Matar árvores não é mais notícia PDF Imprimir E-mail
05/01/2009, 07:00
A mídia impressa americana deu sinais de fraqueza em 2008. Os problemas financeiros do New York Times, a concordata do grupo que controla o Chicago Tribune e o anúncio do fim da edição impressa do Christian Science Monitor são eventos marcantes deste fim de ano. A debilidade dos negócios nos EUA ajudou, mas, o que começamos a assistir, é o fim da mídia de papel. Com sinal trocado, no Brasil, a boa performance econômica e a ainda baixa penetração da internet fez a circulação de jornais impressos crescer. Mas em uma questão de anos devemos chegar ao mesmo ponto.

É natural que o fenômeno comece pelos jornais. Hoje, aquela maçaroca de papel, além de sujar a mão de tinta e ser desajeitado de ler, só trás notícias velhas. Chega depois da TV, do rádio e, na mídia escrita, da internet. Com freqüência, abro a porta de manhã e, ao ver as manchetes estendidas no chão, penso que entregaram o jornal de ontem. Se o jornal local fosse o New York Times ou o Washington Post já poderia desistir da assinatura. Todo o conteúdo dos mesmos já se encontra online e aberto ao público em geral. Como leio O Globo, ainda preciso pagar para ter acesso às matérias completas e colunas que não são de acesso livre. O New York Times também costumava cobrar pelo acesso integral. Mas percebeu que a edição impressa estava estagnada e abrir o conteúdo multiplicaria os leitores e a receita de publicidade online. Numa difícil decisão, preferiu canibalizar o produto velho e se atirar em direção ao novo. A opção ainda mais radical do Christian Science Monitor, um jornal de porte médio, foi passar a ter uma edição impressa semanal e todo o resto online. Parece um formato inteligente, já que as notícias diárias são descartáveis. As matérias especiais, que demandam tempo e calma para saborear a leitura, ficam muito mais interessantes no formato de revista, com qualidade de impressão superior e formato fácil de manusear.

Mas as revistas também começam a ser atingidas.  A tradicional revista de informática PC Magazine terá sua última edição impressa em janeiro de 2009. A partir daí, será inteiramente digital e distribuída por e-mail. Os editores ressaltam vantagens da nova forma, como ser portátil, interativa, atualizada continuamente, parecida visualmente com a edição impressa e, como se tudo isso não bastasse, verde. Quer dizer, não vai gastar mais papel para ser impressa, combustível (e fumaça) para ser distribuída e poupará trabalho humano de entrega, mecânico e desinteressante. Bem, os saudosistas ainda podem imprimir em casa.

Vocês já imaginaram quantas árvores seriam poupadas se nós parássemos de imprimir jornais e revistas? Quanta área, hoje plantada com eucalipto, poderia ser reconvertida a florestas de árvores nativas? O mundo consome cerca de 300 milhões de toneladas de papel por ano. A imprensa usa 13% (39 milhões de toneladas) e a categoria material para escrever e impressão outros 30%. Ou seja, em um mundo onde a informação fosse toda eletrônica seria possível economizar 43% do consumo de papel. Como uma tonelada de papel para impressão custa no mínimo 12 árvores, sem mídia impressa seria possível poupar pelo menos 468 milhões de árvores por ano (39 milhões x 12). É um bocado de árvore. Olhando esses números, a expressão dead tree media (mídia de árvore morta) ganha outro peso.

A boa notícia é a queda de 6% do consumo per capita de papel nos países ricos, entre 2000 e 2005. Mas a maior força do atraso diz respeito a uma característica das pessoas: a escravidão ao hábito. Aprendi muito escrevendo para O Eco que, coerente com o seu conteúdo, já nasceu devidamente online. Há quatro anos, quando comecei a escrever essa coluna, me impressionou ver o trabalho dos jovens jornalistas contratados. Eles não imprimiam nada, algo impossível para mim. Passado esse tempo, me gabo por imprimir pouco. Com o Snagit, guardo recibos de pagamentos online no PC e os encontro facilmente no disco rígido usando o Google desktop. Anoto documentos em formato PDF com o Acrobat, leio jornais online e praticamente não imprimo fotografias. Aos poucos, estou conseguindo aposentar a minha impressora e as da imprensa também.

Aliás, é cada vez mais comum ver usuários de computador que não têm impressora. Para não correr o risco de perder tudo numa pane, uso o Mozy, um serviço de backup online que é uma barganha, custa dez reais por mês, funciona automaticamente e não tem limite de armazenamento.

Assim, aproveito para desejar um Ano Novo com muita qualidade de vida. E sem papel.
Comentários
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Cláudio Tulio Jorge Padua 05/01/2009 11:56:28

"Quanta área, hoje plantada com eucalipto, poderia ser reconvertida a
florestas de árvores nativas?"

Tem jeito de explicar como? Você
realmente crê que o produtor rural vai converter uma área produtiva para mata
nativa se diminuir o consumo de papel no mundo? Vai é por boi que é muito
pior....

O eucalipto é a melhor opção de uso alternativo de solo no
Brasil, bem melhor silvicultura do que brachiária ou grãos, pode ter
certeza.

Leia o artigo da Maria Tereza Padua: "Paisagem um pouco mais
florestal"
A vida por um fio. Desmatamento, ocupações irregul
André Luiz Monteiro 15/01/2009 08:28:51

Solucionar de forma eficiente a destinação final do lixo e fazer o tratamento
de esgoto para reduzir a poluição das bacias hidrográficas já deixaram de
ser metas importantes para administrações públicas: agora, elas são
prioritárias.
Mas, infelizmente, não são apenas estes problemas que pertubam
as cidades de modo geral. Enquanto são criados projetos, obtidos recursos e
implementadas ações para solucionar as questões de saneamento básico, outro
problema dasafia o poder público: as invasões de terra.
Atraídas pelo sonho
de uma vida melhor, famílias inteiras ocupam encostas de morros, entornos de
rios e nascentes, causando a devastação de matas e despejando o esgoto e o
lixo nos corpos d'água. A maioria das cidades enfrentam esta situação. O meio
ambiente sofre ainda com a emissão de poluentes e o desmatamento que agravam o
efeito estufa. O planeta pede socorro.
Obrigado pela oportunidade.
Sua excelência Sra. Árvore
João José de Carvalho 19/10/2009 13:11:37

Com inúmeros problemas vivenciados pelos seres humanos no mundo, sejam a crise
financeira mundial, guerras, xenofobia, conflitos religiosos, terrorismo e
principalmente a fome que assola os países pobres (mais de 1 bilhão), surge a
figura de "sua excelência a Sra. Árvore. Há poucos anos um casal de
candangos pobres, residente na periferia de Brasília, foi preso por
simplesmente terem colhido algumas lascas de casca de uma árvore, para, no seu
íntimo instinto e costumeiro folclore, fazer um chá curativo. Permaneceram no
cárcere. Causaram lesão "corporal" à Sra. Árvore. Se bem que quem
comete as ações tipificadas no art. 129 do Código Penal Brasileiro(lesão
corporal em "humanos"), jamais irá para o cárcere, respondendo apenas
ao Juizado Especial Criminal, pagando, também no máximo, umas duas cestas
básicas como punição.
Ou seja, arrancar algumas cascas secas de árvore dá
cadeia; arrancar a pele de um ser humano, dá, para o infrator, dar cestas
básicas. Incrível.
Essa ironia se faz necessária para servir de alerta, para
demonstrar que o radicalismo humano sempre estará a espreita de um motivo novo
que lhe dê guarida sobre as suas idéias. São os comunistas seguindo as
idéias de Marx, ou de Lenin ou de Fidel; são os islâmicos radicais seguindo
idéias controversas do Alcorão. Também acredito no radicalismo de uma
instituição rica e poderosa chamada "green peace", muito bem
denominada "paz verde", que não mede esforços para combater nós, os
seres humanos.
Gosto de árvores e tenho muitas em meu quintal, mas daí a
tratá-las como excelência superior a nós, já é demais. Para mim, se uma
árvore está trazendo transtornos, suas raízes estão colocando em risco a sua
vida, o seu conforto, corte-a. É só uma árvore. E não conseguiríamos viver
sem o papel. Demagogia barata de ditos "defensores da natureza". Que tal
substituirmos o papel pelo plástico? Ótima idéia, não destruiríamos
árvores e em troca teríamos um produto preservado por centenas de milhares de
anos (no caso o próprio plástico que não degrada com o tempo).
uma opinião...
João Matos- Vila do Conde - Po 20/10/2009 08:05:52

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...
Concordo com a ideia de reduzir o
consumo de papel. Melhor até: acabar com o seu consumo excessivo.
Haverá, no
entanto, que lembrar que o facto de usarmos tanto papel leva à plantação de
mais árvores que, ainda que com a finalidade única de produzir papel, terão
um "papel" importante na absorção de dióxido de carbono...
Tudo o
que seja reduzir, reutilizar, reciclar é bom e faça-se isso também com o
papel, mas, antes de acabar com as cartas, os livros e os jornais, saibamos
organizar melhor as nossas vidas, de forma a usarmos menos os automóveis e a
electricidade... É mais agressivo para o ambiente abrir um livro ou ter o
com****dor ligado todo o dia? (enquanto escrevi isto quanto CO2 não terei gasto
a queimar electricidade?). Um bem-haja a todos os que acreditam e fazem por
salvar o nosso planeta.
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