Pelas trilhas do Brasil e do mundo, Pedro da Cunha e Menezes conta as últimas novidades de manejo em unidades de conservação e dá dicas sobre destinos de viagens de aventura.

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Chega de Saudades
13 Jan 2010, 20:31

Terminei esses dias uma caminhada pela costa de Portugal, da Foz do Tejo ao Estuário do Sado, ao longo da Península de Setúbal. Foram 180 quilômetros (112 sem computar repetições), percorridos em 41 horas ao longo de 16 dias. O trajeto, que se encontra sinalizado em alguns trechos, é parte da E-9, trilha de cinco mil quilômetros projetada para acompanhar o litoral europeu desde o sul português até o norte da Estônia (Vide minha coluna Cortando Portugal em Postas, publicada aqui em O Eco em 3 de novembro de 2008).

Foi puro prazer. Apesar de estar no quintal de Lisboa, na maioria dos dias gozei de privacidade quase absoluta e pude apreciar paisagens deslumbrantes. Caminhei sob sobreiros, salgueiros, pinhais mansos e bravos. Pisei grandes trechos de dunas litorâneas cobertas de vegetação rasteira. Senti na pele a& secura do verão, estação em que também me deleitei com um crepúsculo que dura mais de hora e meia. Para alguém nascido e criado nos trópicos como eu, trata-se de um prazer difícil de explicar a quem não conhece como é bom ter acesso às luzes e cores mágicas de um fim de tarde que parece não querer terminar nunca. Me encantei com as mil flores da primavera mediterrânea, me esbaldei nas águas geladas do Atlântico e da Lagoa da Albufeira. Em trechos sem sinalização alguma, naveguei em busca do caminho certo, tiritando no ar gelado do inverno ibérico. Viajei no tempo ao cruzar com quixotescos moinhos de vento, ruínas centenárias, igrejas medievais e castelos milenares. Me empanturrei dos frutos  silvestres que pejavam os medronheiros no outono. Perambulei em meio aos bem arrumados corredores de parreiras em flor. Admirei o vôo das gaivotas e as corridas furtivas das raposas da Serra do Risco. Me encantei com as falésias do Parque Natural da Arrábida que, por isso mesmo, é candidata a Patrimônio Mundial da Humanidade.

Por fim pasmei com o Tejo. Dobrei a foz do rio em um fim de tarde ilumidado. Como é belo! E, no entanto, hoje poucos lisboetas conhecem esse ângulo de sua terra, cuja visão só é posssível a bordo de um barco ou no leito de uma trilha. Naquele momento entendi o real significado da palavra saudade para os navegantes portugueses que partiam de sua terra em viagem de descoberta do Novo Mundo, nos séculos XV e XVI.














Comentários
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Cristina Capêlo 14/01/2010 13:19:18

Gostei muito.
Liberdade
Ulton Vaz 14/01/2010 15:26:16

Que coisa boa. Já caminhei e pedalei na Europa e sonho sempre em retornar. O
motivo? SEGURANÇA. Nosso país poderia ser o paraíso do trekking, mas do jeito
que anda a Chapada, Ilhabela, Boissucanga, Paranapiacaba, Rio Branquinho, Embu
Guaçu e tantas outras...só acompanhado com policia armado. Tristeza sem fim.
Paula 12/02/2010 16:26:46

Sempre podes voltar!... e visitar Trás-os-Montes, vistas de uma grandeza
magnífica, onde as linhas de água cavam vales fundos, onde se aninham aldeias
rústicas. A Serra do Marão, oferece beleza, o oxigénio dos castanheiros e o
sentimento unico de estar perto do céu, com os pés na terra, Fica só a meia
hora do Porto.
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