Dos gabinetes de Brasília ao fundo do Mar, passando pelo Cerrado e outras paragens, Fabio Olmos e Aldem Bourscheit revelam as últimas notícias sobre conservação e política ambiental.

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Picolé de tartaruga
09/02/2010, 10:00
A onda de frio que domina a costa atlântica os Estados Unidos já resultou em mais de 3.600 tartarugas marinhas enviadas a centros de resgate, além de outras 948 mortas. As águas super frias fazem com que as tartarugas, incapazes de manter a temperatura corporal elevada o suficiente, literalmente morram de frio.

 
Procurando Nemo
09/02/2010, 08:00

Todo biólogo marinho deve querer por as mãos no equipamento utilizado por empresas petroleiras para inspecionar plataformas e operações de perfuração. Submarinos com câmeras operados remotamente (ROVs), capazes de descer a milhares de metros de profundidade, são brinquedos muito mais acessíveis a uma grande petroleira do que à maioria das universidades. O Serpent Project nasceu exatamente da colaboração entre empresas como a Statoil, Chevron, Total e British Petroleum, seus prestadores de serviços e instituições de pesquisa como National Oceanography Centre, Southampton, Louisiana State University, University of Sydney e University of Wollongong. O objetivo é explorar áreas a grandes profundidades cuja biologia é praticamente desconhecida. A última façanha do projeto foi filmar o enigmático oarfish (foto) no Golfo do México. Uma galeria com outras criaturas documentadas pelo projeto, em locais como a Mauritânia e a Venezuela, pode ser vista aqui. Não seria incrível ver este tipo de pesquisa acontecendo no Brasil?

 
Jacamim, validado e ameaçado
08/02/2010, 10:00
O número de espécies presentes em uma determinada região tem sido subestimado devido à nada trivial questão de se definir onde uma espécie "termina" e outra "começa", a qual tem causado discussões sem fim. Uma recente revisão das formas geográficas ou subespécies do jacamim-de-costas-verdes (Psophia viridis), feita por Marina Oppenheimer e Luis Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, mostrou que esta espécie é, na realidade, três.

Uma delas, recém reconhecida, a Psophia dextralis, ocorre na área entre os rios Tapajós e Tocantins, enquanto o Psophia viridis verdadeiro está restrito à parte da Amazônia entre o rio Tapajós e o rio Madeira. A terceira espécie, Psophia obscura, ocorre apenas na porção da Amazônia a leste do rio Tocantins, exatamente a mais desmatada em todo o bioma graças a madeireiros, pecuaristas e sem-terra fazendo sua lambança em clima de total impunidade.

A única unidade de conservação de proteção integral na região é sitiada e já muito detonada reserva biológica do Gurupi, no Maranhão. A nova-velha espécie já é considerada em perigo de extinção pela lista brasileira de espécies ameaçadas.

 
Estranhos nas águas
08/02/2010, 09:00
Pesquisa feita por Horácio Ferreira Júlio Júnior, Claudenice Dei Tós, Ângelo Antonio Agostinho e Carla Simone Pavanelli, todos da Universidade Estadual de Maringá (PR), mostra que a construção da hidrelétrica de Itaipú, ao afogar a barreira representada pelas cataratas de Sete Quedas, resultou na invasão do curso superior do rio Paraná e de seus afluentes por 33 espécies de peixes antes desconhecidas naquela porção da bacia. Elas incluem duas espécies de raias, uma piranha e vários cascudos. Todas são sedentárias ou realizam migrações curtas, em contraste com os peixes de piracema, que dominavam a comunidade antes da construção da barragem. Os autores concluem que invasões massivas por espécies alóctones, amplamente ignoradas por estudos de impacto ambiental, é uma possibilidade real quando represas eliminam barreiras naturais. E aí vêm usinas no rio Madeira e Xingu, fora outros atentados à biodiversidade nacional.

 
Um milhão pelas aves
06/02/2010, 19:19
A quarta edição do concurso Avistar Itaú BBA de fotos de aves já registrou mais de um milhão de votos pela Internet para o prêmio especial Vox Populi, com valor de 4 mil reais, onde o júri selecionará uma vencedora entre as dez fotos mais votadas pelos internautas através do endereço www.avistarbrasil.com.br/concurso/2010/voxpopuli  As inscrições para o concurso começaram em 25 de novembro passado e seguem até 22 de fevereiro. Sua edição atual premiará fotos de aves brasileiras em liberdade nas categorias Melhor Fotografia (qualidade fotográfica), Melhor Registro (raridade da espécie e momento especial da foto) e Primeiras Aves (para iniciantes). Também há Menção Honrosa e mais dois Prêmios Especiais. Ao todo, são 62 mil reais em prêmios. Os fotógrafos podem ser amadores ou profissionais, brasileiros ou estrangeiros. Mais informações aqui.
 
Últimos refúgios do Canastra
05/02/2010, 11:30
O tatu-canastra (Priodontes maximus) é o maior tatu do planeta, pode chegar a 60 quilos. Naturalmente incomum, a espécie é considerada ameaçada pela destruição de seu habitat e pela caça, embora originalmente ocorresse na maior parte do Brasil.

Sua situação na Mata Atlântica é grave, segundo pesquisa de Ana Carolina Srbek-Araújo, Leandro Scoss, André Hirsch e Adriano Chiarello, que econtraram evidências da espécie apenas no Parque Estadual do Rio Doce (MG), na Reserva Biológica de Sooretama e na vizinha Reserva Natural Vale, ambas no Espírito Santo.

Ficou claro que a espécie desapareceu de áreas onde antes havia sido registrada nas décadas de 1990 e início da de 2000, como na fronteira entre Minas Gerais e Bahia, onde a caça é intensa e a lei ausente. Já a reserva de Sooretama é atravessada pela BR-101, um conhecido matadouro de animais, atropelados no intenso tráfego de caminhões e uma barreira efetiva que isola suas populações.

Uma boa amostra sobre o comportamento brasileiro para 2010, ano internacional dedicado à biodiversidade.



Saiba mais:
Minc e a licença bizarra de Jirau 
A Chapada da Soja
Sinal vermelho
Tiro no pé

 
Ruralistas e governos, lá e cá
05/02/2010, 10:00

Aves européias associadas a campos e áreas abertas estão em declínio com a substituição de técnicas agrícolas tradicionais pela agricultura industrial. O problema está associado a mudanças no calendário de colheita e no declínio do pousio, que resulta em campos sendo colhidos quando as aves estão nidificando e na conversão em terra nua de áreas que antes forneciam alimento a elas durante o inverno. 

O resultado é que aves antes abundantes como o trigueirão (Miliaria calandra) se tornaram muito mais raras, esta tendo declinado quase 90% no Reino Unido nos últimos 40 anos. Uma surpresa foi o encontro de uma população de 700 delas em uma propriedade em Bedfordshire, hoje a feliz hospedeira de 4% da população da espécie no país. A razão está na atitude do proprietário, Steve Bumstead.

“Estou atônito pela excitação que este achado causou. Mas sempre fiz coisas para a vida selvagem na fazenda, como deixar restos de colheita de cevada no campo. Para mim é rotina. Eu acredito que os fazendeiros são os guardiões do campo e se há algo que podemos fazer para beneficiar a vida selvagem, então devemos fazê-lo", disse em nota do RSPB. 

No Reino Unido, produtores agrícolas recebem compensações financeiras do governo caso deixem os restos de sua colheita nos campos durante parte do inverno, ao invés de ará-los, ou se semearem misturas de espécies que forneçam sementes usadas como alimento pelas aves durante este período.

 

 
Wolverine em apuros
05/02/2010, 09:00
O Gulo gulo, mais famoso pelo nome em inglês wolverine, compartilhado por um mutante homônimo, é um dos predadores mais raros das grandes florestas do Hemisfério Norte, ocorrendo da Escandinávia através da Rússia, Sibéria, Alasca e Canadá. O animal real é um predador especialmente adaptado para viver em áreas que passam boa parte do ano cobertas por neve profunda, onde captura roedores que se mantêm ativos sob o lençol de neve e cervos e outros animais maiores que afundam na neve, na qual ele se movimenta com facilidade graças a suas grandes patas. Neve profunda também significa mais cervos, renas e outros animais mortos, um recurso alimentar importante para a espécie.

