O músico David Byrne, fundador do grupo Talking Heads, é um observador atento da paisagem urbana, por onde circula de bicicleta. Esse é o seu meio de transporte predileto em Nova York, onde mora, e nas suas viagens mundo afora. Através do seu olhar de ciclista, analisa os elementos da cidade perfeita:

“Esta é uma frase de Jane Jacobs. A cidade perfeita é onde coisas diferentes acontecem, relativamente perto uma das outras e em vários horários ao longo do dia (...) O bairro saudável não se esvazia às seis da tarde, como é o caso da maior parte do centro de Los Angeles. Na cidade perfeita sempre existe movimento e coisas acontecendo no meu entorno”.

“Depois de passar 30 anos usando uma bicicleta para cruzar Nova York, vi a cidade - especialmente Manhattan, onde moro - mudar para melhor e para pior. Durante esse período, comecei a levar nas minhas viagens uma bicicleta dobrável para ter a experiência de ciclista também em outros lugares. Ver cidades de uma bicicleta é prazeroso e instrutivo. Em uma bike se vê muito mais do que de uma estrada. E com o trânsito, em muitas cidades, com freqüência é tão rápido quanto andar de carro”.

“Estacionamentos são o equivalente a terra morta. Eles não animam em nada a cidade e eu ficaria feliz se em Nova York muitos deles não existissem. Seria um tremendo inconveniente para os motoristas, mas a não ser que possam ser escondidos nos subterrâneos, como com freqüência ocorre no Japão, estacionamentos, sejam terrenos ou garagens, são simplesmente zonas mortas”.
 

Vale a pena ler todo o artigo (Eduardo Pegurier).