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Antes do fim PDF Imprimir E-mail
Cristiane Prizibisczki   
19/12/2009, 13:21
Não bastaram os dois anos de consultas, depois de decidido o caminho que teria de ser trilhado, na COP-13, e as duas semanas de negociações intensas. O Acordo de Copenhague foi fechado mesmo nos últimos minutos do segundo tempo da COP-15. As horas que antecederam o fim da Conferência foram marcadas por muita ansiedade e expectativa. A todo momento aparecia uma nova versão do documento final, cada vez menor e mais fraca do que redação que a precedia. Tensão, dúvida, apreensão e esperança marcaram as horas finais 15ª Conferência do Clima da ONU.

Grande parte dos presidentes e líderes de estado de nações cruciais para as negociações só chegaram na quinta-feira. Lula foi um deles. Neste dia, enquanto os discursos se sucediam, os governantes, em conversas paralelas, tentavam destravar os pontos em conflito. Nicolas Sarkoky (França), Ângela Markel (Alemanha), José Zapatero (Espanha) e Felipe Calderon (México) estavam entre eles. Faltou Obama, que deixou para a última hora sua visita.

Na noite de quinta, antevendo um possível fracasso, os líderes de governo aproveitaram o jantar oferecido pela rainha da Dinamarca, Margarete II, para organizar uma reunião emergencial que não estava no script. Por volta da meia noite de quinta, os líderes deixaram de lado o protocolo e ficaram debruçados sobre a mesa até às 2h da madrugada, tentando costurar um acordo.  A reunião noturna foi convocada pelos presidentes Lula e Sarkozy, e chefiada pelo primeiro ministro britânico Gordon Brown.


Lumumba, presidente do G77+China: avisou aos jornalistas que não ia ter acordo (foto:Gustavo Faleiros)

As 24 horas finais

A sexta-feira amanheceu com um sentimento de esperança pairando sobre o Bella Certer. Naquele momento, negociadores, jornalistas e nem mesmo os próprios líderes poderiam antever o longo dia que viria pela frente. Barack Obama chegou por volta das 9h causando furor na mídia e fechando estações de metrô. Todos esperavam por ele, peça chave nas negociações. A arquitetura montada em quase duas semanas havia ruído e o único documento que existia sobre a mesa era um rascunho negociado na noite anterior por alguns chefes de estado.

Foi neste contexto que os líderes fizeram seus discursos oficiais. Obama decepcionou quem esperava uma posição mais contundente do presidente americano. Hugo Chávez, que falou depois dele, reclamou por ele ter saído pela porta de trás. Lula relembrou os tempos de negociação durante sua vida sindical e arrancou aplausos da platéia de alto nível por várias vezes. Disse que nunca esperava encontrar a situação daquele jeito. Os líderes estavam com medo de que o encontro fosse lembrado como o maior fiasco da história da diplomacia. Até a fotografia oficial, com todos os líderes, foi cancelada.

Naquele momento, dois nós ainda travavam as negociações: metas de redução de emissões e dinheiro. Apesar de inúmeras nações terem anunciado suas metas, quase nenhuma as havia colocado sobre a mesa. Nenhum país desenvolvido, pelo menos. Os emergentes, por sua vez, pediam mais dinheiro dos desenvolvidos para poderem se adaptar e mitigar os impactos das mudanças climáticas. Um fundo internacional de curto prazo, com 30 bilhões de dólares em 2012, e um de longo prazo, com 100 bilhões em 2050, eram as únicas coisas que se tinha até o momento. Os não desenvolvidos queriam mais, mas nem a adesão de emergentes, como o Brasil, que se dispôs a alimentar o fundo com 5 bilhões, fez com que os ricos tirassem as mãos do bolso.

Diante de um iminente fracasso, por volta das 15h da sexta, China convocou uma nova reunião com Brasil, África do Sul e Índia para tentar chegar a um acordo sobre os pontos em discordância. Ao chamado BASIC (sigla formada pelas iniciais dos países participantes do encontro), reuniu-se Obama, depois de cerca de uma hora do início da reunião.  Após esse momento, o que já era confuso na COP-15 ficou ainda mais. Coletivas de imprensa foram canceladas uma atrás da outra, jornalistas corriam para todo lado em busca de fontes que pudessem lhes dizer o que estava acontecendo e falta de informação generalizada aumentavam o grau de tensão.

Ao final de quatro horas, a reunião do BASIC + EUA terminou e vários líderes já anunciavam que havia acordo, esquecendo-se de que o documento deveria ser aprovado em plenária e que, pelas regras da ONU, se apenas uma nação se opusesse, ele seria rechaçado. A Conferência ainda não havia chegado ao final, mas o que se viu foi uma debandada geral de líderes – entre eles Obama e Lula, que levaram consigo seus principais negociadores – e uma seqüências de informações equivocadas. Obama e Gordon Brown chegaram a anunciar em entrevista que o acordo havia sido fechado, o que acabou por irritar ainda mais certas nações da América Latina, África, Ásia e países insulares. O tal acordo estava muito aquém do que eles exigiam.

Começo do fim

Todos aguardavam a plenária final, quando os demais países diriam se aceitavam ou não o acordo costurado pelo BASIC+EUA, ou uma declaração formal da ONU.  Às 0h15 minutos do sábado, o embaixador sudanês Lumumba Stanislaw Di-Aping, em nome do grupo dos países em desenvolvimento (G77+China), deu o primeiro esclarecimento oficial do último dia de negociações em Copenhague. Ele chamou os jornalistas para dizer que não haveria acordo na COP15. Segundo Lumumba, os únicos que aceitaram o fraco e decepcionante texto que se definiu após a passagem de Barack Obama por Copenhague, foram os Estados Unidos e a União Européia.

 “Não aceitamos um acordo que não seja moralmente justo. O que há de mais importante a dizer é que essa proposta vai resultar na devastação da África e dos países insulares, que são os mais vulneráveis”, explicou. “Esse acordo é o mesmo que nada. Firma os níveis mais baixos de compromissos. Os países pobres vão ficar mais pobres para sempre. O acordo que o mundo desejava em Copenhague não saiu, mas não foi porque não havia dinheiro, foi porque os países industrializados decidiram não ajudar, quando são eles os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas que vivemos agora”, disse o embaixador sudanês.

Outras manifestações de frustração e descontentamento apareceram por todos os lados. Logo no início da sessão plenária derradeira, que começou às 2h30, Tuvalu, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Venezuela se posicionaram contra o documento. A reunião se estendeu até o início da manhã de sábado. Por volta de 8h, o veredicto final: um acordo fraco, rejeitado por cinco delegações e sem qualquer força legal. Terminava, assim, a tão esperada COP-15. Todos, cansados, podiam voltar para casa. (Colaborou Andreia Fanzeres)

Comentários
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Eco-Geopolítica
Antonio Lisboa 21/12/2009 15:46:53

É.. parece que finalmente vamos acordar do transe... ou nao? Salvar o planeta
não é uma questão de boas intenções e revoluções individuais de padrão
de consumo e blablabla... Salvar o planeta é uma questão POLÍTICA. E vai se
travar, cada vez mais, num palco geopolítico onde os personagens vão se
tornando cada vez mais claros. Os países ricos são governados por forças
sinistras (muitas vzs vestidas de "verde"), imperialistas, que querem
manter o domínio global através da mentira, das guerras, do petróleo, da
miséria e da destrição dos valores sociais e humanos. Do outro lado, líderes
comprometidos com a humanidade como Chávez, Evo e outros são silenciados pela
grande mídia capetalista que difunde a alienação, o egocentrismo e o
individualismo. Lula poderia fazer toda a diferença nesse jogo se assumisse de
vez o papel de líder do bloco do Sul, mas só encena...
NÓS LEIGOS AMBIENTAIS...
Tadeu Santos 22/12/2009 08:24:14

Copenhague, uma equação sem resposta. Um ecocídio? artigo de Carol
Salsa
admin
aquecimento global, CO2, Convenção do Clima, mudanças
climáticas
* * Envie este texto por Email **



Polícia dinamarquesa
prende mais 200 ativistas em Copenhague, 12/12/2009

[EcoDebate] Deter o caos
climático que nos afeta tem sido uma missão impossível para muitos. Burlaram
o Protocolo de Kyoto e suas metas. Cento e vinte líderes mundiais acompanhados
de suas respectivas comitivas foram incapazes de carimbar suas presenças e,
junto a elas, aliar resultados de políticas amigáveis ao meio ambiente, numa
das mais importantes Conferências Mundiais do Clima: a COP-15. Líderes
mundiais deixaram Copenhague com o sabor amargo do fracasso e provocaram o
ecocídio. Esta palavra significa um conjunto de ações realizadas com a
intenção de perturbar ou destruir, em todo ou em parte, o ecossistema humano.
Pode ainda estender-se analiticamente para descrever os modelos destrutivos
(insustentáveis) contemporâneos, bem como a degradação ambiental global e a
extinção antropogênica em massa das espécies.

