Dos gabinetes de Brasília ao fundo do Mar, passando pelo Cerrado e outras paragens, Fabio Olmos e Aldem Bourscheit revelam as últimas notícias sobre conservação e política ambiental.

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Pequenos contra alterações no código
28/04/2009, 13:17
Valendo-se do alento silencioso do Palácio do Planalto, ruralistas, parlamentares, o governador de Santa Catarina Luiz Henrique da Silveira e o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) vêm defendendo com unhas e dentes alterações no Código Florestal. Eles alegam, entre outros pontos, que manter a legislação como está inviabilizará o número mágico de um milhão de pequenos produtores no país.

Curioso, O Eco quis conhecer um pouco do que pensam os tais pequenos produtores, ouvindo Graça Amorim, coordenadora de Reforma Agrária da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil (Fetraf). As respostas apontam para algo bem diferente do alardeado pelos defensores de mudanças no Código Florestal.

Como a Fetraf avalia as propostas encabeçadas por ruralistas para mudanças no Código Florestal?
Graça Amorim -
Não precisamos mexer no Código Florestal Brasileiro para fazer agricultura familiar. O código dá conta das necessidades do Brasil. Precisamos apenas de pequenos ajustes, não dessa sangria desatada que a bancada ruralista está propondo. O Estado brasileiro também não implementou a lei como devia, não deu a devida publicidade e não internalizou debates sobre o assunto. Quem esculachou o código, quem fez pecuária, quem desmatou a Amazônia foi a bancada ruralista. As mudanças que eles propõem são, inclusive, para aumentar o desmatamento na Amazônia, no Cerrado, no Brasil. O código de Santa Catarina foi um desastre. O estado sofreu aquele acidente por falta de prevenção e preservação. Estamos preocupados porque alguns agricultores familiares estão comprando gato por lebre e achando que mexer no Código Florestal fará a agricultura familiar se consolidar. Não é por aí.

Quais seriam esses pequenos ajustes? Como resolver casos de pequenos produtores com terrenos bloqueados pela existência de nascentes, rios e afins?
Graça Amorim -
Precisamos de uma política que garanta a sobrevivência de famílias próximas a áreas de conservação. Hoje há muita limitação. Culturas e conservação podem se adequar, por exemplo com a apicultura e outras atividades. Obviamente não precisamos diminuir áreas de conservação. Agricultura familiar pode conviver em harmonia com o meio ambiente. Sobre a água, é possível se buscar alternativas de produção adequadas às realidades das áreas ocupadas.

Quais são as reais necessidades dos pequenos produtores brasileiros?
Graça Amorim -
Entendemos que o estado deve investir em tecnologia para sustentabilidade, educação, formação técnica, reforma agrária. Há espaço e oportunidade no país para se potencializar a reforma agrária. Precisamos de oportunidade, não precisamos degradar o meio ambiente para fazer agricultura, isso é coisa do passado. Ainda há uma distância muito grande entre as políticas de Estado e as necessidades da agricultura familiar. Se degradarmos hoje, pagamos a conta amanhã. Isso não é Filosofia.

Pequenos produtores respondem por quanto da produção de alimentos no Brasil?
Graça Amorim -
Os últimos estudos mostram que entre 78% e 82% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, nas cidades, vêm da agricultura familiar. A grande produção baseada em monoculturas não fica no Brasil.

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Comentários
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Rafa 28/04/2009 16:14:40

Que belo "cala boca ministro" que foi essa entrevista!

Meus parabéns
pela iniciativa de O Eco de buscar a verdade por trás dos discursos de um
hipócrita dissimulado.

Agora cabe ao senhor Carlos Minc cumprir sua
importante missão e defender o meio ambiente dos ataques do Sr. Reinhold
Stephanes!
Agricultura familiar não é valorizada
Tadeu Santos 28/04/2009 16:30:16

Em todas nossas declarações afirmávamos que não seria a ampliação de área
de plantio junto às margens dos rios conforme proposto no Código ''nada''
ambiental de SC, que iria resolver o problema da agricultura familiar, primeiro
porque pouco resta de mata ciliar com 30m, a grande maioria aqui no sul do
estado possui apenas 3 a 5m de largura, segundo porque apenas políticas
públicas sérias e abrangentes ajudarão o pequeno colono a sobreviver
dignamente. Se o Governo estivesse preocupado com a agricultura familiar teria
aprovado a emenda que propunha a taxa de compensação ambiental ao colono que
mantivesse preservada alguma área de mata nativa em sua propriedade. O
depoimento da Graça Amorim da FRETAF é oportuno e esclarecedor para a opinião
pública melhor avaliar o conflito, propositadamente criado pelo governador LHS
de Santa Catarina, com ‘’apoio’’ dos de****dos estaduais e de
‘’todos’’ que o cercam. www.codigo-ambiental-santa-catarina.blogspot.com
O interesse é poduzir desmatando
Paraguassú Éleres 28/04/2009 16:59:52

Segundo Reinhold Stephanes, as áreas derrubadas e degradadas já são
suficientes para que não se derrube mais nenhuma árvore, o que em tese
significaria impedir o avanço do desmatamento no Brasil, com mais de 60
milhões de hectares de áreas degradadas, sobretudo na Amazônia, e pode
parecer que Stephanes se preocupa com os desmatamentos, ele que do time dos
desenvolvimentistas, teve opinião pública divergente da ex-ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva sobre o desmatamento na Amazônia, Essa postura se
contrapõe com a que manifesta em relação à mudança do Código Florestal,
ousando falar em nome dos pequenos produtores. O que se pretende é ampliar as
possibilidades de desmatamento, deixando a solta as grandes empresas cuja
monocultura exportadora garante que os porcos do “primeiro mundo” tenham a
“bóia” garantida mas não garante aos nossos “sem bóia” a esperança
mínima de encher o bucho. A facilidade com que as elites rurais tiveram terras
baratas para usar (e abusar) na Amazônia remonta à velha e corrupta SUDAM que
financiava com dinheiro público para desmatar, sem compromisso com a
preservação dos mananciais, aspecto a que pouca atenção foi dada, pois vêm
como quimera a questão ambiental e o desaparecimento das cabeceiras dos
igarapés e rios.

Paraguassú Éleres
Até que fim
Luiz 30/04/2009 18:57:36

Até que enfim um "pequeno" pra falar dos e pelos "pequenos"!
Parabéns ao Eco pela oportunidade aberta às vozes que não jogam o joguinho
sujo e dissimulado dos ******s que dominam e, pela força da grana, predominam
no Brasil. Realmente obrigado.
B-A-B-A-C-A-S
Luiz 30/04/2009 18:59:00

A palavra cortada foi B-A-B-A-C-A-S. Dizer ******s pode, não, editor? Pra uma
Katia Abreu não há melhor.
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