Paraíso Paraty

Que tal conhecer doze praias, várias cachoeiras e quedas d'água, diversos poços de água fresca cristalina, degustar da gastronomia típica caiçara e apreciar um visual incrível? E o melhor, desfrutar de toda essa beleza de pertinho, durante um trekking de três dias? A Travessia da Joatinga, em Paraty é uma interessante opção para quem quer fazer um passeio no clima de férias, mas dispõe de pouco tempo para isso.

O percurso do trekking da Travessia da Joatinga é de Paraty até Laranjeiras. Durante o percurso existe opção de praias para todos os gostos: grande, pequena, com onda, sem onda, com local para mergulhar, com rio, com cachoeira, com infraestrutura e até com açaí. A trilha marca pela diversidade de situações. Oferece atividades como turismo histórico, cultural, mergulho, ondas e montanhas, muitas montanhas. Terminada a travessia, os caminhantes podem descansar na volta para o ponto de partida, que é realizada de ônibus. Com tanto o que fazer, o ideal seria realizar este passeio em quatro ou até cinco dias, para explorar ao máximo tanta beleza natural. Entretanto, nada impede de completar bem a caminhada no roteiro indicado de três dias. O grau de dificuldade é bem variado, de leve a difícil. Entretanto, se o roteiro for bem distribuído, é possível curtir o passeio sem sofrimentos nem más lembranças.

Metade das praias é encontrada no primeiro dia. Saindo de Paraty de barco, são duas horas até a Praia Grande. A partir daí a caminhada começa. São três horas bem recompensadas com o encontro das praias de Calhéus, Ipanema, Pouso da Cajaíba e Martim Sá. O trekking desse dia satisfaz até os mais exigentes, afinal, além de tanto mar, o percurso ainda oferece pelo menos três cachoeiras de médio e grande porte. O descanso é no próprio camping de Martim Sá, bem organizado apesar de simples, com banheiros (sem empolgação, pois o banho é de água fria) e um prato feito preparado no local, com direito a arroz, feijão, salada, refrigerante e, obviamente, um peixinho frito. Mas atenção! Se chegar muito tarde o “PF” pode ter acabado. Ali não tem luz, portanto, é importante lembrar de levar pilhas sobressalentes para as lanternas ou simplesmente ir dormir cedo, pois o dia seguinte é o mais puxado.

O segundo dia é o mais exigente. A partida ocorre cedo, rumo ao Saco das Enxovas, seguido de Cairuçu. Até aqui o trekking é de leve a moderado, com alguns morrotes entre as praias. O desafio mora na transição deste ponto até a praia de Ponta Negra, com uma caminhada pesada no nível "pirambus maximus", como descreveu sorrindo o engenheiro e fotógrafo Marcelo Lopes. "São duas horas de morro, subindo sem aliviar a inclinação. Mas vale cada passo", diz o trekker, que já realizou a Travessia três vezes. Nesta etapa os caminhantes devem ficar atentos porque a mata é mais fechada e a trilha mais difícil de ser identificada. Se estiver perdido, o ideal é testar os vários caminhos que aparecem. “Se estiver andando em mata fechada por mais de três minutos é porque está errado. Deve voltar e procurar novamente até encontrar a trilha que é clara”, recomenda Marcelo. Uma boa dica é perguntar sobre a trilha sempre que encontrar alguém pelo caminho, para garantir. Para terminar bem o dia, após montar a barraca no camping de Ponta Negra, vale conhecer o bar e restaurante caiçara e experimentar uma boa refeição caseira. Depois de tudo isso, não há quem resista a um bom descanso. Quem estiver com uma reserva de disposição e ache merecido dormir em uma cama ao invés de enfrentar o saco de dormir, pode caminhar um pouco mais até Galhetas, que oferece uma pousada simples e arrumadinha.

O último dia começa com uma dose básica de relaxante muscular no café da manhã. Apesar de ser o percurso mais tranqüilo, o dia anterior deixa seqüelas para os menos acostumados. Depois do desjejum, o trekking leva seus aventureiros para os paraísos de Antiguinhos, Antigos e a famosa praia do Sono. Quem pernoitou no camping de Ponta Negra ainda passa por Galhetas antes desses pequenos paraísos. O último marco e ponto final é Laranjeiras, onde infelizmente não há acesso para a praia, por ela existir dentro do território de um condomínio fechado. Mas o passeio não termina aqui. Após pegar um ônibus de volta para Paraty, vale continuar em um trekking urbano, passeando por esta cidade histórica e levando umas das lembranças vendidas na tradicional feirinha da cidade. Afinal, do trekking da Joatinga traz-se apenas as fotos, as memórias e o lixo produzido durante a viagem, certo?

Bem, o roteiro está definido, mas o que levar para esta aventura? O importante é viajar leve, otimizando as necessidades para aproveitar ao máximo o passeio. Por exemplo, não carregue demais sua mochila com mantimentos para o almoço. Explore os PF's da região, e leve apenas o necessário para dois cafés da manhã e o jantar, que não precisa ser nada pesado, visto que o almoço é tarde. Barras de ceral, pão árabe, polenguinho e atum são ótimas opções para o lanche. Optando pelo último, lembre do abridor de latas. Praia sugere Sol forte durante o dia e mosquitos à noite, portanto, não esqueça do protetor solar nem do repelente de insetos. Fora isso, apenas o equipamento básico como toalhas, escova de dente, bermuda, blusa, roupa de banho e um casaco leve, para os mais friorentos. Além disso, sacos plásticos para levar a roupa de banho molhada, talheres, lenços umedecidos e, para os mais sensíveis, Hipoglós para possíveis bolhas nos pés e demais assaduras. A viagem pode ser feita de papete, mas é interessante levar um tênis ou uma bota para as trilhas mais fechadas. O ideal é levar "uma papete e um tênis sem muita tecnologia pois as botas, mesmo impermeáveis, ficam alagadas por dentro nas áreas de praia" lembra Fran Jacobsen após realizar pela primeira vez a travessia. Roberta Loh alerta para o mesmo problema: “se a maré estiver alta, a praia inteira fica debaixo d'água. Nós tentamos atravessar correndo e não deu certo. A onda veio, veio, veio entrou água por cima da bota e adivinha quanto tempo levou para secar? E bota molhada é sinônimo de bolhas nos pés”. Para finalizar, lembre-se do kit básico de primeiros socorros adicionado de um anti-inflamatório, um anti-alérgico e o relaxante muscular.

Para aqueles que não agüentarem a pressão do passeio, existe a opção de ultrapassar os trechos mais difíceis de barco (válido para casos de acidentes e emergências também). Entretanto, tenho certeza de que os leitores desta coluna honrarão o status de trekkers e realizarão o passeio com mochila nas costas e pés no chão. Esse negócio de mula, sherpa e barco é para o pessoal do clube do sofá. Para finalizar, uma informação extra que vai animar também os ambientalistas. O biólogo Pablo Fernandez, recomenda o passeio e declara: “ É uma natureza exuberante, áreas de mata atlântica intacta, muitos pássaros, insetos, peixes e rios, já que trata-se da junção de diversas unidades de conservação (APA do Cairuçu, Reserva Biológica da Joatinga, Parque Nacional da Serra da Bocaina e Parque Estadual da Serra do Mar), formando um imenso corredor ecológico e umas das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica preservada”. Pois é. O paraíso é logo ali. Aproveitem!

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