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| Percorrendo trilhas com cuidado |
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| 16/03/2009, 15:00 | |||||||||||||
![]() Qualquer caminhada digna do nome é uma grande aventura. O grande barato é que o caminhante nunca sabe exatamente o que vai encontrar pela frente. Essa surpresa, combinada com a expectativa do passeio, é que fazem o programa ser tão libertador da previsível vida urbana. Entretanto, mesmo com o suspense no ar, as caminhadas requerem alguma disciplina de seus participantes. Após o desaparecimento do engenheiro Luiz Guilherme Mascarenhas em uma trilha da Ilha Grande (RJ) no mês passado, diversas considerações sobre a segurança ao caminhar vieram à tona. Conseqüência de um mau planejamento, seja por parte dos responsáveis pela trilha, seja pelo caminhante, um conhecimento maior sobre esse esporte e sobre o que ele requer são necessários para que ele não passe da categoria “inofensivo” para “de grande risco”. Responsabilidade do Estado Trilhas oferecidas à população devem ser sinalizadas. Apesar do mapa do terreno ser equipamento essencial a qualquer caminhante, os estreitos caminhos trilháveis por vezes podem ser confusos e a sinalização é que vai decidir nessa encruzilhada. Por isso, a manutenção das trilhas é fundamental, já que a natureza muda constantemente apagando ou modificando o caminho e/ou sinalização. Em países de amantes das caminhadas, como a África do Sul, Nova Zelândia e Estados Unidos, a maior parte das trilhas têm panfletos informativos contendo mapas do território. Centros de visitantes oferecem todo o tipo de informações sobre a caminhada, que vão desde as fontes de água do caminho a curiosidades sobre a fauna e a flora locais. Portanto, ao começar a sua jornada por uma nova trilha, o caminhante já tem conhecimento suficiente do que virá pela frente, estando assim devidamente preparado para a aventura. Responsabilidade do caminhante
Alguma preparação mental também ajuda o caminhante, que deve ter um bom senso apurado. Em caso de mudanças climáticas drásticas, quando é necessário dar meia volta na trilha, ou qualquer outra decisão importante, é fundamental a manter a calma visando sempre a segurança dos indivíduos. Outro aspecto importante é a perseverança, já que algumas vezes a vontade de desistir durante o trajeto bate à porta. Na maioria das vezes tal fato acontece a poucos minutos antes da chegada ao destino desejado, portanto, paciência! A gratificação emocional ao fim de uma caminhada é algo que compensa. O sentimento de conquista depois de horas de esforço físico e mental tem um sabor especial. Saber também que fomos auto-suficientes por algum tempo, sem postos de gasolina, supermercados e transportes públicos é um grande prêmio. E melhor de tudo, a sensação de liberdade que só um mergulho da natureza é capaz de proporcionar. Nesse contexto voltamos às eras primitivas e saboreamos um isolamento raro nos dias de hoje. Talvez esse seja o maior presente que uma trilha tenha para oferecer. Escolhendo a caminhada
O segundo aspecto na escolha do percurso diz respeito à quantidade de noites que se quer dormir durante uma trilha. Quanto maior o número de noites, maior a imersão no mundo natural. E ao contrário do que possa parecer, após os primeiros dois dias de caminhada o corpo começa a se acostumar de tal forma com essa atividade que o prazer diário só aumenta. Por outro lado, como são mais dias para comer, carrega-se mais peso. E o terceiro aspecto que vai influenciar a escolha e planejamento do passeio é se existem abrigos ou vilarejos com hospedagem ao longo do caminho, ou se acampar é a única opção. A vantagem de ficar em alojamentos consiste principalmente em aliviar o peso da mochila. Não são necessários colchões isolantes, sacos de dormir e barracas. Se a hospedagem ainda oferecer comida o peso fica quase igual ao das mochilas levadas em trilhas sem pernoite. Já acampando é necessário carregar todos os itens mencionados acima, o que acabam por totalizar em uns 15 quilos nas costas. Mas tudo tem seu preço, e para ser totalmente auto-suficiente acampando em um lugar exclusivo, debaixo das estrelas, com total privacidade, até que não está caro. Considerações ao caminhar O caminhante deve ser auto-suficiente em qualquer tipo de trilha. É necessário estar preparado para eventuais acidentes, como, por exemplo, ficar isolado por mais tempo que o previsto devido a súbitas mudanças climáticas. Portanto é sempre bom levar um pouco mais de água e comida que o necessário. Além disso, o mapa, e um kit de primeiros socorros são fundamentais. Em uma caminhada na Ilha de Comores, ao leste do continente africano, esta autora quase morreu de frio em uma noite gélida, devido a um mau planejamento. Infelizmente, aprender com a prática nesses casos é o pior cenário. Mesmo caminhando com guias, atualmente me responsabilizo pela minha segurança e não saio sem uma boa jaqueta, capa de chuva, pares extras de meias de lã e um potente saco de dormir. Por motivos de segurança, não é boa idéia caminhar sozinho nem quando se conhece bem o terreno. Acidentes acontecem e a ajuda de um companheiro pode ser essencial. Uma picada de cobra ou um escorregão e uma perna quebrada serão sempre melhor resolvidos a dois. Um bom planejamento ao caminhar recompensa conferindo maior liberdade ao praticante. Com os apetrechos necessários para se localizar e se manter nas trilhas se tem todo o tempo para aproveitar o passeio. É claro que como em toda aventura o inesperado também pode acontecer. Mas isso faz parte dessa experiência única, que, combinada com um pouco de bom senso e muito bom-humor, dá sempre boas histórias para contar. ![]()
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