Não bastando o Brasil ser líder mundial em consumo de agrotóxicos e contaminar os alimentos que chegam diariamente à mesa da população, agora planeja-se envenenar as águas. Na pauta do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), figura uma proposta para regular pesquisa, registro, venda e uso de agrotóxicos e produtos semelhantes em ambientes aquáticos. Uma versão prévia de resolução pode ser conferida aqui. Mas afinal, por que jogar venenos na água? Essa é a saída pensada por governistas para conter a proliferação de cracas, mexilhões-dourados, algas e outras plantas em reservatórios para abastecimento público e geração de energia. Afinal, quando os problemas são empurrados com a barriga, eles crescem e surgem soluções drásticas para os mesmos.
Para o professor Marcelo Pompêo, do Departamento de Ecologia da USP, deveriam ser avaliadas antes opções menos agressivas à natureza, deixando os agrotóxicos como última alternativa e impedindo seu uso, pelo menos, em mananciais voltados ao abastecimento público. “Há alternativas antes do uso de venenos, como a coleta manual ou mecânica (de organismos que se proliferam em reservatórios) e programas eficientes de monitoramento, baseados no conhecimento dos usos e da dinâmica de ocupação das bacias hidrográficas”, disse.
Leia também
Borboletas e formigas: um ensaio sobre jardins e ciclos
A vida em comunidade envolve relações de cuidado, mas também conflitos, riscos e ambiguidades. A cooperação é fundamental, mas não significa harmonia perfeita. E, essa lógica não é exclusiva para o mundo dos insetos →
A esperada queda da SELIC e o maior ativo do século XXI
Nos territórios, onde as veias seguem abertas e pulsam o sangue e a alma das cidades e de seus habitantes, milhares de pessoas sofrem os efeitos das decisões sobre investimentos →
Funbio lança chamada para expansão de unidades de conservação municipais
Entidade convida instituições a apresentarem projetos para Unidades de Conservação (UCs) nos biomas Caatinga, Pampa e Pantanal; inscrições vão até 30 de março →



