Crianças no tráfico de borboletas PDF Imprimir E-mail
11/08/2009, 08:00
Neste aniversário de cinco ano do site O Eco conto uma história de como um jornalismo sério combinado com a força da internet foi capaz de acabar de vez com uma agressão contra a natureza praticada há décadas na região norte catarinense.

Quando eu era criança, passava as férias na casa da minha avó, na área rural de Papanduva (SC), localidade de Passo Ruim. Certa vez, apareceu uma novidade por lá, que me foi apresentada pelas crianças da comunidade: caçar borboletas azuis (Morpho Aega) para vender suas asas a um comprador de Papanduva. Ele, por sua vez, as revendia para outros intermediários até chegar nas mãos de artesãos e indústrias nos grandes centros urbanos, que as utilizavam na decoração de quadros e bandejas.

A cobiçada borboleta azul, ou “azulinha” como o pessoal chama por lá, é comum de ser encontrada onde tem taquara, uma espécie de bambu que coloniza rapidamente as clareiras de áreas preservadas onde houve derrubada de árvores para retirada de madeira. É que a lagarta da borboleta azul se alimenta especificamente das folhas da taquara (bambus, em geral).

Então, inocentemente, eu acompanhava a criançada de Papanduva, que tinha a minha idade, na captura das borboletas nos taquarais e também ia com eles no final do dia até a casa do comprador no centro da cidade, que fazia a alegria de todos com o pagamento de algumas moedas pelo resultado da caçada.

As borboletas eram capturadas com aqueles coadores feitos artesanalmente com um aro de arame e o tecido branco de malha bem fina e transparente usado para proteger do sol os canteiros de mudas de fumo, semelhante ao véu de noiva. Após serem mortas, esmagando e removendo a cabeça e o abdômen, as asas eram cuidadosamente armazenadas numa caixa de sapato e assim levadas ao comprador.

Anos depois, fui compreender o motivo de não haver mais borboletas azuis nas matas próximas do centro Itaiópolis (SC), município vizinho de Papanduva, pois eram áreas de mata nativa e com muitos taquarais, o mesmo tipo de ambiente do entorno da casa de minha avó. É que ali as borboletas já haviam sido extintas. Foram caçadas até o extermínio antes de eu nascer, na década de 60. Um poema de Olavo Bilac, escrito há mais de 100 anos, já abordava este problema.

No início dos anos 90, a Elza e eu fomos conhecer um terreno que recebi de herança de meu pai, uma área preservada às margens do rio Itajaí, em Santa Terezinha (SC). Um morador do entorno foi gentilmente nos mostrar o terreno. Seguindo a trilha pelo meio da mata, que eles usavam para pescar no rio Lajeado, de repente, chegamos a uma clareira, parecida com a pista de um aeroporto, que tinha uns 10 metros de largura e quase 100 de comprimento. Ficava bem no meio do taquaral e sua construção (dentro do nosso terreno, obviamente) implicou até na derrubada de algumas árvores centenárias, cujos troncos foram serrados rentes ao solo. Meio sem jeito, o morador explicou que se tratava de um local para caçar borboletas!!!

Fiquei muito surpreso, achava que esta atividade já havia sido extinta. Afinal, com toda esta divulgação dos problemas ambientais, ninguém seria cafona de querer decorar sua sala com um objeto feito de partes de animais ameaçados de extinção caçados na natureza, como aquelas molduras contendo frases de letras construídas de pedaços de asas de borboletas mortas cruelmente com os dizeres “Deus Abençoe Este Lar”.

Dez anos mais tarde, em 2000, estávamos desenvolvendo nas escolas de Santa Catarina o projeto patrocinado pela Fundação O Boticário de popularização dos anfíbios da Mata Atlântica e durante a palestra da Elza na Escola de Educação Básica “Odir Zanellato”, no bairro Lucena, em Itaiópolis (SC), uma professora perguntou se não era crime capturar borboletas no mato e nos revelou um problema muito grave.

Estavam aliciando as crianças pobres para capturar borboletas em áreas preservadas na área rural de Itaiópolis. Bem cedo, colocavam as crianças pobres (meninos e meninas) em Kombis velhas e as conduziam até os matagais. Vocês imaginem a situação de perigo a que ficavam expostas as meninas, por exemplo. Totalmente indefesas, no meio do mato, na companhia de adultos que poderiam ser estranhos.

