Celso Calheiros

O Brasil se tornou a bola da vez quando o assunto é algodão. A cultura responsável por consumir cerca de 20% de todo o inseticida produzido no mundo está em franco crescimento no país.

Mato Grosso tem 700 mil hectares plantados, a Bahia possui 350 mil e, em todo o território brasileiro, a Embrapa estima 1,3 milhão de ha. É um aumento de 56% na área plantada na safra passada.

O técnico agrícola Waltemilton Cartaxo, da Embrapa Algodão, na Paraíba, acredita que as perspectivas indicam, inclusive, aumento da área plantada para as próximas safras. “O preço está excepcional, praticamente três vezes o valor histórico de R$ 40 por arroba (pouco mais do que 14,6 quilos) de pluma”. É o maior preço dos últimos 140 anos. De acordo com Waltemilton, a quebra da safra na Austrália, devido a enchentes, contribuiu para o preço internacional em alta.

Bom para os negócios agrícolas, bom para quem vende inseticida. O algodão é uma cultura que atrai pragas, explica Waltemilton. Além de tradicionais, como o bicudo do algodoeiro, broca da raiz, três tipos de lagartas e o pulgão, uma característica da cultura é apontada como indutora da praga: a monocultura. E a logística da cultura do algodão pede grandes extensões dedicadas ao mesmo plantio, acrescenta o técnico da Embrapa.

É difícil estimar a quantidade de defensivo utilizada em determinada área plantada, até mesmo por técnicos experientes da Embrapa Algodão. “Cada tipo de defensivo agrícola possui recomendações específicas, a depender da região do país, do tipo de defensivo e da forma como ele será aplicado”, esclarece Waltemilton Cartaxo.

Aos que defendem as terras livres dos tóxicos, há uma réstia de luz no fundo do túnel. A Embrapa Algodão estimula na Paraíba a produção de algodão orgânico no modelo agroecológico. Nessas culturas, todo controle de pragas é feito sem qualquer participação química. Os 2 mil ha cultivados por 700 núcleos de agricultura familiar produzem algodão branco e colorido no semiárido. Praticamente toda a produção é destinada ao mercado externo, que valoriza o produto com um preço 50% acima do convencional, explica o engenheiro agrônomo Fábio Albuquerque, também da Embrapa Algodão, de Campina Grande, Paraíba.

O algodão colorido é uma atração a mais entre os tipos orgânicos. Os projetos com assistência da Embrapa Algodão produzem BRS Topázio, BRS Verde, RS Rubi e BRS Safira. “O BRS Topázio possui a fibra mais comprida e é mais sedoso, mais fino”, explica Fábio Albuquerque. O algodão com cor natural tem como benéfico a redução no uso de pigmentos e a redução de efluentes industriais a serem tratados. As novidades são alentadoras, mas ainda não valem uma comemoração. A produção orgânica, no Brasil, não representa 0,2% do total cultivado com defensivos agrícolas.

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