Para o primeiro termo da
equação Copenhague X = ……………….(não se encontrou o segundo termo
seja ele um acordo, uma ordem, uma declaração ou, ainda, um desastre). Se
tivéssemos de optar, talvez escolhêssemos o último, baseado em números
conhecidos pelos que mais poluem o planeta. Conclusão: uma negociação falida
e uma decepção geral de todos que esperavam o milagre da salvação do
planeta. A COP-15, numa defasagem de 12 meses, deixará para a COP 16 o acordo
que faltou assinar em Copenhague com metas, responsabilidades que deveriam ser
desde já assumidas em tempo de desastres naturais ou de desastres induzidos
pelo homem. A solução virá do México, em 2010?

Os acusados de não terem
fechado o acordo deixaram sua expressões faciais em fotos estampadas na mídia
e na retina das pessoas. O que se esperava era que o altruísmo, a
sensibilidade, a tolerância e a fraternidade cedessem lugar à prepotência de
alguns. O último que saiu não apagou a luz. A fatura poderá ser cobrada com
juros e correção monetária num futuro próximo justo por quem se nega a
pagá-la. Ludicamente falando, quem parte, reparte e leva a maior parte também
deverá pagar a maior conta (parcela), já que emite maior quantidade de gases
de efeito estufa em relação aos demais. É preciso ter em mente que as
perspectivas para 2050, quando o nível dos oceanos subir significativamente, as
cidades litorâneas submergirão à invasão das águas. Nova York não sairá
ilesa. Não valeria a pena pensar que o pior , em maior ou menor grau, atingirá
a todos?

Qual o tempo necessário para alcançarmos a maturidade política
para ações urgentes como as mudanças climáticas?

Será que a memória
coletiva de tantas civilizações passadas não aguçou formas estratégicas dos
seres humanos resolverem uma crise mundial, seja ela política, social,
econômica ou ambiental?

Nem só de pão vive o homem, mas de toda grandeza
que emana de seu ser.
Concordar, ceder, dialogar, convencer, deixaram de ser
atributos dos governantes que agora se isolam em grupos como se o planeta fosse
segmentado geograficamente em porções com países de mesma visão política ou
de uma visão eventualmente corrompida que cede lugar para “agradar” a
terceiros. A divisão é, insofismavelmente, entre ricos e pobres.


A Sereia
de Copenhague – Enrique Riezu. Foto DW

A lenda passada de geração a
geração de que a Sereia, símbolo da cidade de Copenhague enfeitiçava os
homens do mar, desta vez, não conseguiu passar à história como a salvadora do
clima. Com um acordo mínimo intitulado Copenhague X, morrem as últimas
esperanças de poder conseguir um grande acordo mundial de mudanças
climáticas. Lamentável oportunidade
perdida.

Fonte:

http://pimentanegra.blogspot
.com/2006/01/ecocidio.html

http://www.ecoblog.c
om/post/2905/copenhagen-X-una-ecuacion-sin-resolve r

EcoDebate,
19/12/2009

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Sobre o mesmo tema leiam, também:
Apesar do
fracasso, COP 15 incluiu questão climática na agenda política
COP 15: ‘Uma
ocasião desperdiçada. Esse pacto nasce velho’. Entrevista com Jeremy
Rifkin
COP 15: Yvo de Boer, secretário da Convenção do Clima, diz que é
preciso trabalhar para tornar real carta de intenções
COP 15: Copenhague
resultou apenas em ‘carta de intenções’
COP 15: Acordo pífio definido em
Copenhague enfurece ambientalistas de todo o mundo
COP 15: Tímido ‘acordo’
final traz à tona falhas da ONU
COP 16: Depois de Copenhague, México é
próxima parada na negociação da ONU sobre clima
COP 15: Lula sobe tom e faz
discurso crítico em Copenhague
COP 15: Promessas de redução de emissões
estão aquém das necessidades mínimas
COP-15: É quando a mudança significa
‘frear o cre$cimento econômico’ que o ânimo de proteger a natureza cai de
vez… artigo de Nelson Tembra

