Para colocar na agenda - 2º semestre
Ana Araujo
14 de Março de 2006
Seis meses já se passaram e o desafio ainda está por vir. Uma vez encontrados e desbravados
todos os destinos sugeridos no primeiro semestre, o condicionamento deve estar em dia para cumprir as exigências da agenda do segundo semestre deste ano. São trilhas mais fortes, escaladas mais longas e, finalmente, o ápice desta jornada: a alta montanha. Mas para recuperar as energias antes de começarmos essa viagem, imaginem só: 2006 é ano de Copa do Mundo.
Julho: Copa do MundoComo diz um amigo, treino é treino e jogo é jogo. Eu acrescento – e o Brasil é o país do futebol. Apesar de não estar na minha lista de esportes outdoor, o futebol brasileiro é, a cada quatro anos, o único esporte existente no país e merece um parágrafo de atenção. Em julho teremos as quartas-de-final, as semifinais e a final do campeonato mundial. Acho uma crueldade ficar isolado em qualquer lugar, mesmo que seja paradisíaco ou desafiador, e só saber se o Brasil é hexa ou não pelos ecos distantes dos gritos da torcida “plugada” mais próxima. Por isso, neste mês recomendo casa, televisão e sofá. E, de equipamentos, todas as mandingas, amuletos e patuás para torcer pra nossa seleção.
Agosto: Illimani/ Bolívia Agosto é praticamente o único mês deste ano sem feriados ou algum outro bom motivo para faltar o trabalho, como a Copa do Mundo. Por isso é ideal para as férias oficiais. E já que o assunto é férias, esta é a época para reservar pelo menos 20 dias na agenda para uma expedição diferente, exigente e inesquecível – Illimani, a 6.400 metros de altitude, aqui do lado, na Bolívia.
Para chegar a La Paz, o viajante tem algumas opções: pode seguir direto de avião, chegando ao aeroporto mais alto do mundo, a 3.962 metros acima do nível do mar. Ou ser mais irreverente e pegar um ônibus até Corumbá (MS), seguindo pelo Trem da Morte, famoso por suas histórias de suspense. A partir de Santa Cruz de La Sierra, os translados são feitos de ônibus local.
Agora têm início as atividades, começando por uma aclimatação de quatro dias conhecendo a região através de passeios, o que inclui o Lago Titicaca, cercado pela Cordilheira Real e as trilhas da era pré-inca, no
trekking de Taquesi. Nos próximos dias, muitas escaladas em gelo e um
trekking de tirar o fôlego conhecendo primeiro o pico de Huayna Potosi, a 6.096 metros de altitude e depois, finalmente, o pico de Illimani, a 6.400 metros. Eu adoraria escrever cada detalhe desta viagem, mas só posso realizar esse desejo em agosto. Me aguardem.
Setembro: Salinas/ RJUm feriado emendado, escaladas, caminhadas e toda a contemplação do céu que um bom montanhista precisa para se certificar de que a vida vale a pena de ser vivida. As montanhas e o frio de Salinas são os destinos perfeitos para este mês da independência. Localizado na região serrana do Rio de Janeiro, o Parque Estadual dos Três Picos (ou Salinas, para os mais íntimos) é o ponto culminante da Serra do Mar, com montanhas a 2.310 metros de altitude. Abriga trilhas longas e exigentes, além de escaladas impressionantes desde a década de 40, quando o Pico Maior foi conquistado.
As possibilidades aqui são inúmeras. No parque o montanhista pode explorar caminhos pelo Pico Médio, Pico Maior, Ronca Pedra, Caixa de Fósforos, Capacete, Pedra da Norma e a mais freqüentada Travessia Três Picos — Vale dos Frades. As trilhas são todas bem longas, independentemente do seu grau de dificuldade, variando de cinco a sete horas de caminhada. Os escaladores que preferem a escalada tradicional e em móvel vão se apaixonar por este lugar: a “meca” da escalada em parede no Rio de Janeiro. A filosofia da abertura de novas vias de escalada da região, desenvolvida por grandes escaladores como Sérgio Tartari, Alexandre Portela e Sérgio Poyares, adota a postura da “escalada limpa”, maximizando as proteções naturais da pedra como fendas e chaminés, evitando assim a necessidade de grampeação e agressão ao meio ambiente.
A via mais freqüentada é conhecida como a “Leste”, culminando no Pico Maior, e exige muito compromisso do escalador que decidir aventurar-se por ela. São 17 paradas ao longo de aproximadamente 600 metros de proteções longas por fendas, chaminés, aderências e lances em artificial, requerendo técnica, familiaridade e conforto ao estilo “Salinas” de escalada. Mas, cá entre nós, quem não quer ter esse “estilo” no currículo?
