Índia, país do sagrado ao profano PDF Imprimir E-mail
Verônica Theulen   
08/01/2009, 07:00


Saris coloridos enfeitam as ruas caóticas de Nova Delhi. Mulheres com rostos encobertos cruzam as ruas, palco de trânsito ensurdecedor. Um país em constante crescimento. O tigre asiático que ainda mantêm o sistema de castas em pleno funcionamento. Contrastes! Aqui ninguém é cidadão. Absolutamente, ninguém. Camelos enfeitados atravessam estradas guiados por homens de turbantes e suas mulheres silentes. Crianças descalças brincam em meio a uma sujeira surreal. Um país de sabores, cheiros e cores. De desigualdade e discriminação. Lugar apaixonante, encantador, mas também assustador.

O país da computação e da tecnologia da informação. Destino certo de muitas empresas. Em Bombaim, empresários cruzam rápidos em direção aos novos escritórios que proliferam rapidamente pela cidade. Mas o dia-a-dia deste país é absolutamente sem nenhuma modernidade. A vida diária é rudimentar em qualquer proposta de organização ou planejamento. Um país da falta completa de cuidado. Associada a esta falta de organização, vive um sexto da população do mundo. Cidades poluídas. Rios contaminados. Animais silvestres em meio a montanhas de lixo, competindo entre si e com pessoas por um pouco de comida.

A pátria da espiritualidade. Iogues, mestres, iluminados, diferentes templos e ashrams. O país dos antigos Vedas, dos textos sagrados que proíbem a destruição da natureza e afirmam que a poluição das águas é um sacrilégio. O corte das árvores também é condenado. Severas referências em defesa das florestas são encontradas em clássicos como Mahabharata e Ramayana. “Amar as árvores como se fossem seus filhos”. “O homem deveria viver em harmonia e em profunda comunhão com a terra”. Mas, na prática, isso não está em lugar nenhum. Parecem mantras repetidos por milhares de anos, sem que as pessoas tenham a menor percepção do seu significado. Aflige o desrespeito que é dado ao bem considerado o mais sagrado de todos, que é a natureza. É o sagrado se tornando profano até o extremo da mais absurda insanidade.

Natureza no seu estado primitivo, sagrada, total, plena, é rara de se ver por aqui. O mundo natural que se vê aqui é o reflexo da mente humana, tal qual como pode ser produzida por esta multidão. O que se encontra aqui é a realidade interior. É reflexo do que há na alma humana. Então, como não se surpreender que o mesmo país que se intitula como o mais espiritualizado do mundo, é o que também traz uma natureza totalmente destruída, como qualquer outro não espiritualizado. O que se vê é um completo colapso. Uma terra colapsada. Um lugar miserável em termos de políticas e ações em prol da conservação. É como ter em suas mãos um livro onde quase todas as páginas foram arrancadas, destruídas e profanadas. E quando se depara com algumas, esquecidas, últimas páginas sagradas dessa natureza selvagem, da vida silvestre abundante, da fauna exuberante, dos lugares extraordinários, é difícil conter a emoção.

É também esta natureza sacra que tem impulsionado multidões de visitantes para esta terra antiga. Que tem movimentado o mercado do turismo, como um dos melhores locais do mundo para fotografia de vida silvestre. Turistas que topam a empreita de viajar à Índia para visitar os parques nacionais. E o ponto alto destas visitas é conseguir avistar a maior de todas as estrelas, o exuberante tigre indiano. Animal solitário, símbolo da vida silvestre deste país.

Originalmente, o tigre tinha uma grande área de distribuição de locais de altas altitudes, como as florestas do Himalaia, atingindo regiões como os deltas e manguezais de Sunderbans, até as florestas do Rajastão. Desafio salvar esta espécie que no século 19 chegou a uma população de aproximadamente 40.000 indivíduos. Em 1972, a população foi reduzida para insignificantes 1.800 animais. Esta redução se deu simplesmente, pela absurda redução dos ambientes naturais devido ao crescimento demográfico. Além desta destruição, o tigre foi usado durante anos pela medicina popular, como “ingrediente” para manipulação de medicamentos para tratamento de artrite e, não menos surpreendente, como afrodisíaco. Agora, a indústria do turismo, sem controle, pode ser considerada a nova ameaça.

Graças ao esforço do Project Tiger, foi possível instituir várias áreas protegidas e ações mais efetivas para proteção da espécie. Levando ao aumento da população, em 1986, para aproximadamente 4.000 felinos.

O Parque Nacional de Ranthambore nasceu como um dos resultados deste esforço. A área é exuberante, com uma vida silvestre abundante. Autoridades oficiais admitiram, em 2005, que a população de tigres naquela área era de 47 indivíduos, número contestado pela não-governamental Tiger Watch, que afirmou haver no local apenas 15 animais. Independente da assertividade, os números pressionaram o governo a aumentar a área do parque em 4.000 km2 e a realocar populações humanas que viviam em áreas importantes, por ser necessário mantê-las livres da presença do homem.