O resultado disso é que a atividade estava causando uma evasão escolar de até 30% em algumas turmas. Pois as crianças faltavam às aulas para passar o dia inteiro no mato caçando borboletas e, assim, gerar renda para a família. A estratégia das professoras seria resolver o problema usando a lei dos crimes ambientais para pegar os aliciadores.

Tendo noção da dificuldade de se combater os crimes ambientais na época, haja vista a quantidade e gravidade dos casos, optei pelo caminho oposto. Imaginem que chance teria uma denúncia sobre crianças pegando borboletas no meio de mais de mil outras denúncias para serem apuradas só de desmatamento, algumas de centenas de hectares. Muito embora a extinção de uma única espécie, não importa que seja uma borboleta, seja a longo prazo tão grave quanto o desmatamento.

Como estava muito na moda se falar no problema da evasão escolar, tentei resolver o problema denunciando o aliciamento das crianças. Mas não deu resultado. Foi aí que eu entendi porque as professoras estavam tentando a estratégia de usar a lei dos crimes ambientais para salvar o futuro daquelas crianças pobres.

Passado alguns meses, li no jornal “A Notícia”, o maior de Santa Catarina, uma matéria sobre uma feira ambiental que trazia um exemplo do uso “sustentável” da biodiversidade, mostrando os famigerados quadros fabricados com asas de borboletas (artesanato). É lógico que não se deixou de mencionar que as eram provenientes de um criatório autorizado pelo IBAMA. Eram borboletas obtidas de forma “ecologicamente correta”, como se diz por aí.

Então, não me restou alternativa senão usar a internet para demonstrar minha indignação. Contei a história acima pelos quatro cantos e pelas listas de discussão. Quem mais se sensibilizou com a história foram os protetores dos animais do Rio de Janeiro, participantes da lista de discussão Defesa dos Animais, que já tem 10 anos.

O jornal “A Notícia” ficou assustado com o volume de e-mails de protesto pela matéria (fenômeno da internet ainda pouco conhecido na época). Deu o maior rebu e a diretoria convocou uma reunião de emergência com editores e repórteres. Publicou algumas das cartas como a de Andréa Lambert na edição do dia 13/07/2000.

Logo em seguida, o jornal me procurou e queria mandar uma equipe de reportagem para Itaiópolis (SC), para ver de perto o problema. Naquela época, tinha um jornalista especializado em cobrir o meio ambiente, Luis Fernando Assunção.

Fizeram uma das melhores matérias que eu já vi. Que deve ficar para a história. Foi publicada na edição de capa de domingo de 06/08/2000 e um resumo pode ser visto na internet. A foto abaixo ilustrou a capa.

Criança de Itaiópolis que capturava borboleta para vender. Data: 07/2000.
Foto: Carlos Alberto Silva. Imagem gentilmente cedida ao autor pelo jornal
A Notícia

Conseguiram chegar até nos compradores, que as próprias crianças denunciaram para a equipe de reportagem. As crianças recebiam R$ 0,07 pela borboleta azul e R$ 0,02 pelas outras espécies. Os intermediários vendiam a borboleta azul por pelo menos R$ 3,00, ou seja, recebiam 43 vezes mais do que as crianças. Um negócio altamente lucrativo, mesmo para uma atividade ilegal. Bota exploração de mão de obra infantil nisso.
 
Vocês perceberam por que usam crianças nesta atividade e não adultos? Nos lugares bem preservados, com abundância de borboletas azuis, com muita sorte podem ser capturadas no máximo umas 30 borboletas azuis por dia. Isto dá uma renda de R$ 0,07 x 30 = R$ 2,10 por dia. Nós, brasileiros, deveríamos ter vergonha pelo que fazemos com as nossas crianças e com a natureza.

Vocês já devem ter lido alguma matéria jornalística sobre um crime monstruoso, por exemplo, contra uma criança indefesa envolvendo abuso sexual, assassinato e todas estas atrocidades cometidas pelos seres humanos. Certamente vocês jamais encontraram nestas matérias uma frase sequer favorável ao criminoso, como se este tipo de crime tivesse algum motivo moralmente aceito para praticado. Mas nas matérias sobre as agressões contra a natureza é comum ser colocado o que os jornalistas chamam de “o outro lado”. Só que nesta matéria do Luis Fernando Assunção isto não aconteceu. Foi totalmente favorável à natureza, às borboletas no caso.

O efeito dessa reportagem foi fulminante. Cessou imediatamente a captura e o tráfico de borboletas. Os compradores e intermediários se debandaram. E, pelo jeito, foi para sempre. Já se passaram quase dez anos e não há indícios de que alguém esteja capturando borboletas em Itaiópolis ou qualquer outro município do planalto norte catarinense.

A repercussão da matéria foi muito forte na internet em todo o país e, três dias depois, a Folha de São Paulo também publicou sua versão, com a matéria de Kiyomori Mori, intitulada “Asas do Desejo”. Foi interessante porque eles entrevistaram os donos de criatórios e lojas da capital paulista que comercializam suvenires confeccionados com asas de borboletas.

Nesta reportagem da Folha, uma comerciante disse que não via problemas no uso de asas de borboletas em artesanato já que elas morrem mesmo. E tinha outro argumento de que a borboleta azul só vive quatro meses e abreviar sua vida não seria falta de ética. Mas partiu da dona de um criatório autorizado do interior de São Paulo a declaração socioambientalista mais surpreendente: "Miami, São Paulo e Rio de Janeiro são nossos mercados", conta. "Muitos criticam nosso trabalho, mas, se as borboletas ficassem na natureza, os predadores comeriam. Além disso, doamos casulos para escolas."

Esta história é um bom exemplo de como os meios de comunicação e esta revolução com o surgimento da internet podem ser usados para melhorar o nosso país e salvar o que resta de nossos ecossistemas com sua riquíssima biodiversidade. E vamos lutar para que as borboletas fiquem na natureza e nunca falte comida para os predadores (como os passarinhos, os sapos...) indispensáveis para o processo de seleção natural.
Comentários
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Renan Zanatta 11/08/2009 08:58:21

é ridículo ver que tais coisas ainda acontecem nestas regiões..
faltam
projetos que realmente instruam os pais destas crianças..
A difícil EVOLUÇÃO da humanidade.
Theodoro A. Prado 11/08/2009 15:59:20

Isto mostra a que ponto a humanidade chega pela cobiça e falta de respeito ao
que pertence a todos.É uma questão de CONSCIÊNCIA -interessante é o
significado desta palavra no dicionário-.O que será que está
acontecendo?Está faltando educar?Quando vamos começar?Parabéns a vocês
homens de boa vontade.
As maravilhas de Deus
Andréa Trindade 11/08/2009 17:55:43

Deus criou á natureza com tanta perfeição e entregou nas mãos do homem para
dela, admirar á obra do Criador e da terra tirar o seu próprio sustento, mas
pela ganância dos filhos rebeldes cada vez destruíndo á obra prima do Mestre
Escultor, se afogará em suas lágrimas em um dia não muito distante, destruir
o que Deus criou, é ser traídor e desonesto, roubador das suas próprias
paixões, é ser irracional, covardes e á cima de tudo é ser o que sempre
desejavam ser; Amantes de si.
Lis S. Pereira 11/08/2009 18:00:01

A divulgação e sensibilização da população são importantíssimos passos
para este êxito!
"O rei da criação"
Andréia Eugênia de Abreu Miran 11/08/2009 18:07:44

A humanidade somente poderá ser resgatada quando esvaziar-se do pensamento
impresso em seu âmago: "O homem é o rei da criação". Será isso
possível?
boborletas
jk consultoria ambiental 11/08/2009 18:17:20

oi boa tarde
em mato grosso tem criame de borboleta que se chama borboletario
as pessoa ganham pr cuidar das borboletas é um projeto muito legal um abraço
Borboletas e tráfico
Paulo Bastos 11/08/2009 18:21:21

Seria tão bom se houvesse reportagem do tipo sobre o que ocorre com os animais
não-humanos que são transformados em comida , vestuário e são usados na
diversão do bondoso e gentil animal humano, o ser mais abjeto que já pisou na
Terra, o dono de tudo e de todos.
Quem sabe alguns não se indignariam com o
sofrimento imposto a esses seres inocentes, dóceis, gentis, amorosos e
sencientes e não parassem de torturá-los?
Respeitemos a vida de todo ser,
pois, como dizia S. Fco de Assis, "Quem vive quer viver"
henry H 11/08/2009 19:33:15

Interessante a sua analise, com a qual no geral eu concordo, principalmente na
questão do trabalho infantil explorado, mas isso ainda não resolveu o problema
das borboletas.

Aqui em Hansa Humboldt agora jogam inseticida com aviões nos
bananais – que não param de se alastrar sobre a Mata Atlântica e a Serra do
Mar. Uma única carga de inseticida desses simpáticos aviões ecológicos –
são movidos a álcool – faz mais estrago do que 1000 ( quiçá 10.000)
crianças possam caçar com Netz durante sua vida inteira.

Além disso os
taquarais (tidos como mato improdutivo pela colonada catarineta) foram
convertidos justamente nesses bananais, Pinus, Eucalipto, soja ou “aroiz”...
qquer coisa...
Preservando o ecosistema,a fauna e a flora
Sebastião da Silva 11/08/2009 19:58:01

Herdamos de nossos antepassados a cultura da destruição do meio ambiente,nos
ensinaram que só o homem tem vida.Com isto destruimos tudo,até a própia
espécie.ainda há tempo de agirmos como os animais,respeitando a própia
espécie.E ensinando nossos filhos a preparar um mundo melhor para as futuras
gerações.
Tião Cidadão-Niterói-RJ
PARABÉNS...
Agenda 21 Local - Cornélio Sus 11/08/2009 20:25:46

Parabéns aos corajosos em interferir no comportamento humano para salvar as
espécies, inclusive o homem...
Acompanhei os fatos
arlindo costa 12/08/2009 05:37:33

A repercussão da aquisição de borboletas chegou para mim através do Jornal A
Notícia e de uma acadêmica do Curso de Biologia (UnC - Canoinhas) de Santa
Terezinha, procurando relacionar com a queda na apicultura. Constatei in loco de
que crianças capturavam as borboletas, vendendo-as para compradores. Iniciei
uma campanha através de cursos, levando aos professores os souvenires de
borboletas, sensibilizando-os sobre os problemas ambientais da referida
prática. Parabéns Germano, por resgatar tais fatos e apontar os resultados
desse trabalho
Prof Arlindo Costa
UnC/UDESC
Parabéns
Maria 12/08/2009 06:11:59

Continue escrevendo artigos como este, Germano. Parabéns.
Arrasou!!
Ju Pacheco 12/08/2009 07:14:04

Como sempre, Germano, suas atitudes são ótimas!!! :) Adorei a matéria e tb
Olavo Bilac.
Pergunta: por que alguém compra artesanato com borboleta?! É
ridículo, além de tudo...
Pela EXPLOTAÇÃO de nossa fauna.
Cláudio T. J. Padua 12/08/2009 07:57:49

A romantização da "proteção", a atribuição de caráter
"intocável" e a proibição de uso comercial de nossos recursos
faunísticos são os maiores alicerces para o dematamento do "mato que não
vale nada" e para o estabelecimento de uso do gado europeu/asiático, e de
todas as outras culturas forâneas.


Quando o Brasil vai aprender a aceitar
e dar valor comercial a sua fauna?
Natalia 12/08/2009 08:37:59

É inaceitável tanto com as crianças quanto à natureza, a crueldade e
ganância de pessoas assim.
Biodiversidade
Ir.Petronila Müller 12/08/2009 09:01:02

Bom dia! Com Paz e Bem!
Parabéns Germano pela "Arte de cuidar" do
Universo!
Sou Franciscana e tenho como missão tambem a preservação do
SISTEMA ECOLÓGICO. São Francisco na sua simplicidade foi amante da
Biodiversidade, pois chamava com todo o amor e respeito, cada ser criado de
irmão, irmã. Via na Biodiversidade a manifestação Divina e esta deve ser
preservada. Ultimamente, vejo que tenho um dom especial de perceber nas pessoas
o seu potencial de vida e generosidade, então procuro ajudá-las à
desenvolver o seu potencial na "ARTE DE CUIDAR DO UNIVERSO" que nos
rodeia em todos o níveis para que nosso Plenata seja conservado. Portanto seus
assuntos são de nosso interess, nos ajudam. Obrigada! 12/08/09 (47)33791202
Crianças e Boboletas
jose geraldo pereira da silva 12/08/2009 09:09:46

Na verdade, nao fico tão assustado com as noticias desse porte, mas, quero
fazer a minha parte, dando minha contribuição aqui na minha cidade de Caruaru
Pernambuco no sentido de continuar a preservar o meio ambiente e tentar
transformar, ciranças em protetotes de meio ambiente. Espero continuar
recebendo valorosos trabalhos dessa natureza , pois, me dar muita ajuda na hora
de repassar os meus conteudos.
abraço,
geraldo pereira
os sonhos...
helia cardoso 12/08/2009 09:17:30

OS sonhos são como uma bússala, indicando os caminhos que sequiremos e as
metas que queremos alcançar.são eles que nos impulsionam,nos fortalecem e nos
permintem crescer. parabéns ´pelo trab de vcs.
paz na terra aos homens de boa vontade
alexandre lundgren de castilho 12/08/2009 12:16:44

Sr Germano Woehl Jr., eu poderia escrever aqui varias coisas, pois acabei de
receber este email, e fiquei impressionado, nunca imaginei que pudesse existir
uma situação como essa...
pois então , quero ser breve :
por existirem
pessoas como voce , eu acredito ainda que ha esperança neste mundo, e me sinto
muito melhor . parabens pelo seu trabalho, pelo seu amor a vida , não só eu ,
mas o Brasil inteiro deveria lhe agradecer. muito obrigado.
Mais uma denúncia!!!!
Marina Vanessa Machado 12/08/2009 14:07:35

Gostaria de deixar aqui uma denúncia de que isso ainda ocorre nessa região,
tenho um sítio em Taió (SC) e sei que lá, isso ainda acontece e muito. Há
uma senhora que vivi disso na cidade, da caça as borboletas. Nimguém denúncia
esta assassina, eu não há conheço, mas sei que ela existe. Fica aqui
registrada minha indignação.
Jean Fábio Bianconcini 12/08/2009 15:53:10

Caro Germano. Compartilho de sua indignação ao saber de situações como esta
em que se aliciam crianças para (de)predar nosso patrimônio natural, como é a
caça às borboletas. Porém acho que mistura-se duas coisas completamente
distintas quando se aborda este assunto. Os criadouros de borboletas são uma
atividade totalmente sustentável, licenciável pelo IBAMA e que, aliás, têm
na mata nativa preservada a sua maior fonte de recursos. É uma atividade que
tem um grande potencial para fixação do homem no campo em pequenas
propriedades, sem danificar a natureza. Conheço pessoalmente alguns destes
criadouros. Não quero aqui "tapar um buraco com outro" mas acho
questionável os argumentos de alguns defensores dos animais. Muitos rirão do
que vou dizer, mas porque um pé-de-alface teria menos direito à vida que um
animal qualquer? Conheço muitos outros argumentos bem mais fortes para não nos
alimentarmos de proteína animal por exemplo, mas não me entra na cabeça que
um ser vegetal, que também é obra da Criação e que é VIVO, só pelo fato de
não manifestar-se de algum modo perceptível aos nossos sentidos, possa ser
predado por nós sem nenhum peso na conciência e um animal não. Quem de nós
nunca alimentou-se de fruta ou verdura para cuja produção tenha sido
necessário matar centenas, milhares de insetos, com ou sem uso de inseticidas?
Ou foi a um pesque-pague divertir-se? Ou a um zoológico ver animais nascidos
para correrem por quilômetros nas savanas africanas presos numa jaula de 100m²
(isto sim acho de um egocentrismo incrível)?
Nós seres humanos também somos
animais e necessitamos de meios para sobrevivermos, porém sem comprometer o
funcionamento da biosfera e a biodiversidade como um todo. Os criadouros de
borboletas (alguns são inclusive feitos para serem utilizados em educação
ambiental) têm potencial para viabilizar isto para muitas famílias.
CRIANÇAS DO FUTURO !!!!!
Claudemir Borges Bonato 12/08/2009 15:54:17

Infelismente, retrato das crianças do nosso querido Brasil. Parabens mais uma
vez a voceis pela iniciativa , coragem e muito ânimo para novos desafios .
Abraço
parabens!
Jaciara Schmoeller 12/08/2009 16:22:54

adorei a materia....
e fico feliz de saber que
ha pessoas de boa indole
que
pensam no desenvolvimento sustentavel...
Um grande problema...
Gilson de Souza 12/08/2009 19:01:52

Realmente nossa região ainda sofre muito com a evasão escolar em troco de
algum trabalho...uma pena, os pais dessas crianças deveriam ter mais
consideração.

Bom artigo, continue assim.
É assim que vamos mudar este mundo....
Ruth Borgmann 12/08/2009 22:54:15

Fazendo acontecer, denunciando, agindo, tomando consciência e despertando a
consciência das outras pessoas também.
Parabéns, admiro isto em
vocês.
Abraço
Ruth
Lembranças de uma boa época...
Maurício 13/08/2009 06:15:37

Bom Dia Germano!!
PARABÉNS pela sua materia.
Fascinante mesmo.
Moro a 2 anos em
Witmarsum/SC, que é minha cidade natal, mas morava em Jaraguá do Sul, onde
tive o prazer de conhecer o Instituto Rã Bugio e a Sra. Elza, excelente pessoa,
assim como você.
Eu morava em Taió e vinha para Witmarsum visitar nossos
parentes toda semana.
Isso em 1986 a 1992.
Realmente a prática de pega da
azulinha e do azulão era feita de forma "normal", pois meus primos
também pegavam e era um passatempo divertido, sem se dar conta no que realmente
estavamos fazendo...degradando o meio ambiente.
Hoje essas espécies não se
encontram mais em abundancia como na época, também outras espécies com o nome
popular de "brancão", "azulão", "boca da
noite".
Enfim, é muito importante ter organizações, com pessoas por tras
delas como você, que fazem um excelente trabalho de conscientização para que
esta prática chegue ao fim.
Lendo a matéria, revelo que tive uma saudade
enorme daqueles tempos onde não tinhamos tanta preocupação como hoje, pena é
saber que com a nossa diversão, estavamos ajudando a destruir a fauna
local...
Um grande abraço e um ótimo trabalho.

Maurício
borboletas LIVRES.......
Adriana 13/08/2009 08:49:56

O ser humano é tão insensível que chega ao ponto de destruir o bem mais
precioso que Deus nos deu... a NATUREZA.
Se somos realmente capazes de
raciocinar porque então o HOMEM não admite que tudo de mais importante para
nossa sobrevivência é a natureza que nos dá...
Todos possuem o direito de ser
livres, inclusive a borboleta azul...
Parabenizo o Sr. Germano pela atitude e a
simplicidade de como relatou sua história.
direito de viver
Sibele Kamchen 13/08/2009 09:42:10

Seres vivos tão importantes para o equilíbrio ecológico, que também têm
direito à vida e que acima de tudo, deveriam ser contemplados e admirados como
criaturas divinas, são banalizados e utilizados como bem de consumo. Me
pergunto, por que o ser humano utiliza sua inteligência somente para o
mal?...Destrói florestas, tira a vida dos animais e abusa da inocência de
crianças, guiado apenas pela ganância. Acredito que já esteja mais do que na
hora do ser humano rever sua verdadeira missão no planeta Terra. Parabéns
pelas sábias atitudes e colocações!
Debandaram sim, mas... pararam?
Paulo Robson de Souza 13/08/2009 09:52:17

Germano, parabéns a você e aos demais participantes dessa luta vitoriosa. Mas
pergunto: será que, de fato, os que aliciavam as crianças e debandaram da sua
região não estão atuando em outro lugar? Enquanto houver procura por este
artesanato mais cafona que a palavra "cafona", haverá o extermínio de
borboletas. Talvez um pedido para que os telejornais matutinos abordem a
cafonice que é tal "souvenir" desestimule o consumo...
Borboletários.
Mariza Binato Passos 14/08/2009 18:05:57

Oi, Elza e Germano.
Que incrível essa história, tão bem contada por você.
Nunca poderia imaginar que era assim que sucedia, esse comércio ilegal e o
aliciamento das crianças, eu que desde nova detestava os artesanatos feitos com
asas de borboletas. Achava-os feios, cafonas, além de ficar penalizada, supondo
como eram mortas para estarem ali "enfeitando", deprimentemente, mesas e
paredes; e a insensibilidade das pessoas que os compravam.
Nunca mais tive o
desprazer de ver essas peças feias, assim como nunca mais tive o prazer e a
alegria de ver borboletas aos montes. Aqui onde moro elas rarearam, e quando uma
e outra aparecem no meu caminho, são festejadas como benção do dia!
Como
valorizo, atualmente, a presença desse belo exemplo da Criação!
Um forte e
emocionado abraço aos dois.
Mariza.
Atitude
Silvana 14/08/2009 18:13:27

Para mudarmos o que está errado é preciso atitude.Parabéns a todos que
ajudaram a mudar o destino dessas crianças e das borboletas também.
extincao de borboletas
Lucia Bogaz Helms 15/08/2009 12:38:54

vemos nesta repostagem que ainda fazemos o que achamos errado pelo
dinheiro.Uma escolha muito pouco salutar.Vemos tambem que a informacao
e' a alma de todo objetivo
e podemos usar da informacao ainda atraves
das nossas contas nas chamadas social networks atraves da internet, ou
mesmo reportagens no jornal das escolas, panfletos para divulgar a
informacao que queremos passar.
Devmos ajudar a passar informacao e
consciencia do que fazemos `a natureza. Consciencia da destruicao em nome
do dinheiro que vai ser impagavel num futuro proximo.
Mais uma vez um
grande trabalho do Germano e esposa Elza.
Divulgando o que acontece com
as criancas da area, com as borboletas e a ameca deste ciclo
ecologico.
Fico sensibilizada e grata ao mesmo tempo informada para ajudar
em como puder, divulgando noticias atraves da forma que me e'
permitida.
Grata.
Até quando????
leandro dos santos 17/08/2009 14:12:10

Essas pessoas nunca vão aprender, que estão agredindo violentamente a
biodiversidade!!!!! Será que essas pessoas de ma indole perante a natureza e
contra a sociedade, explorando menores, de certo vão esperar que o pior
aconteça, devastando a biodiversidade e botando em risco as gerações nao
muito distantes!!!!!!!! parabens por nos informar sobre esse fato !!!! |Mas
vamos unidos vencer esses predadores da natureza!!!!!!! Por enquanto nao
posso fazer nada!!!!! mas quando me formar!!! vou defender o ecossistema com
toda minha força!!!!
quanto mais informação melhor
JOEL VENTURA 17/08/2009 16:50:37

a cobiça e a falta de imformação ou de conhecimento já levaram muitos
animais a extinção,usar todos os meios de imformação possiveis para cessar
qualquer crime ambiental é de grande valia! parabéns Germano e Elza pelo seus
incassáveis pela preservação da natureza!
JOEL VENTURA 17/08/2009 16:52:02

quanto mais informação melhor
JOEL VENTURA 17/08/2009
16:50:37

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a cobiça e a falta de imformação
ou de conhecimento já levaram muitos
animais a extinção,usar todos os meios
de imformação possiveis para cessar
qualquer crime ambiental é de grande
valia! parabéns Germano e Elza pelo seus
incassáveis esfoços pela
preservação da natureza!
Vamos aumentar esta corrente
Edson Luiz Tureck 18/08/2009 00:56:29

Olá !!!!
Moro aqui em Itaiópolis desde 1994, sou natural de Rio negrinho,
esta reportagem me deixou muitíssimo preocupado pois desde que vim morar aqui
venho observando muitas coisas que são feitas erradamente, desde que cheguei
aqui tenho incansávelmente tentado mostrar para as pessoas que elas tem o poder
nas mãos, o poder de mudar as coisas, e umas dessas coisas é o amor que
devemos ter por essa terra que não é nossa, mas que nos foi emprestada
carinhosamente por DEUS para usufruirmos de tudo que ela possa nos oferecer de
bom, que é o abrigo, o alimento, para sermos felizes enquanto vivermos nela, em
troca desse empréstimo é nos cobrado simplismente o cuidado nescessário, o
respeito por ela e por nós mesmos, será que é tão difícil esta simples
tarefa ?????????
Beleza conservada?
Adriana Beatriz Cruz de Azeved 20/08/2009 13:54:22

Deixa eu entender...Então posso adquirir peças artesanais em que se usa
borboletas raras para conservá-las, tendo em vista que estas vivem apenas 4
meses aproximadamente enquanto que em minha casa estarão expostas aos nossos
olhos por anos?
É inaceitável a justificativa que as pessoas dão para tais
crimes ambientais...
Parabéns pela reportagem! Realmente devemos estar atentos
a tais barbáries!
Saudade dessas belezas!
Ana Maria Fenrich Habitzreiter 22/08/2009 18:41:21

Quando lembro da quantidade de borboletas que tinha proximo da minha casa quando
vim morar em Joinville, o único sentimento é de tristeza e saudades. Sei que
as borboletas tem necessidades muito especiais e por isso estão desaparecendo.
Tenho muita saudade delas proximo de minha casa. Pois elas, sem dúvidas, são
uma das coisas mais lindas que Deus criou!Também estou com saudade de vocês,
Germano e Elza, qualquer dia eu e meu marido vamos fazer uma vizita para vocês.
Vocês são pessoas muito especiais, verdadeiros anjos que Deus colocou na
terra!
Viva a vida
Caroline Mazur 24/08/2009 21:48:42

Admirável!! Tenho como projeto de aprendizagem, junto com mais duas colegas, o
Tráfico de animais no litoral do Paraná, ver essa reportagem foi uma grande
inspiração. É preciso unir forças e acreditar que somos capazes de mudar
essa realidade. É hora de resgatar não apenas a natureza, mas tbem o natural,
e o natural do homem é amar a vida, independente qual seja, pequena ou grande,
a paz entre homem x homem e homem x natureza só cessará no momento em que o
ser humano, como mentor da terra, aprender a valorizar até o menor do seres e
amá-lo como igual. Parabéns pela iniciativa!
Viva a vida, viva o direito pela
vida!
Selvageria
Ênio Araújo Souza 28/08/2009 17:57:21

Nem parece que se trata de seres humanos. Fazem tudo pelo dinheiro... Espero
sinceramente que estes homens e mulheres que avacalham o ambiente possam viver
muito, o suficiente para terem oportunidade de reconhecerem seus erros e agirem
como verdadeiros humanos.

Germano, agradeço o envio da matéria. A luta por
uma Terra harmoniosa não pode parar... Abraços a todos. Ênio.
borboletas
gilson 31/08/2009 18:01:16

eu li algum temo traz, um livro sobre animas, e uma cientista foi interrogada
por um jornalista com a seguinte pergunta. A senhora diz que o golfinho e as
baleias são mais inteligentes que o ser humano, ela diz sim,reporte: se eles
são mais inteligentes, porque não dominaram o mundo? ela, porque são mais
inteligentes . muito inteligente esta resposta não.
Borboletas aquareladas
Eliana Tessitore 10/09/2009 09:27:50

Temos formas artísticas para reproduzir lindas borboletas,por exemplo, com um
pincel macio e
as cores básicas e um papel apropriado. Tudo natural, inclusive
o talento a ser desenvolvido!
Que pena aqui em Ituporanga sc acabaram com as bor
Luciene Barth ERRATH 13/11/2009 19:57:03

Nos anos 60 matavasse animais só para ver o tambo.Como dizia meu avô.Acredito
que nos dias atuais esses horrores não acontecem mais.Viver em harmonia com a
natureza é previlégio de poucos.
parabéns
vanessa barino 16/12/2009 05:16:34

parabéns pelo empenho e trabalho de vcs, sou estudanter de biologia e admiro
muito a luta de vcs!
a luta é nossa, de todos nós!
vamos lutar para
preservar nossos ecossistemas tão ricos e exuberantes :D

parabéns
novamente!
Borboletas
Mariane Cardoso de Castro 17/12/2009 07:53:39

Nem as borboletas eles estão perduando...
Ainda usa crianças para fazer esses
tipos de coisas.É o fim do mundo mesmo.
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