Afinal, quanto carbono uma árvore sequestra? PDF Imprimir E-mail
Jeanicolau Simone de Lacerda*   
01/12/2009, 16:04
A internet está cheia de calculadoras para identificar quantas árvores precisamos plantar para compensar nossas emissões de gás carbônico e, com isso, reduzir nossa parcela de culpa pelo efeito estufa. O problema é que, por trás de cada uma dessas calculadoras, metodologias e referências distintas fazem com que os resultados variem bastante. Afinal, uma muda de jequitibá cresce de forma e com velocidade completamente distinta de uma muda de picea (espécie de clima frio) plantada na Rússia.

Diante dessa dúvida, fomos a campo para verificar com quanto contribuímos para fixação de carbono a partir do plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. O trabalho, publicado agora pela revista Metrvm, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP), avalia os modelos de biomassa florestal e o teor de carbono de espécies nativas amplamente utilizadas em áreas de restauração florestal no Estado de São Paulo.

O modelo gerado estima o carbono fixado pelas árvores num horizonte de 20 anos, tendo como variável dependente o diâmetro das árvores. Ou seja, agora, para povoamentos de Mata Atlântica semelhantes aos medidos, pode-se estimar o teor de carbono fixado pelas árvores a partir de uma simples medição de diâmetro delas. Porém, para que o modelo apresente uma confiabilidade maior, será necessário que sejam feitas remedições bianuais, nas mesmas árvores, para que o modelo seja constantemente ajustado e seu grau de confiabilidade vá aumentado com o tempo.

Na etapa do projeto já desenvolvida, além da coleta de amostras para análises laboratoriais, de carbono e densidade básica, foram também medidos outros elementos, como o diâmetros e o comprimento do tronco das árvores, e o peso da madeira e das folhas. Foram avaliadas áreas de quatro reflorestamentos distintos implantados entre 2000 e 2005 no estado de São Paulo.

Os resultados mostram que há grande variação no crescimento das florestas plantadas com essências nativas. Além de aspectos de clima e solo locais, essas diferenças se devem aos tratos culturais recebidos pelas plantas e à qualidade das mudas plantadas.

O material genético também faz diferença, visto que, em cada região, os plantios foram executados por diferentes instituições. Não obstante, cada região tem uma idade de plantio distinta da outra, o que acaba impossibilitando a definição de uma curva de crescimento comum.

Os cálculos resultaram numa estimativa média de 249,60 quilogramas de CO2 equivalente fixados, até o vigésimo ano, pelas árvores amostradas. Porém, dadas todas as restrições da pesquisa, aliadas ao fato de a curva de crescimento das árvores provavelmente não ser linear, concluiu-se que esse indicador poderia estar superestimado. Para que pudesse ser feito um cálculo mais exato seria necessário acompanhar a curva de crescimento das árvores por mais tempo. Como indicado acima, esse acompanhamento já está previsto na continuidade da pesquisa.

O problema é que a demanda por um índice de compensação de CO2-equivalente é imediata, sendo necessário agora um número para balizar as conversões feitas no Brasil.

Assim, com uma atitude conservadora, foram adotados os resultados identificados na pior amostra observada (na região de Valparaíso-SP), tendo sido projetada a captação de 140 kg CO2-equivalente por árvore aos 20 anos de idade. Desse modo, enquanto não dispusermos de uma curva de crescimento totalmente confiável, podemos trabalhar com o número de 7,14 árvores da Mata Atlântica para compensar cada tonelada de CO2-equivalente emitida.

*Jeanicolau Simone de Lacerda é consultor em negócios florestais da KEYASSOCIADOS.
Comentários
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carbono que á arvore sequestra
Geraldo de oliveira 02/12/2009 04:27:52

Obrigado Eco pelas informações, pois estou sempre lendo e vou repassar para
meus amigos de email e dihitt, manter informado é muito bom pois faço um
trabalho voluntário de preservar as nascestes da minha cidade que é
Divinópolis MG. se vocês quizerem conhecer minhas ações visite o blog {blog
usuário geraldo01} pesquisa avançada, o mais importante é que cada cidadão
tem que fazer sua parte na preservação de nosso planeta.
Cuide do meio
ambiente que ele cuidará de você.
Um forte abraço de Geraldo01
pedro vicente 02/12/2009 11:32:20

Jeanicolau de Lacerda,

Foi com gosto que li o seu artigo, que por sua vez,
fez-me recordar de um estudo realizado aqui em Portugal, sobre as especies
florestais e o consumo de carbono pelas mesmas.Surpreendentemente, os
eucaliptais ( monoculturas exóticas portanto) obtiveram os melhores resultados
num curto período de tempo,tendo as as especies nativas um consumo menor, mas
o facto de serem espécies com esperança de vida longa e por formarem
ecossistemas que nao permitem o " revolver" do solo ( como ocorre com o
eucalipto durante o abate) fez com que fossem consideradas preferíveis e no
fim, serem a medio , longo prazo as mais eficazes no sequestro de
carbono.
Assim sendo, será que estes estudos não poderâo ser mal
interpretados, ou melhor, interpretados de modo a esconder interesses, face ao
comércio de quotas para a produção de co2 entre os países ditos
desenvolvidos e os não, que apresentarao assim um argumento para a
substituiçao da floresta nativa por monoculturas?
Aguardo a sua opinião.
Estrutura C3 e C4
Luis Armondi 03/12/2009 06:05:37