Mas visitar os parques da Índia também é uma imersão na triste realidade das áreas protegidas mundiais. Nenhuma informação é repassada ao visitante que entra e sai delas sem se dar conta de que entrou num local protegido. Na entrada, uma série de ambulantes tentam convencer turistas a comprar produtos com a logomarca do parque. Cada um vende o que quer e não há qualquer retorno para a área. Da mesma maneira, uma série de guias levam e trazem turistas, principalmente europeus. Há uma tentativa de controle, mas apenas baseada na venda de entrada. Lembrando que muitos entram extra-oficialmente e sem controle.

O planejamento utilizado naquele parque, basicamente, é usado para dispersar as centenas de grupos que visitam a área ao mesmo tempo. Mas nunca se sabe para onde se está indo, apenas se vê outros grupos constantemente cruzando. Uma conversa em hindi entre os guias dá a impressão de que eles sabem onde estão indo. O visitante sorri e fica imaginando que se tivesse recebido alguma informação nem que fosse uma simples orientação cartográfica norte–sul, facilitaria bastante. No próximo instante, o guia repassa as informações básicas do safári.  O bonito hindi é deixado de lado e, em inglês, dá boas-vindas e fala que aquele lugar é realmente maravilhoso. Olhando para o céu, pede a proteção de Ganesha, ergue as mãos umas três vezes, numa cara de devoção, e o visitante ali, parado, simplesmente não acreditando que estas são as informações. Não há como não sorrir novamente e relaxar, afinal de contas aqui é a Índia, e tudo tem que ter este “charme” espiritual.

Cervos por todos os lados. Macacos saltitando. Paisagens maravilhosas e a expectativa de que num determinado momento o felino apareça. A vida silvestre é realmente abundante. Não se deixa de avistar animais em nenhum momento. Mas quanto ao tigre, não há como prever sua aparição; não há como esperar esta precisão da natureza. Quando a manhã já está quase no fim, há algo no ar; todos os animais ficam elétricos. Agitação, vocalização e corrida. Não há dúvidas: há tigre na área. Dois minutos e ali está diante dos olhos do visitante. Um animal imenso, um macho de uns 200 quilos, enorme, jovem, marcando o território. Neste momento não interessa se foi por proteção de Ganesha, experiência do guia, ou pura sorte. Isso não tem nenhuma importância. O que interessa é que, quando se avista um destes animais, a emoção é tamanha que não há como transcrever. O coração dispara. As lágrimas correm pelo rosto. Um profundo agradecimento por existirem parques nacionais. Uma completa satisfação. Uma emoção tamanha. A raridade de um destes encontros. Uma experiência única. Um marco na vida de qualquer pessoa.

Passada a emoção, um novo sentimento aparece, que é o de desespero porque esta natureza primitiva esta definitivamente no fim. Não há como mantê-la muitos anos. É uma contagem regressiva do que realmente desaparecerá para sempre. Restarão apenas os antigos Vedas que continuarão a enfatizar a necessidade de proteção dos ambientes naturais. E as pessoas seguirão repetindo e profanando o que é considerado sagrado.

Mas a contemplação da natureza em seu estado mais primitivo é o único e absoluto sagrado. É a manifestação do divino. E assim se caminha entre o sagrado e o profano. Surpreendendo-se, ainda, diante de cada área protegida que se visita. Feliz por ter a capacidade de se emocionar frente às manifestações da natureza selvagem. E, mesmo não conseguindo prever por quanto tempo isso ainda será possível, não se pode permitir que a tristeza tome conta, ao contrário o que surge é uma profunda alegria por saber que há muitas pessoas que sentem esta mesma emoção e estão dispostas a continuar dedicando suas vidas por esta causa, a qual embora tão profanada é de todas a mais sagrada.
Comentários
Adicionar RSS
Angela Kuczach 13/01/2009 08:36:58

Nossa Veônica.

Impossível não se emocionar com o seu texto. O primeiro
impulso é sair correndo e "fazer aquilo que tem que ser feito", o que
nesse caso significa pegar o primeiro avião pra Índia e tentar ver um tigre
enquanto eles ainda existem. Viajei com você no seu texto, em cada palavra
dele, e no significado de cada uma delas.

Trabalhamos em prol da
conservação por um sentimento que não se sabe de onde vem. Algo que é
intrínsico, genético, um sentimento que não se explica, mas que é mais forte
do que qualquer outra coisa e que nos impulsiona pra frente todos os dias... mas
é difícil não se perguntar se realmente estamos atingindo nossos objetivos.
Se estamos fazendo alguma diferença no mundo e se realmente conseguiremos
conservar alguma coisa da natureza primitiva. E quando penso na situação dos
tigres, a única palavra que me vem a mente é ABSURDO, no sentido mais profundo
que essa palavra pode ter...pensar que um animal dessa magnitude, que é pura
força, e que está no planeta a tanto tempo pode DESAPARECER da face da Terra
enquanto eu ainda estou viva, na minha geração, é surreal, inimaginável, e,
pior(!), possível! Talvez até provável...

Batalhar por áreas protegidas
é uma guerra diária, onde muito mais se perde do que se ganha, sem dúvidas. E
lendo o seu relato surge uma mistura de sentimentos: dor, desilusão, raiva,
emoção, admiração, gratidão, enfim, uma miscelânea de coisas boas e
ruins... mas, felizmente, ou fatalmente, o sentimento final é que essa é uma
guerra pela qual vale a pena lutar.

Obrigada pelo texto, e parabéns pelo
exemplo.
amei.
rosangela espindola barbosa 07/02/2009 13:31:16

amei o texto nao conhecia os problemas e as dificuldade desse povo tao cheio de
deuses ,mas que vivem tao premitivamente.um abraço.
sonia maria 21/02/2009 07:31:16

Sem palavras gostei muito da materia...
larissa santos rodrigues 26/02/2009 12:29:02

abrir a pagina e olhei logo quem escreveu deve ser o cara de bom humor
Anônimo 02/03/2009 14:49:00

eu adoro a india ,ele e um lugar sagrado toda a gente a deve preservar .
Anônimo 02/03/2009 14:57:57

os indianos tem muita força ,sao um povo muito unido e acreditam na eternidade
.
eles convivem em armonia ,fazem tambem coisas más como todas as passoas mas
a India tem um encanto natural ,eu admiro que eles gostem da natureza e a tratem
como um bem presioso isso é sinal que sao umas grandes pessoas admiro tudo na
india .fico fascinada com tudo .
Preservem.a .
um beijo para todos os povos de
la ,enfrentem a pobreza com força e fé tudo se consegue nao desistam de nada .
ooo bixi eu gosteii..
crystianvaldo 19/03/2009 12:25:41

Eu gostei as imagen mostra muitu das pesoas elas sofrem num é...coitadas...
é
pior que o sertão aki...o dò
KUYHH
IIKKH 01/04/2009 08:28:29

MMJUJULIUUUUUUUUUUUH
IIKKH 01/04/2009 08:28:49

MJHKBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBB,JJHJK
Anônimo 02/04/2009 08:00:28

realmente não da pra entender como um país que faz sepação entre clase
social pode ser uma pontencia em alguma coisa
Anônimo 02/04/2009 08:01:33

potencia
HALLEYUSALVADORDOMUNDO
HALLEYGOMESDOSSANTOS 17/04/2009 11:41:12

eu COMO SOU MUITOOBSERVADO GOSTEI MUITODE ESTA NA PAGINA DA INDIA QUERO COLABORA
I U DIA ESTA LAR OK ADORO VER AS ESPERCIA DESTE PAIS ACREÇA BEIJOS
EDITOR AECO.ORG.BR
HALLEYGOMESDOSSANTOS 17/04/2009 11:43:50

MEUS ADRADECIMENTO GOSTO DESTE LUGAR LINDO I MARAVILHOSSO
gostei muito
MARISETE 19/04/2009 09:28:47

Achei muito interessante a cultua desse povo,porem muito peculiar
hindus:um pouco da índia em minha cidade
gabriel 22/05/2009 05:58:12

em qual continente fica localizado a índia?
gabriel 22/05/2009 05:58:27

dsynfgja
gabriel 22/05/2009 05:58:35

hul.kj.ç´~ç;ghudsfbghykk
i love
luiz artur piazzoli maria 28/05/2009 12:26:07

hello! i love very this comentry traduzindo
oi! eu amei muito este comentario
ana beatriz 02/06/2009 10:30:31

http://www.petropolis.rj.gov.br/eu o muito bom tudo isso continuem assim
gostei mt
barriga 04/06/2009 05:48:41

amei esses comentarios eu amei
fernando 08/06/2009 11:16:01

Acho quu faltou emoção e clareza
repetição do fato mudando as palavras
torna o texto cansativo e desinteresante!!
acho que poderia ter explorado mais
teus conhecimentos sobre a India!!!
foda
nayra 17/06/2009 09:57:46

eu acho que essa fotue esses comentarios estão muito foda.

amei os
comentarios
comhecer mulheris amigas imdianas
jions colti 29/06/2009 17:26:41

pais maravilhoso muito bonito pessoas maravilhosas amigas pois gostaria de
comhecer imdinas solteiras
jions colti 29/06/2009 17:27:13

imdianas
the wuats is orrivels
xaymere 31/07/2009 12:15:49

the is not ring wroing
Escrever comentário

Comentários são moderados e aceitos sempre
que não trouxerem termos abusivos ou ofensivos.


Nome:
Email:
 
Título: