra-prima do jornalista David Quammen, um livro de um não-cientista que qualquer cientista teria orgulho de ter escrito

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta