Resex com Lula vira o Bolsa-Caranguejo PDF Imprimir E-mail
11/06/2009, 23:50
Ponha-se no colete do ministro Carlos Minc. Titular do Meio Ambiente, num governo que não é ambiente para essas coisas. Cercado de ministros hostis. O da Agricultura em campanha aberta pela desobediência do campo ao Código Florestal. O dos Transportes querendo asfaltar estrada na Amazônia sem licença ambiental. O de Assuntos Estratégicos garantindo, em inglês, que se a humanidade acabar com este planeta estará tecnologicamente habilitada a colonizar outros mundos.

E aí vem na sexta-feira passada o Dia do Meio Ambiente. O “seu” dia. Comemorado com a criação de três reservas extrativistas e de um monumento natural, como se fosse para marcar a era de recuos táticos que acabou com a tinta para fazer parques nacionais e outros modelos de conservação estrita na caneta do ministro.

Lula lá

Mas nem por isso deixava de ser uma boa data para sair da frigideira, subindo no palanque. E Minc montou uma festa no sul da Bahia, com a presenta do presidente Lula. Os jornalistas interessados em esquentar o dendê do ministro apostaram que Lula não compareceria. Ele fez pior. Compareceu, e chegou à solenidade soltando o verbo.

Foi lá para dizer que “é preciso discutir com mais seriedade a questão ambiental” e acabar com o “discurso simplista” em favor da natureza. O dele, juntando mais ou menos 3.500 palavras por associação livre, foi sem dúvida complexo. Teve de tudo. Desde a previsão de que o regime da terra arrasada pode inviabilizar a vida humana “daqui a 1 milhão de anos, daqui a 100 anos”, ao anúncio de que o pau-brasil “está extinto”, sem que os botânicos até agora tivessem notado. 

Ele soltou na brisa de Caravelas a noção de que os países ricos, habitados provavelmente por aqueles mesmos banqueiros de olhos azuis que outro dia mesmo quebraram a economia mundial, estão “carecas”. Ou seja, “não têm mais uma árvore”. Mas por isso deixam de circular em “carros da melhor qualidade” e comer “do bom e do melhor”. Desertificar deve ser bom. 

Lula, como se vê, voltou inspirado de sua recente viagem à Arábia Saudita. Mas, aqui, o problema é outro. E o presidente, no afã de “consertar todo o estrago que foi feito em cinco séculos neste país”, inaugurou uma reserva extrativista, a Resex do Cassurubá, com a exortação do progresso insustentável. 

Resex é um conceito meio frouxo, que encontrou na política ambiental o aconchego da autocomplacência. A Amazônia tem muita resex em listas de desmatamento. Como já disse o historiador Kenneth Maxwell, o nome “reserva extrativista” é em si mesmo um oxímoro, composto por um substantivo que significa guardar e um adjetivo que implica colher. Mas pelo menos a lei restringe seu uso à agricultura de subsistência, à criação de animais em pequena escala e à exploração sustentável de seus recursos naturais.

Para Lula, isso não faz diferença. Com a autoridade de quem, “até os dez anos de idade”, punha a mão em toca para catar caranguejo (ele até aproveitou para contar que foi um caranguejo quem lhe decepou o dedo mínimo da mão esquerda, até então debitado a um acidente de trabalho no torno mecânico), ele acenou aos pescadores de Cassurubá com melhores negócios que o puro e simples extrativismo. 

Segundo ele, basta esperar pelos turistas saírem de Caravelas dizendo que ali comeram “um peixe de qualidade, não poluído, um caranguejo de qualidade, um marisco de qualidade”. E os pescadores cairão de puçá sobre o mercado. Ele até sugeriu que o governador Jacques Wagner “vai comprar tudo para levar para a merenda escolar lá em Salvador, e daí por diante”. 

Ou seja, Lula foi saudar a Resex e instituiu o Bolsa-Caranguejo. Assim não há Minc que agüente.
Comentários
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analfabeto ecológico
Paulo Roberto 12/06/2009 08:19:33

O Lula já demonstrou centenas de vezes seu analfabetismo ecológico.Um dos
discursos mais comuns dos ignorantes é o de conseguir coisas imediatamente,
independentemente do futuro. Em nome do PAC se pode fazer qualquer coisa:
envenenar rios e mananciais, aumentar as queimadas, destruir completamente
ecossistemas, leiloar a Amazônia, beneficiar os grileiros que destruiram
imensas extensões de floresta, dando-lhes o título de propriedade,isto é,
premiar os corruptos e bandidos. Esta é a mentalidade do Lula: é o
"jeitinho brasileiro" levado aos extremos da estupidez.Semelhante à
mentalidde "progressista" chinesa que transformou aquele país num caos
ecológico em nome do "progresso". QUAL PROGRESSO? POR ACASO A CHINA
PUBLICA AS MILHÕES DE MORTES OCASIONADAS PELA POLUIÇÃO, PELAS CATÁSTROFES
AMBIENTAIS? PELAS DOENÇAS OCASIONADAS POR UMA POLUIÇÃO AVASSALADORA? Claro
que não! Mas o Lula vê nisso tudo um modelo de progresso.E ainda se considera
mais inteligente do que todos os brasileiros juntos. Ignorante metido a
sabichão é a pior espécie de ser humano que existe.
O " cara ecológico"
Sylvio Jr. 12/06/2009 16:55:08

Que tristeza vai passar para a história como um coveiro do nosso meio ambiente.
Espero que sua família deixe netos,e continue se reproduzindo até o "fim
dos tempos".Não vai ter "fome zero" que os salve. Afinal ele é
"o cara". Cara de pau....
O Tempo Conspira a Nosso Favor. Será?
Jorge Luiz Heckert 12/06/2009 17:38:42

Sempre ouvi dizer que o tempo conspira a nosso favor, pois é a cura para todos
os males.
Já tenho lá minhas dúvidas, pois quanto mais o tempo passa (desse
governo), pior a coisa fica, pois criminosamente estão deserdando as gerações
futuras do sagrado direito de um meio ambiente que lhes garanta uma vida digna e
com qualidade. A história tudo registra e nada perdoa. Mas o que é história
para um povo sem educação e que se vende e prostitue barato por uma sacola de
alimentos e promessas vazias e inexequíveis?
Em se falando de RESEX, nos vem
à mente a insustentável mentira da sustentabilidade. Já passamos há muito da
possibilidade real de sustentabilidade. É a mentira da moda. Para falarmos em
sustentabilidade, novamente devemos falar em EDUCAÇÃO, artigo quase
inexistente nesta pretensa nação civilizada. Neste ítem (sustentabilidade) o
tempo conspira com todas as suas forças, muitas invisíveis, em desfavor a nós
outros. Quem viver, verá...
Com relação aos devaneios de nossa autoridade
mor, tudo vai bem até Luís Inácio abrir a boca. Isso me faz lembrar de um
Coronel da PM de Santa Catarina que desanimado com a falta de tato na condução
dos atendimentos das ocorrências, por seus soldados, repetia com frequência
que "TUDO VAI BEM NAS OCORRÊNCIAS ATÉ QUE MEUS SOLDADOS COMEÇAM A FALAR.
DAÍ A COISA DESANDA E NÃO TEM MAIS VOLTA...".
Assim está o Brasil. A
propósito, já repararam que TERCEIRO MANDATO rima/combina com TERCEIRO
MUNDO???
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