Para tentar conter o auê criado em torno do anúncio do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na última terça (27), de que o governo faria um corte preventivo de 79% no orçamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), seu colega Minc teve de rebolar. A O Eco, sua assessoria disse que técnicos refizeram o cálculo nos últimos dois dias e concluíram que o corte será de 10%. A redução, ainda segundo a assessoria, virá da “recomposição de grande parte das emendas parlamentares” que devem ser definidas até março, quando o corte preventivo será reavaliado pelo governo.
Se os números oficiais forem mantidos, o orçamento da pasta do Meio Ambiente passará de 892 milhões de reais para apenas 187 milhões. Já o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estará preservado, mesmo que a queda na arrecadação de impostos despenque e o crescimento econômico seja ainda menor que o previsto, os supostos motivos para o corte.
Para o diretor de Política Ambiental da Conservation Internacional, Paulo Prado, mesmo que o corte seja de 10%, como assegurou Minc, ele já é um absurdo. “O orçamento [do Ministério do Meio Ambiente] já é absurdo, o corte ainda mais. Ele também é um contrassenso, já que o país vinha se mostrando alinhado com a política de conservação das florestas para redução do clima. O governo deveria cortar na propaganda ou em outras áreas, menos no meio ambiente”, diz. Segundo Prado, primeiramente deverão ser afetadas as atividades do Instituto Chico Mendes. “A área de fiscalização politicamente tem muita visibilidade”.
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