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O Instituto Trata Brasil, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que trabalha pela ampliação da cobertura de serviços de saneamento público no Brasil, divulgou hoje (14) um ranking das melhores e piores cidades do país em tratamento de água e esgoto. Em linhas gerais, o resultado mostra que o Brasil conseguiu melhorar o alcance da coleta e tratamento de esgoto, mas ainda há muita coisa a ser feita para que a situação esteja dentro do aceitável.

Segundo o levantamento, entre 2003 e 2007 houve avanço de 14% no atendimento de esgoto e 5% no tratamento dele. No entanto, todos os dias ainda são despejados no meio ambiente 5,4 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum. O desperdício de água tratada também ainda é um grande problema. As perdas médias nas cidades analisadas são de 43%. Em certas capitais, como Porto Velho (RO), Manaus (AM) e Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, mais de 50% da água tratada é jogada fora. Nenhuma das cidades observadas no estudo teve perdas menores que 20%.

Entre as melhores colocadas, Franca (SP) ficou com o primeiro lugar, seguida de Uberlândia (MG) e Sorocaba (SP), em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Das dez melhores cidades, sete estão em São Paulo. Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná também aparecem no ranking, com uma cidade cada.

Entre as 10 piores estão Belém (PA), que possuí mais de um milhão de habitantes e apenas 6% da população é atendida com esse tipo de serviço, Cariacica (ES), com população de 356 mil habitantes e atendimento a 14%, e Jaboatão do Guararapes (PE), com apenas 14% de atendimento de esgoto a uma população de 665 mil pessoas. Porto Velho (RO), Nova Iguaçu, Duque de Caxias e São Gonçalo, as três no estado do Rio, entraram para a lista com 0% de tratamento. No entanto, algumas cidades estão nestas condições porque não forneceram seus dados.

Segundo as conclusões do Trata Brasil, a deficiência não está no modelo de gestão nem no valor das tarifas cobradas, mas na prioridade que governantes municipais e estaduais dão à questão. Do total de cidades analisadas, em 56 delas tais serviços são prestados por órgãos estaduais, 18 por municipais e cinco por entidades privadas.

Para realizar o levantamento, foram analisadas 79 cidades com mais de 300 mil habitantes. O número total de pessoas enquadradas no estudo é de 70 milhões, população que gera, diariamente, 8,4 bilhões de litros de esgoto. O consumo médio de água por dia do brasileiro é de 150 litros. Em média, apenas 36% do esgoto gerado nessas cidades recebe algum tipo de tratamento.