Notícias

Setor privado debate ações de preservação da biodiversidade

Empresas discutiram condições essenciais e propostas de ações estratégicas para cumprimento das metas estabelecidas na Convenção de Nagoya.  

Nathália Clark ·
8 de agosto de 2011 · 10 anos atrás
Setor empresarial discute com o governo estratégia de internalização nacional das metas de Aichi definidas na COP-10 de Nagoya. Crédito: Nathália Clark
Setor empresarial discute com o governo estratégia de internalização nacional das metas de Aichi definidas na COP-10 de Nagoya. Crédito: Nathália Clark
Aproximadamente 80 pessoas de 29 empresas discutiram, nos últimos dias 3 e 4, em Brasília, as 20 metas de Aichi definidas internacionalmente na 10ª Convenção das Partes sobre Diversidade Biológica (COP-10/CDB), realizada em outubro de 2010, em Nagoya. Os grupos de trabalho debateram temas como conscientização social e consumo responsável, e a importância do setor produtivo na conservação da biodiversidade. As propostas estratégicas pré-definidas contaram com a anuência de gigantes do ramo como Petrobras, Furnas, Centroflora, Monsanto, a mineradora Alcoa e a rede de supermercados Walmart.

Em debates conjuntos com representantes do governo, foram definidas submetas e ações para internalizar e executar, no âmbito do setor produtivo nacional, as metas globais traçadas no Plano Estratégico até 2020. As empresas se comprometeram a incorporar e assumir em suas produções uma série de ‘boas práticas’ que estejam de acordo e promovam a preservação da diversidade genética, informando isso a seus consumidores. Nos rótulos de cada produto, por exemplo, deverá constar um rastreamento de onde provém o recurso natural que o gerou.

No encontro também foram sugeridas pelo setor privado ações como ampliação de pesquisas para conhecimento e valoração da biodiversidade; conscientização sobre a responsabilidade da população consumidora; implementação de incentivos e financiamentos positivos à produção, que comprovem a procedência sustentável dos produtos; utilização do recurso de pagamentos por serviços ambientais como incentivo à preservação, além da definição de um marco legal para o acesso aos recursos genéticos.

Consumo sustentável em pauta

Vânia Rudge, representante do Movimento Empresarial pela Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (MEB), frisou a importância do consumo consciente: “A comunicação com o consumidor é o que rege a correlação de demanda e oferta, e, consequentemente, o processo produtivo. É fundamental, portanto, trabalhar com a premissa do consumo responsável”.

A definição e implementação do Código Florestal também foi lembrada como uma das condições essenciais para o cumprimento e “tropicalização” das metas. As mineradoras presentes assinalaram a possibilidade do pagamento por serviços ecossistêmicos como compensação à retirada de minério. O estabelecimento de linhas de crédito para financiamento de recuperação ambiental e não só para desmatamento também foi citado pelos representantes do agronegócio – como a Monsanto – como alternativa sustentável.

Metas de Aichi no contexto nacional

Braulio Dias, diretor de Biodiversidade e Florestas do MMA, presente no evento, considera o contexto desafiador, uma vez que o país intenta avançar na geração de emprego e renda em concordância com a utilização do capital natural como base para um desenvolvimento sustentável. “As metas têm de ser uma estratégia nacional de fato, sendo endossada pelo governo como um todo, não só da área de meio ambiente ou na esfera federal, mas contando com o envolvimento de todos os setores sociais”, ressaltou ele.

Este foi apenas o primeiro ciclo dos ‘Diálogos sobre Biodiversidade’, iniciativa coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o WWF-Brasil, a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). Ao todo, serão cinco reuniões setoriais: setor privado, sociedade civil, governos (estadual, municipal e federal), academia, e povos indígenas e comunidades locais.

O encontro contou com o apoio do MEB, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e do Conselho Empresarial Brasileiro pelo Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Os encaminhamentos definitivos das ações só poderão ser divulgados após o fim de todos os encontros. Após a formalização do relatório final, a ideia é levar ao Congresso Nacional uma proposta de lei para incorporação das metas nacionais.

{iarelatednews articleid=”24665,24518,23946,21741″}

  • Nathália Clark

    Nathalia Clark é jornalista na área de meio ambiente, desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, justiça social e direitos humanos.

Leia também

Notícias
13 de outubro de 2021

Desmatamento na Amazônia em setembro chega perto de 1000 km², aponta INPE

Sistema de alertas Deter indica que este é o segundo pior setembro da série histórica. Números ficam atrás apenas de 2019, quando os alertas indicaram perda de 1.454 km²

Notícias
13 de outubro de 2021

Área de pasto cresceu 200% na Amazônia nos últimos 36 anos

Atualmente, pastagens ocupam 154 milhões de hectares em todo país, área equivalente a quase todo estado do Amazonas, mostra levantamento do Mapbiomas

Colunas
13 de outubro de 2021

10 livros para mergulhar em conservação, parte 3: o canto do dodô

Dando sequência na série sobre grandes livros da conservação, apresento a obra-prima do jornalista David Quammen, um livro de um não-cientista que qualquer cientista teria orgulho de ter escrito

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta