Limite da população e meio ambiente PDF Imprimir E-mail
Carlos Gabaglia Penna   
06/03/2009, 08:00
Quaisquer projeções futuras, sobre qualquer assunto, estão sujeitas a grandes incertezas. Quanto mais distante no futuro for uma previsão, maior a probabilidade de erro. Sabemos, por exemplo, que o tamanho das populações de alguns países europeus e do Japão encontram-se, há vários anos, estáveis ou mesmo em declínio. E podemos afirmar, com quase 100% de certeza, que essa situação se repetirá este ano. No entanto, não podemos assegurar quais serão as tendências demográficas desses países em 2025 ou em 2050.

É sabido, no entanto, que a população humana vem crescendo a taxas aceleradas desde aproximadamente o início da Revolução Industrial e, mais acentuadamente, nas últimas seis ou sete décadas. Ao final da Segunda Guerra Mundial, a população humana englobava menos de 2,5 bilhões de pessoas, mas, em apenas 50 anos, aproximava-se de 6 bilhões e encontra-se hoje acima de 6,8 bilhões de indivíduos.

A despeito das incertezas futurológicas, todas as projeções apontam para um aumento demográfico global contínuo, por ainda muitas décadas. Essa é a dedução lógica, baseada na extrapolação do comportamento passado e presente da taxa mundial de variação do quantum populacional. As previsões da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2025 indicam um número de pessoas superior a 8 bilhões e, para 2050, de 9,2 bilhões: um crescimento acima de 250%, ou mais 6,7 bilhões de humanos em apenas 100 anos.

Contudo, podemos afirmar com segurança que esse aumento não continuará indefinidamente. “A aritmética inexorável de taxas compostas leva-nos a condições absurdas dentro de um período de tempo calculável. Logicamente teremos, e de fato iremos ter, uma taxa [de variação] populacional em torno de zero em longo prazo”, afirmou um relatório da ONU de 1992.

Um estudo do Fundo das Nações Unidas para População demonstra que, se a taxa média de fecundidade (número de filhos por mulher) dos países permanecesse constante com os valores do quinquênio 1995-2000, a população mundial atingiria 244 bilhões em 2150 e inimagináveis 134 trilhões em 2300!

A taxa global de crescimento populacional, que foi de 1,94% ao ano (a.a.) no período 1970-75, caiu para 1,54% a.a. em 1990-95 e para 1,17% a.a. entre 2005-10. Apesar da aparente queda expressiva na taxa entre 1970-75 e 2005-10, de 40%, a quantidade de seres humanos a mais no planeta, ano a ano, é ligeiramente maior atualmente (cerca de 78 milhões) do que no primeiro intervalo de tempo (76 milhões). Isso ocorre porque, embora menor, o índice presente se aplica sobre uma base maior. Mais pessoas estão se reproduzindo.

Cabe também ressaltar que, em mais de 99% da historia humana, os índices de expansão demográfica foram muitíssimo menores. Entre o primeiro ano da era cristã e 1750, tais índices situavam-se entre 0,039% a.a. e 0,092% a.a. Ou seja, a taxa atual é quase 18 vezes maior do que essa média. Na pré-história, esses índices eram ainda menores.

Pela mão do Homem

Todas as tentativas de especialistas em formular matematicamente a degradação ambiental imposta pela sociedade humana, das mais simples às mais sofisticadas, levam em conta o fator demográfico. Não poderia ser de outra forma. Quanto mais gente consumindo, maior a degradação ambiental. Essa é uma realidade inescapável, apesar dos avanços dos métodos e da tecnologia na exploração dos recursos naturais e no tratamento dos resíduos.

Em que pese o fato da produção econômica crescer em ritmo maior do que a população mundial (esta aumentou 117% entre 1960 e 2006, enquanto que a economia expandiu-se em 421%), é inquestionável que uma população crescente é o principal estímulo ao aumento da produção.

Como escrevi no artigo ( de 2007), “mesmo as pessoas extremamente pobres utilizam mais recursos do planeta do que qualquer outra espécie animal. Se não for um sem-teto, terá um barraco de madeira, com telhado de zinco ou de telhas plásticas e móveis toscos. Muitos terão luz elétrica, ainda que informalmente, e aparelhos eletrônicos. Essas pessoas – inclusive os sem-teto - obterão água do sistema público de abastecimento, ou em algum córrego ou nascente, vestirão roupas, possuirão uma infinidade de objetos pessoais e, obviamente, alimentar-se-ão, como qualquer ser vivo”.