Estudo feito no Canadá mostra que suas populações estão declinando na mesma medida da espessura da neve acumulada a cada inverno. Em partes daquele país, a camada diminuiu significantemente entre 1968 e 2004, e esta parece uma tendência geral para o continente. O estudo realizado por pesquisadores da University of Montana and Pennsylvania State University é o primeiro a documentar o declínio de um mamífero terrestre associado a condições resultantes das mudanças climáticas.
 
Capital rumo ao caos
04/02/2010, 16:00

Tentando driblar a insensibilidade ambiental dos governos e do Judiciário, manifestantes botaram novamente a boca no trombone contra a urbanização desenfreada no Distrito Federal. O último movimento de preocupados cidadãos (foto) com o sumiço de áreas verdes, a saturação dos sistemas para coleta e tratamento de esgotos e com o pequeno inferno que está se tornando o trânsito na capital federal foi contra a expansão do bairro Sudoeste. Segundo eles, a empreitada está a cargo da Antares Engenharia, que recebeu autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional para plantar mais 22 prédios com seis andares de apartamentos, além de outras seis edificações comerciais e uma institucional. Em junho, a Unesco revisará o tombamento como patrimônio da humanidade concedido ao Plano Piloto da capital, em 1990.

Saiba mais:
A construção do caos
Capital sem filtro

 
Flagrados do espaço
04/02/2010, 15:12
Nota distribuída hoje pelo federal Sipam - Sistema de Proteção da Amazônia conta que quase 600 hectares em desmatamentos ilegais foram flagrados no semestre passado dentro da área de proteção ambiental (APA) Cabeceiras do rio Cuiabá, nos municípios matogrossenses de Rosário do Oeste e Nobres. O crime foi detectado com a ajuda de imagens de satélite e, após vistoria em campo pela secretaria de meio ambiente do Mato Grosso, foram aplicadas multas somando mais de um milhão de reais. Segundo o órgão estadual, alguns desmatadores eram reincidentes. Isso mostra pressão contínua sobre a APA, que perdeu quase três mil hectares de florestas entre 2007 e 2008. Mais de 40% de sua vegetação já desapareceram. A nota do Sipam não informou o nome de quem cometeu a ilegalidade e nem se as multas foram pagas.
 
Lagartos da mata seca
04/02/2010, 09:33

Dois anos de pesquisas permitiram ao biólogo Mauro Teixeira Júnior levantar dados sobre hábitos alimentares, relações com o clima, períodos de reprodução e outras informações inéditas sobre lagartos que vivem no pouco estudado vale do rio Peruaçu, norte de Minas Gerais, onde avança o semi-árido brasileiro. Foi lá que ele avistou, em 2007, um Enyalius pictus, espécie que até então especialistas só haviam encontrado na Mata Atlântica. A pesquisa conduzida junto ao Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo teve apoio da Fapesp e recolheu dados preciosos sobre aqueles animais, típicos da "mata seca" que cresce sobre solos calcários e que perde as folhas a cada estiagem. Alguns lagartos terão seu DNA analizado para aprofundar o conhecimento sobre suas características e, quem sabe, apontar novas espécies. Por falar nisso, nas armadilhas preparadas por Teixeira durante a pesquisa também surgiu um novo sapo. Adiante, o biólogo deve seguir vasculhando regiões semelhantes no restante do Brasil. Mais informações da agência Fapesp aqui.

Saiba mais:
Bem-vindas à ciência
A viagem do espeleólogo Claude Chabert
Sem abalos
Reencontro

 
Energia mirabolante
04/02/2010, 10:10
A Southwest Solar Technologies é uma empresa norte-americana que anunciou no início deste ano o que seria um novo meio para armazenar energia: sua idéia é comprimir ar em cavernas aproveitando o excedente de eletricidade nas horas de menor consumo e, depois, usar esta pressão para movimentar turbinas. Bem, o conceito, conhecido na terra de Tio Sam como Compressed Air Energy Storage, já vinha sendo aproveitado por outras empresas nos Estados Unidos, como a Pacific Gas & Electric, e também na Alemanha e na Suíça. O governo desse último país lançou até um programa para tentar resolver problemas locais envolvendo a baixa eficiência da compressão e expansão do ar comprimido. Mesmo com viabilidade duvidosa, o modelo mostra que alternativas e pesquisas vêm avançando no setor de geração de energia.

 
Converter para recuperar
03/02/2010, 15:10
Conversas frequentes nos últimos anos sobre conversão de dívidas brasileiras com os Estados Unidos podem render cerca de 50 milhões de reais para recuperação da Mata Atlântica, e também da Caatinga e do Cerrado. Uma nova reunião entre membros do Itamaraty, ministério do Meio Ambiente e representantes do governo norte-americano aconteceu na última semana, por satélite.

O valor pode se reduzir um pouco, caso o governo brasileiro realize pagamentos dos débitos até o fechamento de um acordo. O ministério tem dúvidas sobre se o dinheiro necessitaria passar pelo crivo do Congresso antes de ser aproveitado no país, via editais públicos gerenciados pelo Funbio - Fundo Brasileiro para a Biodiversidade.

No início do ano, outro acordo firmando entre instituições alemãs já havia garantido 6,5 milhões de Euros para criação de áreas protegidas públicas e particulares, adequação ambiental de imóveis rurais, proteção da água e da biodiversidade na Mata Atlântica, além de três milhões de Euros para estudos técnicos no mesmo bioma.
 
Guerra das reservas legais
03/02/2010, 14:17
Notícia replicada pelo portal Celulose Online dá conta de que o Maranhão poderá "perder" uma fábrica de papel e celulose da Suzano para o estado do Tocantins. Aparentemente, o motivo não tem nenhum fundamento fiscal, mas sim ambiental. Acontece que o Maranhão está praticamente todo dentro da área da Amazônia Legal, onde só se pode desmatar 20% de cada propriedade. Enquanto que o Tocantins está no Cerrado, onde se pode desmatar exatamente o inverso, oito em cada dez hectares das propriedades rurais. Executivos da Suzano teriam procurado a governadora Roseana Sarney e comentado sobre um "prazo" de seis meses para resolver a questão. Os planos da empresa para o estado incluem investimentos de aproximadamente três bilhões de reais para implantar uma fábrica de papel e celulose, bem como os plantios de milhões de eucaliptos para seu funcionamento. Um dos "motivos" para o aporte seria a "infraestrutura estratégica" estadual, como as ferrovias Carajás e Norte-Sul.

Saiba mais:
Menos Cerrado, mais eucalipto
Cem milhões no Nordeste
Suzano no Piauí

Migrações e disputas estaduais

 
Pelo parna de Gandarela
03/02/2010, 13:44
Duas dezenas de entidades civis lançaram um abaixo-assinado eletrônico pedindo a criação do parque nacional da Serra da Gandarela, nos municípios mineiros de Caeté, Santa Barbara, Barão de Cocais, Rio Acima, Itabirito e Raposos, na região metropolitana de Belo Horizonte. A área faz parte da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, funciona como divisor de águas nas bacias hidrográficas dos rios Doce/Piracicaba e São Francisco/Rio das Velhas, formando um corredor ecológico natural com a Serra do Caraça. A Mata Atlântica de lá é a maior parcela preservada de toda a região. Em Gandarela também já foram catalogadas mais de 50 cavernas e um sítio paleontológico com depósitos sedimentares da idade terciária. Conforme as ongs que propuseram a mobilização, a serra tem seu futuro ameaçado pela mineração. Você pode acessar o abaixo-assinado aqui.

 
Dia de foto: mamonarana
03/02/2010, 10:51
Com cerca de trinta parentes espalhados pelos trópicos, a mamorana (Pseudobombax longiflorum), também conhecida como embiruçu-do-Cerrado,  tem flores que atingem até 20 centímetros de diâmetro, inconfundíveis com suas pétalas delgadas em puro branco. A espécie é teoricamente imune ao corte no Distrito Federal, onde é patrimônio ecológico.
 
Uma licença sem vergonha
01/02/2010, 16:04
Incapaz de seguir gerando energia sem provocar colossais impactos socioambientais, o governo recupera, rumina, insiste e nesta segunda-feira liberou a licença prévia da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), projeto gestado e formatado durante a Ditadura Militar. O canetaço que, segundo ambientalistas pode decretar a morte do rio Xingu, de paisagens belíssimas (foto) e de diversos povos afetados direta e indiretamente pela obra, recai no colo da intrépida trupe do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) e do presidente do Ibama Roberto Messias, cuja saída estaria programada para breve. Para não variar, a concessão da licença contraria parecer dos técnicos da casa.

Ao lado de indígenas e ribeirinhos e do Movimento Xingu Vivo para Sempre, a Rede Brasileira de Justiça Ambiental e o Forum da Amazônia Oriental lançaram uma nova campanha contra Belo Monte. A resistência reforçada se deve a ofensiva governista para aprovar o sinistro projeto sem debate com as comunidades afetadas e sem realizar a obrigatória consulta às mesmas, como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário. Povos indígenas vêm lutando contra o projeto há mais de duas décadas, como os Tuxucumarrãe e os Kayapó. Um vídeo com suas opiniões foi lançado há poucos dias. Confira abaixo.

Segundo os movimentos sociais contrários a Belo Monte, a usina será a terceira maior do globo e sua construção devastará imensa área de floresta amazônica no Brasil e ameaçará unidades de conservação e a sobrevivência de povos indígenas e tradicionais. O projeto é o maior do PAC, programa federal para aceleração do crescimento sem cuidados ambientais e principal alicerce da candidatuda à presidência da ministra Dilma Roussef (Casa Civil). A usina integra planos para cerca de uma centena de hidrelétricas na Amazônia brasileira, acumulando estragos inimagináveis que o governo pretende varrer para debaixo do tapete.

Estudos independentes demonstraram que os custos reais do empreendimento estão subestimados. Francisco Hernandez, engenheiro elétrico e coordenador de um grupo de 40 especialistas em vários setores que analizou os estudos de Belo Monte é enfático. "Belo Monte é um projeto de viabilidade duvidosa, extremamente complexo e que depende de enormes desvios do rio Xingu, escavações e movimentos de terra semelhantes ao que ocorreram na obra do Canal do Panamá", disse em nota da International Rivers Network.

 

Além disso, Belo Monte vai gerar pouca quantidade de energia durante três a quatro meses ao ano, com investimentos iniciais previstos de até 17,5 bilhões de dólares. Uma festa em período eleitoral. "Ninguém conhece os custos reais de Belo Monte. O projeto irá desclocar dezenas de milhares de pessoas e destruir o modo de vida de outros milhares. Enquanto o Brasil pede à comunidade internacional que apoie a proteção da floresta tropical, seu governo insiste em megaprojetos de infraestrutura, que são ambientalmente e socialmente indefensáveis, disse Aviva Imhof, diretor de campnhas da International Rivers.

Parte da obra será financiada pelo BNDES. A energia de Belo Monte vai abastecer os grandes centros urbanos no Sudeste e uma fábrica de alumínio no Pará.
 
O documentário Xingu: porque não queremos Belo Monte, pode ser conferido aqui.

Saiba mais:
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Alterando a Juréia
01/02/2010, 16:29
Hoje e amanhã (2), em Peruíbe e depois em Iguape, acontecem as consultas públicas promovidas pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente de São Paulo sobre a reclassificação da Estação Ecológica da Juréia, no litoral sul daquele estado. O encontro de hoje é no Centro Comunitário de Peruíbe, e o de amanhã no Salão Paroquial de Iguape, a partir das 15h. Estarão em debate propostas da Fundação Florestal e, por exemplo, da União dos Moradores da Juréia.