Outubro: Petrópolis - Teresópolis/ RJ O mês de outubro oferece mais uma oportunidade para emendar o feriado, que ocorrerá originalmente em uma quinta-feira. É bom aproveitá-lo para realizar a
Travessia Petrô-Terê tranqüilamente. Afinal, não dá para concluir o ano sem conhecê-la ou mesmo repeti-la, independentemente de onde você more. Essa travessia de 30km de muita caminhada pode ser realizada em dois dias e meio ou em um dia, para os mais condicionados e menos interessados em aproveitar a paisagem deslumbrante da região.
Os marcos inesquecíveis para quem fez ou quem planeja fazer são: o início da viagem na entrada do parque em Petrópolis, onde o asfalto é oficialmente deixado para trás; o Ajáx, ponto de descanso antes da tradicional Isabeloca, o trecho mais exigente da caminhada com uma pirambeira bem inclinada, mas que dá acesso a um mirante para todo o vale percorrido no primeiro dia; Castelos do Açu, uma formação rochosa curiosa e belíssima para o pernoite; Subida do Elevador, simplesmente uma escadinha de vergalhões criada para facilitar a vida de quem passa; Pedra da Baleia, uma mistura de exposição e encantamento, principalmente se você decidir virar e olhar para trás ao passar por ela, para conferir a vista; o meu predileto, Vale dos Ecos, onde até se esquece de gritar para sua metade abstrata perante a grandeza do complexo de pedras como a Pedra do Sino e o Garrafão (acima e ao seu lado respectivamente); Salto do Cavalo, para dar uma pitada de adrenalina ao
trekking; a Pedra do Sino, o grande prêmio da viagem a 2.263 metros de altitude e que merece metade de um dia apenas para curti-lo; e a entrada do parque em Teresópolis, chegada que marca o final da viagem depois de algumas horas de descida.
Impossível não querer repetir.
Novembro: Caçapava do Sul/ RS 
Pouco divulgada é a região de Caçapava do Sul, mas não vai passar despercebida por aqui. Localizada na porção central do estado do Rio Grande do Sul, possui um complexo rochoso formando um conglomerado de diversas pedras que atraem os amantes da natureza e esportes de montanha.
As constantes intervenções das chuvas e dos ventos ao longo de milhares de anos presentearam a região com grutas, estalactites, labirintos, além de lendas e muita história. Uma delas é a lenda da Pedra do Segredo com suas pedras gêmeas, que diz que diversos tesouros dos jesuítas estão escondidos por entre seus labirintos rochosos e as três grandes cavernas. Além da lenda e, baseado em fatos reais, está a Toca das Carretas com suas histórias da época. Suas formações em grutas serviam de abrigo aos índios Charruas em tempos de guerra.
Independentemente das histórias, o visitante deve conhecer a Gruta da Varzinha, com suas formações de estalactites e estalagmites. Também considerada uma das maravilhas da região é Guaritas, uma área serrana com vales de pedra e grutas.

Caçapava oferece ainda muita diversão para os montanhistas que querem ultrapassar seus limites. São aproximadamente 40 vias de escalada distribuídas pela Pedra do Segredo, Pedra do Leão, Pedra Redonda, Pedra do ET, Pedra do Sorvete, Pedra da Abelha, Pedra do Índio e outras. Os graus variam, mas quem busca alguns oitavos, nonos e décimos graus em vias curtas e longas bem instigantes vai se encantar com o lugar. E para quem gosta de conquistar montanhas, o complexo rochoso de Caçapava do Sul é uma mina de oportunidades. O montanhismo na região existe há apenas 13 anos e é incentivado por praticantes de diversas partes do Brasil, já que na região ele não é muito explorado. Então? Vai ficar de fora dessas conquistas?
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Dezembro: Seu Habitat Natural Depois de passar praticamente um ano viajando, nada melhor do que olhar um pouco para a sua região e desfrutar do que o seu habitat natural tem para oferecer. É muito comum conhecermos lugares distantes, suas histórias e cultura, e não nos darmos conta da riqueza que está logo ali, do nosso lado. Portanto, tire o mês da confraternização universal para caminhar naquela trilha, subir aquela montanha, nadar naquele rio e finalmente conhecer aquela cachoeira para tomar um banho e recarregar as energias. Afinal, no ano que vem tem mais.
Feliz Ano Novo