![]() Suzana Kahn do MMA: Transporte é o que mais causa impacto (foto:divulgação) |
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Segundo o inventário, o Programa de Controle da Qualidade do Ar por Veículos Automotores (Proconve), implementado em meados da década de 1980, foi o grande responsável pelo diminuição de certos gases, como o metano, o material particulado e o monóxido de carbono, estes os grande responsáveis pelas doenças respiratórias nas grandes cidades.(veja gráficos).
O programa não conseguiu diminuir, entretanto, as emissões de gases como os óxidos nitrosos (NOx), precursores do ozônio, e o CO2, o que aponta, segundo o MMA, para a necessidade da mudança na matriz de transporte no país, seja na substituição do meio rodoviário para outros tipos ou na melhora da tecnologia usada pelos veículos, principalmente os movidos a diesel.
“Acho assustador [o resultado do inventário]. Ele mostra a dependência que o Brasil tem no modal rodoviário e como o país está atrasadíssimo nesse assunto”, disse o ministro Carlos Minc, durante a apresentação do documento. Atualmente, o Brasil possui cerca de 36 milhões de veículos, incluindo automóveis, veículos comerciais leves, ônibus, caminhões e motocicletas. A estimativa é que, em 2020, somente a frota de motos chegue a 20 milhões de unidades. Hoje são cerca de nove milhões.
Segundo ele, a redução do IPI – medida adotada pelo governo para manutenção das vendas no setor e que contribuiu para colocar milhares de carros nas ruas desde que foi implementada, em 2009 – não afetou na piora do quadro, porque os brasileiros “apenas anteciparam” uma compra que certamente já fariam. Minc também salientou que o governo concederá desonerações nos impostos para carros menos poluentes e para veículos elétricos. Ainda são esperadas novas medidas do governo para diminuição do enxofre no diesel, aumento da porcentagem de biodiesel no combustível e investimentos na melhoria do transporte público.
Durante o evento, foram nomeadas as entidades responsáveis pelo aperfeiçoamento do inventário. Até dezembro deste ano, elas também terão a tarefa de detalhar as composições das emissões de poluentes das 10 maiores regiões metropolitanas do País: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. A idéia do governo é que o inventário sirva de ponto de partida para o Plano Nacional de Qualidade do Ar, que vai contribuir para o alcance das metas estipuladas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Dados controversos
Os dados usados pelo MMA para a realização do inventário é responsável por um grande grau de incerteza nos números apresentados, segundo André Ferreira, pesquisador de uma das entidades que participaram na formulação do inventário, o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Isso se dá porque a quantidade de poluentes emitidos é medida no momento da homologação do veículo pelo Ibama, ainda na fábrica, e em uma circunstância que não necessariamente reproduz as situações que o carro passará ao andar nas ruas. A intensidade de uso e o desgaste do veículo ao longo dos anos também não entram nessa conta.
“Foi o melhor possível [o inventário] com as informações que tínhamos disponíveis, que são públicas. O problema é que a informação disponível é pobre. O documento ainda precisa melhorar muito”, disse Ferreira a O Eco.
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