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Juréia em litígio
Justiça invalida mosaico da Juréia
Protesto na Serra do Mar
Bananais são erradicados na Juréia

 
Nacionalizar para facilitar
01/02/2010, 12:00
A praticamente certa compra da fatia da Yara na Fosfértil pela Vale, por 785 milhões de dólares, deixou ambientalistas de Anitápolis (SC) de orelha em pé. Antes, a mineradora já havia fechado negócio para a compra dos ativos de fertilizantes da Bunge no Brasil, por 3,8 bilhões de dólares. Juntas, as ações compradas pela Vale fazem com que ela detenha mais da metade dos papéis e o controle sobre a Fosfertil. Mas se ouve por aí que a empresa pretende adquirir 100% das ações da principal fabricante de matérias-primas para fertilizantes do Brasil.

Segundo Jorge albuquerque, da associação Montanha Viva, a compra da parcela da norueguesa Yara pela Vale também tem fundamento político, pois dá uma pintura nacionalista ao projeto que pretende plantar uma mina gigante para exploração de fosfato e indústria de ácido sulfúrico a céu aberto nas cabeceiras dos rios Braço do Norte e Pinheiros (foto), na bacia do Rio Tubarão, em área preservada de Mata Atlântica naquele município catarinense. "A coisa vai ficar mais complicada. A estratégia foi retirar uma multinacional do projeto e colocar uma empresa verde-amarela", disse.

Conforme decisão da justiça federal de setembro de 2009, reforçada em novembro do mesmo ano, a obra segue embargada. Na decisão, o juiz federal João Pedro Gebran Neto ressaltou a perspectiva de "danos ambientais irreversíveis" e também destacou que o governo catarinense atestou a viabilidade ambiental do empreendimento com base em estudos feitos "unilateralmente pelos empreendedores". 

Saiba mais:
Mantido breque na fosfateira
Rio dos Pinheiros, em Anitapolis (SC)
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Ambientalista agredido em SC
Fragilidade ambiental em SC

 
Seu desenvolvimento, nosso massacre
01/02/2010, 11:00
Representantes de organizações e povos indígenas como Truká, Tuxá e Tumbalalá visitaram a Itália nos últimos dias como parte de um "giro pela Europa" para divulgar impactos nefastos da transposição do rio São Francisco e violações dos direitos humanos na preparação e execução do projeto federal. Durante encontro com o deputado nacional italiano Domenico Scilipoti (da Comissão Meio ambiente, Território e Obras Públicas e da luta contra a privatização da água na Itália), Saulo Feitosa, secretário-adjunto do brasileiro Conselho Indigenista Missionário (Cimi), comentou que o PAC tem 450 obras dos programas do governo Lula que afetam Terras Indígenas. "Segundo nossos dados e pesquisas, há pelo menos 21 projetos que afetam povos indígenas não contatados, em risco de extinção. Temos experiências anteriores, esses encontros são fatais para estes povos. Nesse sentido, a gente fala de etnocídio”.

Já Uilton dos Santos, cacique Tuxá e coordenador-geral da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, disse que a oposição ao projeto não é uma mera oposição dos indígenas ao desenvolvimento, mas à forma de alcançá-lo. "Desenvolvimento sim, mas não a todo custo. A economia passa por cima da vida e por cima dos direitos humanos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais”, ressaltou. Ele também salientou que a transposição transformará o rio São Francisco no maior mercado hidrográfico do mundo, e que sua água beneficiará apenas o agronegócio e indústrias, não os povos carentes da região. “Para os índios, a água é um bem comum da humanidade, não é mercadoria”, disse. "O vosso desenvolvimento é o nosso massacre!", completou Pretinha, liderança do povo Truká.

Depois dos encontros na Itália, a delegação seguiu para Genebra (Suíça), para encontrar-se com representantes da Organização das Nações Unidas, e depois para Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha). As informações são do Cimi.

 
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