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Eventos extremos nos EUA são prova da mudança climática

Cientistas afirmam que o clima anormal do verão nos EUA, com ondas de calor, incêndios e tempestades são uma amostra do que esperar em 2012.

Guardian Environment Network ·
5 de julho de 2012 · 9 anos atrás
The Guardian Environment Network
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Incêndio em torno da cidade de Colorado Springs, Estados Unidos. Foto: Charles McCain
Incêndio em torno da cidade de Colorado Springs, Estados Unidos. Foto: Charles McCain

O clima bizarro do começo do verão nos EUA – com ondas de calor, incêndios, secas e tempestades aterrorizantes – é apenas uma amostra do que está por vir em 2012 e uma janela para o futuro das mudanças climáticas, dizem os cientistas.

Eles são cautelosos em relacionar eventos meteorológicos específicos às mudanças climáticas, já que o calor castigante e as tempestades letais deste ano se limitaram às Américas. Europa, Ásia e África não tiveram um clima severo neste ano – apesar de o terem experimentado nos últimos anos.

Mas a seqüência de condições meteorológicas extremas oferece em tempo real a prova das conseqüências da mudança climática, disse Kevin Trenberth, diretor de pesquisa climática do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica no Colorado – local onde estão ocorrendo incêndios florestais devastadores.

“Estamos certamente vendo a mudança climática em ação”, disse ele. “Este ano tem sido excepcionalmente anormal nos Estados Unidos.”

Jeff Masters, diretor de meteorologia do site Weather Underground, contou à Democracy Now: “O que estamos vendo agora é o futuro. Veremos muito mais tempo deste tipo, bem mais impactos como o que estamos testemunhando nessa série de ondas de calor, incêndios e tempestades”.

E acrescentou: “Isto é apenas o começo.”

O exemplo principal desta rodada de tempo bizarro é a atual onda de calor. Sozinho, o mês de junho quebrou cerca de 3.215 recordes para a temperatura máxima diária. Na terça-feira, cidades como Saint Louis chegaram a 5 dias consecutivos escaldadas por temperaturas acima de 100 graus Fahrenheit (37,8 graus Celsius). Quinta-feira passada, Saint Louis registrou 108 graus Fahrenheit (42,2 Celsius), a temperatura mais alta em quase 60 anos.

“Historicamente, isso vai acabar sendo um dos julhos mais quentes de todos os tempos”, disse Harold Brooks, pesquisador de meteorologia do Laboratório Nacional de Tempestades Severas, em Oklahoma.

As altas temperaturas também chegaram mais cedo neste verão, disse ele. As ondas de calor normalmente não se formam até julho.

Mas este foi um ano de recorde de calor. Desde o início do ano, os Estados Unidos tiveram mais de 40.000 registros recorde calor e menos de 6.000 registros recorde de temperaturas mínimas, de acordo com a NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera).

Normalmente, os cientistas esperariam que os números dos dois extremos fossem semelhantes, mas os recordes de temperatura máxima ganharam numa razão próxima de 7 para 1.

Condições de temperaturas tão voláteis, já no início do ano, contribuíram para formar a Derecho, um letal tempestade que varou a região de Washington DC, com ventos páreos a furacões, matando cerca de 22 pessoas. Brooks disse que esta foi uma das tempestades mais poderosas do gênero na história recente.

Enquanto isso, do outro lado do país, condições de seca extrema através de uma vasta faixa do oeste americano levaram a um surto de mega-incêndios no Arizona, Colorado e Novo México.

Os incêndios do Colorado, na periferia das cidades de Colorado Springs e Boulder, destruíram mais de 650 casas.

E não houve sinal de alívio. Fora alguns bolsões geográficos, como o norte de Minnesota, o estado de Washington, e a Nova Inglaterra, as temperaturas ao longo de uma larga faixa dos Estados Unidos apontaram para temperaturas recorde, disse Brooks.

A estação está gerando preocupação com a saúde pública. Pelo menos 3 pessoas, todas nas faixas de 70 e 80 anos, morreram em St Louis desde a semana passada por causa de doenças relacionadas ao calor, afirmaram autoridades médicas.

Na área metropolitana de Washington DC, onde quedas de energia devido à furiosa tempestade pioraram os efeitos de uma onda de calor, as autoridades abriram unidades de resfriamento nas escolas e centros comunitários para aqueles sem acesso ao ar-condicionado.

“Preparem-se para um verão longo e quente”, disse Trenberth.

*Publicado através da parceria de ((o))eco com a Guardian Environment Network (veja a versão original). Tradução de Eduardo Pegurier

 

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