Um artigo publicado nesta quinta-feira na revista Proceedings, da Academia Americana de Ciências (PNAS), acrescenta mais um argumento em favor de compensações internacionais pela preservação da Amazônia. De acordo com o estudo, as áreas protegidas da Amazônia podem evitar que 8 bilhões de toneladas de carbono sejam emitidos para a atmosfera até 2050. Estas seriam as emissões por desmatamento, caso estas áreas protegidas não existissem e equivalem emissões de gases de efeito estuda de todos os países do planeta juntos ao longo de um ano.
O estudo foi liderado pelo coordenador Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais, Britaldo Silveira Soares Filho, e teve a participação de outros 12 pesquisadores de diversas instituições. Os pesquisadores afirmam também que é necessário muito dinheiro para que estas áreas protegidas sejam efetivas na redução das emissões. Britaldo Soares-Filho calcula que o Brasil precisa investir entre 3 bilhões e 9 bilhões de dólares para implantar estas áreas protegidas.
Foi analisado o impacto de 595 áreas protegidas sobre o desmatamento, entre os anos de 1997 e 2008. Terras Indígenas, Unidades de Conservação de Proteção Integral e de Uso Sustentável e áreas militares, que representam 54% das florestas remanescentes, o equivalente a 3,4 milhões de quilômetros quadrados, na Amazônia foram consideradas no estudo.
O aumento recente no número de áreas protegidas foi responsável por 37% do total de redução de 13,4 Km2 de desmatamento entre 2004 e 2006, segundo a pesquisa. Ao contrário do que afirmam algumas críticas, a criação de áreas protegidas não fez a destruição da floresta migrar para outras áreas, de acordo com os pesquisadores.
Mudanças no ciclo econômico seria o fator mais importante na redução do desmatamento, contribuindo com 44% do total. Outros fatores, como fiscalização teria sido responsáveis por 18% da redução de florestas destruídas na Amazônia brasileira.
Os pesquisadores defendem mecanismos compensação pelo desmatamento evitado para bancar o custo de implantação destas áreas protegidas. Segundo WWF, entre investimentos e compensações pelo lucro de que o país abre mão ao proteger a floresta, o Brasil precisaria de R$ 147 bilhões.(Vandré Fonseca)
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