Os impactos provocados pela ânsia consumista são indiscutíveis e obedecem a leis naturais imutáveis, quaisquer que sejam os progressos tecnológicos. Otimismos cândidos não alterarão jamais restrições termodinâmicas. A exploração crescente e insustentável dos recursos bióticos e abióticos do planeta conduzirá inexoravelmente à falência da sociedade de consumo, mais dia menos dia.

São muitos os exemplos de colapso de sociedades que foram além da capacidade de carga dos territórios em que viviam. Tal capacidade de carga diz respeito ao número máximo de pessoas, com um certo padrão de exploração econômica dos recursos naturais, que uma determinada área pode suportar indefinidamente.

As civilizações da Mesopotâmia, no vale dos rios Tigre e Eufrates, estão ente os primeiros exemplos de estados agrários. Entre 7.000 e 11.000 anos atrás, importantes plantas e animais começaram a ser domesticados nessa região e no seu entorno, os quais servem até hoje como base da alimentação mundial.

Evidências arqueológicas e históricas indicam que a Suméria, a mais antiga dessas civilizações, sofreu uma progressiva salinização de suas terras agrícolas, conseqüência do desmatamento e da irrigação. Ao longo de vários séculos, a produtividade ficou abaixo das necessidades alimentares da população, forçando uma migração maciça em direção à Babilônia, ao norte. A Mesopotâmia e o Levante formavam o chamado Crescente Fértil, berço da civilização humana e da “domesticação” de alimentos, e é hoje composto por países áridos ou desérticos, como Iraque, Síria, Jordânia, Israel e outros.

Existem muitos outros exemplos de povos que sucumbiram aos efeitos combinados do aumento da população com o da exploração de recursos naturais. São os casos das civilizações Maia, da Ilha de Páscoa e dos Vikings na Islândia e na Groenlândia, como citou Jared Diamond em seu livro Colapso.

A Declaração do Milênio das Nações Unidas (2000) estabeleceu uma extensa cooperação entre 189 países para reduzir a miséria global através de uma série de objetivos específicos, a serem cumpridos até 2015. Essas metas ficaram conhecidas como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Passados oito anos, constata-se que as tendências demográficas estão atrasando a realização da maioria desses objetivos. O crescimento da população exacerba a pobreza extrema, mesmo em locais onde trabalhos estão sendo realizados para mitigá-la.

Impactos crescentes

Embora os natalistas, que se opõem a qualquer controle demográfico, usem todo tipo de sofisma para minimizar as consequências da densidade demográfica, a realidade inquestionável é de que o Homo sapiens altera mais a paisagem, degrada as funções ambientais, polui o meio ambiente e usa mais recursos do que todas as outras espécies somadas.

Se a sociedade humana deseja verdadeiramente garantir uma certa qualidade de vida para as atuais e futuras gerações, terá que reduzir drasticamente os índices de crescimento populacional e realizar mudanças expressivas nos padrões de consumo.

Os acessos aos meios de controle da prole não são democráticos. Cabe perguntar que forças ocultas fazem com que os mais educados tenham uma média de dois filhos e os mais desvalidos gerem cinco, seis, oito ou mais filhos? É claro que interesses políticos e religiosos dificultam que a informação e os métodos de controle cheguem aos mais pobres. Por isso, penso que os estados nacionais deveriam ter a coragem de assumir essa responsabilidade.
Comentários
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Lixo Gerado Pela População do Planeta Terra.
Gilberto Freitas 06/03/2009 09:03:02

Hoje temos a seguinte sitação o planeta terra tem peso próprio de 6.581.691
toneladas e a população gera lixo todos os dias hoje estamos meste momento com
22.989.683 toneladas ou seja em dias teremos gerado 4 vezes o peso próprio da
terra de lixo.
Será que o ser humano pensa que os recursos naturais são
infinitos?
Já está provado que não e se não tomarmos providências
estaremos com certeza praticando suicídio coletivo, nós vamos mas o planeta
fica com certeza.
Os dados acima foram retirados do site
www.worldometers.info/pt
Gilberto de Andrade Freitas
Engº Eletricista /
Gestor Ambiental /
Educador Ambiental
Diretor Executivo ONG ACEPEUB
Matus?
Guilherme Floriani 06/03/2009 09:27:36

Seria o Retorno de Maltus?

www.essenciaflorestal.blogspot.com
Malthus
Guilherme Floriani 06/03/2009 09:28:34

Teoria Populacional Malthusiana foi desenvolvida por Thomas Malthus.
Malthus
Gilberto Freitas 06/03/2009 11:08:04

Não Guilherme é a verdade mesmo hoje quem sabe daríamos razão a
Malthus.
"Que dizia que enquanto a população crescia numa progressão
geométrica os alimentos em progressão aritimética."
Gilberto
Lixo gerado pela populacao
Fernando Soares 06/03/2009 12:57:43

Gilberto, o peso da terra é cerca de 6 sextilhões de toneladas. Isso significa
que você precisaria MULTIPLICAR a quantidade de lixo gerada pela população
(que você informou) por 2.608.695.652.000 para chegar a uma vez o peso da
terra. Não vá sair dizendo para as pessoas que geramos 4 vezes o peso da terra
em lixo, isso seriam 4 planetas, com crosta, manto e núcleo feitos de lixo!!!!
Finalmente
João Carlos 06/03/2009 14:48:00

Agora tive o prazer de ler um artigo inteligente sobre a superpopulação humana
e seus efeitos nefastos sobre a Terra e todos seus ecossistemas . Abaixo com os
natalistas e suas crendices .As outras espécies animais e vegetais tem o
direito de viver e não serem extintas cada vez mais devido à proliferação
excessiva do macaco nu , como já dizia o grande Desmond Norris
colapso sem volta
vanderlei p. schmitt 06/03/2009 17:28:25

Os Humanos de consciência já sabem destes fatos. Tenho certeza que ninguém
abandonará os conceitos da vida na terra, mas a onda dos devoradores a qq
preço estão ganhando esta luta. Basta ver do que sai da boca dos presidentes,
governadores, prefeitos, de****dos, senadores, etc...
Guilherme Floriani 06/03/2009 18:01:43

Gilberto Freitas,

Talvez seja a primeira vez que a humanidade produz mais
alimento do que é preciso para o consumo alimentar. Mais de 40% da população
brasileira é obesa. 50% das mulheres sempre estão de dieta.
Temos um problema
de consumo, não de suporte, neste caso?
Outro mito é sobre o crescimento da
população, pois a natalidade é pequena, em todas as classes sociais, sem que
a redução da natalidade tenha se convertido em melhoria da qualidade
ambiental, ou da justiça social. Ou seja, não é somente um problema de numero
de pessoas, mas de como estas se relacionam, entre si, e com os demais.
Guilherme Floriani 06/03/2009 18:09:48

Gilberto, desculpe-me, minha resposta é para o autor. Pois é um mito que os
desvalidos tenham mais filhos, pois a tendência de queda nas taxas de
natalidade tem sido enorme em classes mais pobres, quanto em países pobres. A
idéia que pobreza e ignorância resulta em números crescentes de filhos é um
mito. Só falta dizer que os cultos economizam mais energia, poupam terra e são
mais produtivos...
Carlos Gabaglia Penna 07/03/2009 10:08:39

Sr. Guilherme, pelo jeito o senhor não leu meu artigo com atenção. Caso
contrário, teria visto a enorme diferença entre as taxa atual de crescimento
populacional (apesar de estar em queda) e as taxas históricas.
Não é mito que
os pobres tenham mais pobres que os ricos, tanto entre os países como entre as
classes sociais, são fatos (óbvios...). Basta que o senhor consulte o IBGE,
para o caso brasileiro. e fontes internacionais de crescimento populacional (há
várias fontes confiáveis. Sugiro as da ONU).
Quanto à produção de
alimentos, é verdade que nunca se produziu tanta comida como hoje em dia.
Ocorre, entretanto, que o modelo agrícola atual é insustentável a longo
prazo, produzindo um número crescente de impactos. Mas, isso será objeto de um
artigo futuro.
Malthus vai bem, obrigado
Fábio Olmos 08/03/2009 14:31:34

É interessante ver que as teses de Malthus, tão esnobadas nos últimos tempos,
começaram ultimamente a ser lembradas por economistas como Jeffrey Sachs (leiam
"Nossa Riqueza Comum") e políticos como os do Reino Unido (vejam o
relatório em http://www.appg-popdevrh.org.uk/). De um lado caiu a ficha de que
o planeta tem uma capacidade de suporte (a alta de alimentos de 2008 lembrou-nos
disso), do outro que é impossível sair da miséria com uma população que
duplica a cada década.
SEXO e GrRANA, os responsaveis
BRita BRazil 10/03/2009 06:29:52

A não ser os índios, que usam de anti-concepcionais e só geram filhos quando
querem, o vilão de nossa sociedade é mesmo o sexo. A maioria de nós fomos
feitos acidentalmente, por um gozo do homem. E isto acontecem diariamente. Em
todas as classes sociais produzimos pessoas à toa, como um habito da vida.
Muitas crianças são feitas para prender um casamento, e agora o Governo
brasileiro incentiva a maternidade com ajuda financeira. Fazer pessoas é um
simples hábito inconsequente. Estariamos na casa dos 2 milhoes se gravidez não
fosse acidente ou jogo de poder.
Ainda Malthus, revisitado
Walter Moura 10/03/2009 14:10:55

Malthus atirou no que viu, acertou no que não viu. Sua previsão foi de que
faltariam alimentos para uma crescente população humana. Estes estão longe de
faltar, e será possível aumentar a sua produção, se necessário.Em
decorrência da expansão populacional de nossa espécie, no entanto, aliada à
inconsciência, começam já a faltar, e com previsão de piora, outros recursos
e serviços naturais necessários à vida humana, como água potável, filtro de
ozônio, sequestro de carbono, biodegradação de materiais.
Para saber mais
Iomar Machado 10/03/2009 17:44:22

Parabéns ao Carlos!Ótimo artigo! Para quem quiser se aprofundar mais no
assunto sugiro a leitura do livro ECOECONOMIA, de Hugo Penteado.
educaçao ambiental e sustentabilidade na formação
gelza 16/03/2009 13:05:19

gostaria de umas dicas de como montar uma aula sobre este tema em sala de aula
,não deixem de enviar para que possa ter algumas ideias,ok!
Guilherme Floriani 01/04/2009 05:53:19

A explosão demográfica no Brasil foi provada um mito pelo IBGE. Em 2070 a
terra terá 9 bilhões de pessoas, muito menos dos 15 bilhões como se anunciava
na década de 1970, quando a população do Brasil crescia 3%. Agora são 1,2%,
temos em torno de 2 filhos por casal e nos tornaremos irremediavelmente um pais
de velhos.
Carlos Penna, o pior é acusar que os pobres e religiosos terem mais
filhos do que famílias "educadas", não reconhece o processo de
marginalização econômica das mulheres (principalmente) que não puderam
acessar métodos de controle da natalidade para planejar suas famílias. Pois
não houve nenhuma política governamental de fomento destes métodos de forma
gratuíta até a década de 1980, e por baixo poder aquisitivo não consumiram
nem pílulas anticoncepcionais.
E então, como alegar que são estes
desfavorecidos, que sua prole e seus países, seriam a causa do problema do
consumo de recursos naturais??

Desta forma, se a população já está
crescendo cada vez menos, a proposta de reduzir a população alentada também
por Prakki Satyamurty, do INPE) chove no molhado, pois se não resolveu até
agora os problemas ambientais, porque resolveria no futuro?

Querer resolver o
problema ambiental sem compreender a problemática sócio-econômica é fazer
injustiça com a maioria da população terrestre que não possui um Estado de
Bem Estar desenvolvido, a custo do consumo de uma minoria.
1 Filho
Marcus 30/06/2009 02:49:18

Eu terei apenas um filho. Se todo mundo tiver apenas um filho com uma só
mulher, A população decai pela metade.
Os orientais parecem formigas, são os
maiores imigrantes do planeta, pois para o lado de lá não cabe mais
ninguém...
Pra que ter filho se você não vai conseguir sustentá-lo? Não é
certo,sair fazendo filhos e jogando pelos cantos.
TUDO QUE NÃO TEM CONTROLE DÁ PROBLEMA...
IncaESTRELAMAR 04/10/2009 17:11:12

Só sei de uma coisa... Tudo que não tem CONTROLE dá problema. O sistema se
desestrutura automáticamente sem o "CONTROLE", isto porque quanto mais
pessoas estiverem online(vivas) no planeta maior será o consumo, maior a
degradação, pior qualidade de vida, enfim qual a moral? CONTROLE já!
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