Sem comentários

Tadeu Santos
said:22/12/2009NÓS LEIGOS AMBIENTAIS…

Infelizmente o contundente discurso
do Lula lá na COP não corresponde a prática aqui no Brasil, já que antes de
viajar deixou o BNDES emprestar um Bilhão de R$ ao estrategista Eike Batista,
dono absoluto da MPX para construir uma térmica a carvão no Maranhão (e
construirá outras no Ceará e Pará) e assinou com a Dilma e o Tolmasquim
procedimentos para apoiar mais térmicas em SC e no RS. Uma atitude totalmente
inversa a vanguarda assumida em Copenhagen, portanto na contramão da história.
Não dá pra entender!
O nosso Presidente empolgaria muito mais se tivesse
proposto um acordo vinculante mais ousado que o de Kyoto, que foi bom, mas não
é mais, pois tornou-se mercantilista e paliativo. Paliativo porque não reduz
as emissões de gases efeito estufa, nem os da silenciosa e maléfica chuva
ácida, nem a imensa quantidade de calor evaporado, além de toda a brutal
agressão aos recursos naturais na exploração do minério.
Nós leigos
entendemos que uma conferência deveria antes de tudo ser abrangente e
democrática, oportunizando todas as tendências e correntes da ciência,
juntamente com os atingidos/testemunhos, num debate amplo sobre o aquecimento
global. Entendemos também que deveria haver uma identificação das várias
formas de emissões, classificá-las e encontrar os procedimentos mais adequados
de como reduzi-las sem causar falência a nenhum setor, porém é preciso
sacrifício por parte do poluidor. Enquanto não houver recuo do lucro de nada
adiantará discutir entre as partes, partes todas comprometidas com o poder
econômico. A ONU não deveria reformular a COP? Torná-la mais
socioambiental?
O que vimos nesta COP 15 foi uma imposição do poder
econômico que polui o planeta, agindo por trás dos governantes, com o discurso
de que os mesmos não podem reduzir as emissões porque geram divisas e
empregos. Enquanto que ao mesmo tempo os governantes priorizavam a quantidade de
dólares que iriam botar em cima da mesa, mesa que apontava dados sobre o
desequilíbrio do clima na Terra. Estão distorcendo tudo. Dos 700 brasileiros
que foram à Dinamarca, por exemplo, apenas 10% entendiam do que tratava a
conferência, o resto foi fazer turismo e campanha eleitoral.
Quando se fala em
mudanças climáticas no Brasil logo se pensa no criminoso desmatamento na
Amazônia, enquanto que o mundo inteiro pensa na redução da queima de
combustíveis fósseis e na combustão provocada pela imensa frota de veículos,
por exemplo. Priorizar o combate apenas as queimadas não é eficientemente
correto. Já manifestamos nossa indignação que o meio ambiente no Brasil não
é só a Amazônia, outros biomas como a Mata Atlântica, Pantanal, Pampa,
Cerrado e a Caatinga também precisam de atenção da União.
Criaram o FBMC
apenas para a comunidade científica pensar as mudanças climáticas, pois não
ouvem as populações afetadas. O PNMC só se aproveita a metade, o resto é
bobagem. Enquanto que no sul do país estão acontecendo as tragédias do clima
com uma freqüência e intensidade assustadora, como por exemplo o município de
Araranguá – epicentro do furacão Catarina e reconhecido pelas suas
catastróficas enchentes desde 1974, passou a registrar tormentas, vendavais,
chuvas de granizo gigante, estiagens, ciclones extratropicais e tornados, ou
seja, as comunidades desprotegidas ou que vivem em área de risco já estão
vivendo uma nova concepção de vida, entrando em estado de pânico sempre que
surge um vento repentino, uma nuvem mais escura ou trovoadas seguidas. O
cenário da região sul de SC e RS já pode ser considerado estado de
emergência climática.
Estudos mais profundos além da ciência da
meteorologia como a geofísica, oceanografia, sociologia e ou qualquer outra que
esclareça a população que quer respostas para melhor se prevenir e se
adaptar.
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