O pior dos pesadelos na conservação PDF Imprimir E-mail
23/03/2009, 12:41

O pior dos pesadelos é assistir, em um programa dominical chamado Globo Rural, o presidente do instituto responsável pela administração das unidades de conservação da natureza no nível federal, atacar o objeto principal de sua responsabilidade. O mínimo que pode desejar aqueles que viram o depoimento do Presidente do Instituto Chico Mendes (ICMBio) é que ele seja demitido imediatamente.

As declarações de quem deveria primeiramente e mais que qualquer outro brasileiro, defender as unidades de conservação e as áreas de preservação permanente (as já bem conhecidas APPs), sobre quão injusto é se estabelecer unidades de conservação “onde tem gente” sem desapropriá-los imediatamente e;  a necessidade de se mudar o Código Florestal, pareciam ser proferidas por um inimigo da biodiversidade e não por alguém que tem o dever de protegê-la e de defender as unidades de conservação, onde a biodiversidade encontra seu único porto seguro.
Por que será que o Presidente, funcionário de carreira do IBAMA, e agora presidente do ICMBio, fez declarações tão renhidas contra sua própria função e tão perniciosas para o meio ambiente? Será que foi só para dar uma de “bom moço” para a TV?  Será que foi pura covardia, ou, pior, será que foi de total desconhecimento do assunto?

O desavisado começou afiançando que os parques nacionais no passado “eram criados de forma arbitrária, sem se considerar as populações que viviam ou vivem dentro de seus lindes”. Esta afirmação contém uma inverdade grotesca. O Brasil, ao contrário de alguns países, se notabiliza por nunca ter tido confrontos físicos sérios em suas unidades de conservação. O fato de alguns governos, notoriamente o atual, não quererem dar os recursos suficientes para as necessárias desapropriações é só uma demonstração de descaso e de falta de prioridade com a conservação da natureza pelo Poder Público. E mais, a desapropriação das terras das unidades de conservação é a sua responsabilidade, senhor Presidente! Esqueceu?

O assunto desse Globo Rural foi sobre o buriti e as veredas. Mencionou-se e se mostrou bastante as áreas protegidas nos Gerais e dentre elas o Parque Nacional do Grande Sertão Veredas. Processo mais ameno que o de desocupação do Parque Nacional do Grande Sertão Veredas estabelecido em 1989, pelo então presidente da República José Sarney, é difícil. As famílias dos posseiros e pequenos proprietários participaram do processo de reassentamento durante mais de uma década e por se ter usado o instrumento de reforma agrária foram privilegiadas quanto à posse e domínio das terras onde escolheram para viver, fora dos limites do Parque Nacional.  Este processo caminhou bem à época, pois os ministros responsáveis se empenharam em resolver o assunto. Além do mais, aquele parque, por ter sido contemplado com a conversão da dívida externa, o único, diga-se de passagem, pôde pagar e empregar quase que exclusivamente pessoal da própria região dos Gerais.

Ou seja, Senhor Presidente, precisamente nesse Parque, em seu tamanho original, ou seja, 84.000 hectares, que protege as nascentes do rio São Francisco e Grande, não houve problemas com a população local. É precisamente nesse parque onde os problemas sociais foram bem resolvidos, para satisfação de todos.

Já em 25/11/2004 eu publiquei aqui mesmo, em O Eco, uma coluna com o título A Importância dos Botecos, sobre o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, onde eu dizia “Outro fato pouco comum no trato com Parques Nacionais foi o uso do instrumento de reforma agrária para sua regularização fundiária. Na área primitiva do Parque, ou seja, nos seus 84.000 hectares, foram cadastradas pela Funatura e posteriormente pelo Incra 90 famílias de posseiros e pequenos proprietários. Após anos de uma condução amistosa e prudente de desocupação, sempre com a participação ativa dos envolvidos, o Incra adquiriu, a pedido do Ibama, duas fazendas contíguas, para o reassentamento das 80 famílias que ocupavam ou ainda ocupam o Parque. Esta etapa foi alcançada com o apoio excepcional de dois personagens que merecem ser citados: o então ministro da Reforma Agrária, Raul Jungman e o então presidente do Incra, Sebastião Azevedo. O Parque tem, ainda, algumas fazendas no seu interior, mas caminha celeremente para seu domínio pleno pelo Poder Público. Este processo demonstra que, quando as autoridades realmente querem, pode-se desocupar uma área protegida sem conflitos e sem piorar as condições de vida das famílias pobres reassentadas. Ao contrário, melhorando-as notoriamente.”

Mesmo outros Parques Nacionais e outras áreas protegidas foram, principalmente nas décadas de 70, 80 e 90, escolhidos e indicados em documentos oficiais, tornados públicos, como o Plano do Sistema de Unidades de Conservação do Brasil, documento este aprovado por conselhos interministeriais, caracterizados pela sua pluralidade, e pelo próprio Conama. Onde então houve o arbítrio mencionado por Vossa Excelência?

Por incrível que pareça coube somente ao Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, através de seus técnicos e Presidente, defenderem a legislação que protege, pelo menos teoricamente, as veredas, como áreas de preservação permanente. Eles fazem isso porque sabem que a Lei deve ser cumprida e porque sabem que as veredas são elementos biológicos altamente sensíveis e necessários para garantir o regime hidrológico, como o Globo Rural demonstrou. Também porque, como dito, a destruição dos buritizais, inclusive pelas queimadas que praticam, não vai resolver a pobreza rural e, ao contrário, vai agravá-la.

Porém, o presidente do ICMBio não parou por aí. Ao saber das reivindicações de alguns pobres posseiros e/ou pequenos proprietários para usarem os buritizais e as veredas, creio que do entorno das unidades de conservação ou até mesmo dentro delas, disse em alto e bom som que o Código Florestal brasileiro precisa olhar para essas injustiças sociais. Precisa ser adaptado à realidade local. Outra vez, foi infeliz, o presidente. Como se o uso das veredas fosse tirar da pobreza aquelas famílias! O uso das veredas, com a destruição dos buritis só pode tirar mais água de uma região carente do recurso hídrico no país.

Creio que nem mesmo nosso performático ministro do meio ambiente iria tão longe aos desatinos ditos a favor da agricultura e pecuária que fazem os “veredeiros”. No entanto, quem não poderia nunca fazê-lo é o presidente do ICMBio.

Como devem estar se sentindo os chefes dos Parques Nacionais e demais áreas protegidas, a ele subordinados? Como devem estar se sentindo todos aqueles que tanto batalharam para o estabelecimento do Parque Nacional Grande Sertão Veredas: desde a Funatura, ao famoso ambientalista Ângelo Machado que, com Célio Vale, propôs o Parque Nacional, cujos limites foram escolhidos pelos professores da UnB, técnicos da Funatura, da WWF, da então SEMA, com o suporte do hoje presidente do Ibama, Roberto Messias, da Abema, de José Pedro de Oliveira Costa e até de Paulo Nogueira Neto, entre muitos outros?

É, parece que muitas das autoridades que hoje aí estão querem acabar mesmo com as unidades de conservação de uso indireto dos recursos naturais e até incentivam a indisciplina e a desordem como quando o presidente do ICMBio disse naquele mesmo  programa que os pequenos agricultores não necessitavam chegar até Brasília para usarem as folhas, sementes e frutos dos buritis e as veredas, que a quantidade não seria significativa. Errou, senhor presidente do ICMBio: Nem Vossa Excelência pode autorizar o uso e a degradação de Áreas de Preservação Permanente pelo só efeito da lei.

Ao contrário, seu dever é o mesmo daquele do pessoal do Instituto Florestal de Minas Gerais: defender os Gerais. Vá conhecer a realidade no campo, Senhor Presidente: Informe-se como tudo lá aconteceu e, ao invés de se curvar para pretensamente agradar um repórter bem intencionado, mas neófito no tema, erga a cabeça e peça demissão, antes que seu Ministro se veja obrigado a destituí-lo, para evitar mais dano ao patrimônio que a nação encarregou precisamente a Vossa Excelência de cuidar.

Saiba mais:
Campanha contra leis ambientais?
Mordida de quase 10 milhões de hectares
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Comentários
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Lavrador 23/03/2009 11:04:47

no Brasil só perde a área ambiental, mais ninguém pode ceder um milímetro
Verdade
João Carlos de Souza Carvalho 23/03/2009 12:08:16

Tudo o que a Dra Maria Tereza escreveu é a pura verdade. Eu era vice-presidente
da Funatura na época e acompanhei de perto os trabalhos e a perpétua falta de
compreensão das pessoas leigas para se implantar um Parque Nacional com uma
visão mais avançada e sem problemas fundiários. O Rômulo deveria ser
demitido à bem do serviço público do cargo, por falta de competência e de
conhecimento do setor .
Demissão imediata
Fábio Olmos 23/03/2009 13:50:12

Ter o senhor Rômulo Melo como presidente do Chibio é como ter um pedófilo
cuidando de um jardim de infância.
É uma pena que funcionários públicos
brasileiros não façam o mesmo que os japoneses quando cometem uma atrocidade
de tal porte.
Incoerência total
Miriam Prochnow 23/03/2009 16:14:41

Cara Maria Tereza,
Também assisti ao programa e até comentei: "nossa, uma
vez na vida um programa decente sobre os buritis e a veredas", quando veio a
bomba final. Tive a mesma reação que você: me levantei indignada e disse que
isso merecia demissão. Como alguém num cargo tão nobre pode falar tanta
bobagem e demonstrar tanto desconhecimento da própria legislação ambiental?


Como se não bastasse, o final da reportagem foi trágico, refletindo, na
verdade, o momento em que vivemos...todo mundo falando da necessidade de se
fazer algo urgente para reverter o quadro de degradação que está
aí,mas...só se for no quintal do vizinho.
coerência e coragem
Paulo Cezar Mendes Ramos 23/03/2009 16:21:28

Tive a grata oportunidade de trabalhar com a Dra. Maria Tereza e contribuir para
a construção do SNUC e tantas outras coisas importantes para a conservação e
preservação da biodiversidade brasileira. Os tempos estão difíceis de
aturar. Convivemos no serviço público,o meio ambiente não está fora disso,
com uma mentalidade de subserviência a um poder podre e a um modelo destruidor
da natureza, sem ética e inconsequente.
Só fachada
marli moraes 23/03/2009 19:06:53

Pelo que também ouvi concluo que o Instituto Chico Mendes só cuida da vitrine,
só faz média com Meio Ambiente.
A qem interessa?
Jósé Morelli 23/03/2009 19:43:10

Toda vez que uma autoridade ambiental, seja de qual escalão for, faz uma
declaração ou toma uma decisão estapafúrdia só me ocorre esta singela
pergunta: a quem interessa?
O pior de tudo é ver seus subordinados adotando o
mesmo discurso e marchando celeremente para a desobediência civil autorizada
chegam a estimular mesmo a ocupação e o uso dos recursos naturais ainda
intocados nestas ilhas de biodiversidade. Exemplo disto, de discurso
verticalizado na direção do afrouxamento legal é o que acontece hoje na
Estação Ecológica de Tamoios onde a chefia da unidade não só se omite no
enfrentamento das ocupações e usos ilícitos daquele espaço marinho protegido
como até estimula através de discussões que servem de fachada para uma
orquestrada transformação da unidade de conservação num arremedo de reserva
extrativista. A quem isto interessa?
Dá uma trava no caboclo!
Mauricio Ruiz 23/03/2009 20:23:14

Izabella,

Enquadra o sujeito! Você é boa nisso!
Bjs,

Mauricio
Ingenuidade!?
Vitor de Souza Ferreira 24/03/2009 02:36:18

Será mesmo que o atual ministro mostra uma prática diferente do que foi
exposto por um dos seus subordinados? Para mim está claro que essa é a
política "ambiental" do governo atual. Afinal foi para isso que ele foi
chamado. Um ex-Secretário rápido no gatilho quanto aos licenciamentos e com a
facilidade de desdizer aquilo que jurara anteriormente, não apenas uma vez,
como bem está registrado nos jornais e em suas entrevistas.
Agora é hora
de manipular a opinião pública, e eles estão fazendo isso. Cabe um
posicionamento nosso.
Com gratidão,
Vitor
Se gritar pega covarde safado...
José 24/03/2009 04:21:56

Parabéns por dar esse grito que tava na minha garganta e na de muita gente.
Infelizmente, o que mais se vê dos ocupantes de cargos públicos é essa
postura, ao mesmo tempo covarde e demagógica, típica de quem não quer ficar
mal com ninguém para poderem ir mantendo seus tão preciosos carguinhos de
m.... Mas que ninguém se engane, que qualquer outra postura mais corajosa é
que geraria demissão. Essa "flexibilidade moral" (na minha terra chamam
isso de mau-caratismo) é uma característica muito apreciada pelos comandantes
nos gestores públicos. Acho mais fácil, nesse caso, o pessoal o IEF, que
abordou a situação como a lei determina, ser demitido do que o apologista do
crime sentado ali na cadeira de presidente do icmbio.
Agora é tentar mostrar a
ele que a conservação também tem voz e que ela não é culpada pela
situação daqueles pobrezinhos, que de fato são vítimas. A solução
encontrada para o problema de outros como eles no PN Grande Sertão Veredas dá
uma dica dos algozes.
Que tristeza!!!!
Amanda 24/03/2009 05:47:42

Fiquei revoltada com o que acabei de ler. nao tive oportunidade de assistir o
programa, mas mesmo assim estou indignada. Trabalho numa UC de proteçao
integral e me sinto mal com essa postura cretina. Vivemos sob sol e chuva,
lutando dia a dia para manter a UC protegida e vem nosso chefe fazendo uma
atrocidade dessas. Fora Rômulo, vc nao merece o cargo que ocupa!!!!!!!!!!
Remanejar o presidente do icmbio para o incra.
vanderlei paulo schmitt 24/03/2009 06:11:54

srs. sras. sugiro remanejar o funcionário para trabalhar no incra e setores
afins, pois sua visão estão deturpada, fora de foco.
Demonstraria grandeza,
se solicitasse a transferencia para a área social do governo
federal.

Abraços verdes.
CARTA MARIA TEREZA PÁDUA
PARAGUASSÚ ÉLERES 24/03/2009 06:57:24

PREZADA MARIA TEREZA,
TAMBÉM ASSISTI AO GLOBO RURAL E LEMBREI-ME DE QUE EM
RELAÇÃO À QUESTÃO FUNDÁRIA, VOCÊ ME DISSE COMO FORA RESOLVIDA, NUMA VISITA
À MINHA CASA JUNTO COM PESQUISADORES DA FUNATURA, QUE PARTICIPAVAM DE UM
CONGRESSO DE ECOLOGIA EM BELÉM, NO FINAL DOS ANOS 80. REALMENTE É ESTRANHA A
MANIFESTAÇÃO DE RÔMULO MELLO (QUE É PARAENSE) E ACHO QUE ELE DEVERIA
REANALISAR SUA POSIÇÃO, ATÉ PELO SIGNIFICADO DO INSTITUTO QUE DIRIGE. ESSE É
O PREÇO QUE PAGAM OS HOMENS PÚBLICOS PELAS ATIVIDADES QUE EXERCEM E OPINIÕES
QUE EMITEM.
Vontade de vomitar
Carlos Amaral 24/03/2009 07:28:41

Maria Tereza,

Parabéns pela matéria.

Faço minhas as suas palavras de
indignação, tanto mais porque como você também sou um apaixonado pelas
nossas veredas e acompanhei de perto o processo de criação e implantação do
PARNA GSV, de fato um modelo que funcionou bem.

Maior absurdo que as palavras
do presidente do ICMbio no programa Globo Rural de domingo último - e que quase
me fizeram vomitar o café da manhã - é constatar que hoje já é
terça-feira, 24/03, e ele ainda não foi exonerado do cargo.

Nesse sentido,
a comparação acima (pedófilo x jardim de infância) foi muito feliz e mostra
bem o que alguns podem fazer para se sustentar em cargos públicos, em
deterioração completa à ética, à coerência e à própria consciência de
ser humano.

Mas vejamos pelo lado bom, aí está mais uma ótima oportunidade
para o ministro Carlos Minc provar sua auto-propalada coerência com a causa
ambiental ou sua repetida não-subordinação a interesses contrários à pasta
que dirige.

Quem viver, verá.

Grande abraço,

Carlos Amaral
Indignação
Nina 24/03/2009 07:29:51

Sou analista de uma UC de proteção integrada e me senti indignada com a
entrevista. Trabalhamos sem as mínimas condições de trabalho mas por
acreditarmos que vale a pena e pela responsabilidade de ocuparmos um cargo
público e quem deveria nos apoiar e nos ajudar, fala uma bobagem dessas...
corrigindo..
Nina 24/03/2009 07:30:48

fiquei tão indiganda que escrevi errado..Proteção Integral..e não
integrada!..desculpe..
Anônimo 24/03/2009 08:46:00

Sintam só o drama...
Artur Paiva 24/03/2009 10:48:35

Lamentável a falta de clarividência do presidente do ICMBIO. O que será das
nossas Ucs...

Parabens pelo texto
Surreal
Joana D´Arc Costa 24/03/2009 12:08:36

Também assisti ao globo rural e custei a entender o que estava vendo. Como pode
o presidente de um orgao ambiental falar tamanhas barbaridades. Ainda bem que
vcs estão se manifestando.
Que tal um abaixo assinado para tirar o
"bárbaro" da função?
absurdo cotidiano
Fabio Heydman 25/03/2009 06:08:27

Olá, escrevo pela primeira vez no ECO, e ha tempos estou indignado com o rumo
que a politica ambiental toma em nosso Brasil. Continua-se com um pensamento de
colonia, buscando a todo custo repetir os erros grotescos que os paises
desenvolvidos tiveram nas decadas de 80 e 90 e que hj tentao reparar com as
formas sustentaveis de desenvolvimento. Porem o sr pres. de ICMBIO me parece que
somente deu continuaidade ao total desprezo do governo com o meio ambiente,
declaraçoes de cunho sao constantes en nosso dia a dia e a midia me parece
fazer questao de expor isso de uma forma tranquila sem analisar a forma que uma
declaraçao no minimo ignorante possa ser entendida pela grande maioria da
populaçao. Declaraçoes assim afastam cada vez mais a camada leiga da
sociedade sobre assunto e precisamos dela pra nos fortalecer cada vez mais.
Abraço a todos e força!!
Indenizações dos moradores do PNGSV
Paula Leão Ferreira 25/03/2009 07:55:04

O Sr. Rômulo Mello comentou que em quinze dias o problema do Sr. Raimundo Gomes
Pereira estaria resolvido. Será que ele será indenizado? Imagino que só isso
resolveria seu problema... Porém ele não tem todos os documentos necessários
para indenização, conforme a IN 09/2003, muito menos cadeia dominial completa
e ininterrupta. Uma vez paga a indenização ao Sr. Raimundo, temos que proceder
indenização de TODOS os proprietários ainda residentes no PN Grande Sertão
Veredas. Acredito que o Sr. Raimundo deve estar aguardando a resolução deste
problema e a equipe do PNGSV também aguarda.
entrevista do presidente do chico mendes ao globo
jose carlos lovantino 25/03/2009 09:01:36

No último domingo assistindo a entrevista do senhor presidente do instituto
chico mendes ao globo rural, fiquei indignado e até o momento não sei como
pessoas assim continuam e foram nomeados para tomarem conta dos nossos preciosos
parques.
O que realmente revoltou foi quano o presidente disse que em 15 dias
iria solucionar o problema daquele senhor que deu entrevista e agora não lembro
o nome dele. Sugiro a todos que tem suas terras para ser indenizado junto ao
ministério do meio ambiente ao chico mendes, dêem entrevista ao glogo rural ou
outro meio de comunicação, pois é um absurdo simplesmente resolver o problema
de um por causa de uma entrevista e o restante? Então se aquele senhor não
tivesse dado aquela entrevista tudo iria ficar como esta?
Engenheiro.
Hamilton José Ferraz de Mello 25/03/2009 09:54:43

No contraponto dessa peroração preservacionista está está uma multifacetada
posição fundamentalista.
A real integração do homem ao meio ambiente, o
respeito a história e ao ser humano nas suas necessidades básicas, deve ser a
norteadora das ações de preservação, respeitado o que é mais importante: o
ser humano na sua raiz, no seu habitat, na sua luta pela sobrevivência. O
equilíbrio entre a postura humana e a postura de preservação para o humano
está em tender ao mais humano e não optar pelas soluções formais que a
história nos mostra conseqüências em toda sua crueldade.
ICMBio, de mal a pior....
keka 25/03/2009 13:19:34

Parabéns pelo seu artigo Maria Tereza. O fato ocorrido mostrou algumas faces do
ICMBio. Entre elas, o total desconhecimento de causa dos seus gestores,
incapacidade técnica, opção por soluções pontuais, falta de diretrizes,
falta de priorização com os aspectos mais pertinentes para a conservação,
etc, etc.

Depois de dois anos, para que veio afinal o ICMBio? Acho que o
próprio presidente não sabe ao certo. Deve autorizar pesquisa com a
biodiversidade fora de UCs? Avalia o impacto de empreendimentos sobre espécies
ameaçadas fora de UCs? APPs está no seu escopo? populações carentes? O que
é mais pertinente/conveniente? A falta de diretriz do órgão é tamanha que o
próprio presidente confunde o que que é prioritário. Acho que ele de fato
não sabe...

A questão fundiária, que está entre os principais problemas das
UCs no Brasil, se não o maior, deveria ser priorizada pelo Instituto. No
entanto, basta constatar que carece de pessoal e, principalmente, de gente
capacitada para lidar com o tema... O presidente do ICMBio, nas suas
declarações infelizes, apenas deixou transparecer o que hoje ocorre neste
Instituto. Temos que resolver o problema daquele senhor da reportagem? em 15
dias estaremos dando uma solução para isto. Não interessa se isto é uma
gota d'água no oceano. Não interessa se isto não tem nada a ver com o
Instituto (ele sequer esta dentro de UC pelo que entendi). Apareceu na mídia?
então, resolver isto passa a ser prioritário para o ICMBio...O código
florestal está atrapalhando? sem problema, a gente muda isto...Pra melhorar a
vida de quem afinal?

A reportagem foi só a ponta do iceberg. É com profunda
tristeza que tenho visto que é assim que tem funcionado este Instituto, onde
muitos funcionários encontram-se extremamente desmotivados. Falta pessoal, sim.
Todos sabem disto, no entanto, não são poucos os funcionários que ainda não
sabem com o que devem trabalhar ao certo.
Nunca achei que a gestão ambiental
no Brasil pudesse piorar tanto....
Indignação
Ana 25/03/2009 13:22:59

Parabéns pelo artigo
RAFA 25/03/2009 20:56:43

Keka está certa em absolutamente todas as suas colocações.

Nós servidores
publicos vimos o IBAMA ser desmontado da noite para o dia, o governo argumentava
que seria melhor assim pois a nova autarquia estaria focada nas UCs, dando a
elas a atenção que merecem.

Eram apenas palavras ao vento... a situação
de nossos parques e reservas nunca esteve tão ruim...

o Instituto Chico
Mendes (sim, porque ICMBio é um nome fantasia inventado pelo Capô e sequer é
reconhecido legalmente)foi criado as pressas e sem um minimo de planejamento,
reflexo da crise das UHs do Madeira.

Mais de 2 anos após o parto dessa
aberração o quadro interno se resume a diretores perdidos e servidores sem um
pingo de motivação e ávidos por uma decisão sábia e definitiva de nosso
ministro quanto a essa autarquia de araque.
sertão veredas??
marcus andrade 26/03/2009 11:38:20

polêmicas à parte,ouvi esse comentário de um dos últimos moradores do parque
grande sertão " gostaria que essas pessoas que estão tirando a gente
daqui, viessem como um médico que nos passa uma receita. deveriam ensinar a
gente a cuidar dessa terra sem destrui-la..." documentei casas jogadas ao
chão,sem menor respeito com a historia local" fiquei horrorizado com esse
conceito de proteção ambiental ali realizado!! guimaraes rosa deve ter
tremido no túmulo quando o homenageiam daquela forma!! um sertão sem gente.
Grande Sertão
Paulo de Tarso Zuquim Antas 26/03/2009 12:35:14

Maria Tereza,

Tendo acompanhado e participado tão de perto de todo o
processo laborioso da escolha da área onde foi criado o núcleo original do
Parque Nacional Grande Sertão Veredas, saindo da análise de uma imensa
superfície entre o sul do Piauí e o noroeste de Minas Gerais até chegar às
nascentes do rio Preto e sua bacia nos municípios de Formoso e Chapada Gaúcha,
do processo todo de discussão até a criação do parque nacional, dos
mecanismos inéditos de financiamento de ações a longo prazo, infelizmente
exclusivas do Grande Sertão, e do processo absolutamente inovador de
transferência dos moradores para o assentamento na região do entorno do parque
nacional, vi com imensa tristeza e sentimento de orfandade para a área as
declarações mais do que infelizes do atual presidente do
ICMBIO.

Solidarizo-me com sua postura e lamento que uma ação tão bem
embasada, exemplar e modelo que deveria ser repicado em situações parecidas
venha a ser momentaneamente afetada por alguém que, infelizmente, administra
esse patrimônio nacional sem ter o conhecimento adequado das várias ações
envolvidas. A conjunção de forças entre o terceiro setor e o governo
encontram um exemplo de sucesso nas ações iniciadas por você na presidência
da FUNATURA. Espera-se que os gestores da coisa pública compreendam a
importância de onde encontram-se, de suas ações e das repercussões de suas
declarações.

Estabelecer como critério de criação de unidades ter ou
não gente remete-me ao planejamento ambiental do Ministério da Agricultura da
década de 1960, quando somente as terras incapazes de serem ocupadas pela
pecuária ou agricultura mereciam receber alguma proteção. Os valores
naturais, a biodiversidade etc não entravam em cogitação e agora temos uma
nova versão desse obscurantismo. Usando esse critério, podemos botar a viola
no saco ou criar unidades de coservação somente no fundo do mar. Em um planeta
com crescimento demográfico como temos a população humana e sabendo-se de que
até os ditos rincões sempre tem algum morador, decreta-se a impossibilidade de
criar qualquer unidade de conservação digna do nome.

Parabéns pela sua
abordagem e espero que toda a repercussão seja positiva no sentido de mudança
de postura, com ação efetiva.

Um abraço,

Paulo
Anônimo 27/03/2009 04:40:37

isso nao e reportagem, e coluna, opinião
PONDERAÇÃO
CGB 27/03/2009 06:03:38

É FÁCIL RECONHECER QUE O SR. ROMULO MELLO FOI INFELIZ NOS COMENTÁRIOS QUE FEZ
NA REPORTAGEM. MAS INFELIZ NÃO POR RECONHECER A REALIDADE, MAS POR USAR COMO
EXEMPLO O ANTI-EXEMPLO DA REALIDADE (O PNGSV). AINDA ASSIM, NÃO DÁ PRA
DESMERECER O TRABALHO REALIZADO PELO ROMULO ATÉ HOJE. ELE É UM GRANDE LÍDER,
TEM PROPOSTAS E PROJETOS COERENTES COM ESSA REALIDADE. REALIZOU GRANDES GANHOS,
DENTRE ELES, A IMPLANTAÇÃO DO SISBIO. É DURO LUTAR POR UMA CAUSA TÃO DURA E
RECEBER TANTAS CRÍTICAS ENDÓGENAS... "FOGO AMIGO"... ACHO QUE É
POSSÍVEL SER CONSTRUTIVO, TRANSFORMAR A INDIGNAÇÃO NUMA DEMONSTRAÇÃO DO
EXEMPLO DE IMPLANTAÇÃO QUE O GRANDE SERTÃO VEREDAS É...
JÁ SOMOS UM NICHO
QUE LUTA COM TÃO POUCAS ARMAS, TÃO POUCAS CHANCES... ESSES TIPOS DE CRÍTICAS,
ALGUMAS MUITO PESADAS, NÃO SÃO NADA PRO-ATIVAS...
Aldem Bourscheit 27/03/2009 10:11:03

Críticas são mais do que bem vindas em O Eco, mas todos os posts com ofensas
pessoais a colunistas e outros leitores serão automaticamente deletados.


Atenciosamente
Grilagem Legalizada
Cezar Vidal Schmidt 28/03/2009 22:03:22

O Grande Sertão Veredas é uma Parque implantado sob meio de grilagem, pois em
20 anos não idenizaram os legítimos proprietários e devido as "leis
ambientais" impedem os mesmos de explorar economicamente suas áreas.
Ao
invéz de criar mais e mais cabides de emprego porque não idenizam esta gente?
Voces não tem vergonha de compactuar com isso, caros "ambientalistas"?
O Pior dos Pesadelos na Conservação
Crisomar Lobato 30/03/2009 14:48:56

Prezada Maria Tereza Jorge Pádua,
Parabéns pela coragem, que aliás lhe é
peculiar. Concordo de que todas as Unidades de Conservação da Natureza de
Proteção Integral devem ser desapropriadas para garantir a evolução natural
das espécies, serviços ambientais, belezas cências, etc.
Aqui no Pará
alcançamos 10,2% (12.500.000 ha)de UC de Proteção Integral, ainda tem muita
terra para as atividade tradicionalmnete produtivas.
Crisomar Lobato.
Parabéns Maria Tereza
Fernando Fernandez 30/03/2009 15:05:04

Cara Maria Tereza,

Parabéns por ter dito o que todos nós queríamos
dizer. Mais uma vez obrigado por sua coragem e princípios. O Rômulo Melo, ao
fazer declarações como as que ele fez, mostrou que não tem conhecimento,
sensibilidade ou lucidez para estar nesse cargo. Minc, em nome da sua
credibilidade, fale pra esse cara pedir o boné. Mas o mais triste é que o
episódio, enfim, só mostra a verdadeira política desse governo com relação
à questão ambiental no Brasil: saquear os recursos naturais em nome de
pseudo-soluções sociais imediatistas. Chega. Resistir é preciso.
adriana lins 31/03/2009 15:19:51

O nosso amigo José Morelli indaga: a quem interessa?
Prestarei-me à coerência
dos atos públicos manifestados ao longo do governo lula, do qual, não somente
o presidente do ICMBio como tantos outros agregados ao governo federal,
sobretudo nosso “chefemor”, servem-se da máquina pública para alimentar a
discórdia entre as pessoas e povos, a desinformação e a anarquia
generalizada, privilegiando o autoritarismo ao atacar as minorias e seus
legítimos interesses como os dos quilombolas e indígenas, ou controle da
imprensa, ou até mesmo um totalitarismo revestido de populismo ao tergiversar
com tantas CPIs, e outras cozitas mas.
Paulo Henrique 08/04/2009 08:42:11

"A vida é vez de injustiças assim, quando o demo leva o estandarte..."
Guimarães Rosa
Sei a quem interessa
Sérgio Abranches 15/04/2009 14:01:22

Maria Tereza,
estava fora do ar e só agora pude entrar na discussão. Eu fui ao
Grande Sertão Veredas e posso dizer, por conhecimento, que Guimarães ficaria
honrado com a homenagem e indignado com o ataque ao parque. Sou de Curvelo e meu
bisavô foi quem deu a Guimarães seu primeiro óculos, episódio depois
relatado por ele em fantasia bela-triste em Miguilim. Cheguei a Chapada Gaúcha
um dia antes do aprazado e fiquei mais de 5 horas na frente da pousada, sendo
abordado por muita gente curiosa de eu estar lá. Vários grandes
proprietários, em terras desmatadas, sem água, querem a água do parque. Me
disseram , sem pejo, que a água do parque precisava ser distribuída. Os
peões, que também paravam, contavam sobre desmatamento, caça e a diferença
entre a secura do entorno e as águas do parque. Gente humilde? Besteira. Quem
quer arrombar as portas do parque é a gente grande. Algumas ligadas aos
assassinos dos fiscais do Trabalho, que pilharam trabalho escravo nas
vizinhanças do parque, em Unaí. Outras ligadas aos assassinos do guarda do
IEF, lá dos fundos, na Serra das Araras, ou os que estavam ameaçando outro
guarda no Vão do Buraco. Os dois reprimiam desmatamento para fazer carvão
ilegal para as guzeiras de Juiz de Fora. O que o Rômulo Melo tem que dizer é
se é de que lado está. Quem ataca as fronteiras frágeis da conservação não
está do lado bom da história.
sobrevivencia
gomis 11/05/2009 08:17:23

olhia eu acho que em ves desas pesoas ficarem dando opiniois dese asunto porque
nao vai faser um testi de sobrevivencia la jumto com eses moradores comer buriti
com faria de buba no cafe da mainha e na hora do almoso mais buriti com mais
algunhas coisas do serrado olhia para falar da vidas das pesoas voce primeiro
presiza comhecer do que esta falando todo mundo ligado a omgues ambietalistas
dizem o que nao sabi da verdade que para preservar tem qui tem quem cuide do vai
ser preservado e o governo nao capasidade para iso men tao pouco esas omgues que
na verdadi e sinplismente uma fachada para tentar arecadar custo dos soiadoris
internacionais que tanto puluiram no pasado voces que si dizem a vavor dos
parques deveriam ter vergoinha na cara e antis de fazer um progeto de criaçao
de quaquer parqui deveria saber se o governo teria dimheiro para pagar todas
desapropriaçoes e nao querer gaihar tudo no grito quanto a voçe dona maria
tereza em ves de ficar criticando as palavra do ministro com esa sua
inteligemcia anbientalista porque que voçe nao a usa para uma verdadeira causa
e vai la na umildi casa de palhia da veredeiro e lhis ofereça uma alternativa
ecologica esa e a sua verdadeira funçao voçe sabi que tem muitas aternativas
para eli revaser o teilhado da sua umilde casa a casa que deus lhi deu e com
tristesa due vejo voces metendo pou ums nos outros e esquesi do que de verdadi
deverinha istar fasendo ok sem mais peso desculpas a alguns erro de digitaçao
Biloxi Blues 11/05/2009 22:25:24

E aí Maria Tereza?

Como fica a situação? Depois de quase 60 dias do seu
artigo as coisas continuam as mesmas. O Diretor é o mesmo, e pelo que tudo
indica, nada vai mudar. Na verdade, bobos somos nós, que estamos comendo o pão
que o demo amassou e não podemos reclamar. Infelizmente parece que tudo se
banalizou e a vidinha vai sendo tocada.
Romulo Melo, o nepotista.
Paulo Roberto Malafaia 29/05/2009 08:07:38

A Sra. talvez não saiba, mas o presidente do ICMBio, Romulo Melo, mostra ser
muito chegado a práticas nepóticas e clientelistas, muitas das vezes para
atender a ex-chefe, que na gestão passada nesse Ministério, -Governo
FHC-gravitou nesse Ministério. Veja Bem: O Sr. Romulo Melo atendeu uma
solicitação do sr. "José Carlos Carvalho", hoje, atual Secretário de
Estado do Meio Ambiente em Minas, colocando a pedido desse o sobrinho -Fabricio
Ribeiro- como assessor em seu gabinete mas só que prestando serviços a 1.500
Km. de Brasília, justamente no Parque Nacional do Caparaó como advogado (sem
registro na OAB) para cuidar de assuntos fundiários do Parque. Não é um
escândalo? É um descumprimento da Lei anti-nepotismo em vigor. Considera
isso uma espécie de "nepotismo cruzado". Informo ainda que o presente
dado ao sobrinho do Secretário foi dado devido este residir em Alto Caparaó,
justamente onde fica o Parque. Pelo que vejo o fato merece uma denúncia ao
Ministério Público e a mídia, hoje tão focada em denúncia de igual
semelhança, no Congresso Nacional. Vamos ver se com essa, o Minc vai usar
espaço na mídia para defender o seu subordinado.

Paulo Roberto Malafaia
Anônimo 30/05/2009 19:27:23

Oh Paulinho,

Voce ainda não percebeu que a tchurma é sempre a mesma!!!!!
E
eu não me engano mais com textos irados e revoltados, por que sempre fica na
minha mente a imagem de um Boris Casoy vituperando "Isto é um
absurdo!!!!" mas nada muda de ligar. Enquanto isto em Minas a motoserra come
solta na mata atlântica e a velha tchurma finge que não é da conta deles...
Indenizações Grande Sertão
Wesley Renato Amaral 23/11/2009 15:15:41

Sou advogado e também fui telespectador dos absurdos na TV, referente as
famílias que nada receberam pelas terras desapropriadas.


Conheço a
região tenho causas na região de Arinos, e, até já conversei com algumas
pessoas residente no parque.

Talvez possa ajudar na providencia de documentos
para prover a devida indenização.

Atenciosamente;

Wesley Renato
Amaral
ADVOGADO
águas vertentes do caparaó
josé nascimento 09/03/2010 08:02:41

Indenização - não existe natureza sem dono esta é uma obra do criador,
existem os mal feitores contra estes bens do senhor.
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