Salada Verde

Nova espécie de rato no Cerrado

Mamífero arborícola foi encontrado por pesquisadores luso-brasileiros em fragmentos florestais naturais do rio Araguaia.

Redação ((o))eco ·
16 de março de 2011 · 11 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Nova espécie de roedor Rhipidomys ipukensis descoberta na bacia do rio Araguaia por pesquisadores luso-brasileiros. Crédito: Divulgação
Nova espécie de roedor Rhipidomys ipukensis descoberta na bacia do rio Araguaia por pesquisadores luso-brasileiros. Crédito: Divulgação
A última edição da revista científica Zootaxa, no dia 11 de março, publicou um artigo sobre uma nova espécie de mamífero descoberta no Cerrado brasileiro. O Rhipidomys ipukensis, é um rato arborícola encontrado na transição Cerrado-Amazônia, numa região ao longo do Rio Araguaia, no estado do Tocantins.

A descoberta foi fruto da cooperação luso-brasileira entre a Universidade de Aveiro (UA), em Portugal, a Universidade Federal do Tocantins, a Universidade Federal do Espírito Santo e o Centro de Conhecimento em Biodiversidade Tropical (Ecotropical). Foi enviada ao local uma equipe do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia (DBio) da UA, coordenada pelo professor e biólogo Carlos Fonseca.

A pesquisa fez parte do estudo de doutorado da bióloga Rita Gomes Rocha, doDBio e CESAM/UA, que permaneceu longos períodos na estação de campo, em colaboração com Bárbara Costa e Leonora Costa (Universidade Federal do Espírito Santo).

A bióloga dedicou os quatro anos pesquisando as comunidades de roedores e marsupiais de uma região brasileira muito pouco estudada, ao longo de uma das maiores bacias hidrográficas do Cerrado.

Através de intensa amostragem de campo, ocorridas entre junho de 2007 e novembro de 2008, além de análises genéticas e morfológicas realizadas na Universidade do Espírito Santo, Rita Rocha e colegas descreveram a espécie. O holótipo desta espécie está depositado no Museu Nacional, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O roedor está associada ao habitat denominado “Ipuca”, nome dado aos fragmentos florestais naturais que ocorrem na planície aluvial do rio Araguaia. Estes fragmentos estão altamente ameaçados devido à intensa exploração agrícola na região.

Foi descoberto também que há duas espécies irmãs: R. ipukensis, que ocorre no lado leste do rio, no Estado do Tocantins e R. emiliae, que ocorre no lado oeste do rio, já nos Estados do Pará e Mato Grosso. Segundo os biólogos, análises moleculares revelaram que o Araguaia teve papel fundamental na separação dessas espécies. Estes resultados estão de acordo com o modelo de especiação por efeito de barreira dos rios, inicialmente proposto por Alfred Russel Wallace em 1852.

Os pesquisadores acrescentam que estes estudos não estão inteiramente concluídos. Por isso, é provável que em breve mais descobertas sejam feitas quanto à fauna de roedores e marsupiais deste bioma bastante particular e desconhecido, como resultado dos trabalhos efetuados pelas equipes do DBio e CESAM/UA, em colaboração com instituições universitárias e de pesquisa brasileiras. (Nathália Clark)

Veja também

Araguaia: jóia ameaçada
C
errado na Berlinda

Leia também

Notícias
1 de dezembro de 2021

Audiência Pública discute projeto de lei que quer municipalizar áreas de preservação em Angra dos Reis

Projeto que altera gestão da APA Tamoios é da deputada Célia Jordão, esposa do prefeito de Angra. Cerca de 40 organizações se manifestaram contrárias ao PL

Reportagens
30 de novembro de 2021

Há 8 anos na Câmara, projeto que cria uma lei para o mar ainda não tem votação à vista

Série de reportagens investiga motivos da longa tramitação do projeto de lei que institui a Política Nacional para Conservação e o Uso Sustentável do Bioma Marinho Brasileiro

Salada Verde
30 de novembro de 2021

Trilha Transmantiqueira ganha reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente

A trilha de longo curso que cruza a Serra da Mantiqueira agora faz parte oficialmente do programa Rede Trilhas, para promover conectividade, conservação e turismo

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta