Santa Catarina às avessas
12 Mai 2009, 07:30
Santa Catarina não anda mesmo bem das pernas quando o assunto é preservação da natureza. Depois de um Código Ambiental que permite o desmatamento indiscrimado de matas que margeiam rios e afins e do compasso de espera em que se encontram unidades de conservação federais com araucárias naquele estado, agora se registra a derrubada de árvores no município de Santa Terezinha.  

De acordo com a não-governamental Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida), a área conhecida como Fazenda Parolim sofre com a devastação acelerada há cerca de três anos e abriga algumas espécies de árvoes centenárias, nobres e ameaçadas de desaparecimento. Entre elas, araucária, imbuia, canela-preta e canela-sassafrás. O mais grave, no entanto, é que a grilagem de terras e o comércio ilegal de madeira ocorrem dentro da zona proposta para a criação do Refúgio de Vida Silvestre do Rio da Prata.  

A história data de longo tempo e é um retrato das disputas políticas que tomam conta da agenda ambiental do país. Os estudos para a criação da unidade de conservação foram realizados em 2006, depois de um acordo judicial firmado no ano anterior entre Ibama, Incra e Ministério Público Federal. Em seguida, foram realizadas audiências públicas nos municípios de Vitor Meirelles e Santa Terezinha, nas quais a sociedade se mostrou amplamente favorável à proteção da área.

Há mais de dois anos, no entanto, o processo de criação do refúgio se encontra parado nos escaninhos da Casa Civil. Enquanto o governo não se decide, o ecossistema sofre. Segundo moradores locais, toda noite cerca de dez caminhões recheados de toras saem de Parolim, enquanto as sobras de madeiras são enviadas para os fornos de carvão.

Caso o desmatamento continue neste ritmo, é possível que todo o remanescente de Mata Atlântica da região seja extinto em menos de um ano.  

Na última semana, a Apremavi enviou uma carta ao presidente Lula, ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. No texto, informa sobre a rotina de desmatamento da região, pede uma ação de fiscalização urgente no local e a criação definitiva da unidade de conservação.
Comentários
Adicionar RSS
MAIS UM ASSENTAMENTO INCRA-SC/APREMAVI
Leonardo Gadzinski 13/05/2009 01:36:27

É profundamente lamentável que esta ONG que se diz “ambientalista” esteja
tramando com o INCRA-SC realizar mais um assentamento nesta área preservada. A
divulgação desta nota é extremamente preocupante. Faz parte da mesma
estratégia de enganar a sociedade com o tal assentamento “ecológico”
realizado na área vizinha, Serra da Abelha, convênio INCRA-SC/APREMAVI, cujos
assentados estão devastando tudo e a justiça federal foi obrigada a pedir
intervenção do IBAMA para tentar salvar a área.

O furto de madeira ocorre em
toda a parte, mas não da forma exagerada como a APREMAVI informou. Certamente
está se forjando argumentos para o INCRA fazer a desapropriação da área como
nos casos anteriores de implantação de assentamentos em áreas preservadas,
onde foram usadas justificativas do tipo: “a área já estava sendo invadida
mesmo, estavam furtando madeira...”.

Se os pátios das serrarias estão
lotados de madeira deve ser do assentamento “ecológico” já existente
naquela área resultante da parceira INCRA/APREMAVI há nove anos atrás.


ganharam cargos dos políticos no Ministério do Meio Ambiente por ajudar o
INCRA a cumprir a metas de assentamentos usando as áreas preservadas, o que
querem mais?

Parem de “ajudar” tanto assim a natureza! Deixem pelo menos
mata do Parolin em paz! Se querem ajudar a natureza, salvem o que sobrou da
Serra da Abelha. O furto de algumas árvores da borda é menos mau do que o
desmatamento raso dos assentados. Tenham piedade das gerações futuras, do
pouco que resta da nossa biodiversidade! E parem também de promover a
contaminação biológica nas matas preservadas com uvas japonesas e árvores
nativas domesticadas em viveiros.

Querem ganhar dinheiro? Montem uma empresa
como todo mundo faz.

JORNAL A NOTÍCIA (SC),
19/02/2000
http://www1.an.com.br/2000/fev/19/0ger. htm

Assentamento ecológico
começa a se concretizar
Florianópolis - O projeto que está moldando o
primeiro assentamento com características ecológicas do Sul do Brasil começa
a ganhar fôlego. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra), que desapropriou para fins de reforma agrária em 1986 a Fazenda Rio da
Prata, no Vale do Itajaí, está em sintonia com os órgãos ambientais que
conquistaram, em 1990, a transformação do local de 4,2 mil hectares em unidade
de conservação.

A fazenda foi batizada então de Serra da Abelha e por
decreto federal tornou-se Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), por
ser a maior área da região do Vale abrigando floresta de transição entre a
Ombrófila Densa (canelas e palmitos típicos do litoral) e Ombrófila Mista
(pinheiros). Ontem ambientalistas e Incra realizaram na sede do instituto, em
Florianópolis, a primeira reunião para planejar a permanência de 42 famílias
na Serra da Abelha com alternativas de sobrevivência aliadas à preservação e
recuperação das florestas.

É uma parceria inédita, já que a entidade
responsável pelo certificado de Arie, a Associação de Preservação do Meio
Ambiente do Alto Vale do Itajaí (Apremavi), só mantinha conflitos com o Incra
por conta da ocupação de áreas verdes. O instituto também está realizando
assentamentos combinando interesses sociais e ambientais pela primeira vez no
Estado. "É um projeto piloto, que será submetido à aprovação da
direção nacional", lembra o engenheiro agrônomo Adroaldo Bottam,
responsável pela vistoria e avaliação da propriedade desde 1985.

Membros da
Apremavi já iniciaram cursos de capacitação aos moradores da Serra da Abelha,
para ensinar a exploração adequada da área - palmito e erva-mate podem ser
extraídos, desde que obedecendo critérios -, e planejam para o futuro o
turismo ecológico. "Este será o grande filão", acredita a presidente
da entidade, Miriam Prochnow, lembrando que o assentamento será diferenciado
dos mais de 100 já organizados em Santa Catarina. Entre os cuidados, a
limitação de ocupação humana. Enquanto nos modelos atuais de assentamentos
são destinados 25 hectares para cada família, na Serra da Abelha serão 100 ha
por unidade familiar.


JORNAL A NOTÍCIA (SC),
29/06/2005
http://www1.an.com.br/2005/jun/29/0ger. htm

Serra da
Abelha será
vistoriada
Florianópolis - A Justiça Federal determinou ao Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) que realize vistorias mensais na Área de
Relevante Interesse Ecológico (Arie) da Serra da Abelha, em Vítor Meireles,
com o objetivo de prevenir a degradação do local. A decisão é do juiz da
Vara Federal de Rio do Sul, Gilson Jacobsen, e foi proferida sexta-feira em
ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) contra a União, o
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Ibama e 35
famílias residentes no assentamento Santa Cruz dos Pinhais, localizado no
perímetro da Arie da Serra da Abelha.
Na mesma decisão, o juiz negou ao MPF o
pedido de tutela antecipada para que o Incra fosse obrigado a transferir todas
as famílias para novo assentamento, no prazo de seis meses. Jacobsen considerou
"mais razoável e prudente ouvir e estabelecer o contraditório também com
os assentados" e, oportunamente, designar eventual perícia ou proceder a
eventual inspeção judicial no local.
De acordo com o MPF, a Arie da Serra da
Abelha, por conter madeiras nobres, "sempre foi alvo de conflitos, invasões
de madeireiros, caça e também alguns incêndios criminosos".
ONGs, algumas, chaleiras de dois bicos.
marli moraes 13/05/2009 15:46:58

Nao tem que assentar ninguem em lugar mais nenhum, o descontrole demográfico
já causou estragos suficientes e durante muitos anos a Natureza vai ralar prá
recuperar, temos sim que encarar a necessidade urgente de controle da natalidade
da espécie humana; quem quiser plantar que pegue uma área de seca, recuperar
terras do sertão ninguem quer.
O que mais atrapalha nessea luta incansável da
preservação é dormir com o inimigo, é ter dentro das próprias fileiras os
espiões, os farsantes, ongs meio barro, meio tijolo, é triste isso, por isso
sou ultra-radical e quem quiser me chamar de eco-terrorista, vai acertar em
cheio.
Fernando 13/05/2009 16:19:58

SC precisa de Ucs de proteção integral e urgentes!!!
Parceria com incra só
da certo uma em 1.000.000 e olhe lá.
Escrever comentário

Comentários são moderados e aceitos sempre
que não trouxerem termos abusivos ou ofensivos.


Nome:
Email:
 
Título: