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O presidente Lullão Metralha, estou certo, não sabe onde ficam as Maldivas. Nem precisa, já que com a entronização definitiva do estilo anarfa-fashion como modelo de liderança e (des)governo, as leituras básicas como Geografia devem estar sendo abolidas nos corredores brasilienses.

Já a candidata-em-campanha Dilma Roussef, essa provavelmente sabe. Assim como sabe as conseqüências das políticas de destruição ambiental que vem implantando em Pindorama à sombra do “pudê” presidencial, a Musa dos Empreiteiros lê jornal, e deve ter visto quando o Presidente (esse sim com P maiúsculo) das Maldivas, Mohammed Nasheed, realizou uma reunião ministerial subaquática para chamar a atenção do mundo para a ameaça que as mudanças climáticas representam para os pequenos países insulares como o dele.

Se viu, Dilma não falou, e tampouco ligou. Como o resto do governo brasileiro à exceção aparente do Minc-nistro de Meio Ambiente, ela está se lixando para o que vai acontecer às Maldivas, a Palau, a Kiribati, a Vanuatu, a Dominica e a tantos outros países pequenos em desenvolvimento, e a seu tempo aos brasileiros também, quando a subida dos oceanos e as alterações climáticas causadas pelo excesso de carbono na atmosfera, fruto da histeria “desenvolvimentista” e do genocídio da floresta amazônica, causarem o desaparecimento de ilhas, cidades costeiras, colheitas, oportunidades. O que importa é o pseudo-crescimento imediato, aquele dos números inchados de PIB e outros “indicadores” de “pogreço”. Não é outro o motivo de Dilma ter determinado, abençoada pelo seu presidente-marionete, a vergonhosa falta de empenho do Brasil em dar o exemplo para a vindoura reunião de Copenhague para o estabelecimento de medidas visando mitigar (impedir já é impossível) as mudanças climáticas provocadas pela ideologia econômica insana que ela e os seus professam.

À luz do dia e sem maiores protestos da sociedade civil calada pela esmola, pela apatia e pelo compadrio político, a Musa Plastificada dos Empreiteiros mandou enterrar o sonho de Minc de que o Brasil se apresentasse em Copenhague como um país moderno e responsável. Sua Candidatescência ditou que as metas de emissão de carbono do Brasil sejam pioradas para assegurar um ou dois pontos percentuais a mais nos seus índices de falso desenvolvimento. Caberá a nosso Ministério de Relações Exteriores o triste papel de seguir defendendo posições retrógradas no que tange à gravíssima crise climática, coisa que aliás já vinha fazendo em outras oportunidades em que teve de representar esse mesmo (des)governo . Infelizmente, ainda no Século XXI há diplomatas em Pindorama que vêem fantasmas protecionistas em tudo que seja proposto no plano internacional para a proteção ambiental, e seguimos passando vergonha no mundo real, enquanto nos salões de convescotes se finge que Lulla “é o cara”.

A posição do (des)governo Lulla Roussef para o clima baseia-se no seguinte: – promover o aumento das emissões no Brasil pelo apoio oficial ao desmatamento , ajudando a acabar com o Código Florestal , facilitando a titulação de terras dos grileiros na Amazônia , ampliando por incentivos a emissão automotiva individual e deixando de incentivar energias alternativas como eólica e solar em favor daquelas que enriquecem empreiteiros como hidro e termelétricas, há anos brandindo para tanto a mentira alarmista do “apagão” ;

- Combater ativamente qualquer acordo que inclua metas de redução obrigatória para o Brasil e outros grandes poluidores (sim, porque o papinho de país pobre e coitadinho não se coaduna mais com o ufanismo grandiloqüente do Einsten de Garanhuns, não é mesmo??), condenando a indústria nacional ao atraso e à falta de empenho para a redução de seu desperdício e contaminação nos processos produtivos; e
- Buscar aliados entre os países mais retrógrados no tema para esconder-se atrás de uma posição “de grupo”.

Infelizmente para o lullismo climático, mesmo países em desenvolvimento que são grandes emissores estão se dando conta não só do pepino que é o aquecimento global, mas também das oportunidades econômicas imediatas que a transição para uma economia de baixa emissão de carbono. Índia e China, dois dos piores poluidores do planeta, acabam de anunciar um pacto comum para a redução de emissões e desenvolvimento tecnológico . Ainda que o discurso político se assemelhe superficialmente ao brasileiro, esses dois países passam da inação chorona à iniciativa, com foco evidente em beneficiar-se dos negócios que advirão dessa nova economia energética baseada em fontes alternativas.

A boçalidade climática do atual (des)governo põe por terra a pseudo-solidariedade da diplomacia brasileira com países em desenvolvimento, que se finge ser o esteio de nossa atuação internacional. O que dita Marco Aurélio “Top Top” Garcia, o grande 'aceçor internassionáu', é dar dinheiro a rodo aos bananeiros “esquerdistas” de nosso entorno, e quando muito ajudar empreiteiros nativos a ir destruir a Natureza além-fronteira, como na Guiana . Aos muitos países pequenos que serão devastados pela mudança climática nos próximos dez a vinte anos, não reservam nosso Einstein de Garanhuns e seus acólitos nem piedade, nem ajuda.

Copenhague, graças a (des)governantes como os nossos, deverá ser uma decepção para quem entende a gravidade da crise planetária. Mas assim como a truculência de Bush foi varrida do mapa em uma transição difícil, mas boa para o planeta, segue ocorrendo lá nas bandas do Império, quem sabe aqui também haja tempo para que a alternância eleitoral, varra para o lixo da História quem não sabe onde ficam as Maldivas, e também quem sabe e não se importa.