Muito pertinente suas observações a respeito das diferentes assimilações de
carbono pelas árvores em função do tamanho da copa.É um dado a ser
considerado juntamente com a quantidade de folhas na copa e(já dito por vós)a
fase vegetativa da planta.Creio que é de significativa diferença a quantidade
de carbono sequestrados pelas gramíneas(estrutura C4)e pelas
dicotiledôneas(estrutura C3, incluem se aí os demais vegetais).As
gramíneas(Estrutura C4)pussuem uma eficiencia muito superior no sequestro de
carbono que os demais vegetais.Creio que deva ser feito uma comparação entre o
sequestro de carbono pelas essências da mata atlantica e pelos pastos formados
por gramíneas.Não sou criador de gado nem tolero o desmatamento para a
formação de pastagens mas creio que este seria um estudo revelador no
sequestro de carbono.
Um desabafo
Tadeu Santos 03/12/2009 07:12:19

UM DESAFABO
Apesar de sermos leigos nesta matéria, nos preocupamos com o tema
abordado, pois comparativamente nos afeta em muito a outra fonte emissora de
gás carbônico pelo processo da queima de carvão mineral, na usina Jorge
Lacerda 856MW, no Sul de SC.
Além da imensa quantidade de gás efeito estufa,
a maior termelétrica da América do Sul emite também gases venenosos que
causam a silenciosa e maléfica chuva ácida, comprometendo a biodiversidade e
consequentemente a saúde pública. Emite também muito calor através das suas
altíssimas chaminés, que evaporado pode interferir no clima.
O Governo, a
comunidade cientifica e ambientalista brasileira quando se trata de mudanças
climáticas só fala no criminoso desmatamento da Amazônia, definindo-o como o
maior responsável pela emissão de gases efeito estufa no Brasil, mas não
mostram dados comprobatórios, como o que vocês estão tentando fazer na ESALQ.
Se existe necessidade da medição da espessura do tronco da árvore, então os
percentuais podem variar? Estariam as estimativas do INPE corretas baseadas
apenas nas imagens de satélite?
O que nos perturba é que a legislação
brasileira não permite o corte de mata nativa, falta então é fiscalização
eficiente, enquanto que a matriz energética ainda anda na contramão da
história subsidiando com incentivos oficiais a queima de combustíveis fosseis.

A atuação do FBMC é exageradamente técnica, super valorizam a Amazônia,
enquanto que as mudanças climáticas é aqui no Sul (SC/RS) que estão se
manifestando com mais frequência e intensidade, promovendo pânico na
população desprotegida.
Reconhecemos que a Amazônia dá mais mídia em
relação aos países do norte, que uma árvore é importantíssima para o
equilíbrio local e global, porém se não for trabalhada a dinâmica do modelo
produtivo com o desordenado uso dos combustíveis fosseis tudo se tornará mais
difícil.
O Governo Brasileiro vai para COP 15 sem uma meta para reduzir a
queima de combustíveis fosseis no país, porque não despertaria atenção, já
que este é o grande problema deles no norte, enquanto que eles do norte querem
é a integridade da Amazônia e não discussão da queima de carvão no Brasil.

O IBAMA apresentou proposta no CONAMA propondo medidas mitigadoras para as
térmicas obrigando-as a plantarem árvores para compensar a emissão de CO².
Para nós a medida é paliativa, pois não resolve o conflito, estamos
aguardando a CT encarregada avaliar para então propormos não apenas o plantio
de árvores, mas que sejam nativas e que seja na bacia hidrográfica afetada
pela usina e uma legislação especifica para a emissão de CO² pelas chaminés
das térmicas, que não existe no Brasil.
A população afetada do sul de SC e
do RS não podem continuar pagando o pato com a degradação que promove a
extração e queima do carvão mineral como citamos acima.
O Maranhão, Ceará
e Pará poderão vir a receber a ganância dos ‘’eikes da vida’’ com
térmicas a carvão importado. Então não é só sair por ai dizendo que
plantarão árvores para compensar o gás carbônico? É preciso quantificar com
precisão.
Pode parecer meio confuso, mas este é o nosso entendimento e
angustia como população afetada pelas mudanças climáticas, se estamos
errados então, por favor, nos orientem comprovando cientificamente qual a
posição mais correta.
Comentários Pedro Vicente
Jeanicolau 04/12/2009 07:38:16

Caro Pedro,

Como seres vivos que são, árvores se comportam dentro daquela
máxima de genética de populações:
Fenótipo = Genótipo + meio ambiente.
Ou
seja, um indivíduo de uma mesma espécie, com carga genética semelhante, se
comporta de forma totalmente distinta, dependendo das influencias do ambiente:
solo, insolação, disponibilidade hídrica etc...
Se considerarmos que em
florestas podemos trabalhar com espécies distintas, isto tudo fica mais
complexo.
Desta forma, creio que as estratégias fixação de carbono tem de ser
corretamente mensuradas na sua capacidade direta, no caso fixação de carbono ,
bem como nos benefícios indiretos que uma florestas pode trazer.
Neste sentido,
florestas nativas tendem a ser mais interessantes pois provem mais serviços
ambientais que florestas industrias.
Creio que este "driver" esteja
balizando as iniciativas de compensação daqui para frente.
Comentários Luiz Armondi
Jeanicolau 04/12/2009 08:01:26

Caro Luiz
Realmente as gramíneas tem maior capacidade de fixação de carbono,
e há estudos mostrando que em pastagens devidamente manejadas há um bom teor
de fixação de carbono, inclusive no solo.
Veja que falei em pastagens
manejadas, o que não ocorre na grande maioria das pastagens brasileiras. Se
compararmos entre pastagens , não com florestas, mas pastagem degrada e
pastagem manejada (aquela pastagem que permanece o ciclo todo de produção do
gado com mais de 40 cm de altura) teremos ganhos significativos na fixação de
carbono em relação a situação corrente.
O que não podemos fazer é uma
comparação com florestas ou qq outro bioma natural.
pedro vicente 04/12/2009 12:27:07

Jeanicolau Lacerda,

Muito Obrigado pela sua resposta.Mas já agora, caso me
possa dar a resposta ao seguinte ( pergunta de leigo): Qual o comportamento de
uma espécie de folha caduca, caracteristica dos climas temperados europeus, ou
seja, durante o período a que a mesma perde as folhas, a sua captura de CO2
diminui ou inclusive, cessa?
Aguardo a resposta, obrigado
Eucalipto
Artêmio 07/12/2009 09:29:21

Seria interessante fazer a comparação de fixação de carbono produzido por
Eucalipto. Algumas variedades já podem ser coletadas em 4,5 anos. Um
crescimento rápido e consequentemente um grande sequestro de carbono. Gostaria
de saber se no estudo fora com****do o carbono que é sequestrado e fica abaixo
da superfície (raízes, tubérculos e outras estruturas. Este material é
considerável tanto em volume quanto em peso, e o carbono ficaria sequestrado
por muito mais tempo que nas camadas superiores.

Um abraço.

Artêmio
Gestao Financeira - Credito de Carbono
Andre Luis Ribeiro da Luz Cama 07/12/2009 20:19:41

A empresa na qual trabalho tem uma APP na regiao litoranea, e o custo de
manutencao e preservacao e alto. Gostaria de saber se e possivel adotar a
comercializacao do credito de carbono para minimizar este custo.

Um forte
abraço
Aparelho Irga
Cleberlito F. Santos 16/12/2009 16:29:36

Para quantificar a taxa de assimilação de CO2, correlacionar a fotossintese e
assimilação de nutrientes, analisar o metabolimo bioquímico e fisiológico de
plantas, que são submetidas/resistentes a estreese - como por exemplo de altas
temperaturas, o aparelho IRGA, possui mecanismo de estudar a fixação de gás
carbônico (HCO3-)pelas pnantas, sobre tuda aquelas entre biomas e enter biomas.
Assim, a quantificação, sob monitoramento, poderá dar um valor e incremento
nas pesquisas.
Renata 10/01/2010 13:33:25

Tenho interesse em desenvolver projetos de presrvacao ambiental na minha regiao
com os pequenos produtores assentados de reforma agraria, ja que estes nao tem
conhecimento, meios e orientacao. Agradeco se puderem me ajudar com ideias
economia de recursos naturais
claudinei José Domingos 20/01/2010 06:04:30

boa tarde! estou fazendo um trabalho em minha empresa, onde estou comparando a
quantidade de residuos en*****s para reciclagem com a quantidade de recursos
naturais que são pupados quando opto por materias primas recicladas ao invés
de virgens. sendo assim gostaria de saber se seria possivel me sederem as
seguintes informações: qual a quantidade média de Co2 uma arvore pode
absorver ou quanto de Co2 é absorvido por hectare de floresta. qual é a
geração de Co2 por tonelada de petróleo no processo de extração do polimero
virgem e no processo com polimero reciclavel que originara o plástico e o
consumo de agua em cada um dos processos. quantidade de energia eletrica gasta
no processo de produção de plático a partir do polimero virgem. quantidade de
agua gasta por tonelada de papel reciclado produzido. quantidade de agua gasta
por tonelada de aluminio reciclado produzido e quantidade de agua gasta por
tonelada de matéria prima virgem bauxita beneficiada para sere transformada em
aluminio. desculpem o icomodo, mas se puderem me ajudar sera de grande valia
para mim. obrigado. Claudinei. Total Alimentos S/A.
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