
No interior do Distrito Federal, escola cultiva alimentos orgânicos e hidropônicos, com benefícios à alimentação e ao ensino. Iniciativa está inscrita no Prêmio von Martius de Sustentabilidade.
O Centro de Ensino Fundamental (CEF) São José está a cerca de 70 quilômetros do centro de Brasília. Espaço para mais de 250 filhos de trabalhadores em um núcleo rural cercado por fazendas onde a monocultura de milho e soja reina absoluta. É o tipo de lugar que vê político só em ano de eleição, quando muito. Até esta altura de 2008, nenhum deles sujou o sapato na poeira vermelha daquele pedaço de Cerrado, contam os professores.
Enfrentando as dificuldades comuns ao ensino nos interiores do Brasil, a escola completa o parco orçamento com bingos, rifas, doações e festas comunitárias. Apesar de quase esquecida pelos governantes, esbanja teimosia, força de vontade e criatividade. Ingredientes que usou para construir hortas com alimentos orgânicos e hidropônicos. Agora, a alimentação será mais saudável e não dependerá só dos repasses oficiais de alimentos.
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Além das pequenas lavouras livres de agrotóxicos, repletas de legumes e verduras que saem dali direto para as panelas da cozinha, foi montada uma “farmácia” com remédios naturais (imagem ao lado). Assim, além de aprender e repassar aos pais novas técnicas agrícolas, os alunos descobrem que dor de barriga se trata com chá de sete-dores (boldo) ou que um resfriado se combate com uma infusão de funcho ou hortelã. Mais economia, desta vez evitando remédios industriais.
Rotina alterada, para melhor
O dia-a-dia dos alunos também foi transformado pelas oportunidades de ensino proporcionadas pelas hortas. Elas estão alavancando debates sobre uso da terra, artes, sustentabilidade, alimentação, ciclo de vida e até sobre a preservação do Cerrado. “Horta também é sala de aula”, ressalta a professora de Ciências Biológicas Alence da Silva Braga.
A experiência agradou tanto a professores, alunos e comunidade que acabou inscrita na edição deste ano do Prêmio Von Martius de Sustentabilidade, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e apoiado por uma série de entidades nacionais e estrangeiras. A entrega aos vencedores será dia 11 de novembro, em Curitiba (PR).
“Nosso objetivo maior não é o prêmio, mas chamar a atenção de organizações não-governamentais e do governo, para conseguir mais apoio ao projeto e à escola”, completou o diretor Gilvan de Oliveira.